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Per Ragnarson, Institute of Technology, University of Lund

In document Scientific Expertise and the Public (sider 95-112)

em 12 meses Decisão obtida pelas

regras da árvore de decisão

CV detectável (+) 31 21 52

CV indetectável (-) 39 209 248

Total 70 230 300

Sensibilidade= 44,3%, Especificidade=90,9%, VPP= 59,6%, VPN=84,3%, Acurácia=80,0%

A árvore de decisão é uma ferramenta de fácil aplicabilidade e interpretação, podendo ser rapidamente introduzida no manejo de PVHA. Diferentemente dos modelos de regressão que tentam estimar o risco associado a cada fator relacionado a um desfecho clínico, a árvore de decisão tenta predizer o evento a partir de regras de decisão obtidas em um conjunto de dados. Por isso nem todas as covariáveis participaram da decisão, visto que os subconjuntos são construídos a partir do melhor ganho de informação obtido para cada variável a cada nova ramificação. No caso em questão, observa-se que apenas 3 variáveis foram suficientes para classificar de forma satisfatória a maioria das PVHA quanto ao desfecho de apresentar ‘CV detectável’ no seguimento de 1β meses.

5 DISCUSSÃO

5.1 PREVALÊNCIA DA IA E ASPECTOS AMOSTRAIS E SOCIOECONÔMICOS DAS PVHA EM IA

A prevalência de IA foi de 70,7% na amostra do presente estudo, resultado superior ao registrado no Brasil de 22,6%, e na Paraíba de 36,5% pela PNAD 2013 (IBGE, 2013a). A IA grave ocorreu em 19,5% das PVHA no presente estudo, também maior que IA grave no Brasil de 3,2% e maior que a soma da IA moderada e grave na Paraíba, de 13,0% naquele ano.

Considerando os dois estudos no Brasil que avaliaram a IA em PVHA, o realizado por Charão, Batista e Ferreira (2012) apresentou metodologia diferente por utilizar a Escala Curta de IA, que somada ao perfil socioeconômico mais elevado, provavelmente justificaram a maior prevalência de SA, de 65%. Esses autores encontraram 33,8% de IA em indivíduos com HIV e 36,8% em indivíduos com Aids, e observaram que pacientes em SA, quando comparados com IA com ou sem fome, apresentavam maior nível educacional, maior classe social e maiores níveis de células CD4. Naquele estudo a IA com fome correspondeu a 16,5%, pouco menor que a encontrada na presente pesquisa pela categoria equivalente IAG com 19,5%. Com relação ao estudo de Rasteiro e Oliveira (2014) em São Paulo, embora o foco tenha sido maior para os aspectos nutricionais e dietéticos, o perfil socioeconômico se aproximou mais da presente pesquisa. Esses autores encontraram 51% de IA e descreveram a associação da IA com menor renda per capita, menor escolaridade e com desemprego.

A prevalência de IA nesta pesquisa mostrou-se superior à descrita em outras regiões brasileiras, sobretudo às custas dos domicílios com menores de 18 anos, onde a prevalência de IA chegou a 78,5%. Esta prevalência se aproxima da descrita por Anema et al (2011) entre PVHA no Canadá, de 71%; sendo maior que a referida por Tiyou et al (2012) na Etiópia de 63%, e nos EUA de 49% (WEISER et al, 2009). Por sua vez foi menor que a descrita por Benzekril et al (2015) que atingia 84,6% das PVHA em Dakar e 89,5% das PVHA em Ziguinchor. Embora a prevalência de IA tenha sido elevada no presente estudo, é importante destacar que estes valores decorrem sobretudo de IAL e IAMo, que representam 51,1% das PVHA, enquanto nos estudos africanos a forma grave, ou seja, a fome propriamente dita, chega a atingir 75,4% (BENZEKRIL et al, 2015). Analisando-se sobre o aspecto nacional e considerando a prevalência de IA maior no Nordeste, apesar da significativa redução ocorrida na última década (IBGE, 2013), estariam justificados os resultados encontrados no presente estudo quando comparado aos outros dois estudos nacionais, além das próprias questões

metodológicas e amostrais envolvidas descritas acima.

O estudo caracterizou-se pelo predomínio do sexo masculino (61,5%). Este percentual representou uma razão de sexos de 1,6; um pouco inferior à razão de sexo de 2,1 encontrada para o Nordeste no ano de 2015 (BRASIL, 2016a), demonstrando maior participação do sexo feminino na amostra, próxima à razão de sexos de 1,7 encontrada na região Sul no mesmo ano. Embora tenha ocorrido um aumento da razão de sexo para a taxa de detecção de Aids em todas as regiões nos últimos anos, no Nordeste ela se apresenta maior que em outras regiões. Outros estudos de IA envolvendo PVHA apresentaram prevalência variável do sexo masculino, como 59,6% em estudo em Limeira (RASTEIRO; OLIVEIRA, 2014) e 73,7% em estudo em Brasília (CHARÃO; BATISTA; FERREIRA, 2012), porém estes estudos envolveram amostras bem menores, estando mais sujeitos a vieses de seleção.

Com relação à idade ocorreu predomínio na faixa etária de 41 a 50 anos (32,5%), se refletindo na idade média de 44 anos encontrada, e houve baixa prevalência de casos com 30 ou menos anos de idade (9,3%). Quando somados todos os indivíduos com mais de 40 anos na amostra se verificou que representavam 61,3%, e quase 30% tinha mais de 50 anos, refletindo o envelhecimento das PVHA e justificando a preocupação com o risco cardiovascular. Embora tenha ocorrido aumento da incidência de HIV/Aids em jovens na última década, chegando a triplicar entre os 15 a 19 anos no período de 2006 e 2015 (BRASIL, 2016a), percebe-se que os indivíduos que sobreviveram ao início da epidemia ou que já estão em tratamento há mais de 10 anos são os que aumentam a idade média global da amostra. Com relação à raça/cor é interessante destacar que os dados foram compatíveis com o Boletim Epidemiológico (BRASIL, 2016a) que demonstra ao longo dos anos uma redução da autodeclaração da cor branca e aumento da cor parda, justificando o predomínio da raça/cor parda (54,8%). A baixa escolaridade encontrada, com 57,1% com até ensino fundamental incompleto demonstra um grupo social mais carente, diferente da amostra descrita em Brasília (CHARÃO; BATISTA; FERREIRA, 2012), onde 70,2% tinham ensino médio ou superior; e mais semelhante ao grupo descrito por Rasteiro e Oliveira (2014) em São Paulo, que apresentou média de 7,2 anos de estudo e 58,8% de desempregados, o que se reflete na prevalência da IA.

O perfil socioeconômico encontrado na amostra do presente estudo é compatível com os dados notificados no serviço, conforme descrito por Medeiros et al (2017) em relato de 1993 notificações no período de 2007 a 2013 no mesmo serviço, no qual se encontrou uma população composta por 66,7% de homens, com média de idade na notificação do caso de 37,4 anos, escolaridade baixa, com 54,3% com menos de oito anos de estudo e raça parda

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