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Del 5 RESULTATER – ANALYSE

5.5 Forskningsspørsmål 4

A decisão de empreender o estudo sobre a pós-modernidade se colocou neste trabalho como uma exigência metodológica, como também por uma escolha pautada em motivos e significados muito pessoais, porém relacionados à pesquisa em educação e à práxis educativa, quais sejam, compreender o modo pós-moderno de pensar de forma a subsidiar o pensar, o pesquisar, o fazer crítico educativo, em especial, da docência universitária como professora de didática; e conhecer as teses pós-modernas para poder posicionar-me criticamente a partir do método dialético, captando o movimento incessante e contraditório do real-social, na sua historicidade, identificando o seu modo de ser na sua essência, na objetividade do real, no concreto pensado, e não apenas na sua aparência fenomênica.

Ao trabalho intelectual crítico impõe-se uma postura distante daquilo que é considerado o bem ou o mal, certo ou errado, simpático ou antipático. É imperativo, aqui, que o trabalho teórico se caracterize pelo rigor e objetividade da análise.

Como já referido em outro momento deste estudo, nos últimos anos, vivenciei no interior da universidade, tanto nas relações como docente, especialmente com os pares, como naquelas de doutoranda nos eventos científicos, experiências que me levaram a posicionar-me a respeito do que ora me defronto.

Falar em ciência, conhecimento objetivo, verdade, razão, totalidade, emancipação, dialética, luta de classes, utopia, intencionalidade, objetivos, planejamento, princípios

norteadores, parecia ser uma postura pouco acadêmica. Os termos mais adequados seriam incerteza, relativismo, diversidade, hibridismo, transitoriedade, diferenças, grupos, local, subjetividade, multiculturalismo, pós-modernidade. Uma lista considerável de termos tomados como novos, atuais, e que deveriam substituir aqueles que não mais expressavam a realidade.

Tonet (2009), ao discutir as consequências da crise capitalista na atualidade, destaca que a cientificidade atual (no âmbito social) tem assumido um caráter cada vez mais manipulatório. Vale dizer, ela tem se manifestado cada vez mais incapaz de compreender a realidade como uma totalidade articulada em processo e de ir até a raiz dos fenômenos sociais. Tendo nascido sob o signo da fragmentação e da empiricidade, viu essas características se tornarem cada vez mais intensificadas. Essa intensificação, por sua vez, é resultado do fato de que o aprofundamento da crise do capital confere à realidade social um caráter cada vez mais fragmentado e fetichizado. Daí a crescente desconfiança na capacidade da razão de compreender a realidade social como uma totalidade, o que dá margem à intensificação do irracionalismo e da fragmentação do conhecimento.

Ainda para Tonet (2009), o abandono de categorias fundamentais para a compreensão da realidade social, como classes, luta de classes, revolução, socialismo, comunismo, alienação e até capitalismo, mostra bem a distância que se estabeleceu entre a cientificidade social dominante na atualidade e o processo social real. Expressão clara disso, segundo esse teórico, é o fato de que praticamente nenhum dos cientistas sociais tidos, hoje, como mais importantes – economistas, sociólogos, cientistas políticos, antropólogos, psicólogos, teóricos da educação – se refere à superação do capitalismo, mas apenas ao seu aperfeiçoamento.

Essa vivência e ambiência nos inquietavam e nos inquietam pelo modo novidadeiro, para não dizer obtuso, tortuoso, formalista como são tomadas e tratadas questões medulares da história da humanidade, do pensamento histórico-filosófico e de seu conhecimento, como também da pedagogia e da didática; porém, modernamente falando, e por dever de ofício, Hegel nos acompanha, e entendemos que: “Deve-se renunciar às incursões pessoais no movimento imanente do conceito; não se deve intervir nele com preferências ou com uma sabedoria arbitrária vinda do exterior; não se deve manipular o conteúdo como se fosse uma coisa estranha” (HEGEL apud LEFEBVRE, 1975, p. 227).

A referência é oportuna porque atualmente, no contexto do proclamado fim da história, do fim das ideologias, da morte das metanarrativas, é espantoso constatar como, de um momento para outro, teorias, categorias e pensadores são considerados obsoletos sem o mínimo rigor científico – bem, este não é o termo apropriado, o da moda, é o rigor das

interpretações e discursos –, sem ao menos terem o privilégio de terem sido estudados por seus pretensos críticos. Tonet (2009, p. 117), ao caracterizar esse momento no que tange ao campo da ética, argumenta:

Parece que, de uma hora para outra, desapareceram os critérios do que é bom ou mau, correto ou incorreto e que a sociedade se transformou num vale- tudo, onde predominam o individualismo, o interesse imediatista e utilitário, a subsunção do interesse público ao interesse particular, chegando, muitas vezes, ao cinismo mais deslavado.

Essas constatações, no entanto, são apenas algumas das várias questões que nos desafiam e nos convocam ao estudo das proposições pós-modernas.

