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A ecoliturgia como disciplina gerada a partir deste conceito, tende a aprofundar a relação entre liturgia e ecologia. A equipe de pesquisa da faculdade de Teologia da Pontifica Universidade Javeriana no seminário: Contexto histórico da relação entre bioética e teologia, com o teólogo e mestre em bioética Juan Masia Clavel define ecoliturgia como:

Ecoliturgia, disicplina da ecoteologia, termo recente: visão sacramental da natureza; uma disciplina da teologia que faz uma releitura eco-teológico-litúrgica dos textos e ritos da tradição litúrgica, capaz de viver todas as ações litúrgicas a partir de uma atitude ecológica profunda, sentindo-nos parte integrante do cosmos, com tudo o que existe. (CLAVEL, 1999,)

Clavel com a equipe trabalha no processo de relacionar e identificar os processos eistemologicos de uma eco-teologia-litúrgica, em dialogo com outras cienciais como: a química, a física e a bioética e a relação integral de uma ecoliturgia existente com a teologia. Assim a releitura ecolitúrgica dentro desta cosmovisão, está em ordem, tanto do ponto de vista teológico-litúrgico, quanto prático celebrativo no meio ambiente numa visão cosmológica.

Boff define cosmologia como: ‖A cosmologia é uma cartografia do universo, a imagem de mundo que uma sociedade faz para si própria. Nessa imagem, vários saberes são combinados. A nova cosmologia recebe contribuições da mecânica quântica, da nova biologia, da ecologia, da psicologia transpessoal, da filosofia crítica‖ (BOFF, 2004, cap. 2.)

As tradições litúrgicas criam e sustentam o serviço para com Deus, com a humanidade e com a dimensão publica da fé, proporcionando uma visão integral do ser, como a imagem que temos de nós mesmos, de Deus, do mundo, e de nosso lugar no cosmos. Assim até que ponto a ecoliturgia expressa um partilhar com a nova visão científica? Até onde estamos espiritualmente unidos a tudo o que compõe o universo? Como interagimos com nossa espiritualidade e co- responsabilidade com o cosmos? (cf. McDOUGALL, 2000, p. 293-301)

Buyst diz que a ecoliturgia: ―É uma liturgia que nos educa a cuidar do universo no lugar em que o ocupamos, aplicando também neste caso a reconhecida formulação: ―pensar globalmente e agir localmente‖. Como já afirmava São Paulo: "Tudo foi criado por Ele e para Ele" (Col 1, 16). Ela diz como Teilhard falou da "santa matéria". ―O Cosmos é a obra de Deus e exige uma aproximação contemplativa. (...) Tudo é uma grande liturgia cósmica. A adoração nos leva a apalpar o passo de Deus por meio do Universo. ―Corresponde a nós captar e celebrar essa grande festa cósmica.‖ (cf. BUYST, 2004)

McDougall fala de uma ecoliturgia como uma ―sacramentalidade da liturgia em perspectiva cosmológica: uma base antropológica.‖ A espiritualidade move não somente os humanos, mas também a terra e todo o universo, pois, são habitados pelo mesmo Espírito, que os conduz a um destino comum. (cf. 2000, p. 293-301)

Buyst ressalta a necessidade de respostas teológicas para as questões ecológica-litúrgicas, para a formação de uma ecoliturgia na práxis. Por que isso? Antes de tudo, para adequar a teologia à nova visão científica que temos do cosmos, na qual tudo está inter-relacionado com tudo, como num corpo humano. Buyst afirma comparando: ―O corpo humano como organismo vivo, sistêmico e integrado‖, assim como não posso imaginar qualquer parte de meu corpo agindo individualmente, da mesma forma, (BUYST, 2010).

Qualquer ação humana deve ser considerada primeiramente como uma ação do universo e em segundo plano como uma ação do indivíduo. Neste sentido fica claro que o universo como tal constitui a primeira realidade religiosa, a primeira comunidade sagrada, a primeira revelação do divino, a primeira unidade de redenção. (cf. McDOUGALL, 2000, p. 293-301)

Assim uma ecoliturgia que expresse a sacralidade do cosmos poderá ser um elemento importante nesta base comum, superando o antropocentrismo e o secularismo da cultura ocidental. Cada gesto a favor da preservação do planeta é uma atitude espiritual que expressa nosso desejo de agir em diálogo com as energias que trabalham na construção do universo.

Buyst observa a importância de uma ecoliturgia: Somos desafiados a repensar também a liturgia numa perspectiva cósmica e ecológica. As celebrações devem integrar esta nova maneira de perceber o universo ou de nos perceber nele, ampliando e dando nova luz às expressões litúrgicas com seu substrato ecoteológico e incorporando novos elementos. É necessário cuidar dos espaços para que fique mais sensível a participação da criação no louvor e na intercessão da Igreja. No Shabat se recita: ―A alma de cada ser vivo deve abençoar Teu Nome...‖ ―e os salmos estão impregnados desta consciência de que a criação inteira participa do louvor de Deus‖. (cf. BUYST, 2010 p. 7-30)

Desta maneira a liturgia estará inserida dentro do movimento que ganha dimensão universal e contribuirá para a sensibilidade, a consciência e o compromisso ecológicos. Buyst questiona a dicotomia teológica-liturgica e fala da importância de realizar uma inter-relação da liturgia e ecologia para uma melhor pedagogia litúrgica em nosso meio ambiente:

Dois fatos provocam nossa maneira de celebrar e nossa reflexão teológico-litúrgica: a crise ecológica e a nova visão científica do cosmos. A crise ecológica está na pauta do dia - nos noticiários, em congressos e fóruns, em agendas sociais, políticas e científicas. A nova cosmologia aponta para a inter-relação e interdependência de todas as coisas. Nós, humanos somos parte de um todo, parte indissociável do cosmos. Como podemos celebrar em nossas liturgias o mistério da salvação, o mistério da páscoa e da comunhão com Deus sem levar em conta esta dupla realidade? Como, a partir da pedagogia litúrgica, poderíamos contribuir para uma sensibilidade, consciência e compromisso ecológicos? (BUYST, 2009)

A ecologia se converte, por sua vez, em uma aventura espiritual. Podemos ir construindo uma espiritualidade ecológica que nos ensine a abraçar o Cosmos e o Deus do Cosmos. Teilhard de Chardin (1989) faz um apelo na relação liturgia- Criação:

Imaginávamos talvez que a Criação acabara já há muito. Erro. Ela continua cada vez mais ativa, e nas zonas mais elevadas do Mundo. E é para acabá-lo que nós servimos, mesmo por meio do trabalho mais humilde das nossas mãos. É este, em suma, o sentido e o valor dos nossos atos. Em virtude da interligação Matéria-Alma-Cristo, façamos o que fizermos, nós levamos a Deus uma porção do ser que ele deseja. Mediante cada uma das nossas obras, nós trabalhamos muito parcelarmente mas realmente na construção do Pleroma, isto é, contribuímos um pouco para o acabamento de Cristo.(1989)

2.17 Conceitos e teóricos da inter-relação, da vida, da