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5. Solvent and other product use

5.5. Other product use

Nas entrevistas e grupo focal também exploramos o tema da pobreza com os profissionais da saúde, principalmente no que se refere a compreensão destes sobre o tema e como lidam com as desconexões nas práticas diárias. Os encontros de psicólogos na cidade de Pariquera-açu, os microeventos e as visitas com o PSF também foram importantes para esta compreensão.

Trecho 3, entrevista com médica pediatra UBS

I. Porque às vezes você vê gente extremamente pobre que ganha roupas e que tem comida porque a patroa dá. E, no entanto a criança tá limpa, tá com bons cuidados de higiene, né. E não tá aquele precariedade toda. Quando você vem para o interior, isto mais na cidade maior, que existe miséria extrema também, que existe abandono, que existe a falta de saneamento básico, no Rio também tem isso, nas favelas lá, (?), é vala negra, é tudo muito precário. Agora, quando você vem paro o interior, você vê que também existe isto, não tem saneamento, não tem nenhum cuidado. Mas as pessoas aqui têm uma coisa, que pode ser, vamos dizer assim mediada (?) em relação ao pessoal da cidade grande. Porque as prefeituras são muito, mas extremamente protetoras.

S. – Assistenciais?

I. - É. Tudo eles jogam pra cima da política, né. É o prefeito que tem que arrumar, é o prefeito que tem que fazer, tem que dar condução, tem que dar o remédio quando ele não tem, a comida e não sei mais o quê, né. E essa coisa assistencialista, meio, meio safada que existe aqui no Brasil, é isso mesmo, na base desses programas todos que têm aí, bolsa família, bolsa escola, bolsa não sei o quê, ticket para isso, ticket para aquilo, vale gás, vale refeição. Isso tudo pra não dar emprego para o camarada. Então eles ficam tapando o sol com a peneira, dando esse dinheirinho, e as pessoas se sentem ótimas porque se elas têm dez filhos, que beleza, olha quanto ela vai juntar, entendeu *. Então, não deixa o povo raciocinar que isso não é o melhor para ele não. Mas vão dando aquela esmolinha no decorrer do ano e as pessoas vão achando que aquilo ali é uma boa coisa, né. Aí tem o programa do leite, tem o pessoal da pastoral que dá aquelas farinhas nutritivas. Mas no duro, no que devia ser feito, que é uma casa decente para o sujeito morar, com água para ele tomar banho, para ele fazer a comida, lavar sua roupa, isso ninguém se preocupa. (?) Para aonde vão os dejetos, também ninguém taí para isso. Então o lugar que ele bebe água é lugar para onde as fezes estão indo, é por aí vai. Então você vê essa miséria desgraçada *. As crianças cada vez mais com problemas, verminose aqui, por exemplo, é uma coisa de doido.

S. – Sim, outros médicos falaram.

I. - A incidência é muito alta e prevalente mesmo a coisa da verminose. Giardia, que é um germe, um protozoário da água, né, a contaminação se dá através da água. Isso aqui, vamos dizer, eu acho que oitenta e cinco por cento da população é portadora. Não tem uma criança que entre aqui, que não tenha tido pelo menos uma vez no ano um episódio bravo de dor abdominal com fezes aquosas, explosivas e tudo mais, entendeu. Então tem esse problema todo, isso aí é o que, falta de saneamento básico.

Trecho 5, entrevista com médica pediatra UBS

I. De uma maneira geral é isso o que você tem, assim, em termos de pobreza. Está muito ligada a isso, a abandono mesmo, e falta de emprego, falta de estrutura. Meninas cada vez mais jovens tendo crianças, garotas de quatorze e quinze anos que engravidam e não sabem às vezes o que fazer com aquilo, né. Olha para aquela criança «e agora o que eu faço», né. Não sabem amamentar, não tiveram nenhum tipo de orientação. Tem o problema da mãe que não tá nem aí para elas, «agora, vire-se».

