• No results found

Ao trespassar absolutamente o horizonte dos media e, em particular do jornalismo, Pavlik e McIntosh sustentam que o pensamento sobre a convergência enquadra os elementos principais da sua prática, a saber

“newsroom structures, journalistic practices and news content are all evolving” (2004:28).

O envolvimento a que se referem os autores tem ainda a capacidade de, através de um processo de aproximação e influência, estender pontes entre práticas tradicionais e renovados modos de exercer a actividade jornalística. Neste sentido, Mark Deuze sugere que o processo deva ser descrito

“in terms of (increasing) cooperation and collaboration between formerly distinct media newsrooms and other parts of the modern media company” (2004:140).

Sob o ponto de vista da esfera empresarial, a convergência é identificada, de acordo com Gordon, em cinco formas distintas:

Propriedade – “é a posse de múltiplos canais de conteúdos e/ou distribuição”

Táctica – “resulta da adopção de medidas estratégicas de duas ou mais empresas de diferentes plataformas mediáticas que colaboram aproveitando as sinergias específicas de cada uma”. (…) “Mais do que concorrentes, órgãos de informação em diferentes suportes podem tirar proveito destas sinergias”

Estrutural – “resulta de decisões editoriais que levam à criação de uma única redacção a produzir notícias para publicação em diversas plataformas”

154

Formas de recolha de informação – traduz, entre outras interpretações, a metáfora do backpack journalism, ou “jornalista de mochila às costas”. Aspecto controverso, longe de ser assumido por jornalistas e estruturas sindicais.

Contar histórias – “a internet e as suas capacidades multimédia e interactiva estão a abrir as portas a novas formas de as histórias serem contadas”, (Gordon citado por Silva, A.J.L., 2006:46-50).

Das inúmeras tentativas de definição das novas arquitecturas para o ambiente jornalístico, destaca-se a proposta de Paul Bradshaw (2007, Sept. 17). Ao apresentar um Modelo de Redacção para o Século XXI, o blogueiro situa-se num conjunto de pressupostos que derivam de conceitos fundamentais, a saber, Velocidade e Profundidade. Num esquema extremamente idêntico à lógica de produção de informação das agências de notícias, Bradshaw sugere um contexto de velocidade informativa composto por um sistema rápido de Alerta (móvel e e-mail), Draft (blogues) e Artigo/Package (publicação ou broadcast). Ora, a partir deste último, o autor sugere desenvolvimentos de Profundidade informativa que poderão assumir a seguinte forma: Contexto (hipertexto, portal), Análise/Reflexão (imprensa, broadcast, blogue, podcast), Interactividade (flash, chats, fórum, wikis) e por último, Personalização (bases de dados).

155

Fonte – Bradshaw, 2007, Sept. 17

Partindo do anterior enquadramento, que representa um esquema formal de funcionamento de uma redacção e do modus operandi dos jornalistas, Bradshaw propõe o conceito de Notícias Diamante. O modelo estabelece como fronteira os níveis de profundidade que a notícia pode conter, os recursos envolvidos e as necessidades do consumidor final de informação. Este diamante encerra complexos mecanismos e rotinas jornalísticas que vão do imediatista alerta em forma de flash à análise e reflexão que a actualidade pode/deve exigir. Embora as questões que se prendem com a produção noticiosa sejam laterais a este trabalho, entendeu-se pertinente a sua apresentação pois também determinam as novas formas de organizar e gerir as redacções.21

Figura 3 – As Notícias Diamante

Fonte – Bradshaw, 2007

21 Noutro âmbito que não o do presente texto, a proposta de Bradshaw merece demorada atenção,

preferencialmente quando cruzada com a proposta de João Canavilhas, a Pirâmide Deitada

(http://onlinejournalismblog.com/2007/10/19/from-the-inverted-pyramid-to-the-tumbled-pyramid- joao-canavilhas/#more-271)

156

A proposta teórica de João Canavilhas (2006), a Pirâmide Deitada, inscreve-se na linha de pensamento conceptual anterior. Assim, o autor parte do modelo geométrico clássico para o submeter a testes de construção e de leitura. Com base numa experiência de laboratório, Canavilhas apresenta a seguinte leitura, tendo por base a plataforma digital, a narrativa hipertextual e as múltiplas escolhas por parte dos leitores:

