6. Results and Findings
6.2. Qualitative Analysis: Excerpts from interviews and other observations
Para o ambientalista brasileiro Maurício Waldman no seu artigo, ―Pra onde vamos?‖ (apud. CASTRO, 2003, p. 13-39), uma das causas da grande destruição ambiental é a dissociação, ou afastamento, de ecologia e economia, ou seja, a crise ecológica é decorrente desta falsa dicotomia, que principalmente o mundo ocidental estabeleceu. Ecologia e Economia não são termos antagônicos, muito pelo contrário, devem e precisam ser complementares.
Para dar um primeiro passo para compreender melhor essa relação, que deve ser harmoniosa, entre Economia e Ecologia, se faz necessário ampliar o sentido da expressão ―oikos‖, que é a raiz das duas palavras e que já foi pré-conceituada neste trabalho, no entanto aqui será feita de maneira mais profunda. Waldman apresenta uma conceituação mais ampla a partir da pesquisa de Florenzato, vejamos essa conceituação:
...oikos, na descrição de Homero, está impregnado de um sentido bem mais profundo. Na realidade, o oikos, corresponderia a uma unidade auto-suficiente de produção de consumo, do qual dependia a sobrevivência do grupo, subentendendo também uma determinada organização política. [...] outros termos do antigo grego relacionam- se com a palavra oikos. Seriam eles: oikeiotês (relação, aparentado, amizade); oikeiow (habitar, coabitar, reconciliar-se, estar familiarizado);e finalmente oikoumene (terra habitada, mundo conhecido e civilizado, originalmente dizendo respeito às terras conhecidas pelo mundo greco-romano. (apud. CASTRO, 2003, p. 14)
Esta conceituação é uma grande contribuição para a temática que tratamos nesta parte do trabalho. Entendendo que oikos é mais que uma casa, pode-se fazer, outras correlações de uma nova cultura ambiental. Um bom exemplo sobre isso é enfatizar uma última palavra que apresentada nesta última citação: A palavra oikoumene. Oikoumene é a origem da palavra Ecumenismo, que está completamente relacionado com o cerne das preocupações ambientais, pois trabalha para a elaboração de uma nova ética de unidade, onde os recursos naturais devem ser cuidados e usados de maneira equilibrada por todos e todas.
A visão ecumênica pode contribuir muito na busca de soluções para a finalização desse tempo de destruição. A partir desta ampliação destacam-se alguns aspectos observados:
Primeiro, é que para Maurício Waldman a tradução de oikos como casa é pobre não é correta, veja: ‖O oikos‖ pressupunha um nexo de relacionamentos sociais e não se restringia aos aspectos físicos ou materiais de uma moradia, ponto de partida para muitas das interpretações da ecologia e da economia. (cf. apud. CASTRO, 2003, p. 14)
Assim este termo tem muita consonância com as definições discutidas acima a partir das percepções ecológicas de Boff. As ―leis‖ ecológicas não são estáticas, mas dinâmicas, pois, dizem respeito aos relacionamentos.
Segundo, Waldman diz que oikos também diz respeito à produção e consumo. Sendo então impossível separar os conceitos de ecologia e economia. Vejamos: ―... quando discutimos a questão ecológica dissociada da econômica, estamos diante de um equívoco grave. É necessário repensar ambas de modo conjugado e articulado. Uma economia que pretenda de fato ser uma oiko-nomos tem que ser uma economia ecológica. Por sua vez, uma oiko-logos que faça sentido tem também de incorporar uma vertente econômica.‖ (cf. apud. CASTRO, 2003, p. 14-15)
O Terceiro traz o conceito de equilíbrio em sua essência, pois é inerente ao significado de oikos a noção de auto-suficiência, no entanto a ecologia e economia que conhecemos não zelam de maneira alguma por estes princípios: equilíbrio e auto-suficiência. Observe: ‖Ora, o problema é que economia que conhecemos não estabelece a ordem, mas cria a desordem. Economia, ordem na casa, tem que ser um sistema que produza equilíbrio entre oferta e demanda. Uma economia que, como a brasileira, promove 40% da população para integrar o mercado e exclui os demais 60% não seria economia no verdadeiro sentido da palavra‖. O Quarto é a proposta do significado de Oikos como dimensão política, social e econômica, que torna impossível a dissociação das duas esferas: econômica e ecológica. Veja: ―Ao se deixar de lado a influência da economia e das questões social e política, corre- se o risco de não encontrarmos nenhuma solução autêntica para a crise do meio ambiente. Não há como desvincular discussões que em si mesmas nascem articuladas uma à outra. (cf. apud. CASTRO, 2003, p.15)
