5 Narkotikapriser og forbruksutgift
5.3 Priser på heroin, amfetamin, hasj og tabletter
As Missões nasceram em 1979 e tinham por objetivo dar visibilidade à gravidade das duras condições de vida da população, tinham um cunho social e religioso, cuja caminhada era realizada pelo centro velho da cidade. Na ocasião, ainda, era difícil dimensionar as repercussões, porém, já se percebia a existência de um clamor que deveria ecoar pela cidade e incomodar.
Em cada passeata que fazemos vejo a pobreza desafiando os ídolos da opressão. No dia Sete de Setembro de 1983 éramos 500 pessoas cantando, levando cartazes e gritando frases como “SOMOS UM POVO QUE QUER VIVER” e “QUEREMOS SER TRATADOS COMO GENTE” (CASTELVECCHI, 1985, p. 123).
Durante quatro anos aconteceram no casarão, mas, a partir de 1983 passaram a acontecer na rua, na antiga rodoviária do Glicério e, da rua, a Missão passa a assumir uma importância em sua dimensão pública e política. Conforme O TRECHEIRO (1991) apud Altemeyer Júnior (2006, p. 53), as Missões no período de 1979 a 1991 tiveram os seguintes lemas:
*-1979 – Anúncio da Palavra e vivência fraterna, *-1980 – O Sofredor e a Cidade – comunidade, *-1981 – Somos um povo que quer viver, *-1982 – Somos um povo que quer viver, *-1983 – Somos um povo que defende a vida, *-1984 – Povo que quer viver, resiste para vencer, *-1985 – Sem trabalho, casa e pão, não há libertação, *-1986 – Lutamos noite e dia, por pão e moradia, *-1987 – Estamos na miséria, queremos justiça séria, *-1988 – Fizemos a cidade, não temos liberdade, *-1989 – Sofredor não vai calar, é hora de mudar,
*-1990 – Se une sofredor, a cidade vai ouvir o seu clamor, *-1991 – Entra na roda da rua, vem que a festa é sua.
A marcha do dia Sete de Setembro, realizada sem muita pretensão naquela época por esse grupo, como expressão própria de um povo que quer viver, em anos posteriores, se definiria como o Grito dos Excluídos42, um conjunto de manifestações realizadas no Dia da Pátria (7 de setembro), tentando chamar a atenção da sociedade para as condições de crescente exclusão social na sociedade brasileira.
Muita gente não acredita ou não sabe da organização do povo da rua. Este povo tem direito à sua comunidade [...]. A comunidade do povo da rua não se limita ao local onde se reúne. Faz-se presente na rua, levando a outros companheiros a sua
42 O Grito dos Excluídos, como indica a própria expressão, constitui-se numa mobilização com três sentidos: •Denunciar o modelo político e econômico que, ao mesmo tempo, concentra riqueza e renda e condena milhões de pessoas à exclusão social;
• Tornar público, nas ruas e praças, o rosto desfigurado dos grupos excluídos, vítimas do desemprego, da miséria e da fome;
• Propor caminhos alternativos ao modelo econômico neoliberal, de forma a desenvolver uma política de inclusão social, com a participação ampla de todos os cidadãos.
proposta, como também na cidade, denunciando a situação de pobreza, na qual, foram deixados em estado de extrema miséria. (CASTELVECCHI, 1985, p. 122). No dia Sete de Setembro do ano de 1991, quando foi realizada a 13ª Missão, tal foi a repercussão que ela foi descrita da seguinte forma por um jornalista, conforme Altemeyer Júnior (2006, p. 53):
Quem estava ontem no centro da cidade, pelas 17:30h, ficou surpreso com o que acontecia. Mais de 300 pessoas celebrando a 13ª Missão fizeram uma caminhada pelo centro da cidade para denunciar a realidade que vivem a cada dia: fome, frio e solidão. (O TRECHEIRO, 1997, n. 03/04 p. 1).
As Missões, metodologicamente falando, foram uma etapa importante nesse processo de vivência do Povo da Rua com outros segmentos como movimentos sociais, congregações religiosas, padres, seminaristas, leigos, alguns pastores das igrejas metodistas e presbiterianas. Possibilitaram momentos de proximidade e partilha, convivência e oração, contribuindo para a criação de novos grupos, multiplicando e diversificando o modo de estar presente junto ao povo de rua.
Desse trajeto da rua, nascem novas possibilidades de trabalho junto a esse povo:
[...] surge em 1983 a Comunidade dos Sofredores da Rua, nos baixos do viaduto Glicério. Em 1986 passaram a atuar os Serviços Assistenciais Bom Jesus dos Passos, com o conhecido Rango de Pinheiros. Inaugura-se, no dia 22 de fevereiro de 1990, a Comunidade São Martinho de Lima, nos baixos do viaduto Guadalajara, no bairro Belém. Em 1990, a Fraternidade do povo da Rua, no Brás. No Parque Dom Pedro II, surge o Café do Coreano, oferecido pela Igreja Metodista Coreana e posteriormente pela Igreja Presbiteriana Coreana. (ALTEMEYER JÚNIOR, 2006, p. 54).
As vivências e convivências, no âmbito eclesial, desenhados a partir de momentos fortes na Quaresma e Campanhas da Fraternidade a cada novo ano, foram ganhando formato de luta e as missões tornaram-se Dias de Luta do Povo da Rua. Esse processo foi definido assim:
Lentamente, incipiente, a consciência vai se formando, não mais “eu sou um pobre sofredor”, mas, “nós somos um povo de sofredores”; vão se reunindo, numa mesma história, todos os acontecimentos são trazidos à Assembleia. O povo se reconhece não mais como culpado de sua situação, mas como vítima, consequência de uma injustiça implantada. (CASTELVECCHI, 1982 apud ROSA, 2005, p. 54-55). Maria da Glória Gohn ao analisar as lutas e movimentos sociais por moradia na década de 1980, também, fez uma leitura desse processo no qual a população de rua foi se assumindo como novo sujeito no cenário da participação coletiva:
Houve ainda o surgimento de um movimento inédito entre as classes populares, o dos Moradores de Rua. Seus atores são uma categoria social que antes era vista de forma individual, através da filantropia, como mendigos, e agora assume caráter coletivo, pois são famílias inteiras que passaram a morar debaixo de pontes, viadutos e outros espaços públicos, devido ao empobrecimento, desemprego e à falta de uma opção barata para a locação. (GOHN, 1997, p. 138).
Tanto na visão de Gohn (1997) quanto na visão de Castelvecchi, (1982), verifica-se, que uma consciência diferente da sua condição vai tomando outro formato, que a questão do pobre sofredor de rua passa a ser reconhecida não mais de forma isolada, individual, mas coletivamente e vão se dando conta de que nesse processo e, em muitas situações, eles são muitos, têm as marcas da exploração, do abuso de poder e do descaso de políticas públicas.
Nesse processo de vivências, de lutas e de busca por identidade ocorre, também, uma mudança na visão das pessoas envolvidas no trabalho da OAF-SP, como uma via de mão- dupla, elas veem as pessoas atendidas nesse trabalho não como indivíduos fracassados, mas como um segmento social que foi vítima de um processo de empobrecimento. São descobertas e reconhecimentos que modificam a si e os outros. (ROSA, 2005).
Do percurso das ruas em missões populares, da trajetória histórica da manifestação pública dos Dias de Luta, foram sendo criados momentos de discussão dos temas e pauta de lutas políticas a serem encaminhadas aos poderes públicos.