Figura 4 – Pirâmide Deitada

Fonte - Canavilhas, 2006

Canavilhas propõe uma pirâmide deitada com quatro níveis de leitura que, correspondendo aos parâmetros clássicos da elaboração jornalística, se situam agora numa dimensão digital:

“A Unidade Base – o lead – responderá ao essencial: O quê, Quando, Quem e Onde. Este texto inicial pode ser uma notícia de última hora que, dependendo dos desenvolvimentos, pode evoluir ou não para um formato mais elaborado.

O Nível de Explicação responde ao Por Quê e ao Como, completando a informação essencial sobre o acontecimento.

No Nível de Contextualização é oferecida mais informação – em formato textual, vídeo, som ou infografia animada – sobre cada um dos W’s.

O Nível de Exploração, o último, liga a notícia ao arquivo da publicação ou a arquivos externos”(2006:15).

157

Estamos perante uma arquitectura que convoca novas competências em ambos os lados das trincheiras informativas: aos jornalistas que elaboram as notícias e ao público consumidor e a quem as consome – o público, protagonista de escolhas, selector de meios e construtor de narrativas. Canavilhas considera que a pirâmide deitada,

“é uma técnica libertadora para utilizadores, mas também para os jornalistas. Se o utilizador tem a possibilidade de navegar dentro da notícia, fazendo uma leitura pessoal, o jornalista tem ao seu dispor um conjunto de recursos estilísticos que, em conjunto com novos conteúdos multimédia, permitem reinventar o webjornalismo em cada nova notícia”(2006:16).

Numa perspectiva complementar o jornalista Carl Sessions Stepp lançou o olhar sobre as transformações operadas nalgumas redacções informativas, acentuando na sua análise a importância da reorganização bem como os seus impactos quotidianos no trabalho desenvolvido. Transforming the Architecture (Stepp, 2007) centra-se no fenómeno das redacções integradas em vários jornais norte americanos, entre eles o Atlanta Journal-Constitution, San Jose Mercury News, Des Moines Register e o Politico. De entre a larga reportagem realizada, emerge a ideia capital de que mudar por questões de forma ou de cosmética é claramente insuficiente e inconsequente. A reorganização, defende Stepp, não se restringe à aquisição de modernas mesas e cadeiras - “in order to really change the newsroom, you have to change the architecture of the newspaper“ (2007). Bem pelo contrário, o já citado estudo Newsroom Convergence – a transnational comparison, considera haver factores chave na apreciação dos renovados espaços de redacção informativa. Sinteticamente, estes são alguns dos ângulos a ter em conta quando se trata de reestruturar projectos editoriais:

“(i) ways and means of implementation of convergence processes in newsrooms, (ii) workflows and news flow, (iii) ways of communication and cooperation of journalists and managements, (iv) multimedia- and content- responsibilities, (v) degrees of multiskilling of content-producers, (vi) training efforts” (Garcia Avilés et al., 2008:8).

Face às experiências e tentativas de adaptação das redacções a novos contextos e a novos desafios, constata-se que a diversidade dos fenómenos registados

158

não se pauta por uma conformidade formal, nem por um perfil teórico absolutamente definido. Os estudos e as práticas existentes não permitem afirmar com margem de segurança qual a “fórmula da convergência”, eventualmente eficaz para ser replicada em várias circunstâncias. García Avilés sustenta que a multiplicidade de factores tais como “the identification of different models of convergence as well as the identification of key factors and core questions” (2008:8) são determinantes na definição de estratégias de grupo convergentes.

Este estudo transnacional que envolveu países como a Áustria, Alemanha e Espanha, sugere uma tipologia de convergência tendo por base três modelos que correspondem a diferentes estádios de apropriação.