S. - As avós.

I. Sim, as avós. Algumas ficam furiosas, mas acabam assumindo a criança porque acham que a mãe não tem juízo. Mas isso faz com ela tenha o segundo, terceiro e quarto filho, porque aquela está botando debaixo da asa. Então os filhos ficam assim meio jogados, né. Fora outras doenças todas, né, que podem ser adquiridas e tal. Tem esta história dessa promiscuidade *. E aqui nesta região tem outra coisa, que é, que é muito comum, que tem bastante casos, que é a doença da anemia falciforme. Que é uma anemia ligada a raça negra, que inclusive ano que vem vai ser um ano sobre a inclusão do negro, alguma coisa assim. Então isto vai fazer parte, porque não adianta ser só inclusão social, cultural, sem a inclusão da saúde. E eles têm uma doença que pode levá-los à morte, né. Então, muita doença criança aqui tem a doença, outra parte, maior, é portadora. Então estes portadores têm que receber uma orientação, se tiver condições de pesquisar isto, ou fazer um pré-nupcial ou pré-natal. Para poder investigar se existe na parte do parceiro, também da mulher, da parceira, investigar esse traço (?). Para que faça um acompanhamento, se vai valer a penas ter tantos filhos e correr o risco de ter uma criança com anemia falciforme. E vamos dizer assim, das crianças com anemia verdadeira, com defeito da hemoglobina, que é um defeito genético (?).

S. - E anemia falciforme não tem cura?

I. - Cura, não, ela é um defeito genético. Existe uma profilaxia, né, profilaxia não, uma profilaxia para os quadros assim, de infecção, que essas pessoas, elas apresentam a doença falciforme quando elas (?). Estrago no organismo da pessoa e * erradamente aqui a pessoas dão muito ferro para as crianças, porque são muito pálidas, principalmente quando chegam com sete, oito meses de idade, a criança empalidece muito. Então a mãe por conta própria, ela acha que aquilo é uma vitamina, então tome ferro. E não vai resolver o problema da criança porque o problema dela não é basicamente a falta do ferro. Ela tem é um defeito (?). Às vezes até eles tem um nível de ferro razoável, tem uma hemoglobina que não fica muito descompensada, a não se esses que são os portadores mesmo (?), aí eles vão ter uma hemoglobina bem baixa mesmo e tal. E as mães ficam dando ferro toda vida, ferro, ferro, ferro. Esquecem de fazer a profilaxia das infecções. Quer dizer, esquecem não, elas nem tem orientação para isso, entendeu. Então, tinha que haver um cadastro, ir nestes quilombos aí, por aí. Fazer um cadastramento deste pessoal e tal. (?) É uma doença extremamente dolorosa, a criança sofre muito, tem muita dor e é aquela dor que só pode ser contornada com (?). Então é muito sofrido, é muito sofrido pra mãe ver aquela criança, o sofrimento daquela criança *. As vezes faz umas pneumonias, que nem são na maioria pneumonia, é uma doença, é uma síndrome (?), com muita dor e tal. E que leva a morte assim (?), e acaba sendo diagnóstico de pneumonia, erradamente. Mas a realidade (?). A pessoa acaba morrendo, porque não tinha mais pulmão para respirar. Quando você passa o raio X assim, ta tudo branco. Ah, pneumonia, pneumonia bilateral, pneumonia dupla como o pessoal fala. Mas na realidade não era nem pneumonia. Podia até ter tido um quadro infeccioso (?). Morreu deste efeito que a anemia falciforme causa. * Então quer dizer, isto tudo é miséria, isto tudo é pobreza, porque isto não é avaliado, não é levado em conta.

Trecho 4, grupo focal

M – Sem contar o estilo de vida, né, do pobre, que geralmente é um trabalho braçal, tá, e a maioria das consultas é mialgia, lombalgia, do trabalho braçal que eles fazem.

E - Certa vez eu vi numa revista, uma matéria, que pobre não tem direito de ficar doente, e o organismo entende dessa forma. O organismo dele sabe que ele não pode adoecer, se ele adoecer a família (?). Então, o organismo vai até o limite, então, quando ele, usando o termo quando ele “abre o bico”, né, é porque ele não tem mais pra onde esticar a correia. E aí (?), mas quando cede, pra você recuperar esse organismo é difícil. Então o organismo entende e mente desse homem, entende que ele não pode ficar doente, porque se ele ficar doente, parou tudo, então não fica. Aí, até o limite, a hora que ele cede, aí não tem jeito, para recuperar esse homem. (?) Você vê, normalmente o pobre, normalmente o pobre (?)

C - Aí você vê, é, é o pobre que tem mais filhos.

E - Não tem direito a (?), controle de natalidade, aí uma família (?).

