6. Agriculture
6.2. Emissions from enteric fermentation in domestic livestock
Como aponta Duarte (2002), diversos autores trabalham com a noção de que o espaço é composto de partes interdependentes, possibilitando o surgimento de uma divisão de espaços disciplinares, separados de acordo com os saberes envolvidos, tais como: espaço econômico, ecológico, psicológico, literário etc. Para o autor, no entanto, apesar da utilidade para essas disciplinas, essa distinção nada auxilia no entendimento do espaço em si. Dando prosseguimento a essa ideia, podemos concluir que tais disciplinas pensam o espaço como área de atuação, ou seja, pela concepção de um espaço ocupado por essas práticas como maneira de delimitar suas fronteiras de análise. De certo modo, a proposição de espaços de imagens constitui a demarcação de um campo de atuação identificado com a prática imagética, mas não se reduz a esse aspecto.
Conforme anunciado anteriormente, para afastar a ideia de que o estudo limitar‐se‐ia a um inventário dos diversos espaços concebidos para a produção de imagens, afirmamos que o estudo contemplaria os espaços ensejados pela imagem, no sentido de incluir o entendimento da cadeia operatória da imagem, desde o seu processo de espacialização até seu encontro com o espectador. Considera‐se aí a ocorrência de um desdobramento das circunstâncias espaciais às quais as imagens são submetidas para atingir esse espectador, que não se restringe a uma mera observação da relação da imagem e seu medium. Mais importante, essas circunstâncias são determinadas pelas capacidades peculiares do espaço de afetar a imagem, o que nos leva a considerar a proposta de Duarte (2002) de tratar a multiplicidade própria do espaço pelas propriedades que lhe são intrínsecas, sintetizadas na tríade paradigmática de divisão do espaço proposta por Lefebvre (2005) em percebido, concebido e vivido.
Lefebvre (2005), em A produção do espaço, pesquisa o modo específico como o espaço e suas inter‐relações são ordenadas e procura identificar a sintaxe que governa sua organização. Aplicar esse postulado é procurar o princípio de organização subjacente à sua forma e precisar a gramática que operacionaliza esse princípio. Dito de outra maneira, é apontar para a sua origem, para o pensamento que o concebeu e o modo como, a partir dele, algo foi elaborado. A chave da formulação desse autor está em compreender o espaço como inter‐relação de coisas e não o espaço per se, isolado. Como resultado disso, pretende alcançar a construção de um sistema de espaço que permita expor sua produção atual ao trazer os vários tipos de espaço e suas modalidades de criação dentro de uma teoria única e obter um “conhecimento
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do espaço” diferente daqueles obtidos até então pela filosofia e pela ciência. Dessa proposição, Duarte (2002) coteja a matriz espacial, amparada pela definição de espaço de Santos (2006) previamente mencionada, da qual retira os elementos que sustentam sua noção de matriz espacial como sendo o espaço, o território e o lugar. Essas três concepções podem ser aproveitadas e conciliadas se deslocadas para o domínio das imagens.
O espaço de representação (vivido), que engloba a prática social (percebido), é aquele com tendência a privilegiar a objetividade e a materialidade e visa a uma ciência formal do espaço. Diz respeito ao modo como o espaço é qualificado pela presença de coisas materiais (objetos, corpos e informação)16, que, na sua inter‐relação, apresentam aquele espaço para o homem. Esse espaço representa uma mudança em direção a uma exploração das suas características históricas e sociais, ainda primariamente baseadas pela e nas suas configurações materiais. É basicamente o espaço tridimensional em que nossos corpos movem‐se e habitam, um espaço material, no qual encontramos as espacialidades imagéticas interagindo com as diversas situações encontradas nele. Dessa maneira, a ocupação do homem na superfície do planeta, as relações entre sociedade e natureza, a arquitetura e as geografias resultantes do ambiente construído do homem proporcionam a fonte de conhecimento dessa espécie de espaço. As espacialidades aí presentes assumem as qualidades de um texto substancial a ser cuidadosamente lido, digerido e entendido em todos os seus detalhes. Como explica Soja (2012), esse espaço é convencionalmente abordado por dois diferentes níveis: um que se concentra na descrição pormenorizada das aparências de superfície e outro que procura a explicação espacial nos processos exógenos primários do social, psicológico e biológico.
