• No results found

DEL 2 TEORI

2.3 Samhandlingsperspektiv

2.3.7 Pragmatisk institusjonalisme - translasjonsteori

Aqui se coloca de modo central às questões do processo ensino-aprendizagem, portanto, as questões da didática como teoria do ensino. E é para esta que nos voltamos agora e para a sua relação com a pedagogia.

Segundo Oliveira (1991, p. 45), compreender o ensino como totalidade concreta significa entender:

[...] o fenômeno do ensino em seu caráter antropológico de trabalho didático, produzido socialmente pelo homem, como práxis, articulado às bases materiais da sociedade que se pretende transformar e que possui sua expressão nuclear na situação da sala de aula [...] implica o seu tratamento como uma realidade inteira em movimento, e que se sabe inexaurível ao conhecimento. Implica entender o fenômeno do ensino como uma prática social/histórica, [...] procurando-se desvelar o seu relacionamento em correspondência e, ao mesmo tempo, em contradição com outras práticas [...]. Implica revelar os mecanismos ideológicos desse fenômeno enquanto viabilizador do sistema sócio-econômico[...]. Implica, [...] descortinar a especificidade das contradições internas do ensino, em torno de seus elementos e subprocessos (conteúdo/método, professor/aluno, planejamento/ execução, fins e controle). (grifo do autor)

A didática de inspiração materialista-dialética é campo teórico-científico de estudos sistemáticos da problemática concreta que envolve o processo ensino-aprendizagem; portanto, a didática é teoria do ensino e tem como objeto o processo de ensino na sua totalidade e no seu movimento. Enquanto teoria, ela reconstitui idealmente, capta as mediações constituintes do modo de ser do ensino, mas não nos referimos ao seu modo de ser na sua aparência, no seu imediato e, sim, na sua essência, tal como ele é objetivamente; por isso, a didática é campo teórico-científico, que mobiliza, reúne e sistematiza, sempre por aproximação, as determinações que implicam o ensino enquanto processo de apropriação crítica pelos estudantes dos conhecimentos mais elevados, produzidos pelos homens no seu processo de objetivação no mundo físico e social, notadamente os científico-tecnológicos, artísticos e filosóficos.

Nessas determinações, destacamos o papel de adulto do professor. Um profissional que, pela relação interpessoal com o aluno – ambos mediados pelo conhecimento e pela prática social –, age intencionalmente, coloca-se em atividade teórico-prática, com a tarefa de conduzir, organizar e sistematizar as condições didáticas que promovam a elevação cultural dos estudantes. A ascensão do pensamento empírico ao conhecimento teórico pelo aluno far- se-á cada vez melhor, quanto mais o professor avançar de uma visão sincrética a uma visão de síntese do processo de ensino no seu conjunto.

Libâneo (2000a), ao discutir a especificidade da didática e sua relação com a pedagogia, define a ação educativa pelo seu caráter intencional e, desse modo, a ação docente se caracteriza como direção consciente e intencional do ensino, tendo em vista a instrução e a

educação dos indivíduos, de maneira a dominarem instrumentos cognitivos e operativos de assimilação da experiência social culturalmente organizada. Para o autor:

A didática tem como objeto de estudo o processo de ensino na sua globalidade, [...] suas finalidades sociopedagógicas, princípios, condições e meios de direção e organização do ensino e da aprendizagem, pelos quais se assegura a mediação docente de objetivos, conteúdos, métodos, em vista da efetivação da assimilação consciente de conhecimentos. (LIBÂNEO, 2000a, p. 116)

Nas relações com a pedagogia, entendendo esta como ciência da e para a práxis educativa, como direção de sentido, como esclarecimento racional da prática educativa a partir da investigação dessa mesma prática em situações concretas, Libâneo (2000a) afirma que a didática se coloca de modo dependente em relação à ciência da educação. Ao argumentar sobre como se manifesta essa relação, observa que:

A dependência da didática em relação à pedagogia se verifica na impossibilidade de se especificar objetivos imediatos da instrução, das matérias e dos métodos, fora de uma concepção de mundo, de uma opção metodológica geral e uma concepção de práxis pedagógica, uma vez que essas tarefas pertencem ao campo do pedagógico. (LIBÂNEO, 2000a, p. 117)

Localizamos em Pimenta (2001) o entendimento da didática como área de estudos da ciência da educação (pedagogia) do mesmo modo que esta possui um caráter prático. Ao se reportar ao objeto de estudo da didática, clarifica que

[...] a problemática de ensino, enquanto prática de educação, é o estudo do ensino em situação, ou seja, no qual a aprendizagem é a intencionalidade almejada, no qual os sujeitos imediatamente envolvidos (professor e aluno) e suas ações (o trabalho com o conhecimento) são estudados nas suas determinações histórico-sociais.[...] Por isso, o objeto de estudo da Didática não é nem o ensino, nem a aprendizagem; mas o ensino e sua intencionalidade é que a aprendizagem, tomados em situação. (PIMENTA, 2001, p. 63)

Observadas as questões e preocupações teórico-metodológicas que nos acompanham na pesquisa, destacamos e esclarecemos que, ao longo do texto, usaremos tanto a expressão

pedagógico-didático quanto didático-pedagógica para expressar nossa compreensão da

relação entre esses aspectos da prática educativa: o pedagógico refere-se aos rumos, às finalidades e objetivos da prática educativa. “O que define algo – um conceito, uma ação, uma prática – como pedagógico é, portanto, a direção de sentido, o rumo que se dá às práticas educativas” (LIBÂNEO, 2000a, p. 115).

O didático, em sintonia com os direcionamentos da prática educativa, organiza, sistematiza os meios, os princípios, as condições pelas quais se efetiva a apropriação crítica

pelos educandos dos conhecimentos científicos, artísticos, tecnológicos e filosóficos, ao passo que a didática “[...] se ocupa dos processos de ensino e aprendizagem em sua relação com

finalidades educativas” (LIBÂNEO, 2000a, p. 116). Por isso mesmo, não podemos pensar a

didática deslocada de uma concepção de pedagogia; contudo, essa relação não é unilateral. Não há aqui uma obediência cega das questões didáticas às orientações pedagógicas, mas, sim, uma relação de reciprocidade, em que os problemas, as questões colocadas pelo ensino e a aprendizagem podem fertilizar e reorientar as reflexões pedagógicas. Desse modo, a expressão didático-pedagógica pode também ser usada, uma vez que se refere ao ensino, mas sempre orientado por intencionalidades. O que se quer destacar é o caráter simultâneo e recíproco do didático e do pedagógico.

Explicitadas as nossas bases teóricas, trataremos a seguir dos caminhos percorridos nesta pesquisa.