C - É uma coisa que nunca vai em frente, né, porque aquela família que tem seis filhos, a filha já tem mais quatro, cinco, e nunca ninguém vai ter acesso a nada, a um estudo legal, alimentação legal, né?

Trecho 8, grupo focal

G - Eu acho assim (?) se você fala numa empresa, você tem pobres que trabalham muito (?) difícil trabalhar. Eu acho que aqui é um lugar aonde existe até uma oferta de emprego, né, lógico que a gente pode até questionar valores, enfim, pode tá reclamando, mas a gente vê que tem gente que tem, entre aspas, medo de trabalhar.

C - Medo e porque ganha muito fácil também as coisas.

G - Não, mas então aí começa outro ponto, a partir do momento que o governo dá isso, você escuta do paciente, por quê você não tem uma horta em casa, ah, o governo dá, por quê eu vou fazer.

C – É.

G – Lógico, entra o fator cultural, né, eu acho, não sei até onde cabe isso, mas é uma coisa assim, que eu achei um absurdo aqui. Um fazendeiro dizendo que tinha um empregado, ele pagava oito reais por dia para os empregados, e esse um, ele trabalhava melhor que os outros, então ele chegou para ele na sexta-feira e falou assim, fulano, a partir da semana que vem, você não fala pra ninguém, mas a partir da semana que vem vou te pagar dez reais por dia. Na sexta-feira, quando foi no sábado, aliás, quando foi na segunda-feira ela já não veio trabalhar, aí veio na terça. O fazendeiro perguntou, tava doente segunda, ele falou não é que como você vai me pagar dez reais por dia eu posso trabalhar um dia a menos na semana, que eu vou ganhar a mesma coisa. É inacreditável, mas é, complicado.

Trecho 3, entrevista médico plantonista da Santa Casa

S. Um médico do PSF me deu a idéia de perguntar, como você já está aqui há um tempo, [ah, pergunta pra ele se era assim no começo, essa situação de pobreza, se era do jeito que está agora, se piorou].

Interrupção – toca o telefone R. Era, não tanto, né.

Interrupção – toca o telefone

R. Quando eu vim aqui para Eldorado não tinha conhecimento, por exemplo, leshimaniose, doenças típicas regionais, leishmaniose em alguns bairros, hanseníase tem boa prevalência aqui em Eldorado. Mas assim, a medida que a situação econômica piora, piora as doenças, piora a carência. (?) A medida que o serviço melhora, é mais acreditado, maior é a procura, aparece mais casos. Acredito que seja a mesma coisa em psicologia, né.

S. É.

R. A medida que você divulga o serviço, o atendimento e o povo acredita, que procura mais, (?) a nível ambulatorial, preventivo, curativo. (?) Quando eu cheguei aqui já existia pobreza, não como hoje, a coisa piorou. (?)

No Encontro de psicólogos do Vale do Ribeira que atuam na saúde, que ocorreu no município de Eldorado, surgiu o termo “demanda socioclínica” que também remete uma noção de pobreza.

16/02/2006 Encontro dos psicólogos (Pariquera-açu). “Demanda socioclínica”.

Conversa sobre a demanda do serviço de psicologia. Caracteriza a demanda do Vale do Ribeira como “sócio-clínica”, relaciona com as condições de pobreza em que vivem os usuários dos serviços. Não basta fazermos a nossa parte, por exemplo, do atendimento clínico, devemos pensar nos segmentos sociais (palavra utilizada pela coordenadora) têm que fazer a parte deles também, para ajudar no tratamento. Os segmentos sociais referem-se ao Serviço Social, Escola, Cultura, Esporte, Conselho Tutelar, etc. A palavra demanda foi dita muitas vezes, principalmente pelas coordenadoras, desde o primeiro encontro transmitiram a preocupação com a grande procura pelo serviço de psicologia, o quanto os psicólogos não dão conta da grande demanda. Concordo com isso, muitas pessoas também me procuram em Eldorado. Nesse momento me perguntava de que demanda estávamos falando exatamente. Será que as psicólogas e os psicólogos não estão “psicologizando” toda a demanda? No relato da minha experiência comento o quanto à demanda é social, não exclusivamente psicológica, e o quanto isso pode tornar-se uma armadilha para perpetuarmos os modelos de trabalho que não ajudam efetivamente os usuários do serviço de psicologia.

