7. Deltakerrelasjoner og deltakerfellesskap
7.2. Deltakere og produksjonsfellesskap
7.2.2. Kompetansefellesskap
Como resultado, o conquista-dor andaluz recebeu ordem de embargo de seus bens e teve de permanecer na prisão da Casa de Contratação em Sevilha. Contudo, conseguiu evadir temporariamente essa primeira onda de processos por meio do pagamento de fianças e chegou a um convênio com Alonso Luis de Lugo, herdeiro da governação de Santa Marta, mediante o qual este lhe cedia os direitos ao governo da província.658 Vários membros do Conselho de Índias respaldaram tal pacto, mas ele foi recusado pelo imperador. Assim, o adelantado Lugo “júnior” viu-se levado, um pouco contra sua vontade, a tomar posse do novo governo na América, onde permaneceu entre 1543 e 1544, gerando por sua vez uma torrente de agravos e críticas entre a população nativa e os espanhóis já estabelecidos nos incipientes núcleos
653 Anônimo. Floreto de anécdotas y noticias diversas que recopiló un fraile dominico residente en Sevilla a
mediados del siglo XVI. Publícalo con prólogo, notas e índices F. J. Sánchez Cantón. Madrid: Memorial Histórico Español, T. XLVIII, 1948, p. 159-160. Cf. o trecho completo nos anexos.
654 TORRES MEGIANI, Ana Maria. “Memória e conhecimento do mundo: coleções de objetos, impressos e
manuscritos nas livrarias de Portugal e Espanha, séculos XV-XVII”. In: Anais do Museu Paulista, Vol. 17, No. 1, 2009, p. 159.
655 As regalias referem-se a tesouros possuídos e dados como presentes pelas casas reais cf. LANE, Kris. Colours
of paradise. The emerald in an age of gunpowder empires. Yale University Press, New Haven and London, 2010.
656 Esses significantes, ainda móveis, são os que mais aparecem nos documentos consultados. Sobre a “confusão”
das esmeraldas neogranadinas e peruanas trataremos no capítulo 6.
657 Encontram-se vários exemplos em MAYORGA GARCÍA, Fernando. Real Audiencia de Santafé en los siglos
XVI-XVII. Historia, visitas, quejas y castigos del primer tribunal con sede en la ciudad. Bogotá: Alcaldía Mayor de Bogotá, 2013.
urbanos.659 Deve-se lembrar que Alonso Fernández de Lugo era concunhado de Francisco de los Cobos, comendador de León e um dos homens mais poderosos na Corte, cuja influência serviu-lhe para evadir a justiça em várias ocasiões.660
A partir de 1541 começou uma segunda fase na situação penal de Quesada, mais difícil de resolver do que a anterior, quando chegaram as inculpações enviadas por Jerónimo Lebrón de Quiñones contra o licenciado e seu irmão Hernán Pérez.661 As novas incriminações recolhidas por Lebrón não deixavam lugar a dúvidas a respeito da desumanidade dos comandantes andaluzes, um aspecto sobre o qual as relações que analisamos no capítulo anterior guardaram cauteloso silêncio, enquanto enfatizavam o processo legal seguido ao
senhor muísca.662 É mais que provável que os atos de extrema agressão não fossem uma invenção: o procedimento da tortura foi usado frequentemente pelos espanhóis para que os indígenas da elite revelassem a locação de seus tesouros e minas, geralmente antes de serem julgados por suposta heresia ou tirania, tal como aconteceu com o supremo governante inca.663 Ademais, houve muitas denúncias em tal sentido contra os irmãos Quesada. O que é significativo para nós é como essa informação sobre a tortura de “Bogotá” reverberou no coletivo dos pacifistas. Mais à frente analisaremos o uso que fez Bartolomé de las Casas dos documentos remitidos por Lebrón como fonte da Brevíssima.
O documento encaminhado por Lebrón serviu de base legal ao fiscal Villalobos para arremeter mais uma vez contra Quesada, apesar do testemunho favorável do seu antigo capitão e amigo Juan de San Martín.664 Assim, por meio de uma real cédula datada de fevereiro de 1542, ordenou-se a detenção de Quesada exigindo uma fiança de 15.000 ducados em
659 Cf. com mais detalhes: MARTÍN ACOSTA, María Emelina. “Don Alonso Fernández de Lugo, III adelantado
de las islas Canarias, conquistador de Santa Marta y San Borondón”. In: MORALES PADRÓN, Francisco (coord.). XV Coloquio de Historia Canario-Americana. Las Palmas: Cabildo Insular de Gran Canaria, 2004, p. 500-512.