16 Conforme a boa definição de Law (2003), em Materialities, spatialities, globalities,
especialmente quando diz que “a materialidade é sobre as coisas, as coisas do mundo. De uma maneira simples, podemos imaginar três tipos de coisas. Primeiro, há objetos. Aqui, então, uma preocupação com a materialidade é uma preocupação com máquinas, casas e supermercados. Trata‐se de comunicações por satélite, tecnologias militares, veículos motorizados, o crescimento, a distribuição e o consumo de chá e café. Trata‐se das extravagantes sedes corporativas das multinacionais – ou as favelas, as favelas, do Rio de Janeiro. É sobre o abastecimento de água em uma vila no Zimbabwe, ou as redes de cabo sob as ruas de Londres. [...] Mas é também sobre os corpos – porque corpos são materiais. Por isso, é sobre como os corpos exibem‐se em roupas e cosméticos como objetos do olhar, como venham a incorporar as suas condições de trabalho, são adicionados ou reparados por próteses. [...] Mas também são [materiais] informação e media, e esta é a nossa terceira categoria de materialidade. Textos como este, jornais, as imagens na televisão à noite, livros em bibliotecas, CD‐ROMs, mapas, filmes, quadros estatísticos, planilhas, partituras, desenhos do arquiteto, projetos de engenharia, todas estas são informações – mas informação na forma material.” (p. 2, tradução nossa).
A representação do espaço (concebido) é um espaço mais relacionado com o subjetivo, com a imaginação, com a ideia de mapas mentais. É um espaço simbólico, um mundo de significação. Apresenta‐se como uma nova forma de pensar o espaço em termos mais subjetivos, mais simbólicos. Trata‐se de passar de um pensamento mais material a um mais idealizado, como espaço da imaginação ou comportamental.
Para Soja (2012), a questão maior é que não se trata de abandonar essas duas maneiras de pensar o espaço, mas, pelo contrário, reavaliar esse estudo, que muitas vezes esteve marcado pela combinação desse dualismo. Existem estudos que combinam o material com o percebido, o empírico com o concebido, para pensar um terceiro espaço que inclua esses dois. Para ele, não se trata de um espaço intermediário nem de um contínuo entre o pensamento materialista e o pensamento idealista. Este seria também um espaço vivido, que, como conceito mais amplo, se fala na maior parte das vezes como experiencial (ou experimental), empírico, além do espaço imaginado. Contudo, para o autor, o conceito é mais amplo, pois está relacionado com a história. Então, o espaço vivido é o equivalente, em seu alcance e complexidade, ao tempo vivido. Por exemplo, a biografia: nossa vida é ao mesmo tempo temporal e espacial. Então, ao falar desse espaço, estamos falando de uma complexidade plena.
Tal discriminação espacial funciona como orientação para o eixo espacial pelo qual as imagens operam, pela maneira como associam elementos de diferentes propriedades em torno de uma categoria comum, sem deixar de perder de vista a totalidade do espaço. De modo geral, as categorias espaciais da imagem relacionadas a seguir encontram‐se amparadas pelos mesmos critérios.
Para sistematizar o que propomos, desdobrou‐se o espaço de imagens no sistema meio, medium e ambiente. Enquanto categorias espaciais, esses três elementos auxiliam no entendimento de cada etapa do processo de espacialização da imagem, mas sua ação é simultânea. Isso significa que esses elementos coexistem integrados na mesma esfera espaçotemporal. Assim, os espaços de imagens, compreendidos por essa tríade, são os responsáveis por conectar distintas instâncias espaciais que priorizam os seguintes aspectos:
• meio: a construção da imagem e sua materialidade; • medium: a circulação da imagem e o suporte técnico; • ambiente: a fruição da imagem e o espectador.
Cada uma dessas categorias pode dar origem a diferentes análises, que ora enfatizem o meio, ora o medium ou o ambiente, ou, ainda, que mesclem
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análises e comparações entre esses espaços. O objetivo principal nesta pesquisa, como anunciado, limita‐se a observar a ocorrência dessas instâncias como estruturadoras da imagem e a destacar suas atividades basilares. Na sequência do trabalho, daremos destaque às atividades que ocorrem no medium e principalmente ao intenso movimento que ocorre entre os media, uma vez estimulados pela digitalização da informação, em virtude da profusão de produção imagética e comunicacional que tem sido motivada pela facilitação informática ao permitir que diferentes linguagens frequentem um mesmo
medium.