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Kunnskapsnivå og usikkerhet

4 RANGERING AV TRUSSELFAKTORER

4.3 Metoder for vurderinger

4.3.3 Kunnskapsnivå og usikkerhet

Conforme já mencionado no Capítulo 2 da presente dissertação, em fevereiro de 1917, por intermédio da Cia City, chegou a São Paulo o arquiteto e urbanista inglês Barry Parker.

A princípio, Parker viria especificamente para ajudar a Cia City com o projeto urbanístico do Pacaembu, e sua estadia era programada para apenas um mês, porém, o arquiteto ficou dois anos realizando vários trabalhos para a Cia City, conforme seus relatos pessoais registrados na revista

Garden Cities and Town Planning Magazine.202

Ainda conforme estes relatos do próprio Parker,203 a Cia City aproveitou a ocasião; na época, o período durante a Primeira Guerra Mundial no qual a Cia City também estava comprometida com desembolsos relacionados à construção do empreendimento Jardim América, para que o especialista contratado - no caso, o próprio arquiteto Barry Parker, que tinha experiência prévia em projetos na Inglaterra, na Bélgica e em Portugal, também colaborasse para o desenvolvimento dessa área, com o aperfeiçoamento do projeto urbanístico original de autoria de seu ex-sócio Raymond Unwin, com projetos arquitetônicos para residências que serviriam de exemplo e estímulo para a ocupação do bairro, e com os projetos iniciais e/ou definitivos de outros empreendimentos que seriam lançados pela empresa.

202 PARKER, Barry. “Two Years in Brazil.” Garden Cities and Town Planning Magazine, no 8, vol. IX, Londres, agosto de 1919, p.143.

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Parker, então, envolveu-se com projetos diversos da Cia City em São Paulo e relatou as dificuldades e diferenças encontradas no Brasil, sobretudo no tocante à desqualificação da mão- de-obra e às diferenças intrínsecas de métodos de construção entre o modelo europeu e o modelo brasileiro; e até mesmo as diferenças entre o sistema imperial de medidas, ao qual Barry Parker estava acostumado, e o sistema métrico utilizado no Brasil.

Enquanto o arquiteto inglês trabalhava principalmente com o projeto de várias casas do Jardim América, Barry Parker também envolveu-se com outros projetos da Cia City com o objetivo de reprojetar os bairros lançados pela companhia nos moldes atualizados do urbanismo moderno, que entre várias atividades, incluía, sobretudo, o caso do loteamento do Pacaembu, cujo aproveitamento dependia de polêmicas mudanças na legislação.

Quanto à questão da legislação, Parker rapidamente envolveu-se com os principais tomadores de decisão e figuras importantes do ambiente político e empresarial - entre elas, o Sr. Gurd, Diretor- Geral da Cia City na época e com o Diretor de Obras Municipais da Prefeitura de São Paulo, Vítor Freire (erroneamente identificado por Parker em seu relato como prefeito da cidade), que possuía uma relação próxima com o arquiteto inglês desde sua chegada ao Brasil. Nas palavras de Barry Parker, em nossa tradução:

"Eu descobri que, para cumprir com todos os esforços necessários para realizar o projeto do Pacaembu, modificações nas leis vigentes relativas ao planejamento e à construção de ruas da Cidade de São Paulo deveriam ser implementadas. Então, meu primeiro trabalho quanto a isto foi justamente escrever um relatório para convencer a todos de que mudanças na legislação far-se-iam necessárias.

(...) Os meus relatórios sobre o Pacaembu foram considerados pelo Prefeito da Cidade de São Paulo, que também era o Diretor de Obras Públicas da cidade. O Prefeito era um homem muito capaz e aberto para receber novas ideias, além de muito prestativo para ajudar ao próximo. (...) Ele tinha sido educado para sua profissão em Paris, mas em adição a isto, também era membro do English Institute of Civil Engineers e também da relacionada instituição americana. Ele tinha visitado Letchworth e Hampstead com o Sr. Gurd, Diretor-Geral da City of São Paulo Improvements and Freehold Land Company. (...) Em sua casa, pude encontrar praticamente todos os livros, ingleses, americanos e de quaisquer outros países, sobre o assunto de planejamento de cidades e assuntos relacionados.

