3 TRUSSELFAKTORER
3.2 Lakselus
3.2.3 Tilstanden i oppdrettsnæringen
Em 1911, a cidade de São Paulo apresentava um crescimento muito intenso e chamava a atenção de investidores internacionais, apesar de ainda contar com uma legislação urbanística muito precária, engessada e com muitas proibições quando comparada às legislações existentes fora do Brasil, principalmente no interior da Inglaterra, onde as primeiras cidades-jardim estavam surgindo.
Prova disso é que em 19 de abril de 1911, o jornal O Estado de São Paulo comentava em sua seção
"Notas do Exterior", um editorial do Financial Times tratando da expansão econômica do Brasil,
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Figura 63: Página 2 do jornal O Estado de São Paulo - Edição de 19/04/1911. Fonte: Acervo do Jornal O Estado de São Paulo. Disponível em: http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/ 19110419-11813-nac- 0002-999-2-not/tela/fullscreen. Acesso contínuo em: 2014.
No tocante aos investidores, segundo Souza,155 os fatos relativos à fundação de uma empresa em Londres, exatamente em 1911, denominada City of São Paulo Improvements and Freehold Land
Company, Limited, demonstram claramente a existência e pretensão dos mesmos, que
resumidamente apresentam as seguintes características principais:
O objetivo desta empresa era fazer operações imobiliárias no Brasil e sua constituição tem como partida uma viagem ao Brasil de Edouard Fontaine de Lavaleye, capitalista belga e banqueiro na França, para estudar possíveis negócios imobiliários em São Paulo, onde contou com a ajuda do arquiteto francês Joseph-Antoine Bouvard, que, como se viu, já se encontrava nesta cidade realizando consultoria para a Prefeitura e Câmara Municipal a respeito dos
"melhoramentos de São Paulo";
Naquela ocasião, o Sr. Bouvard realizou para a Prefeitura de São Paulo relatórios e projetos que contemplavam os melhoramentos da capital, e o Sr. Lavaleye ao perceber a possível valorização que os terrenos envolvidos e consequentemente favorecidos nesses trabalhos teriam, planejou a incorporação de uma Companhia Imobiliária;
155 SOUZA, Maria Claudia Pereira de. “O capital imobiliário e a produção do espaço urbano. O caso da Cia City.” São Paulo: Dissertação de Mestrado, EAESP-FVG, 1988, pp. 35-46.
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O diretor da Seção de Obras da Prefeitura do Município de São Paulo, Vítor Freire, atendendo ao pedido de Lavaleye, referente à indicação de quais seriam os proprietários das grandes áreas envolvidas no desenvolvimento de Bouvard, apresentou-os ao Deputado Federal pelo Estado de São Paulo, Cincinato Braga, que nessa ocasião, conjuntamente com o loteador e financista Horácio Sabino, também estava intermediando a aquisição de grandes glebas na cidade de São Paulo com objetivo idêntico;
Em junho de 1911, foi celebrado entre Lavaleye e um grupo de proprietários de algumas das áreas, que de alguma maneira, seriam beneficiadas pelos trabalhos que Bouvard tinha realizado para a Prefeitura de São Paulo, uma minuta de contrato. Horácio Sabino, sócio de Cincinato Braga, foi o representante desse grupo;
Nesta minuta ficou determinada, entre outras, a obrigação do grupo de proprietários para vender doze milhões de metros quadrados de terras para uma empresa imobiliária que seria constituída sob a responsabilidade de Lavaleye;
Ao retornar à Europa, Lavaleye articulou com investidores ingleses, franceses, belgas e russos a criação de uma empresa imobiliária para atuar no Brasil, culminando na constituição em Londres, da empresa City of São Paulo Improvements and Freehold Land Company, Limited 156, em 25 de setembro de 1911, e estabelecendo escritórios, além da sede social em Londres, em Paris e em São Paulo.157
Se as áreas para exploração imobiliária no Brasil já estavam asseguradas e a empresa para execução de tal atividade já se encontrava estabelecida, chegou o momento de escolher os profissionais para viabilizar a operação pretendida.
