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Quiz and exam questions

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5.4 Special questions

5.4.4 Quiz and exam questions

«Nem individualismo, nem colectivismo, mas comunhão», são palavras conhecidas de Igino Giordani, um dos primeiros membros do Movimento dos Focolares.

Chiara Lubich106 vê a EdC como uma comunhão entre pessoas e bens e defende que a “comunhão” pode ser uma nova chave de leitura das relações sociais, que pode ajudar a ultrapassar a concepção individualista predominante hoje em matéria económica. No projecto da EdC propõe-se fazer da actividade económica um lugar de encontro, um lugar de comunhão, comunhão entre quem tem bens e oportunidades económicas e quem não os tem, entre todos os sujeitos envolvidos na actividade económica.

A comunhão é um encontro de gratuidade, resultante de um amor-ágape vivido por dois ou mais sujeitos em reciprocidade.

No dizer do sociólogo Georges Gurvitch (apud Araújo107) a comunhão é uma categoria sociológica, é “a manifestação de uma socialidade real”, pela reciprocidade entre o eu, o outro e o nós. Esta concepção de Gurvitch não é uma concepção cristã, mas estimula um paradigma com determinadas características para as relações interpessoais, sociais e institucionais e

104 Darlene Bonfim | Policlínica Ágape | Brasil clínica médica, Entrevista Maio 2005 105 expressão de São Paulo usada pela espiritualidade do Movimento dos Focolares 106 « Source d‟une pratique economique » , in Mouvement des Focolari (2001: 21) 107

remete para a comunhão como categoria económica e para a necessidade de uma economia enquanto expressão fundamental do Homem.

Vera Araújo108 refere a unidade para compor diversidades, pluralismos, incrementar a participação, fortalecer a liberdade, tudo isto na praxis social de todos os domínios, incluindo a nível da economia. Por isso afirma que, com a EdC, a comunhão eleva-se a uma categoria económica (idem: 25) e a justificação para isso vem da necessidade de uma mudança na economia enquanto expressão do ser humano.

No caso da vida empresarial, aComunhão concretiza-se durante o processo de criação de bens e serviços, na relação entre empresários, entre estes e os trabalhadores, com os concorrentes e financiadores, ou seja, a comunhão de lucros não é senão o resultado da comunhão como estilo de vida empresarial. Só depois deste chamado primeiro nível de comunhão, é que faz sentido o segundo, sob a forma de doação de parte dos lucros.

Isto significa que a comunhão é mais exigente que a mera repartição do lucro. A comunhão do lucro é a expressão final de uma vida de comunhão que envolve a totalidade de vida empresarial, devendo os pólos empresariais de EdC ser espaços de “comunhão produtiva” por excelência.

Lorna Gold, no seu trabalho de doutoramento sobre o projecto EdC, remete para elementos sobre a convergência entre duas racionalidades: a da comunhão e a do lucro; questionou se isso criava tensões dentro das empresas e entre empresas, se criava uma nova síntese, com novos espaços sociais e económicos. E analisou a penetração dessa nova visão na economia de mercado. Lorna Gold diz109: «a primeira transformação que notei nos empresários da EdC foi que a sua visão do mundo poderia ser aplicada de forma sistemática à economia pública e não somente no âmbito da economia pessoal.» Aquela que consideravam uma ética particular dessas pessoas, como a comunhão dos bens, foi aplicada com uma ética de trabalho, de modo público (idem). Gold conclui que os empresários levaram a ver as “pessoas como pessoas” e não como factores de produção. Além disso, as empresas também tomaram consciência que não podiam usar o nome “EdC” se não colocassem em prática princípios de honestidade, justa competitividade, pagamento de salários justos, respeito pelo meio ambiente, já para não falar que não poderiam estar envolvidas em situações que não lhes permitissem distribuir “lucros limpos” (idem).

108 “Qual a pessoa e qual a sociedade para a Economia de Comunhão”, in Bruni (2000: 25)

109 Gold, Lorna, “Abrindo espaço para uma nova visão económica: redes locais-globais de comunhão”, in Centro

de estudos, pesquisa e documentação da EdC, Anais do Bureau Internacional da Economia e Trabalho (1999: 90)

Luigino Bruni (2004a) chama a atenção para o facto de não ser um acaso terem sido as empresas as convocadas para desempenhar a função de instrumentos de comunhão. Compreendê-lo ajuda a compreender a missão da EdC, que não é apenas a de ajudar os mais pobres, já que sabemos essa nem é a vocação das empresas e para isso podiam ter-se criado obras sociais de outra natureza. É verdade que as empresas de EdC proporcionam empregos e o lucro é colocado em comum, mas o essencial é o propósito de viver o sentido da comunhão em toda a vida empresarial, até que se torne uma cultura.

«Para que os empregados pudessem viver melhor o espírito do projecto, era-lhes oferecida a possibilidade de um aprofundamento da espiritualidade de comunhão. Muitos aderiram a estes convites e os frutos tornaram-se evidentes na melhoria dos relacionamentos entre eles, no clima de amizade entre todos e no aumento da produção.»110

Neste sentido, a empresa é de comunhão se construir a sua própria identidade ao redor da gratuidade e não transformar valores intrínsecos em algo contratual, e desde que não confunda com filantropia, altruísmo ou com assistencialismo (Bruni, 2005: 48).

Por outro lado, também existem empresas de EdC que não são for-profit, como é o caso de cooperativas sociais. Portanto, não é pela acumulação dos lucros doados que se mede a intensidade de vivência da comunhão, uma empresa pode ter lucro zero e investir de outros modos111.

Em última análise, todo o lucro da empresa é destinado à comunhão, pois mesmo o montante que é reinvestido na empresa não é encaminhado para a especulação financeira, mas apostado em criar nova riqueza e novos postos de trabalho (Bruni, 2004a).

Assim, para Chiara Lubich o ponto de chegada da EdC vai para além da ideia de justiça ou de igualdade, ou até da solidariedade. O ponto de chegada é a plena realização da pessoa pela comunhão112. Sem o sentido da comunhão entre os homens, a mera comunhão de bens arrisca-se a ser uma espécie de comunismo. Não é esse o caminho. Daí uma tão forte tónica na dimensão relacional, nas relações de reciprocidade e fraternidade, como veremos de seguida.

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