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In document Clefts in Norwegian wh-questions (sider 77-84)

Da descrição da EdC faz parte a referência ao modo como as empresas que integram este projecto estão ligadas entre si e/ou ao Movimento dos Focolares, seja a nível local, seja a nível internacional. Essa integração faz-se quer através das empresas que estão inseridas em Pólos industriais de EdC, quer através da participação dos seus dirigentes em Escolas de EdC e outros eventos nacionais ou internacionais que visam aprofundar os princípios da EdC e partilhar experiências, quer ainda pelo modo como muitas, de uma forma ou de outra, estão ligadas ao Movimento dos Focolares, espalhado pelos quatro cantos do Mundo ou a associações de empresas de Economia de Comunhão, que têm nascido em algumas regiões40.

38 in “A experiência «Economia de Comunhão»: a partir da espiritualidade da unidade, uma proposta de agir

económico”, in Bruni (2000: 14-15)

39

in “Economia de Comunhão: um modelo para a sociedade”, in Centro de estudos, pesquisa e documentação da EdC, Anais do Bureau Internacional da Economia e Trabalho (1999: 100)

40 Existem associações por uma Economia de Comunhão no Brasil, Argentina, EUA, Espanha, Itália (segundo

dados de 2006) para além da AIEC – International Association of the Economy of Communion, à qual as associações nacionais estão coligadas.

Esta realidade confere às empresas de EdC a possibilidade de se integrar em redes onde encontram um sustento, por um lado a nível moral, mas também a nível comercial.

Sobre este tema, Lorna Gold41 aponta a distinção entre estas duas redes coligadas: rede de

sustento moral e rede de contactos comerciais. Segundo esta autora, as redes de sustento

moral são compostas por redes formais e informais, sendo as primeiras compostas pelos encontros organizados a nível nacional e internacional ao nível da EdC, e as segundas os contactos pessoais, livres e espontâneos, entre dois ou mais empresários. Em ambos os casos reforça-se a visão específica da EdC e a confiança entre os seus actores. Existem também as redes de contactos comerciais entre empresas de EdC, a formação de associações profissionais, apoios à constituição de novas empresas e ainda os pólos empresariais de EdC. A Solidar Kapital é o exemplo de uma empresa de EdC, criada em 1997 na Alemanha, especificamente para funcionar como uma incubadora de empresas de EdC, pensando sobretudo nos países em desenvolvimento e na região leste da Europa. Tem como objectivo o apoio ao nível do arranque inicial, do capital/empréstimos e do know-how. A sua participação no capital social de novas empresas situa-se entre os 25 e os 49%, por um período limitado de tempo. Defendem que, mais do que um input ao nível do capital, é essencial a transmissão de

know-how e a assistência técnica pelo que, sempre que a língua não é um obstáculo, a

formação de novos empresários é feita no interior das empresas associadas. Estão definidos critérios de escolha para os projectos que devem ser apoiados, partindo de um plano de negócios detalhado, tal como para qualquer outra empresa. Apenas avançam com o projecto de uma nova empresa se os seus futuros responsáveis estiverem dispostos a geri-la segundo os princípios da EdC.42

É, pois, um exemplo de redes de suporte ao projecto EdC.

Esta oportunidade de integração numa estrutura maior não pode, todavia, representar uma não-necessidade de rigor dos processos de avaliação da viabilidade económica de novas empresas de EdC. E neste sentido, Lorna Gold43 alerta para os perigos de se confundir os bens relacionais com o mercado, dando o exemplo de um empresário que confiou que as pessoas do Movimento dos Focolares o iriam ajudar, adquirindo os seus produtos, e acabou por não

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in “Abrindo espaço para uma nova visão económica: redes locais-globais de comunhão”, in Centro de estudos, pesquisa e documentação da EdC, Anais do Bureau Internacional da Economia e Trabalho (1999: 93)

42 No ano 2000 a Solidar Kapital tinha fundado três empresas de EdC e uma quarta estava a nascer: foi criada

uma empresa de distribuição de artigos de escritório e material escolar no Líbano; foi constituída uma pequena empresa ligada ao turismo religioso em Israel; na Croácia nascia pela fusão de duas empresas já existentes, no ramo da mecânica automóvel; e no Egipto preparava-se a abertura de uma policlínica.

43 in “Abrindo espaço para uma nova visão económica: redes locais-globais de comunhão”, in Centro de estudos,

ter êxito. Portanto, ambas as redes – sustento moral e contactos comerciais – são importantes e necessárias.

