6 KULTIVERING
6.5 Kultivering i Norge
A legislação urbanística vigente em São Paulo permite a reintegração de lotes para implantação de grandes plantas edilícias, o que é interessante e até incentivado na OUCAE, asà oà o t olaà oà ueà seà fazà o à asà easà li es.à Estasà a a a à se doà oà esto ,à oà ueà resulta do processo de edificação, ao invés de serem consideradas desde o início do projeto em sua relação com a região, em especial quanto à drenagem pluvial, à mobilidade, ao lazer, à paisagem.
Nas áreas comerciais pela cidade, aos poucos se percebe certa integração estratégica dos térreos, que de alguma maneira propicia uma amplitude dos espaços de uso público, mesmo que de propriedade particular. Os novos conjuntos de edifícios no eixo Chucri Zaidan, na OUCAE, em projeto e já implantados, são um exemplo desse procedimento, com foco na vitalidade das atividades comerciais daquele setor. Isso ainda não ocorre com o caminho das
70 Um dos raros estudos sobre a percepção da chuva pela população urbana é o de Teodoro (2011), para a
cidade de Maringá, Estado do Paraná, Brasil. A carta de qualidade pluvial urbana de Maringá foi construída por meio de dez atributos (indicadores) sociais e econômicos: alagamento, buracos em pavimentação, erosão em ruas não pavimentadas, crescimento de matagal, queda de árvores e galhos, destelhamento, desabamento, interrupção no fornecimento de energia elétrica, corte no abastecimento de água, dengue. Esse registro é relevante pela raridade do tema, podendo ser útil em outras investigações sobre a relação da cidade com as chuvas nestas terras tropicais. A metodologia em questão talvez pudesse ser aplicada em recortes da Água Espraiada, mas isso ficará para outra ocasião.
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águas, que demandaria uma visão geográfica de âmbito maior, atributo do governo, para então se aplicar aos projetos pontuais.
Nos projetos de interesse social, surgem propostas contemporâneas e sustentáveis relativas à permeabilidade das águas, como na reurbanização do Cantinho do Céu e no Bamburral.71 Como essas, existem outras oportunidades para disseminação de infraestrutura verde pela cidade, mas que demandariam a conversa entre vários órgãos públicos e acabam não acontecendo. Por exemplo, vários dos empreendimentos de HIS no âmbito da OUCAE, pelo que se depreende das atas das reuniões do Grupo Gestor, atendem aos requisitos da Caixa Econômica Federal para emissão do Selo Casa Azul de sustentabilidade, inclusive os quesitos de mobilidade e inserção do empreendimento na malha urbana (figura 113) (CAIXA, 2010); o caminho das águas poderia se alinhar a esses quesitos, o que se justificaria pelo próprio Estatuto da Cidade, que também incentiva a microdrenagem. Para isso, seria necessário um projeto para cada setor da microbacia coordenado pelo governo (Subprefeituras, subcomitês da OUCAE ou outro arranjo), o que não ocorre.
71 Cantinho do Céu é um case, considerado de sucesso, de requalificação urbana de área de preservação de
mananciais, na orla da Represa de Guarapiranga, zona sul de São Paulo, entre 2005 e 2008, promovida pela prefeitura municipal. Há vários artigos a respeito, além do website do arquiteto Marcos Boldarini, autor do projeto. (ARCH DAILY, 2013).
Bamburral é outro projeto em execução em São Paulo, de urbanização de favela aliada a remoção de população para instalações verticais, incluindo um córrego a ser saneado e áreas de convívio e lazer, em Perus, zona norte de São Paulo. Há vários artigos a respeito, além do website da Brasil Arquitetura, que assina o projeto. (ARCO WEB, 2013).
Figura 113 – Intervenção da
autora sobre apaà deà
localização de
empreendimento genérico e elaç oà o à oà e to o à divulgado no Manual do Selo Casa Azul CAIXA, como critério de avaliação da qualidade do entorno. O esquema poderia ser enriquecido com indicação de infraestrutura verde, promovendo a interligação de sistemas de drenagem pluvial particulares entre si, ao sistema de áreas verdes público e às áreas non
aedificandi. (CAIXA, 2010,
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No caso da OUCAE, ela abrange um território gigante com cerca de 1.400 hectares, com múltiplos usos e tipologias de ocupação, públicos contrastantes. As transversalidades se limitam aos nós do sistema viário estrutural, quando também poderiam se estender aos bairros, mediante atuação das subprefeituras em parceria com associações civis de cada bairro, comerciantes, escolas, clubes, etc.
Aprendendo com o mundo, pode-se encontrar propostas de adensamento populacional e compactação do ambiente construído que geram espaços livres saudáveis. Esses espaços se integram às redes verde e azul (fauna, flora, sistema fluvial), tratadas no Capítulo 5, para controle das águas, equilíbrio do microclima, mobilidade; servem de extensão das áreas de saúde, educação e lazer; configuram espaços dedicados ao conforto ambiental urbano sob vários aspectos.Para isso, a abrangência dos projetos precisa se limitar a algumas quadras, como no caso do projeto para a oportunity area em Kings Cross / St. Pancras, Londres, Inglaterra, com 60 hectares. Segundo Bertolini et al (1998), o projeto faz parte de uma operação bem maior, com cerca de 780 hectares, que em alguns pontos complexos desenvolve projetos urbanos pontuais.