Estudar a proposta de um modo pós-moderno de pensar impõe, especialmente aos iniciantes, certo cuidado, cautela e prudência, próprios do trabalho acadêmico rigoroso, uma vez que estamos diante de um modo singular de manifestação sobre a ciência, a filosofia e a vida, assim como de sua base material. Eagleton (1998, p. 8) adverte que “o pós-modernismo constitui um fenômeno tão híbrido, que qualquer afirmação sobre um aspecto dele quase com certeza não se aplicará a outro”. Nessa mesma direção, somos advertidos por Paulo Netto (2010), ao identificar as dificuldades de definição do movimento pós-moderno.

Entendemos que a pós-modernidade envolve mais que o pós-modernismo; ela “é movimento intelectual muito diferenciado – não constitui um campo teórico e ídeo-político homogêneo” (PAULO NETTO, 2010, p. 261). Essa característica coloca desafios àqueles que se propõem ao estudo e problematização desse modo de pensar. As indagações e os questionamentos sobre o que estamos chamando de pós-modernidade ganham sentido quando nos mobilizam ao esforço de nos fazermos mais claros sobre nossas posições. Com efeito, a contribuição destes é empobrecida ao fazermos deles amarras para o não estudo e enfrentamento do ideário em questão.

Do interior das posições ideopolíticas encontramos os pós-modernos de oposição e os pós-modernos de celebração. As diferenças entre ambos os termos são apresentadas por Paulo Netto (2010, p. 261), com destaque para representantes de cada uma dessas posições:

Do ponto de vista ídeo-político, é mais ou menos fácil – e se tornou comum – distinguir entre os pós-modernos de “oposição”, que se pretendem críticos da ordem do capital (por exemplo, Boaventura de S. Santos), e os pós- modernos de “celebração”, aqueles que Habermas chegou a qualificar como neoconservadores, expressamente convencidos de que a sociedade burguesa constitui a paragem final da história (por exemplo, Lyotard). (grifo do autor)

No que se refere às posições teóricas desse movimento, as dificuladades de distinção, não são poucas, “posto que não exista nem uma nem a teoria da pós-modernidade: há teorias

pós-modernas” (PAULO NETTO, 2010, p. 261). Com efeito, nesse diverso e complexo

campo de posturas, “por mais diferentes que sejam (e, de fato, o são), tais teorias apresentam um denominador comum, constituído [por] [...] traços que lhes são absolutamente pertinentes” (PAULO NETTO, 2010, p. 261).

Destacamos, particularmente, dois traços característicos das ideias da pós- modernidade: o primeiro se refere à entronização do ecletismo como cânon metodológico: uma vez que “‘o conhecimento pós-moderno [...] é relativamente imetódico, [ele] constitui-se a partir de uma pluralidade metodológica – o que abre à via a glorificação da ‘transgressão metodológica’ (PAULO NETTO, 2010, p. 262). O segundo trata-se do relativismo, mas este não tem nada a ver com a consciência do caráter relativo de todo conhecimento, e, sim, com

[...] a completa dissolução da ideia clássica de verdade, que os pós-modernos levam ao limite, seja ao converter a ciência num jogo de linguagem, seja ao pensar o conhecimento como artefactualidade discursiva – uma tal dissolução acarreta sumariamente a supressão de qualquer estatuto que não o lógico-retórico para a verificação/avaliação do significado dos enunciados científicos. (PAULO NETTO, 2010, p. 262, grifo do autor)

As observações de Eagleton (1998) e Paulo Netto (2010) nos mobilizam a explicitar o caminho que percorremos no estudo do pós-moderno. Primeiro, não recorremos aos seus representantes teóricos, pois estudar cada um deles demandaria uma programação que não está no interesse, e muito menos nos limites desta pesquisa; segundo, o caminho escolhido vincula-se à motivação de discutir as implicações para o pensar e o fazer pedagógico – que não apenas compreende o modo de ser da escola, do ensino, mas, pela práxis, contribua para que ela venha a deixar de ser o que ela é hoje – das proposições que anunciam e decretam a morte do marxismo, afirmam o fim da história, das Utopias, a exaustão dos grandes sistemas filosóficos, a impossibilidade do conhecimento objetivo, da Verdade e da Razão de apreender o Real.

Conforme já indicamos, esse complexo de ideias enfeixa a concepção de pós- modernidade com a qual trabalhamos inicialmente na investigação, mas que será mais bem construída, possivelmente, no intercurso deste estudo.

Entendemos, portanto, que à reflexão pedagógica são colocadas questões como: é possível uma ciência da educação? É possível uma ciência da e para a práxis educativa, uma vez que seu referencial heurístico é considerado esgotado? Do mesmo modo, é

possível uma teoria do ensino? É possível uma análise objetiva do fenômeno educativo? É pertinente, possível, intencionalizar a prática pedagógica? Professor e aluno são sujeitos na construção do conhecimento? O conhecimento é objetivo? Cabe ainda pensarmos em valores e práticas humanizadoras?