O Quinto item é a Terra inteira ser considerada oikos. A sobrevivência deve ser discutida a partir deste princípio. Todos os seres estão diretamente influenciados pela maneira que todos os seres se relacionam nesta grande casa
As sociedades do passado assistiram a diversas crises ambientais, mas na maioria dos casos o ambiente conseguiu recuperar-se, ao menos de modo a permitir o surgimento de outras sociedades posteriores à crise. Foi assim que na antiga oikoumene, após a devastação promovida pelo imperialismo romano, a natureza encontrou oportunidade de recuperação, possibilitando, por exemplo, o surgimento da sociedade feudal. (apud. CASTRO, 2003, p. 15)
Para Waldman a maneira de se relacionar com o meio ambiente, com a oikoumene, no passado não foi tão degradante ao ponto de não haver uma nova oportunidade de desenvolvimento de sociedades. No entanto as consequências da dominação como forma de se relacionar da sociedade moderna com a oikoumene moderna, tem gerado uma crise ecológica. Veja o que ele diz sobre isso: ―... caso a oikoumene da modernidade mantenha sua forma de reprodução, o mesmo não está colocado para nós.42 O enfrentamento da deteriorização da biosfera deve buscar a causa comum da conquista da justiça social e do respeito ao meio ambiente, um mundo que não seja mais da divisão dos riscos, e sim do risco comum de não sermos divididos.‖ (cf.apud. CASTRO, 2003, p. 15)
É dentro deste contexto que ecologia e economia podem culminar em uma discussão ecumênica. A luta pela justiça social e igualdade passa pela renovação da ética da unidade. Ecumenismo então é uma possibilidade para se alcançar uma ecologia econômica e uma economia ecológica, onde numa práxis pastoral conjunta, pode-se realizar a responsabilidade social ecológica da igreja.
Beyer diz que: ―O movimento das teologias ecológicas é um exemplo perfeito de ação religiosa, que oferece uma resposta moral e religiosa para um problema biológico e químico... não fazendo parte de movimentos anti-sistêmicos.‖ (BEYER, 1994, p. 206).
A visão holística da teologia imprime um valor integral a causa de todos, onde todos são responsáveis uns pelos outros. Assim o fluxo teológico global trata de questões que afetam a todos da casa, a Oikoumene que significa a ―Terra inteira‖, ou também ―toda a terra habitada‖. (cf. BEYER, 1994, p. 206-224)
Segundo Gibellini, (1998, p. 487) há um tríplice significado no uso lingüístico:
a) Pode indicar toda a Igreja Universal: Assim fala-se de diálogos ecumênicos;
b) Pode indicar à unidade dos cristãos e das Igrejas cristãs sobre toda a face da terra: neste sentido se fala, desde o início do séc. XX, de movimento ecumênico:
c) Mas, pode indicar mundialidade e universalidade: por isso a expressão ―ecumenismo ecumênico‖, para falar dos problemas concernentes à comunidade mundial das religiões.
Boff faz uma reflexão do novo paradigma religioso ecumênico, mostrando novos discursos sobre Deus, inclui a concepção de Rudolph Otto:
Mas há uma experiência testemunhada desde os primórdios da hominização, a do Numinoso e do Divino no universo, na vida e na interioridade humana. Como não reconhecer por trás das leis da natureza um supremo Legislador? Como não admitir na harmonia dos céus a ação inteligente de uma infinita sabedoria, e na existência do universo a exigência de um Criador? (cf. BOFF, 1999, p. 150-151)
A teologia deve desenvolver uma leitura litúrgica ecológica e junto com a organização da economia ecológica, devem influenciar o mercado sem fazer a desordem, mas estabelecer o equilíbrio entre a ―Oferta e a demanda‖, integrando, os excluídos da Oikos, a casa e da ―nomos‖ economia.
Considerando a visão cósmica científica e nossa responsabilidade pela preservação e pelo bem-estar de nossa casa comum (´oikos ´), será que tem sentido pedir, suplicar a ajuda de Deus? Adianta pedir milagres: que pare de chover, de haver inundações, tufões, tsunames...? Deus pode impedir esses desastres? Lembremos que a oração de petição é experiência e dado antropológico universal, presente em todas as tradições religiosas. (BUYST, 2010, p. 4-7)
Corremos o risco quando dizemos que ―negócio é negócio e religião é religião‖, de ter uma religião que não seja integral, pois, Deus e Fé estão ligados à coração, que é desejo, e, desejo está ligado a consumir, que está ligado a mercado: Mercado é tesouro, é riqueza e tecnologia. Mas será que toda a tecnologia e riqueza é qualidade de vida, saúde e preserva a Mãe Natureza?