Para esse propósito foram escolhidas as pessoas com influências e conhecimentos pertinentes às necessidades diversas, caracterizadas como políticas, técnicas, financeiras e administrativas. Raquel Rolnik apresentou uma vasta relação desses profissionais, conforme reproduzido a seguir:
156 O nome City of São Paulo Improvements and Freehold Land Company, Limited. vai ser substituído ao longo do tempo por Cia City de Desenvolvimento, o que leva muitos pesquisadores a se referirem sobre esta empresa simplesmente como Companhia City, ou mesmo, como City. Portanto, é importante ressaltar que o presente trabalho utilizou qualquer um dos termos para se referir a esta empresa, dependendo de como cada autor referenciado fez a citação.
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"Faziam parte do Conselho Diretor da Cia City, quando de sua fundação em 1911, diversos agentes necessários à realização do empreendimento: o presidente Lord Balfour, era também o presidente da Railway; o vice- presidente, Bouvard, prestava serviços à Prefeitura de São Paulo como consultor; o presidente da diretoria do escritório de São Paulo era Cincinato Braga, deputado federal; do corpo de diretores também faziam parte Campos Sales (senador e ex-presidente da República), Quellenec (conselheiro da Compagnie Universidade do Canal de Suez e diretor da Rio de Janeiro Tramway, Light & Power, que formaria em 1913 junto com a São Paulo Light § Power, a holding The Brazilian Traction, Light & Power) e vários nomes ligados ao meio financeiro internacional e a negócios britânicos e franceses no exterior. Note-se ainda que parte dos diretores da Light faziam parte do comitê administrativo da City e que o próprio Vítor da Silva Freire passou a fazer parte da diretoria em 1939."158 Em 1912, a City of São Paulo Improvements and Freehold Land Company, Limited se estabeleceu definitivamente na cidade de São Paulo,159 e segundo Souza,160 adquiriu terrenos na mesma cidade, totalizando 12.380.098 m², conforme pode ser observado na relação que está inserida na seção dos anexos no final da presente dissertação, identificada como Anexo - AN-4.
Logo após o estabelecimento da Cia City no Brasil, Bouvard apresentou a primeira proposta para o arruamento do Pacaembu - a gleba da Companhia situada mais próxima da área central da cidade - elaborada por encomenda da mesma, em 1912.161 A Figura 64 apresentada a seguir reproduz o desenvolvimento do Plano Bouvard para a cidade de São Paulo, com destaque para o novo projeto do loteamento do Pacaembu, cujo traçado já contém alguns ideais contidos nas afirmações do próprio Bouvard, se contrapondo ao sistema de xadrez absoluto e introduzindo um desenho com algumas exceções para o traçado retilíneo.
158 ROLNIK, Raquel. A Cidade e a Lei - Legislação, política urbana e territórios na cidade de São Paulo. São Paulo: Studio Nobel, 2013 (3a ed.), p. 74.
159 CIA CITY DE DESENVOLVIMENTO. Home page oficial. Disponível em: <http://www.ciacity.com. br>. Acesso contínuo em 2013.
160 SOUZA, Maria Claudia Pereira de. Op. cit., p. 39. 161 CAMPOS, Candido Malta. Op. cit., p. 234.
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Figura 64: Desenvolvimento do Plano Bouvard. Fonte: SEGAWA, Hugo. Op. cit., p. 106. (2a ed.).
Segawa realizou uma análise da Figura 64 apresentada anteriormente, chamando a atenção para as seguintes articulações:
"Veja-se a articulação da cidade antiga com o novo bairro proposto pela Cia City, o Pacaembu. Do Parque da Várzea do Carmo, passando pelo Vale do Anhangabaú e um conjunto de praças, segue uma avenida arborizada até o novo bairro - jardim projetado, configurando um sistema articulado entre viário, áreas verdes e os bairros próximos." 162