660 Tal fato foi objetado por Fernández de Oviedo e Las Casas em suas respectivas obras. Cf. OTTE, Enrique.
“Los Botti y los Lugo”. In: MORALES PADRÓN, Francisco (coord.). III Coloquio de Historia Canario-
Americana. Las Palmas: Cabildo Insular de Gran Canaria, 1980, vol. 1, p. 72-73.
661 “Fragmento de la probanza hecha por Gerónimo Lebrón contra los hermanos Jiménez. 7 de abril de 1541”. In:
FRIEDE, Juan. Gonzalo Jiménez de Quesada a través de documentos históricos, T. I. Bogotá: Editorial ABC, 1960; idem., El adelantado, op. cit., p. 81-82. Sobre Lebrón remetemos ao capítulo 2.
662Especialmente o “Gran cuaderno” e a “Relación del Nuevo Reyno”.
663 Las Casas dá numerosos exemplos de torturas a caciques para que confessassem a localização de seus
“tesouros” na Brevíssima e em Historia de las índias.
compensação.665 Não é demais lembrar que poucos meses depois se reuniria a primeira junta de Valladolid, onde as acusações contra os conquista-dores alcançaram um clímax. A reação de nosso personagem foi ausentar-se dos reinos hispanos pelo espaço de quase quatro anos, durante os quais percorreu outros países europeus como França, Portugal, e possivelmente Itália e os principados germânicos.666 Porém, a documentação sobre esse período é escassa e ainda discute-se seu itinerário e duração. Dessa maneira, conseguiu evadir a ordem de captura e aguardar que o clima adverso se apaziguasse um pouco.
Quesada reapareceu na Corte em meados de 1545, disposto a lidar com os pleitos pendentes. Nesse ano, já Las Casas havia partido para a Mesoamérica e o coletivo
encomendero estava fortalecido. O claro objetivo do licenciado andaluz continuava sendo voltar às terras muíscas, e a Coroa viu nele um potencial aliado devido à sua influência entre os conquista-dores do Novo Reino e a aparente fidelidade com a causa imperial. Apesar das inculpações, sua postura “legalista” não estava sob suspeita.667 Assim, depois de negociações que duraram até começos de 1547, graças a seus recursos legais e a seu dinheiro, ele conseguiu comutar numerosas penas pelo pagamento de 100 ducados e a suspensão de seu ofício por um ano; e, pelos tormentos ao cacique Sagipa, sua punição foi maior: uma multa de mais 100 ducados, a suspensão de ofício por sete anos e o desterro por um ano.668 Em 1549, seu advogado Juan de Oribe obteve uma redução no prazo do desterro, habilitando-o a viajar ao Novo Reino de Granada, o que se materializaria no ano seguinte, onde permaneceu até sua morte.
665 FRIEDE. El adelantado, op. cit., p. 82. Jiménez de la Espada cita mais uma cédula de março. Novas
inculpações contra os irmãos Quesada em relação aos maus tratos dos indígenas seriam feitas pelo fiscal Villalobos ao Conselho de Índias em 1543.
666 Existe certo desacordo entre os biógrafos de Quesada quanto à duração das viagens e o itinerário. A saída dos
reinos ibéricos pode ter acontecido entre meados de 1541 (Lucena Salmoral) ou começos de 1542 (Friede). Menos provável parece-nos a hipótese de Ballesteros Gaibrois, que postula uma estada no norte da Itália em outubro de 1540. Em relação ao retorno aos reinos ibéricos, está comprovado que em agosto de 1545 encontrava-se em Granada. Já sobre o percurso, Ballesteros Gaibrois é o mais ousado, indicando que talvez chegasse às proximidades de Viena e inclusive da Hungria. Cf. ibid., p. 82; BALLESTEROS GAIBROIS, Manuel. “Estudio preliminar”. In: JIMÉNEZ DE QUESADA, Gonzalo. El antijovio. Bogotá: Instituto Caro y Cuervo, 1952, p. XCV-CVI.
667BONNET VÉLEZ, Diana. “La implantación del orden colonial en el Nuevo Reino de Granada”. In: Istor.
Revista de Historia Internacional. Ano 10. No. 37, 2009, p. 3-19.