6 KULTIVERING
6.6 Diskusjon
A água existe sozinha, mas seu ciclo, da forma como é conhecido, depende da vegetação. Em torno dessas duas redes intrincadas, azul e verde, se desenvolvem todos os sistemas de vida. As sinuosidades naturais dos rios e as rugosidades de suas margens obstruem parte do fluxo d gua,à ia doàzo asàdeàtu ul iaàeàdeà elo idadeà eduzida,ào deàseàdeposita àpa tí ulas e nutrientes; as matas ciliares filtram sedimentos carregados pela chuva e estabilizam as margens dos rios. Essas condições favorecem a formação de hábitat propícios à vida subaquática e, por consequência, hábitat de outros seres que se valem dos primeiros. (BONILHA, 2006).
Os ecossistemas marginais, como brejos, pântanos, mangues e matas ciliares, funcionam como corredores da fauna, garantindo que cada espécie se movimente no território de que necessita para viver e procriar (COLDING, 2007). Contudo, assim também ocorre a proliferação de insetos que agridem as populações humanas, o que transforma esses as edou osà e à o jetoà deà u a izaç o ;à aà p ti aà atual,à issoà sig ifi aà higie izaç oà doà local, feita tradicionalmente com a retificação e canalização dosàflu osàd guaàeàeli i aç oà de tudo o que se assemelhe aos processos naturais. Essas intervenções alteram a cadeia alimentar e o equilíbrio daquele meio.
A rede verde compõe-se de três principais elementos com configurações e escalas diversas: matriz, mancha e corredor79. Essas formas podem ser distinguidas com mais facilidade num cenário, do que a água ou a vegetação separadamente; são, assim, consideradas como os principais componentes da Estrutura da Paisagem.
79 O modelo matriz-mancha-corredor de interpretação da paisagem tem sido utilizado por autores
contemporâneos, inclusive Ferreira e Machado (2010) e Franco (2000). Até onde se pesquisou para o presente trabalho, o modelo provém de trabalhos de Richard T. T. Forman e Michel Godron, desde o início da década de 1980, fato mencionado por autores já referenciados.
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Matriz ecológica – É o elemento central da rede verde. Caracteriza-se por suas grandes dimensões (escala ecológica) e pela cobertura predominante na paisagem natural.
Mancha - Apresenta cobertura vegetal homogênea, não necessariamente igual à original do lugar. Sua conformação é não linear e suas dimensões variam desde grandes áreas verdes isoladas até conjuntos de fragmentos urbanos.
Corredor - Tem configuração linear, com cobertura não necessariamente semelhante à da paisagem natural. Liga matrizes, manchas e fragmentos; abrange nesgas de terra contínuas ao longo de avenidas, parques e orlas de massas aquosas (represas, rios, litoral). Os corredores verdes comparecem em escalas diversas, desde avenidas arborizadas com algumas centenas de metros, até enormes corredores ecológicos com milhares de quilômetros.
Considerando-se que o tamanho e a configuração dos hábitat das várias espécies exercem forte influência sobre os indivíduos, populações e comunidades e, consequentemente, sobre a biodiversidade e a resiliência de um ambiente, é benéfico para todo o ecossistema que matrizes, manchas e fragmentos sejam unidos pelos corredores. As cidades e a infraestrutura urbana de grande porte, todavia, representam um grande obstáculo para isso.
Nas áreas urbanas, as manchas naturais em geral são escassas, esparsas e de tamanho reduzido. Conforme o raio da matriz humana, a própria natureza se incumbe de criar novas conexões biológicas ao redor da área de urbanização mais intensa, de maneira a manter o ecossistema sustentável. Contudo, nas áreas urbanizadas de grande extensão, é necessário criar artifícios para suprir às várias espécies o que a sociedade humana lhes subtrai. Tal providência pode ser de pouca importância do ponto de vista macroecológico, mas é capaz de contribuir para a estabilidade física e a sustentabilidade ecológica do próprio meio urbano. (COLDING, 2007)80.
Um desses artifícios é aproximar manchas e matrizes por caminhos verdes, ou greenways, constituídos por redes de terrenos com elementos planejados, desenhados e geridos para múltiplos usos além do objetivo ecológico. Recreação, mobilidade, educação ambiental e cultura, estética e contemplação voltados à população local podem se harmonizar com fins
80 As teorias por trás dessas afirmações foram desenvolvidas por terceiros, referidos em Colding (2007), em
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econômicos de navegação para transporte de pessoas e cargas, turismo, parques temáticos, entre outras combinações.
Como relatado por Ferreira e Machado (2010), a estrutura ecológica pode se integrar ao planejamento urbano com benefícios para a preservação do patrimônio e para a qualidade urbana de maneira sustentável, atendendo a funções ecológicas e sociais.
Funções ecológicas:
Manutenção da biodiversidade: proteção de áreas naturais, constituindo hábitat;
Estabelecimento de ligações entre áreas de hábitat e de movimento de espécies, materiais e energia;
Filtro natural à poluição das águas e poluição atmosférica, e purificação do ar através da liberação de oxigênio e absorção e transformação de CO2;
Fixação de poeiras, proteção dos ventos e regularização de brisas;
Regularização de amplitudes térmicas e da luminosidade atmosférica, abrandando o efeito sombra;
Redução dos riscos de erosão, devido à elevada evapotranspiração que interfere positivamente nos processos hidrológicos;
Circulação da água pluvial a céu aberto e infiltração, promovendo a utilização da água local e torrencial.
Funções sociais:
Espaços para recreio ativo e lazer;
Abastecimento alimentar com produtos frescos (hortas urbanas); Melhoria da qualidade do ar;
Melhoria do conforto térmico;
Preservação do patrimônio histórico e cultural;
Valorização e manutenção da qualidade estética da paisagem; Controle de fatores de risco.
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No caso da bacia Água Espraiada, a matriz verde principal é a Mata Atlântica que circunda a Região Metropolitana, como ilustrado nas figuras 119 a - b. O Parque do Estado é uma mancha verde significativa incrustada em área desertificada (1); o Parque Burle Marx, integrado à parte antiga do Morumbi, idem (2). O Parque Linear proposto na OUCAE (figura 120) auxiliaria na ligação desses extremos e facilitaria a agregação de fragmentos verdes das encostas (3), de maneira a que as manchas ainda existentes e em fase de rarefação não se percam.
Figura 119 b – Ampliação da figura 119 a, mostrando intervenção da autora sobre imagem de satélite obtida no Google em 06/09/2014, com algumas possibilidades de agregação de fragmentos verdes e sua conexão com as manchas verdes da região, que a OUCAE aliada às subprefeituras, SVMA e a outras operações urbanas poderia promover: Parque do Estado (1), Parque Burle Marx (2), Brooklin Paulista (velho -3), Chácara Flora (4), São Paulo Golf Club (5), Represa de Guarapiranga (6), Hípica de Santo Amaro (7).
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Figura 119 a – Matriz ecológica circundando a parte sul da RMSP. Imagem de satélite do Google obtida em 06/09/2014.
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