Como estão sendo recebidas pelos estudiosos da didática as proposições pós-modernas, especialmente no interior das produções dos Endipes e do Grupo de Trabalho (GT) de didática da Anped?

Quais as implicações do pensamento pós-moderno para a organização do trabalho pedagógico-didático que se proponha ajudar na superação da escola e da sociedade capitalista?

Outras questões que não estão na centralidade da investigação, mas circundam nosso pensamento e nos provocam a análise, se colocam do seguinte modo:

Seria mesmo a Razão responsável pelo não cumprimento das promessas da modernidade? Ela tem mesmo todo esse poder?

A quem interessa a negação da ideia de verdade, de conhecimento objetivo?

Como se decreta o fim da história, das ideologias? Eu, meus alunos, a sala de aula, os professores, os estudiosos continuam vivos, ativos, projetando, trabalhando. Como assim? Fim de quê mesmo?

Deve o pesquisador, ao analisar os fenômenos humanos e sociais, desvincular o processo de produção do conhecimento do processo de produção da vida real dos homens?

Quais são as bases materiais e históricas do surgimento do pensamento pós-moderno? Estaria mesmo a humanidade vivendo numa sociedade pós-capitalista ou o pensamento pós-moderno não capta as complexas metamorfoses do capitalismo e se constitui em todos os planos na sua própria expressão?

Quanto à perplexidade imobilizante diante da explosão tecnológica, da eletrônica, da robótica e dos espaços midiáticos, perguntamo-nos: Como a humanidade reagiu à invenção da escrita, dos telégrafos, do rádio, da televisão, do telefone? – isso para ficarmos apenas nas comunicações.

Mas por que estudar as proposições pós-modernas? Por que o interesse da pedagogia e da didática com questões tradicionalmente consideradas próprias da Filosofia

e das Ciências Sociais? A indagação que fazemos encontra uma correta resposta nos dizeres de Frigotto (2010b, p. 2):

Qualquer que seja o objeto de análise no campo das ciências humanas e sociais que se queira tratar no plano da historicidade, vale dizer, no campo das contradições, mediações e determinações que o constituem, implica necessariamente tomá-lo na relação inseparável entre o estrutural e o conjuntural. Por outra parte, implica tomar o objeto de análise não como um fator, mas como parte de uma totalidade histórica que o constitui, na qual se estabelecem as mediações entre o campo da particularidade e sua relação com uma determinada universalidade.

A postura teórica aqui assumida entende que o modo como nos posicionamos diante da realidade, da nossa atividade, vincula-se diretamente ao modo como concebemos essa mesma realidade; portanto, cabe a todos aqueles que se colocam o desafio de investigar sua área de intervenção buscar compreender como se constitui o real e como o conhecimento deste é produzido, captando no movimento contraditório e incessante as mediações, conexões, rupturas e continuidades do modo de ser do existente – e o nosso ser aqui é a prática educativa. Uma prática educativa inspirada e norteada pela utopia da emancipação28 e da formação onilateral de todos os indivíduos.

Para além desse entendimento, outro motivo pelo qual nos colocamos a estudar o pensamento em questão é perceber como este vem seduzindo desde os mais iniciantes, até aqueles que se dedicam há muito ao trabalho intelectual, seja no interior da academia, seja fora dela. Sobre os educadores, Frigotto (2005, p. 239) anota: “[...] significativo número de educadores do campo crítico foram sendo pautados pelo determinismo tecnológico, ou se deslocaram para análises de cunho culturalista e particularista do pensamento pós-moderno”. O autor observa que o foco não é um julgamento moral, mas que se coloca a necessidade de dimensionar e compreender a magnitude e o significado político-social desse deslocamento.

As ideias do pensamento em estudo são tomadas por alguns como algo verdadeiramente novo, democrático, progressista, revolucionário, como se fosse a primeira e única crítica ao formalismo predominante da razão moderna. Aqui residem o sentido e o significado do estudo do movimento pós-moderno: a crítica identificada apenas com a aparência, a superfície da objetivação do movimento da razão na ordem burguesa, isto é, o seu caráter pseudoconcreto tomado como crítico. Paulani (2005, p. 139), ao discutir a contradição que marca o pós-moderno e alguns modos de ser, adverte:

28 Ideia essa bastante questionada no interior do movimento pós-moderno. Segundo este, tal proposição está fadada a ser autodissolvente e autoderrotante.

[...] ao atentar difusamente contra o sistema, parecendo desafiar a ordem social com sua pregação pela não-identidade, pela transgressão, pelo relativismo, pela desconstrução, serve, ao mesmo tempo e por isso mesmo, para realimentá-lo: a aparência desafia o sistema, para que sua essência possa ser ratificada.