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Meu relatório sobre o Pacaembu pareceu convencer estes senhores de que a legislação relativa ao planejamento e à construção de ruas deveria ser modificada para que este projeto do Pacaembu pudesse ser desenvolvido da maneira que eu gostaria."204

Em sua tese, Monteiro de Andrade descreve que:

"Em um dos artigos que publica sobre suas atividades no Brasil, Parker lembra que, quando chegou a São Paulo, não tinha intenção de se engajar em atividades de projeto e construção. Havia vindo apenas para prestar à Companhia City uma consultoria a respeito do aproveitamento de seus terrenos no vale do Pacaembu. Observa então o rápido crescimento da cidade, registrando seu aumento entre 1886, quando a população era de 47 mil pessoas, e 1919, quando atinge cerca de meio milhão de almas. Nesse processo de expansão, o vale do Pacaembu, como outros vales situados mais próximos à área central, ficara abandonado, com a cidade crescendo a seu redor. Para Parker, tal situação sugeria a criação de um parque público no Pacaembu, que seria o melhor aproveitamento para ser dado para a área."205

A criação de um parque poderia ter inúmeras vantagens, porém, a Cia City havia adquirido essa área para desenvolver um empreendimento imobiliário, ou melhor, para desenvolver um loteamento, uma vez que a mesma tinha objetivos comerciais.

Conforme também já apurado neste capítulo, a legislação vigente em 1917 necessitava ser alterada, pois a própria proposta de Bouvard para o Pacaembu também não poderia receber uma aprovação municipal, pois não se adequava à mesma, devido a muitos fatores, dos quais se pode ressaltar a necessidade de se moldar a implantação desejada ao relevo natural, o que propiciava a utilização de um sistema viário bastante sinuoso e com larguras menores do que as permitidas na ocasião.

Para um melhor entendimento sobre essa não aprovação, Souza descreve que:

"O projeto de parcelamento, elaborado pela Companhia City, não é aprovado pela Câmara Municipal, por não atender às dimensões exigidas quanto à largura de ruas e comprimento mínimo de quadras. Seu traçado era diverso do reticulado costumeiro que compunha a feição da cidade (cujo crescimento "saltava" trechos "difíceis" como este) e

204 PARKER, Barry. Op. cit., p. 145.

205 ANDRADE, Carlos Roberto Monteiro. “Barry Parker: Um arquiteto inglês na cidade de São Paulo.” Tese de Doutorado, São Paulo: FAU / USP, 1998, p. 227.

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as dimensões diversas do exigido eram fundamentais para que se obtivessem ruas transitáveis e lotes aproveitáveis."206

Visando o entendimento da atuação de Parker perante as autoridades municipais, assim como os princípios que ele adotaria no traçado do Pacaembu, o presente estudo recorreu ao trabalho de Monteiro de Andrade,207 responsável pela identificação, nos acervos da Cia City, de quatro documentos contendo informações pertinentes a esses assuntos, os quais, segundo seus principais aspectos, são apresentados resumidamente a seguir:

Documento nº 1: "Relatório do Sr. Parker sobre o Pacaembu" na forma de uma carta de Parker ao diretor da Cia City, o Sr. Gurd, datada de 01/03/1917, na qual Parker:

 Faz observações sobre a incoerência do uso do traçado em xadrez para a cidade de São Paulo;  Cita que as áreas de fundos de vale e encostas com declividades acentuadas (como no caso do Pacaembu) foram deixadas vazias, pois se contrapunham ao plano da cidade, que era constituído por uma grande rede que ocupava as áreas mais planas e com maior facilidade de acesso, integração e utilização imediata; levando ao seguinte conflito "entre a tendência de uma via

em ter seu curso lógico e natural e a suposta necessidade de que ela deveria se conformar a linhas arbitrariamente traçadas";208

 Critica o processo de desenvolvimento urbano sem planejamento e define os princípios que adotou no traçado do Pacaembu, como sendo exatamente opostos aos que eram adotados na cidade de São Paulo até aquele momento;

 Observa que o arquiteto, como urbanista, deveria considerar em seus projetos os aspectos relativos a itens como higiene, engenharia, e questões financeiras e práticas de maneira conciliadora, e não se limitar a aspectos formais e arquitetônicos; sendo dever do urbanista ao projetar um assentamento residencial, "enfatizar que ele deve ser, antes de mais nada, um lugar

206 SOUZA, Maria Claudia Pereira de. “O capital imobiliário e a produção do espaço urbano. O caso da Cia City.” Dissertação de Mestrado, São Paulo: EAESP-FVG, 1988, p. 67.