“Isolated Platforms: Cooperation is neither implemented systematically in

news gathering, nor in news production or news distribution. Journalism sections remain separated; newsroom design does not strive towards integration. The boarders and differences between online, print, radio and/or television sections in the same media company do not seem surmountable. Convergence is not even seen as an appropriate means of quality improvement. Cooperation occurs bottom up and more or less by chance, depending on single journalists. (…) Newsroom-architecture, technology, management, journalism cultures have been growing apart over years and now have to come closer. On the other hand steps towards media-convergence now can be undertaken with experienced staff on both sides: press and online experts on an eye to eye level;

Cross Media: In this model, journalists work in different newsrooms for

different platforms, but are interconnected through multimedia- coordinators and/or –routines. Management drives cooperation and communication between the media as well as cross promotion measures. Journalists remain platform-experts, multiskilling is the exception to the rule and not actively fostered by the management. Convergence is not considered a strategic necessity, but a tool.

Full integration: Architecture and infrastructure for multi-channel

production are combined in one newsroom, controlled via a central news and workflow management. Apart from this characterisation via external features, convergence also is a strategic goal. Content is first, the distribution on different platforms is subordinated to content production. “Online first” (as the slogan of Springer/Die Welt) is one symbol for a

159 paradigmatic shift from newspaper production towards multimedia

production. Even if not yet performed in real-life as deeper research of the case-studies revealed. Full integration also means that training for all journalists is provided in order to make them fit for multimedia production” (Garcia Avilés et al., 2008:10-11).

Com efeito, assiste-se a sintonias que se prendem com a síntese de espaços e de recursos humanos e técnicos debaixo de um mesmo tecto, depreendendo-se uma renovada cultura organizacional, de sistema de média e de gestão em variadíssimos níveis. A convergência, marca da contemporaneidade, sustenta ao nível da comunicação uma vontade de juntar num mesmo palco modos de fazer que dizem respeito a diferentes suportes de comunicação, mas tendo por objectivo rentabilizar os meios em presença procurando uma melhor optimização de todos os actores e recursos envolvidos. Daqui por diante, mais do que a reunião de pessoas e bens num espaço comum, importa estruturar conceptualmente o fenómeno da convergência em algo de extremamente profundo, provavelmente tomando a forma de um sistema de fusão dos media através da aliança digital, dando origem, na expressão de Cebrián Herreros, à “convergência cultural multimédia” (2004:201).

Académicos e profissionais da comunicação, e em concreto do jornalismo, têm alertado para a necessidade de interpretar os sinais que a Internet e a web têm apresentado, nomeadamente no que toca aos efeitos e influências no sistema de media. O fenómeno da convergência que tem marcado grande parte do final da década de 80, e mais significativamente os anos 90, deverá, no nosso entender, estender-se para águas mais profundas. Os horizontes que se perspectivam, enquanto nova e mais afirmativa fase dos novos media e das plataformas digitais, deverá rasgar, à luz dos sinais visíveis, já não apenas a convergência das duas últimas décadas mas uma renovada forma de gerir, produzir, realizar e apresentar informação de um modo simbiótico, sincrético e total. Com as devidas distâncias e cautelas conceptuais, poderemos estar cada vez mais perto de um “fenómeno social total” ao nível da comunicação, através do qual as experiências, relatos, narrativas e técnicas se juntam não por mero contacto ou interesse mas porque culturalmente se impõem como imperativo. Muito para além da junção, somatório, partilha e simpatia de meios e recursos, o fenómeno emergente de comunicação passa fundamentalmente pela fusão de princípios de gestão, de metodologias de trabalho, de

160

práticas e procedimentos, de discursos e consumos e, naturalmente, de interesses financeiros. O exercício que seguidamente se apresenta procura sintetizar um conjunto de tácticas consideradas pertinentes e eficazes para a implementação de redacções integradas. Longe de constituírem um produto chave-na-mão, as “Ten Tactics We’ve Tried”, retiradas do Cyberjournalist.com representam um esforço de síntese de algumas preocupações relacionadas com as inúmeras mudanças organizacionais:

“1. Locating web staff as close as possible to the print colleagues. Assigning web employees to newsroom teams or beats.

2. Getting the print newsroom staff to take ownership of its web site. Emphasizing how the web doesn’t diminish good journalism, but strenghtens it via multimedia enhancements.

3. Recognizing that the newsroom, may not share your interest in such non- news areas as city guides and classified verticals. Focus first on your site’s capacity to present news.

