3 TRUSSELFAKTORER
3.3 Gyrodactylus salaris
São Paulo é uma cidade, historicamente, de característica radial. Os eixos originais partiam do Centro e, em geral, acompanhavam os divisores de águas (áreas altas livres de inundações), concentrando e induzindo comércio e serviços; em torno deles, chácaras desciam as colinas e em pouco tempo se transformavam em bairros residenciais de classe média. Em 1930, entra em ação o Plano de Avenidas (figura 37) de Francisco Prestes Maia, então engenheiro da prefeitura de São Paulo e posteriormente Prefeito da Capital (1938 - 1945).
Esse plano conjugava o modelo de bulevares europeus (vias amplas, arborizadas, de tráfego elegante) com as vias de tráfego rápido do modelo norte-americano. O modelo de Prestes Maia fortalecia os eixos históricos e acrescentava anéis concêntricos de modo a conectar os eixos radiais, reduzindo o congestionamento na área central da cidade. A autoestrada de Santo Amaro não comparece nesse esquema, mas talvez fizesse parte de planos estaduais,
22 O terreno do aeroporto foi uma das maiores propriedades adquiridas pelo governo do Estado. A
denominação Aeroporto de Congonhas foi iniciativa de Vicente de Paulo Monteiro de Barros, bisneto do visconde de Congonhas e possuidor de 485.903 m² de terreno na Vila Congonhas. (MARCATO, 2002).
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uma vez que envolvia mais de um município e aspectos estratégicos para a sobrevivência da Capital.
Na década de 1940, enquanto o centro de São Paulo se verticalizava, a cidade se expandia horizontalmente por terrenos mais baratos, abrigando migrantes em geral vindos de estados do Nordeste em busca de trabalho. Áreas públicas de procedências diversas, destinadas a usos institucionais (escolas, parques etc.) e proteção ambiental (cabeceiras das bacias hidrográficas, represas de abastecimento de água, terrenos cristalinos, etc.), sem a merecida fiscalização e utilização, logo foram ocupadas por construções precárias, temporárias, que insistiam em permanecer.
Dando continuidade ao conceito radioconcêntrico do Plano de Avenidas de Prestes Maia (1930, bulevares), surge o Plano de Melhoramentos de Robert Moses23 (1950) e o conceito
23 Robert Moses (1888-1981) foi um cientista político norte-americano, atuante por quatro décadas na região
metropolitana de Nova Iorque, em planos viários, remoção de cortiços, conselho de parques.
Outras concepções urbanísticas povoavam as discussões municipais, como a da cidade rodeada por núcleos urbanos autossuficientes, defendida por Anhaia Mello, como alternativa para evitar o colapso da área central paulistana e o excesso de deslocamentos casa-trabalho-serviços. Se no modelo mononuclear (Prestes Maia, Moses) a ênfase estava no sistema viário, no polinucleado (Anhaia Mello) o zoneamento de uso era enfatizado.
Congo nhas
Av. Ibirapuera Av. Jabaquara
Figura 37– Intervenção da autora sobre o Plano de Avenidas de Prestes Maia (1930), indicando a posição do Aeroporto de Congonhas (fora do esquema). Esquema propositalmente invertido para comparação com outras ilustrações com Norte voltado para cima. Fonte: P estesà Maia,à , que comparece em várias obras.
Campo de Marte
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deà odo iaàu a a à la ga,àpa aà eí ulosàso eàp eusàe àaltaà elo idade,à uza e tosàe à desnível, isolada da trama dos territórios atravessados) (figura 38). (NOBRE, 2010); ZMITROWICZ e BORGHETTI, 2009).
Esse modelo serviu de referência para os projetos para o vale do Córrego Água Espraiada, ampliando a faixa de domínio da avenida para além da via em si. A Av. Washington Luis consta no plano de Moses como via expressa, desde o Parque Ibirapuera até a Avenida dos Bandeirantes, facilitando o rápido acesso do Centro de São Paulo ao Aeroporto de Congonhas (figura 39). Na prática, essa avenida já funcionava como artéria até um pouco antes de Vila Sofia / Chácara Flora; ali, transferia a função para a Avenida Interlagos, como mostra a figura 40.