207 ANDRADE, Carlos Roberto Monteiro de. Op. cit., p. 228. 208 Ibid., p. 229.

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agradável para se viver, e não um local para impressionar o visitante com seus acabamentos arquitetônicos simétricos";209

 Destaca que o êxito de um loteamento residencial depende "daqueles que lá forem viver, gostarem

de ali morar";210

 Identifica sua preocupação no tocante à ventilação da área do Pacaembu, alegando que as brisas provenientes da região sudeste são bloqueadas pelas colinas que circundam a área; sugerindo que o vale fosse cortado por um menor número possível de ruas, o que também proporcionaria uma menor agressão ao relevo natural; enaltecendo ainda que "a vista de cada

casa não fosse uma sucessão de ruas, uma atrás da outra, mas sim de verdes encostas e vales, oferecendo apenas caminhos frescos e alamedas sombreadas";211

 Identifica também a sua preocupação para o Pacaembu no tocante à insolação, uma vez que no período mais quente do dia, as colinas não oferecem sombreamento adequado;

 Propõe a ocupação do fundo do vale com jardins, segundo a seguinte afirmação: "está em

deixar a formação natural do solo ser facilmente traçada após o trabalho do homem sobre ela ter sido completado, e em fazer o trabalho do homem franca e obviamente proclamar a si mesmo como sendo o trabalho manual do homem";212

 Propõe ruas acomodadas sobre o terreno natural, consequentemente acompanhando as curvas de nível e proporcionando o escoamento dos esgotos e da drenagem, com dimensões de 8 e 16 metros, considerando a utilização em maior escala das ruas com menor largura e justificando tal intenção através da vontade da população brasileira em residir em uma casa independente;

 Sugere que os lotes deveriam possuir duas frentes, considerando que a principal deveria ser voltada para o vale;

209 Ibid., ibidem. 210 Ibid., ibidem. 211 Ibid., ibidem. 212 Ibid., p. 230.

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 Propõe a implantação de residências com porão que poderia ter utilização para acomodação, por exemplo, de lavanderia, cozinha, sala de refeições, sala de costura, etc., destacando que:

"A chegada a cada casa deverá ser, para a maioria delas, através de superfícies verdes, avenidas se abrindo em intervalos, quando vistas são oferecidas, em terraços olhando por cima do vale",213 o que demonstra a sua preocupação para a arborização das vias do loteamento;

 Demonstra a intenção de recuperar as vistas que a cidade de São Paulo possuía no passado, com seus "campos abertos e magnífico cenário de montanhas",214 que seriam proporcionadas através da implantação do loteamento, segundo as suas proposituras para as implantações do traçado das ruas, das casas e demais componentes do loteamento;

 Reforça a ligação da Avenida Paulista com o loteamento Pacaembu (que já constava na proposta do arruamento anteriormente realizada por Bouvard).

Documento no 2: "Notas" sobre oito desenhos e dois esboços (todos extraviados), na datadas de 01/03/1917, na qual Parker:

 Propõe a construção de colunatas cobertas em algumas calçadas, visando esconder as fiações e proporcionar um conforto para os pedestres, protegendo-os contra da insolação;

 Enaltece a utilização de ruas curvas no Pacaembu, uma vez que se contrapõem à monotonia que as retas provocam, observa que "hoje os urbanistas dependem seu sucesso da habilidade em resolver

cada problema com a mente aberta, livre de bias [conceitos] ou predileção em favor de ruas curvas ou retas",

e faz o seguinte elogio: "uma via curva sempre contém algum mistério para o pedestre." 215

Documento no 3: Petição redigida à Prefeitura de São Paulo, sem assinatura de qualquer diretor da Cia City, porém, falando em nome dela, datado de 09/04/1917, na qual consta:

 Inicialmente que: "O vale do Pacaembu é tão bem conhecido que é desnecessário chamar a atenção para as dificuldades relativas ao seu desenvolvimento",216 e que, visando resolver tal problema, havia sido contratado o arquiteto Barry Parker;

213 Ibid., ibidem. 214 Ibid., ibidem. 215 Ibid., p. 231. 216 Ibid., p. 232.

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 Que os relatórios e respectivas plantas seguiam para apreciação dos Engenheiros da Prefeitura, nos quais continham as propostas de Parker supracitadas, com exceção das colunatas cobertas para pedestres, que foram eliminadas;

 Solicitação de aprovação das referidas propostas.

Documento no 4: Carta de Parker ao Diretor de Obras da Prefeitura de São Paulo, Vítor da Silva Freire, datada de 10/04/1917, na qual Parker:

 Faz críticas à legislação existente, no tocante a largura mínima admissível de 16 m e sobre a limitação da declividade máxima de 8%, alegando que para o caso do Pacaembu tais imposições não permitem a sua ocupação;

 Indica a necessidade de o município fazer algumas concessões, a fim de propiciar um desenvolvimento mais interessante para o Pacaembu, do que aqueles existentes junto às Avenidas Paulista, Liberdade e Consolação.