4. Involving web staff in the planning of a news story or feature. Getting everyone to ask how can is the web to enhance our storytelling ? before the reporting begines.

5. Making sure web staff has sufficient news background, and alerting print colleagues to the journalism credentials/skills of web staff.

6. Seeking newsroom advice on everything from web site redesigns to new vendor launches. Nothing bridges a gap between the two worlds better than daily communication and the feeling that their opinion really matters. 7. Providing formal web-related training to print staff as needed. 8. Providing formal print-related training to web staff as needed. 9. Interviewing print staff about problems they’re trying to address.

10. Developing web solutions to some of those print-based problems. Example: late sports scores on the web with refer from print edition that went to press too early for scores.” (Mitchel et al., 2003).

Se a tendência actual se mantiver e der frutos positivos para todos os envolvidos estaremos pela primeira vez na história da comunicação e dos media perante uma etapa de enorme significado já que traduz um pensamento em rede, a gestão de fluxos informativos e a experimentação de plataformas de intervenção para todos os actores: gestores, jornalistas e usuários. Os estudos de Fidler (1997) e de Bolter e Grusin (1999) ao analisarem o efeito dos novos media sobre os existentes traçam dois quadros intepretativos complementares. Se para Fidler as formas de comunicação emergentes são

161

influenciadas pelos meios convencionais através de um processo de mediamorfose (adaptação, evolução em ambiente variável), Bolter e Grusin defendem que a introdução de um novo media provoca, inevitavelmente, transformações em todos os meios existentes. Ou seja, os media digitais impulsionam a remodelação dos meios anteriores, através do que designam como fenómeno de remediação.

De um modo abrangente Salaverría e Negredo defendem que

“Los medios de comunicación, en definitiva, atraviesan un momento de cambios profundos. En un intento por ajustarse a la nueva sociedad, mudan sus procesos de producción, sus herramientas e infraestructuras, sus códigos comunicativos y, como se ve, incluso hasta sus modelos de negocio tradicionales. Em tiempo dirá dónde desembocan esos medios y, com ellos, el futuro del periodismo” (2008:31)

À velocidade a que a tecnologia nos enreda, enfeitiça e inquieta, perspectiva-se que dentro em pouco estaremos em condições de perceber se as mudanças operadas em várias redacções constituem uma moda contagiante, superficial e sem nexo, ou, se pelo contrário, as várias experiências representam a expressão de mudança alavancada pela internet e pelo mundo cibernético, incorporada nos vários tecidos social e empresarial. No momento, assistimos a uma complexa teia de mediamorfoses, remediações, transformações, reacções e interacções entre os meios analógico e digital.

Pelo exposto considera-se oportuno recuperar de forma pontual a histórica discussão sobre a morte dos media tradicionais face à emergência de novos dispositivos tecnológicos. Embora encontremos discursos apocalípticos e integrados, as experiências têm mostrado que a complementaridade entre os meios se tem sobreposto à antiga, estafada e fatídica tese que pré-anuncia a liquidação dos meios de comunicação reinantes, tendo em conta a chegada de novas e mais estimulantes formas de comunicar e informar. Video killed the radio star?

Enquanto o tempo e a experiência se encarregam de apurar as fórmulas implementadas na gestão das redacções unificadas, Garcia Avilés numa pertinente reflexão denominada Desmitificando la convergencia periodística (2006:39) contrasta ideias feitas com a sua própria interpretação. O seu pensamento transparente e

162

acutilante ilustra em grande parte as críticas que diversos autores têm apontado ao fenómeno da convergência, daí que o quadro seguinte procure sistematizar algumas ideias fundamentais:

Quadro 5 – Convergência: mitos e realidades

Mito

Realidade

La convergencia puede adoptar muchas formas, desde la colaboración hasta la polivalencia total.

La simple cooperación entre medios no es convergencia.

La convergencia no está encaminada a reducir costes, sino a mejorar la calidad del

periodismo.

El trasfondo de la competencia en muchos mercados es, pura y simplemente, una estrategia de ahorro de costes. La convergencia será un elemento

diferenciador que aumentará la imagen de marca de los medios que aúnen esfuerzos.