Figura 38 – Corte esquemático de rodovia-urbana de Moses, também conhecida como via-parque. (NOBRE, 2010)
Figura 39 – Intervenção da autora indicando a posição do Aeroporto de Congonhas, sobre Estrutura viária do Programa de Melhoramentos de Robert Moses (1950), que comparece em várias obras.
Figura 40 – Intervenção da autora indicando a continuidade da Av. Washington Luis – Av. Interlagos, sobre segmento de Mapaà Falk à da cidade de São Paulo de 1951. (Editora Melhoramentos). (ZMITROWICZ e BORGHETTI, 2009).
INTERLAGOS Congo
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Novas vias radiais e novos anéis de ligação entre elas começaram a ser construídos sobre territórios de baixo valor e baixa densidade populacional; de um modo geral, isso coincidia com as várzeas (figuras 41 e 42). Essa é a história recente da bacia Água Espraiada.
Figura 41 – Margens do Córrego Água Espraiada em 1954. (BLANES, 2006, p. 60).
Figura 42 – Última chácara às margens do Córrego Água Espraiada, em 1972. (BLANES, 2006, p.64).
Comparando-se as figuras 43 (1943), 44 (1951), 45 (1965) e 46 (1985), pode-se verificar a evolução da ocupação ao redor do Aeroporto. Observe-se que na foto de 1965, nesse trecho do córrego, margens e nascentes estavam livres de construções e ainda com uso semirrural (canto esquerdo inferior da figura 45), embora o fenômeno das favelas já se estabelecesse em outras regiões, tanto na Capital como nas cidades vizinhas.
As últimas chácaras da região deram lugar à Avenida Água Espraiada, atual Av. Jornalista Roberto Marinho, e em muitos casos, pelo descompasso entre desapropriação e implantação do projeto, foram invadidas e ocupadas por favelas.
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Figura 43 – Arredores do Aeroporto em 1943. Intervenção da autora indicando os principais elementos geográficos (vias em vermelho; posição aproximada dos divisores de bacias hidrográficas em verde; córregos e àazul ,àso eàseg e toàsulàdaà Pla taàdaàCidadeàdeà“ oàPauloàeàMu i ípiosàCi u izi hosàO ga izadaàpelaà Repartição de Electricidadeà daà Theà “ oà Pauloà T a a à Lightà &à Po e à Co.à Ltd. ,à deà ja ei oà deà .à (SÃO PAULO – Município, SMDU, a).
Figura 44 – Arredores do Aeroporto em 1951. Intervenção da autora indicando a posição do Córrego Água Espraiada sobre detalhe da figura 40. (ZMITROWICZ e BORGHETTI, 2009).
Figura 45 - Foto aérea dos arredores do Aeroporto de Congonhas em 1965. (ZMITROWICZ e BORGHETTI, 2009,
p. 76).
Figura 46 – Córrego Água Espraiada (em azul) sobre segmento de mapa elaborado com base em levantamento aerofotogramétrico de 1985. (EMPLASA, 1985)
ÁGUA ESPRAIADA
1943 1951
Claudete Gebara J. Callegaro Mackenzie / PPG / Mestrado nov2014. . 2.3 REFLEXOS DOS PLANOS URBANÍSTICOS NA ÁGUA ESPRAIADA
A presente seção trata do eixo da bacia hidrográfica do Córrego Água Espraiada. Seu leito de inundação foi objeto de vários projetos viários nas décadas de 1950 a 1980, transformando- se, finalmente, na Av. Jornalista Roberto Marinho, com trecho ainda por terminar.
O destino do leito do Água Espraiada se define em comunhão com o dos córregos vizinhos, da Traição e do Cordeiro, transformados, respectivamente, na Avenida dos Bandeirantes e nas avenidas Roque Petroni Jr. / Vicente Rao / Vereador João de Luca, que dão continuidade à Avenida Cupecê. Desses três córregos, o Água Espraiada foi, talvez, o mais complexo em sua urbanização, sofrendo e se degradando com as indefinições governamentais e o confinamento de suas águas. A consciência sobre a necessidade de implantação de uma Operação Urbana na região surgiu na década de 1990, época em que outras mudanças também se iniciaram.