2. Conceptual Framework and Theoretical Background
2.6. Democracy, Popular Power, and Popular Participation
Os elementos da natureza usados na liturgia, chamados de imprescindíveis, são aqueles que fazem parte da estrutura básica e mais antiga do culto. É formada por duas partes: a Liturgia da Palavra, herdada das sinagogas, e a Liturgia da Ceia do Senhor, acrescentando como herança das primeiras comunidades judaico-cristãs a liturgia do Batismo.
A Liturgia da Palavra compõe-se: das leituras bíblicas, a interpretação e a oração de intercessão. A Liturgia da Ceia do Senhor é formada pelos elementos: pão e vinho, o preparo da mesa, a oração Eucarística e a distribuição para a comunidade. (cf. KIRST, 2000, p. 25-40)
Em cada sacramento, presentifica-se uma substância de caráter transcendente. Água, pão, vinho, óleo, palavra, imposição das mãos- tudo isso se torna sacramental ao conter a substância transcendente. É como um fluido curador: ―Deus estabeleceu os sacramentos para serem remédios contra as feridas produzidas pelo pecado original e pelos pecados de cada um. (TILLICH, 1988, p. 142-150)
No pão e no vinho, as pessoas recontam, lembram e vivenciam todas as obras de Jesus, é a presença espiritual, o meio da graça, White diz que incluem o á e o ainda não, ―começando pela criação, incluindo ambos os testamentos e esperando o retorno de Cristo.‖ (WHITE, 1997, p. 192-193.)
Ceia é festa de ação de graças At 2.46, é comunhão ou confraternização 1 Co 10.16-17. É alimento para a caminhada diária, perdão dos pecados, força para perdoar, é vida e saúde para a alma e o corpo, pois o poder do corpo humano relaciona-se com o sacramento da Ceia, diz Tillich:
De tal maneira concentram-se no corpo humano todas as potências da natureza que nele transcendem as formas inferiores e chega-se ao nível da liberdade… A vinda do Reino de Deus é acompanhada pela cura do corpo humano… No corpo de Cristo, situado no ―centro da história‖, a natureza atinge a plenitude. Esse corpo é o órgão mais perfeito do Espírito e de sua experiência. É aí, naturalmente, que se fundamenta o sacramento da Ceia do Senhor. (TILLICH, 1988, p. 122-129)
Na Eucaristia o gesto de Jesus para as comunidades, revela uma nova dimensão: O memorial do pão e vinho, como uma ética da partilha com o injustiçado, o órfão e a viúva. No campo da justiça social, política e da solidariedade, como a ética de uma nova ação, no serviço do ministério da diakonia. Isto faz da eucaristia uma mística da espiritualidade, da vida e da Criação. Conforme Mazzarolo (2010) analisando a instituição da Ceia do Senhor em Lc 22,14-20.
A liturgia do Batismo se faz na catequese do cristão, no símbolo da água e sua profissão de Fé diante da comunidade. O batismo cristão é um sinal de Deus para significar purificação interior e remissão de pecado (At 22.16; 1Co 6.11; Ef 5.25-27), uma vida nova, participação na própria vida íntima de Deus: a vida da graça que principia no sacramento do Batismo. É o significado da vocação cristã, e inclusão do novo convertido a comunidade (1Co 12.13; Ef 1.13-14). Significa união com Cristo na sua morte, sepultamento e ressurreição (Rm 6.3-7; Cl 2.11-12). Sobre batismo Tillich questiona a interpretação de Lutero, em seu Catecismo, onde, encontra-se a afirmação de que "sem a Palavra de Deus, a água não passaria de simples água e não haveria batismo." (Lutero, 1999, 13º Ed.)
Na expressão "simples água": "Se a água como tal pode ser descrita como 'simples água', por que usá-la afinal‖? Faz uma relação da água com sacramento e sua importância necessária, como meio da presença espiritual. Hoje como meio da graça. A palavra de Deus tem uma relação simbólica, necessária e de presença espiritual com a água. (cf. TILLICH, 1992, p. 122)
Para Tillich o sacramento do Batismo é mais profundo e significativo: "percebe certo caráter especial ou qualidade própria da água, com seu poder particular. Em virtude desse poder natural a água pode tornar-se, adequadamente, portadora de poder sacro e transformar-se, assim, em elemento sacramental."
A relação entre água e batismo, neste caso, não é arbitrária, mas necessária. Nesta interpretação, a água não é "simples água", como queria Lutero. (cf. TILLICH, 1992, p. 123-129)
Em Leonardo Boff, os sacramentos têm várias dimensões que denomina: "a parusia do mistério": "Pelo sacramento se afirma a identidade: na mediação está presente a graça, dá-se a parusia do mistério que deixando sua obscuridade inviolável resplandece numa palavra, se corporifica simbolicamente num gesto e se comunica numa comunidade." (cf. BOFF, 1982. p. 131-133)
Para Buyst, a preparação e celebração do sacramento do batismo podem incluir ítens da vida cristã e princípios doutrinários: ―uma renúncia, uma promessa relacionada com a preservação da natureza.‖ (cf. BUYST, 2010, p. 4-7)
Atitudes que façam a diferença em nossa profissão de fé, inclusão na comunidade e sociedade e purificação da água para um novo ser.
Buyst diz dessas atitudes cristãs através da lição do batismo: ―Atitude contra a devastação e o desperdício da água... sendo como uma ação messiânica em co- responsabilidade, co-participação na criação, na redenção e na perspectiva da escatologia, no cuidado com a natureza‖. (cf. BUYST, 2010, p. 4-7)
A tomada de consciência pode ser uma oportunidade de conversão para com as pessoas, com a Criação e para com a responsabilidade ética, diante de nossas falhas e omissões.
A liturgia através dos rituais deveria proporcionar uma maior transformação espiritual e material em nível de pratica do culto, como exemplo do filme ―Avatar‖ que em tudo expressa o sagrado da natureza.
Em sua visão é uma possibilidade de conversão, mudança de atitude, ―retornando ao caminho da aliança. – Não seria o caso de falar em pecado ecológico‘, assim como falamos em pecado social?‖
Refletindo inclusive em relação à saúde:
―muitas doenças são causadas pela ação antiecológica do ser humano (má alimentação, o uso de coca-cola e produtos transgênicos; excesso de atividades gerando estresse...)‖. (cf. BUYST, 2010, p. 4-7)
História e símbolo, palavra e gesto são indissociáveis na pedagogia de Jesus e, por conseguinte, também em todo processo educativo-religioso-cristão.
A necessidade de se ter uma liturgia pedagógica é fundamentalmente importante para os participantes, pois, os símbolos têm a ver com identidade e identificação.
Conforme Buyst, afirma: ―simbolizar é perceber um sentido que vai além do valor funcional, ou seja, de perceber o que o objeto ‗vela e re-vela‘‖ e continua dizendo que os ―Símbolos estão no coração da liturgia.‖ (BUYST, 1991, p. 71)
Nesse sentido, a liturgia pode ajudar a entender o que é um símbolo, e vice- versa, o que é uma ação simbólica, como funciona e como se pode vivenciá-la. O que é específico dos símbolos na liturgia e, principalmente, como celebrar com os símbolos.