La convergencia aumenta el riesgo de homogeneización, y favorece que las informaciones, e incluso el estilo de los medios, se parezcan entre sí cada vez más. La convergencia facilitará el trabajo de los

periodistas, porque les brinda mayor control sobre el medio y la flexibilidad en su

dedicación.

La convergencia proporciona enormes quebraderos de cabeza a los periodistas, que ven cómo se alarga su jornada laboral sin apenas incrementarse su retribución económica.

El periodista multitarea que trabaja en este entorno será una suerte de hombre o mujer orquesta, capaz de realizar todas las

funciones que se integran en la redacción.

La figura del periodista multitarea solo ha funcionado en las delegaciones de una sola persona que tiene que hacerlo todo. La única opción es converger o morir.

Estamos ante el final del periodista mono- media.

Muchos experimentos de convergencia han fracasado. En especial, cuando se trata de que los periodistas de prensa hagan televisión. Y también cuando se pretende que los

periodistas de televisión publiquen piezas en la web.

El periodismo convergente permite generar todo tipo de sinergias entre los distintos medios y aprovechar mejor los recursos.

Las sinergias a menudo son mecanismos encubiertos para reducir personal. El objetivo es facilitar una información más

completa, exhaustiva y diversa para la audiencia.

La prioridad es dar la noticia el primero. En ocasiones, darla como sea, también. Los periodistas se adaptarán con facilidad al

nuevo entorno de colaboración.

La rivalidad entre colegas puede llegar a ser sangrante.

163

Nesta linha, Salaverría e Negredo (2008) apontam algumas das críticas mais comuns ao proceso de convergencia e que devem ser objecto de análise aprofundada:

(i) “Las redacciones integradas son más baratas que las independentes (…); La fusión de las redacciones tiene a uniformizar los contenidos, de modo que todos los medios que empreenden un proceso de integración corren el riesgo de terminar ofreciendo el mismo producto a través de distintos suportes”; (…) Multiplica las responsabilidades y tareas instrumentales adjucidadas a cada periodista, limitando en consecuencia su capacidad de profundizar en la información”. Referem ainda que, de acordo com os jornalistas críticos deste processo, se regista uma “creciente precarización de las condiciones laborales, puesto que cada vez se precisa de menos periodistas para atender a más tareas”(2008:180).

Os autores referidos, embora sejam defensores da convergencia e integração das empresas de media contestam, no entanto, algumas ideiais generelizadas como é o caso do jornalista multimédia – uma “farsa” na expressão de Salaverría e Negredo. O “superreportero” ou “todoterreno” não existe, pois “la realidad nos muestra, sin embargo, que, al menos por el momento, ese perfil está lejos de convertirse e regla” (2008:76). Os investigadores preferem chamar-lhes periodista multitarea – “a los que se pide más por el número de labores desempeñados y la cantidad de producto informativo generado, que por su calidad periodística”. O modelo de profissional mostra-se incompatível com a especialização, gerando produtos textuais e audiovisuais necesariamente “mediocres”. Perde-se, portanto, a profundidade da informação, em função da quantidade de peças e tarefas realizadas, traduzindo-se, no limite, numa perda generalizada de qualidade da informação.

Embora o discurso anteriormente relatado pareça contraditório com a tese central da obra Periodismo Integrado, na verdade, os autores são entusiastas desta tendencia global, sugerindo por isso, cinco ideias para travar processos de integração enviesados ou resistências persistentes:

(i) “formar a los periodistas”; (ii) “mezclar veteranía profesional y conocimiento digital”; (iii) “pactar salarios acordes con la nueva estructura empresarial multiplataforma”; (iv) “situar al mando a periodistas cualificados que entiendan la red”; e, por último (v) “planificar una integración verdadera, no una absorción encubierta” (2008:78-81).

164

Na argumentação cruzada entre “integracionistas” e “separatistas”, os primeiros vão ganhando a batalha, já que uma parte bastante expressiva dos grupos de media tem dado passos significativos no sentido da convergência, e, em raras circunstâncias, intui-se que este processo possa aproximar-se de uma cultura total de integração.

No entanto, são significativos os casos de avanços e recuos nesta transformação organizacional, sendo o caso do jornal “20 Minutos”, um exemplo de