Uma das formas encontradas pelos profissionais da saúde para falar sobre pobreza refere-se às situações com as quais se deparam no dia-a-dia, como verminose, mialgia, lombalgia, gravidez na adolescência, anemia, leishmaniose, hanseníase. São situações de saúde relacionadas à pobreza, ou seja, à falta de moradia decente, trabalho, renda, saneamento básico, educação, informação e hábitos mais saudáveis.

Com os psicólogos observamos que a situação é um pouco diferente, não houve uma relação entre transtorno mental e pobreza. Com recursos próprios trabalho do psicólogo

seria possível conhecer as condições de vida das pessoas atendidas, como em entrevistas realizadas para uma avaliação psicológica. Portanto, sabe-se que a demanda é “sócio- clínica”, termo utilizado quase como sinônimo de pobreza.

Falar sobre pobreza também enveredou para a questão de responsabilidade das pessoas pobres pelas próprias condições de vida. Por exemplo, ter muitos filhos ou engravidar na adolescência, ou ainda, o fato de manter a casa limpa independe de dinheiro, e sim da atitude de cada um. O que remete a certa permanência da idéia de pobreza trabalhada por DONNANGELO (1976), relacionada a fatores individuais e morais. Idéias nessa vertente são um alerta ao profissional da saúde, principalmente quando se depara no trabalho diário com famílias jovens, numerosas, que vivem numa casa precária, com pouca escolaridade e baixa renda. Como já vimos, pobreza é assunto complexo e está muito distante de uma análise individual.

Já em outros momentos emergiu a questão do governo, que não respeita os direitos do cidadão e não ataca verdadeiramente o problema, utilizando medidas que não funcionam como a Bolsa Escola. É evidente a indignação com os programas de transferência de renda, pois seria uma estratégia do governo para mascarar os reais problemas, para agradar a população, para deixar as pessoas acomodadas e não buscar mais recursos, por exemplo, através do trabalho. Quase culpabilizam as pessoas atendidas por Bolsa Família, principalmente por receberem sem trabalhar. Quando o que mais parece é o efeito perverso desses tipos de programas, segundo DEMO (2003) ao “comprar o desespero da população por R$15,00” (DEMO, 2003, p. 38). O autor discute a política social no Brasil, que tende a priorizar uma distribuição de renda na forma de migalhas e atrelar a sobrevivência da população pobre a esses tipos de benefícios (como o Bolsa-família). Assim, o autor alerta para a situação de abuso desses tipos de recursos assistenciais.

Não se pode, porém, confundir o mais importante com o mais imediato. As necessidades humanas são todas importantes, embora algumas sejam mais imediatas. Fome mata mais rápido que a falta de escolaridade, mas o atendimento de ambas é crucial para a qualidade de vida humana. Não cabe, para o pobre morrendo de fome, oferecer- lhe discurso bem articulado sobre emancipação. Precisa comer. E isto é direito fundamental, radical. Assistência é prática necessária de política social. Condena-se tão somente seu abuso. (DEMO, 2003, p. 42).

Quanto a lidar ou combater a pobreza, primeiramente obtivemos respostas que dependem de características pessoais e de vida do profissional. Posicionamento que não parece justo para os profissionais da saúde, tampouco suficiente para a situação vivida em Eldorado.

Trecho 2, entrevista com médica pediatra da UBS

I. Agora, como é que vai lidar com isso a gente é que vai traçar, né. Dependendo da sua formação cultural, familiar, né, seu lado emocional, essa coisa toda. Você vai lidar com isso com certas nuances. Ah, em pediatria, por exemplo, a gente, é uma coisa assim. A gente não pode ficar se lamentando o tempo todo disso, senão você não dá um passo para frente. Cada vez que você olha para uma criança miserável, sem roupa, com frio, cheia de sarna entendeu, com ferida da cabeça aos pés, com a bunda cheia de ferida, que só falta, sangrantes, né. Que não consegue, quando evacua dói, quando urina dói. Você se deixar levar por isso aí, você não consegue dar uma passo para frente, né. Então você tem que encarar essa coisa, tentar fazer com que aquela mulher, aquela mãe entenda, que aquilo é parte pobreza, parte miséria, parte abandono e parte relaxamento, tá *.