Gold (idem: 95) conclui, na sua pesquisa, que o desenvolvimento da EdC passa por fazer uso do seu capital relacional, transformando redes de sustento moral em redes de contactos comerciais e, sobretudo, em projectos comuns, como sucede com os pólos empresariais. Com efeito, as cidadelas do Movimento dos Focolares44 e os pólos empresariais de EdC constituem redes de proximidade de base territorial. Geram novas redes de relações humanas cujos resultados se apreciam a médio e longo prazo, pelo benefício de recursos não-materiais, podendo trazer vantagens competitivas através do chamado social capital.

«a esperança e a confiança voltam, não porque os riscos da vida económica desaparecem (…), mas porque não enfrentamos essas dificuldades sozinhos: enfrentamo-las juntos» 45

No Pólo Spartaco, a cerca de 50 km de S. Paulo, no Brasil, nasceu a ESPRI, com 3300 pequenos accionistas, alguns deles com poucos recursos. Foi o primeiro pólo empresarial de EdC. O segundo nasceu na Argentina, o Pólo Solidariedad. Foram recentemente inaugurados o Pólo Lionello em Itália e o Pólo Ginetta no Recife, Brasil, e estão em fase de implementação pólos nos EUA, Bélgica, Espanha e Portugal.

Chiara Lubich afirma que a EdC não funciona sem pólos empresariais. Representam o principal laboratório vivo da EdC e devem ser como uma cidade sobre um monte ou constituir um farol, a fim de iluminar toda a realidade da EdC em primeiro lugar e, depois, também a restante realidade económica e social.

Um pólo de EdC reúne um conjunto de empresas de diversos ramos de actividade que quer ser testemunho de uma economia nova e cristã, segundo uma filosofia de comunhão. Não deve, contudo, fechar-se num nicho protegido e isolado.

Deste modo, os pólos reforçam as relações dos empresários entre si, enquanto pessoas, possibilitando uma comunhão de experiências de vida, e alimentam relações verticais e horizontais entre as empresas de EdC. No caso do Pólo Spartaco, observa-se que, embora as empresas sejam de ramos diferentes, o facto de se encontrarem geograficamente próximas, promove a integração entre elas e até delas para com outras empresas que não sejam de

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Cidadelas: também conhecidas por Mariápolis (Cidades de Maria) permanentes, apresentam-se como modelos de pequenas cidades modernas, com casas, lojas, locais para encontros, centros de arte, pequenas empresas que possibilitam o sustento dos habitantes, com as suas escolas de vida e de espiritualidade no âmbito do carisma do Movimento dos Focolares. Pelo estilo de vida que propõem, oferecem um modelo de sociedade baseado na fraternidade. Actualmente são 35 cidadelas espalhadas pelo mundo. (Cfr. Anexo 1)

45 Leibholz, Rodolfo, “Voar alto”, in Movimento dos Focolares, Economia de Comunhão, uma nova cultura,

EdC.46 Destas relações podem nascer novas empresas que prestam serviços às empresas do pólo, como sejam no caso dos ramos da contabilidade, consultoria, limpezas e outras.

Por isso, Lorna Gold chama a atenção para a impossibilidade de calcular a potencialidade de uma empresa de EdC apenas pelos parâmetros comuns de sucesso, como os lucros ou os negócios, pois é necessário analisar a inserção das empresas nas várias redes da EdC. Não se pode considerá-las de modo isolado, mas como uma massa crítica com influência sobre uma cadeia de fornecedores, produtores e distribuidores com aos quais se relacionam (idem: 95) Quanto às Escolas para agentes da EdC, nasceram em 2001, com uma proposta de Chiara Lubich, após um encontro comemorativo dos 10 anos do projecto. De então para cá têm sido inúmeros os encontros formativos, com diversas sessões em diferentes países ou grandes regiões de vários países, onde vai crescendo a massa crítica dos empresários de EdC, bem como estudiosos e consultores interessados pelo tema.

Para as empresas de EdC, estes momentos de formação representam importantes pontos de apoio à superação das dificuldades, promovem o sentido de pertença a um projecto e a adesão a um ideal maior que a realidade de cada empresa de per si.

«O segredo da Metalsul para superar os obstáculos é a participação num grupo de empresários que possuem os mesmos ideias, que se reúne regularmente para aprofundar as raízes espirituais do projecto EdC e no qual é possível partilhar experiências, alegrias e sofrimentos.»47

Portanto, o objectivo é formar todos quantos trabalham no mundo da EdC, reforçando os laços entre aqueles que partilham a filosofia deste projecto, renovando a opção pela fidelidade ao mesmo, de modo a que se torne cultura da empresa. Em última análise, pretende-se, igualmente, ajudar a criar um movimento para uma cultura económica de comunhão.

«Há anos que reunimos com outros empresários de EdC para um intercâmbio de experiências e partilha das nossas dificuldades, para nos apoiar reciprocamente. Todas as vezes despedimo-nos com uma nova carga de força e entusiasmo.»48

In document Clefts in Norwegian wh-questions (sider 77-84)