2. Conceptual Framework and Theoretical Background
2.5. Hegemony and Consensus
acontece na busca pela espiritualidade, no compartilhar os ensinos de Jesus em uma nova dimensão de novos conceitos e padrões, atitudes e interpretações no exercício da adoração, dos ritos e os componentes litúrgicos que complementam o culto na perspectiva da ―Nova Aliança‖.
À medida que o culto cristão fosse aos poucos adquirindo forma com a adesão e o desenvolvimento de vários estilos litúrgicos, principalmente de ação e comportamento, incorporou, através da vivência litúrgica e da espiritualidade reinterpretando cada época como resposta a uma práxis litúrgica, assim se deu, à proposta dos evangelhos, o qual prima pela justiça e pelo cultivo das relações humanas de comunhão, amor e fraternidade e a vida em Cristo.25
A liturgia segue uma transposição conforme os sofrimentos e privações do povo desde o exílio e pós-exílio, até as reuniões nos campos, nas cavernas, nas casas e mais tarde nas instituições dos templos.
Vaux, fala da reunião do campo no exílio:
A opinião predominante é que ela (sinagoga), começou na Babilônia, durante o exílio, como um substituto do serviço do Templo e que ela foi introduzida na Palestina por Esdras... privados do santuário e de sacrifícios, salvo nas grandes festas onde eles podiam ir para Jerusalém, os fiéis do campo adquiriram o hábito de se reunirem
em certos dias para um culto sem sacrifícios. A variedade dessas
hipóteses se explica pela ausência de textos antigos que sejam bastante explícitos. (VAUX, 2003, p. 382)
Não se tem conhecimento do tipo desta liturgia neste momento pós-exilio, porém, as orações, cânticos e as refeições como a páscoa eram celebradas e assumiam um contexto de reunião espiritual e unidade da família e do povo.
Porto diz que a ekklesia, é a reunião da igreja cristã, onde, originalmente em Atenas, no período clássico, era a assembléia do povo. Na tradução grega da Bíblia dos Setenta, ela se aplica a reunião do povo israelita. ―É nela que os cristãos vão basear-se para designar a nova comunidade que eles formam‖. E diz ainda:
―Nela repontaram as inelutáveis diferenças de uma unidade tão profunda a ponto de fundar um só corpo (...)‖, era antes do edifício construído, o povo reunido para estudar, ter comunhão, experiências e receber a instrução da Lei. (cf. PORTO, 1977, p. 171- 172.)
As expectativas de fé na transição do judaísmo para o Cristianismo primitivo giravam, sobretudo em torno da imagem de refeição messiânica, a glória do Reino de Deus é um ―sentar-se à mesa‖ (Lc 13,29) com o Messias Filho do Homem que há de vir: ―Feliz aquele que comer do pão no Reino de Deus‖ (Lc 14,15).
Em Atos 2. 46-47, ―Partiam o pão nas casas e comiam com alegria e simplicidade de coração, louvando a Deus‖. Os irmãos da primeira comunidade freqüentavam o templo, mas ―partiam o pão pelas casas‖. Já Atos 12, 12, a comunidade está reunida em oração na ―casa de Maria, mãe de João cognominado Marcos‖. Não existia uma preocupação de um espaço para o Culto diz Cattaneo:
[...] a primitiva comunidade cristã, não sentiu nenhuma preocupação em ter um lugar específico para o culto, nem de revestir os seus sacerdotes de hábitos particulares. Quando, e estamos já na metade do segundo século, São Justino, tão preciso ao expor a ordem da celebração litúrgica, é interrogado pelo juiz romano: ‗Onde vos reunis?‘, ele responde: ‗Lá onde cada um prefere e pode. Credes tu que nós nos reunamos todos no mesmo lugar? Com efeito, não é assim, pois o Deus dos cristãos não está encerrado em um lugar, mas invisível enche o céu e a terra, e é adorado pelos seus fiéis e glorificado em todo lugar. O efeito dessa disciplina litúrgica desconhecida ao mundo contemporâneo foi a acusação, movida pelos pagãos contra os cristãos, de ateísmo, não tendo nem templos, nem altares e nem simulacros. (CATTANEO, 1967, p. 29)
São Justino faz menção de uma celebração litúrgica de adoração e glorificação, ―todo lugar‖, cita ele, porém com uma liturgia desconhecida. Outro lugar esporádico de culto no mesmo período, principalmente na cidade de Roma, onde a comunidade cristã crescia em tamanho – eram as catacumbas. ―Esta depressão do terreno ou buraco já está mencionada, com o nome de catacumba no Cronógrafo, no ano de 354, ao assinalar que em 29 de junho se venerava nesse lugar, ad Catacumba, junto à depressão, a memória litúrgica dos apóstolos Pedro e Paulo‖. (Cf. ALVARES, 1998, p. 36)
Maraschin (1999) relata que entre os judeus, comer e beber juntos, sempre fora motivo de festa. E que é bem provável, que no primeiro século da nossa era, existissem em muitos lugares, pequenos grupos de amigos que se reuniam para a ceia, e nessa ocasião, discutiam assuntos de interesse próprio.