Figura 114 - Área de convívio e descanso no nó de redes (viária, fluvial, comercial), em King s Cross. Imagem
obtida no caderno de divulgação e esclarecimento do plano e dos projetos para o público. KING “àC‘O““,às/à data).
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Como se vê na figura 114, a água pode se constituir em centralidade interessante inclusive em pontos nodais, com oportunidade de convívio, qualidade do ar, embelezamento da paisagem. Servem aos lugares-fluidos e facilitam a formação de lugares-sítio, conforme a escala de tratamento. Lugares com infraestrutura adequada e povo identificado com seu ambiente significam melhor hospitalidade, capacidade de dar e receber, fatores essenciais para o convívio cidadão e para recepção de visitantes. 72
A OUCAE envolve vários polos de interesse global, como o eixo Berrini - Chácara Santo Antonio, o Aeroporto de Congonhas, o acesso ao Porto de Santos, o Centro de Exposições Transamérica, entre vários outros centros empresariais em ambas as margens do Rio Pinheiros. Cuidar da mobilidade (avenida, monotrilho) é importante, assim como é pensar que, em algum futuro, seria possível criar um ambiente para se estar, no encontro das águas que chegam ao Rio Pinheiros.
Projetos urbanísticos para a escala do local, suporte técnico, legal, gerencial, são essenciais para atitudes de compatibilização da vida urbana com a estrutura ecológica de cada território. É nessa escala que se chega à qualidade ambiental com qualidade de vida: ar, umidade, brisas, caminhos alternativos, referências ligadas à natureza (árvores, aromas, sombras, cores), lugares para conversa, encontro, brincadeiras.73
Na OUCAE, com base nas manifestações das entidades da sociedade civil participantes das reuniões do GG em várias épocas, talvez essa oportunidade de tratar de cada lugar em
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Neste caso de criação de lugares entre fluidos e sítios, talvez se apliquem os preceitos do turismo. Desde os anos 1960 vem se disseminando uma nova mentalidade, deixando de associar o ócio à falta de trabalho, encarando-o como direito. Economicamente, as atividades ligadas ao ócio são cada vez mais respeitadas como modalidade de produção e consumo ligada à satisfação, ao restauro das forças físicas e anímicas para melhoria da competitividade e da criatividade. Para tanto, a água é elemento importante na criação de ambientes propícios ao lazer, formando o quarteto água (lagoas, riachos, chuva, cachoeiras) – ar (céu, nuvens, ventos, aromas) - terra (vegetais e animais, cores) - fogo (calor, luz), de que o paisagismo e a arte em geral tanto se valem. (BRUNA, 2006).
73 Cormier e Pellegrino (2008) sugerem alguns cuidados que devem ser tomados nesse trabalho compartilhado
de projeto, implantação e gestão da infraestrutura verde, com base em suas observações no noroeste dos Estados Unidos: clareza e didatismo dos projetos, divulgação irrestrita de técnicas para execução dos equipamentos mais simples (canteiros pluviais, p.ex.), inclusão de elementos da identidade regional tanto físicos como culturais, agregação de valores estéticos e recreacionais à paisagem local.
Pesquisando-se greenways na Internet, são encontradas várias páginas mencionando políticas públicas e associativas de incentivo, concursos entre vizinhanças, excursões didáticas promovidas pelas escolas, placas explicativas sobre os propósitos de cada equipamento e sua relação com o sistema implantado, e até empresas especializadas em sua administração.
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escala humana tenha se perdido; fica a esperança de que na quarta geração de OUC os projetos pontuais sejam valorizados.
[Representante da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo] questiona se nas próximas reuniões serão trazidas questões pontuais para discussão, como por exemplo, 30 mil novas vagas de garagem na Chucri [Zaidan], transporte público e ciclovia; destaca não estar havendo inovação nas ações e coloca à disposição a capacidade dos membros do Grupo para ajudar, questionando se há abertura para isso, como também consultar alunos, montar uma agenda para discussão e propor soluções, não apenas acompanhar a execução de ações.
[Representante da SP Urbanismo] destaca que estamos num momento da operação onde os projetos das intervenções estão encaminhados, embora haja pouco executado. Ressalva que as novas operações urbanas apresentarão a oportunidade dos grupos gestores pensarem os projetos e trazer inovações, como por exemplo, a futura operação urbana consorciada Água Branca, onde há a intenção de partilhar mais as discussões em torno das obras de menor porte propostas. Esta operação urbana está em discussão na Câmara Municipal. A OUC Água Espraiada está com os estoques praticamente esgotados, então agora o momento é atenuar os impactos das obras.
(Grifos da autora). (Trechos da Ata da 30ª reunião do Grupo Gestor da OUCAE ocorrida em 02/07/2013. SÃO PAULO - Município, SP URBANISMO, 2013 b ).
A sociedade como um todo, projetistas, políticos, população, vem aos poucos recuperando o hábito de ver a natureza na cidade sem grande susto, como aliada da saúde; a prática de execução de soluções alternativas em cada meio específico timidamente está se formando. Os planos de incremento da macroestrutura de drenagem estão incluindo obras de engenharia de menor porte, em maior número e distribuídas pela cidade. Quem sabe seja a deixa para a introdução de infraestrutura verde com criatividade.
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