7. Deltakerrelasjoner og deltakerfellesskap
7.2. Deltakere og produksjonsfellesskap
7.2.1. Prosjektfellesskap
Retomemos o fio narrativo do capítulo anterior no ponto em que Quesada, Federmán e Belalcázar viajaram à Espanha. Sabe-se que os três caudilhos zarparam desde Cartagena em julho de 1539. Quesada e Belalcázar navegaram diretamente, enquanto Federmán fez escala na ilha de Jamaica.645 Em novembro desse ano, Quesada apresentou-se perante as autoridades espanholas em Sevilha e entregou o ouro e esmeraldas correspondentes ao quinto real.646
Assim que chegou à Península, Quesada teve que enfrentar uma série de acusações na Casa de Contratação e no Conselho de Índias. Numa primeira fase, que abrange desde fins de 1539 e todo o decorrer de 1540, esses pleitos estiveram relacionados principalmente com dois assuntos: a) a apropriação ilegal da parte do botim pertencente ao adelantado Lugo, a outros membros da expedição e ao monarca; b) os maus tratos dados a um de seus subordinados
641 Entretanto, não existe consenso entre os especialistas. 642 A de Sebastián Trujillo e a de Juan Cronberguer.
643 Uma boa análise em HERNÁNDEZ. Bartolomé de las Casas, op. cit., “Capìtulo 4: las publicaciones de la
imprenta de Sevilla”.
644 O título completo com a grafia da época era Breuíffima relacion de la deftruycion de las Indias: colegida por
el Obifpo dõ fray Bartolome de Las Cafas o Cafaus, de la orden de Sãcto Domingo. Año 1552.
645 THOMAS, Hugh. The Golden Age. The Spanish empire of Charles V. Londres: Penguin Books, 2010, p. 390. 646 FRIEDE, Juan. El adelantado Don Gonzalo Jiménez de Quesada. Bogotá: Intermedio, 2005, p. 69.
espanhóis.647 Os demandantes contavam com a anuência do fiscal do Conselho, o licenciado Juan de Villalobos, que foi célebre por seus enfrentamentos legais com outras figuras notórias da colonização como Cabeza de Vaca, Hernán Cortés e Bernal Díaz del Castillo.648
Villalobos acautelou vários oficiais para vigiarem os movimentos e despesas de Quesada,649 suspeito de haver trazido ilegalmente à Espanha 150.000 pesos de ouro e muitas esmeraldas sem declarar. Em janeiro de 1540, o fiscal alertava aos oficiais da Casa de Contratação:
Al comendador mayor de León [Francisco de los Cobos650] han escripto de Granada, que el
licenciado Ximenez, teniente de Santa Marta, que agora vino con el oro y esmeraldas para S. M., se ha loado [rumoreado] en Granada que traía suyos más de 150 mil pesos y creo que registró poco en la Casa [de Contratación] […] hay sospecha, contra él. Suplico á Vmds. [vuestras mercedes] me escriban la cantidad que registró de oro y plata y piedras…651
Além do citado documento de Villalobos, existem outros indícios da percepção contemporânea acerca da riqueza saqueada por Quesada no território muísca. Ao que parece, o que mais chamou a atenção foram as esmeraldas. Em primeiro lugar, numa carta a Carlos V datada em 1540, compilada pelo bibliófilo Juan Bautista Muñoz, o título que consta na entrada do catálogo é “de Jiménez de Quesada y sus esmeraldas”.652 Em segundo lugar, um frade memorialista que conheceu o conquista-dor andaluz escreveu: “puesto que él mismo [Quesada] me dijo a mí en la ciudad de Sevilla aber traydo mucho menos [oro], y que lo más que truxo
647 De fato, os pleitos começaram em Cartagena. O primeiro a fazê-lo foi Diego Hernández Gallegos, um dos
capitães da expedição de Quesada que voltou com as embarcações pelo rio Magdalena, como indicamos no capítulo 2. Ele interpôs uma demanda contra o licenciado por ter sido excluído da repartição do botim. Posteriormente viriam outros pleitos comentados por FRIEDE. El adelantado, op. cit.
648 Villalobos foi fiscal do Conselho de Índias entre 1530 e 1550. Quando morreu, contava com um repartimiento
Ŕ ou encomienda Ŕ de índios no Novo Reino de Granada, cuja origem ignoramos. Talvez o recebesse como pagamento de favores por parte de Quesada ou algum outro conquista-dor. Sobre Villalobos cf. MAURA, Juan Francisco. El gran burlador de América: Alvar Núñez Cabeza de Vaca. Valencia: Parnaseo, 2008, p. 238-239. Friede refere-se a ele com certo exagero: “el más empecinado y eficaz defensor de los derechos de la Corona que tuvo la administración colonial durante su largo dominio sobre las Américas.” FRIEDE. El adelantado, op. cit., p. 70.
649 Rumorejava-se que Quesada havia levado do Novo Reino de Granada mais de 150.000 pesos, dos quais só
declarou uma parte muito pequena na Casa de Contratação. JIMÉNEZ DE LA ESPADA, Marco. Juan de
Castellanos y su Historia del Nuevo Reino de Granada. Madrid: Revista Contemporánea, 1889, p. 57.
650 Como explicamos mais adiante, concunhado de Alonso Luis Fernández de Lugo. 651 Apud JIMÉNEZ DE LA ESPADA. Juan de Castellanos, op. cit., p. 57.
652 REAL ACADEMIA DE LA HISTORIA. Catálogo de la colección de Juan Bautista Muñoz, T. II. Madrid:
Imprenta y Editorial Maestre, 1955, p. 60. No arquivo de Índias se conserva uma “Relación de esmeraldas que trajo de Santa Marta para su Majestad el licenciado Jiménez”. AGI, Patronato, 195, R. 4.
fueron esmeraldas, muchas dellas muy finas, y entre ellas uvo esmeralda que vendió en Francia en veinte y seis mil ducados”.653
Como era de esperar, a existência de gemas verdes neogranadinas começaram a ser conhecidas e cobiçadas pelos membros da Casa dos Áustrias, a qual se caracterizou pela formação de coleções de obras e peças exóticas sem precedentes na Península e na própria Europa.654 Rapidamente as esmeraldas passaram a integrar as regalias e gabinetes de curiosidade da realeza em diferentes partes da Europa.655 Todavia, há indícios de que foram associadas com o Peru, e não necessariamente com um território muito mais difuso: o Novo Reino, o vale dos Alcáceres ou a terra de Bogotá.656 Por outra parte, na esfera local americana, as esmeraldas foram um importante motivo de pleitos desde os primórdios da invasão, entre conquista-dores, administradores do império e colonos, a começar pelos irmãos Quesada e seus colegas.657