Cultuar ao Senhor para a Igreja primitiva era celebrar sempre com festa comemorar sua morte e ressurreição com e através de alimentos, em especial, o pão e o vinho. Para White, no culto cristão, a refeição era significativa: ―Longe de ser mera necessidade física, a refeição transformou-se numa maneira de encontrar-se com Deus como provedor, anfitrião e companheiro.‖ (1997, p. 134)
Conforme Rieff relata que o diferencial da liturgia primitiva foi à partilha da refeição que tem como ápice a sacralização do ―partir do pão‖ um elemento que diz respeito à subsistência e à vida do ser humano: ―O culto cristão passou por diferentes estágios, caracterizando-se por ser predominantemente doméstico nos primeiros séculos (...). Nas casas, realizavam-se o ―partir do pão‖, ação que os distinguiu e identificou como o grupo dos seguidores de Cristo.― (cf. 1999, p. 74, 75.)
Uma liturgia do cotidiano estava visível em tudo, na arquitetura, nas artes, nas festas agrícolas, na religião, na política e na educação etc.
Os ritos, as festas e celebrações eram realizadas frequentemente do lado de fora do templo, exercendo um papel fundamental em suas esculturas um fim litúrgico. Como relata Zevi Bruno: ―Os ritos realizavam-se do lado de fora, ao redor do templo, e toda a atenção e o amor dos escultores-arquitetos foram dedicados a transformar as colunas em sublimes obras-primas plásticas e a cobrir de magníficos baixos-relevos lineares e figurativos as traves, os frontões e as paredes‖. (cf. ZEVI, 2002, p. 65)
Os vários espaços e ações litúrgicas estavam presentes na vida do povo. Além das basílicas, havia também, na era Constantiniana, outros lugares relacionados ao culto, como os batistérios, os ―martiria‖, as memórias e os santuários. A basílica oferecia no foro um espaço reservado, onde se podia advogar uma causa, mas também anunciar as novidades, fazer negócios, conversar nos dias de chuva. Nos primeiros séculos de nossa era certos grupos religiosos, como os pitagóricos, haviam escolhido o edifício basilical como o lugar mais adequado às suas reuniões iniciáticas. (JOUNEL, 1992, p. 696) Todos esses espaços eram como um ―nicho‖, onde se misturavam a liturgia celebrativa, a práxis litúrgica cidadã e a
O espaço não estava restrito apenas a uma litúrgica cúltica, mas a uma liturgia integral, da vida, do cotidiano. O lugar apresenta-se como um lugar pedagógico, filantrópico, sócio, político, econômico e cultural. Era a relação litúrgica da Oikos, da oikoumene, da oikeiotés e da oikonomia.26 Este tipo de liturgia vivenciada no cotidiano trabalha as relações do povo com a espiritualidade, com questões administrativas, necessidades sociais, unidade de grupos religiosos e as relações de negócios, que aconteciam na nave do templo. A liturgia atingiu também a arquitetura que com características práticas, essas grandes salas de mais de uma nave sustentada por pilastras foram adotadas pelo mundo romano que lhe deu vários usos. (cf. ZEVI, 2002, p. 65)
Nesta relação litúrgica, originou=se a Ceia e as festas ágapes, que se desenvolveram a partir de uma iniciativa nova dos primeiros cristãos, que buscavam consolidar a prática do amor fraternal, durante o anúncio do reino de Deus, bem como, por meio da comunhão e do partir do pão. O culto de ágape tinha um caráter todo de diakonia, palavra que significa serviço, área de ação social como dos diáconos em Atos 4. As festas ágapes denunciavam as injustiças sociais, rompiam barreiras étnicas, de classe e de gênero, entre outras. Retratavam com firmeza o papel social da Igreja.
Hamman confirma dizendo: ―No século II, os cristãos abastados tinham o costume de convidar para a ceia em suas casas membros da comunidade, escolhendo de preferência pessoas necessitadas e também o bispo ou o diácono. Gregos e africanos davam a esse jantar o belo nome de refeição de amor ou ágape‖. (cf. HAMMAN. 1997, p.175) Rieff, considera que a prática dos ágapes, pelas suas características, remonta aos primeiros cristãos. (cf. 1999, p. 54, 75.) Os ágapes eram caracterizados por refeições e buscavam priorizar, além dos membros comunitários, pobres, doentes e marginalizados de outros contextos socioculturais.
Além dos ágapes, outras tradicionais refeições27 religiosas judaicas praticadas no tempo de Jesus incluídas: a kiddush, a habûrah e a pesach. (cf. HAMMAN. 1997, p.175)
26Do grego (oikoumene) é uma família de palavras com visão do conteúdo. Oikoumene está relacionado a oikos (casa, o lugar onde se mora), oikeiotés (expressão de relação, de amizade) e oikonomia (administração da casa). Oikoumene é a terra habitada, o universo. Nesse sentido, "ecumenismo" carrega em si a preocupação de casa como terra habitável. Sem preconceito, sem separação, mas com a justiça, paz e integridade da criação.
27Kiddush rito para gerar confraternização entre amigos em uma mesa para cear, tal hábito, somado á natureza das refeições familiares judaicas, foi o cenário do culto cristão.