Trecho 2, entrevista com médico plantonista da Santa Casa

S. E no dia-a-dia aqui, como que é isso? Exercer a medicina com essa população. R. No dia-a-dia é complicado, porque além de você ser médico, você tem que ser um pouco de assistente social, carregar o paciente também, com as suas dificuldades, ver o melhor que pode fazer, tá, dentro do seu ramo de atuação, esse é o nosso dia-a-dia. Lutando com falta de ambulância no hospital, lutando contra dificuldades econômicas, medicamentos, (?) patologia na enfermaria ou por outro lado, na unidade básica de saúde, há falta de medicamentos, a gente lida com o dose certa, em certos períodos a gente tem um hiato, onde você não tem, por exemplo, as coisas básicas, um anti- hipertensivo falta, aí você tem que esperar.

S. Porque as pessoas não podem comprar. R. Não podem comprar.

Trecho 5, entrevista com médico plantonista da Santa Casa

R. A gente vê progresso no trabalho que a gente desenvolve, claro, um trabalho lento, que não aparece, o que aparece são os indicadores, por exemplo, ambulatório de cardiologia que existe aqui. Com esse ambulatório você diminui a incidência de infarto do miocárdio, você diminui o edema agudo de pulmão que é complicação. Os hipertensos são controlados a nível ambulatorial, então isso melhora os marcadores. S. Isso não tinha antes?

R. Não.

R. Precisa ser um pouco teimoso e ousado nisso aí, fazer medicina na carência e nas dificuldades, correndo risco profissional. Pela falta de recursos, as distâncias entre as

cidades.

Trecho 7, grupo focal

Nesse trecho complemento falas anteriores sobre a importância das reuniões de equipe de saúde da UBS. Novamente questiono alternativas.

S - Seria uma alternativa então, né? Para alguns problemas do dia-a-dia. E a C., que alternativa encontra para seus pacientes?

C - Ah, para os meus pacientes, difícil, né? Uma alternativa que seria é se eu fosse rica, eu daria dinheiro para eles virem fazer fisioterapia (risos), mas infelizmente também sou pobre, então não sei.

Microevento. Data: 11/08/2005. Hoje no pátio da Santa Casa encontrei com B. novamente, é sexta-feira está muito apressado, quer ir para casa porque volta para o sítio amanhã, comprou sabão em pó para lavar a casa de uma paciente, segundo ele não há menor condição de uma pessoa viver ou morrer numa casa naquelas condições. Por iniciativa própria. (micro evento do cotidiano)

Trecho da visita com o PSF II dia 30/11/2005.

Data: 30/11/05 PSF II. Colibri. Saímos de Eldorado. Equipe de PSF hoje: dentista, auxiliar de dentista e duas agentes comunitárias que ficariam pelo caminho. Destino os bairros do Areadinho e Barra do Batatal, no distrito da Barra do Braço. Depois de mais de uma hora dentro do jipe chegamos ao Areadinho, mais acima o bairro Cavuvu. Viagem realmente difícil, o médico tinha razão. Um calor insuportável. Chegamos ao lugar do atendimento do PSF, uma casa que pertence a uma fazenda, e o dono cede essa casa. Encontramos cerca de sete pessoas e a agente comunitária do bairro, um clima tenso para dizer que o médico não veio. As duas equipes de PSF estão com dentistas e auxiliares de dentista há aproximadamente um mês. Mas ainda não foram construídos consultórios para o atendimento odontológico, que será basicamente de prevenção e extração. Estes profissionais estão há um mês fazendo triagem dos pacientes, mas pela demora comentam que as pessoas estão desacreditando do serviço. Aqui há poucas casas, bem distante uma da outra pode observar na estrada. É um pouco estranho chamar de bairro, até mesmo o Cavuvu, quando quase não vemos casas e pessoas. Na volta paramos por um tempo no “postinho” da Barra do Braço. Depois retornamos para Eldorado, mas antes paramos em Rio Batatal, não entendi ao certo porquê. Lugar lindo demais, estradinha de barro entre as montanhas, o ribeirão acompanhando lá embaixo, muito lindo... que até compensava o desconforto do famoso jipe horrível. Conhecemos o posto de lá. Diante das circunstâncias fiquei impressionada com o postinho. Era uma casa grande e espaçosa, mais com cara de postinho de saúde. Voltamos pela estrada novamente, vim apreciando o outro lado da paisagem. Uma parada obrigatória no posto da Barra do Braço e partimos para