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DEL 1 INNLEDNING OG PROBLEMSTILLING

1.2 Hva vet vi om tidligere reformer for å bedre samhandlingen

Marx, quase sempre em colaboração com seu amigo Engels, pensa sobre a produção da existência humana. Logo nas primeiras linhas da Introdução À Crítica da Economia Política, quando trata da produção, o pensador nos diz: “O objeto deste estudo é, em primeiro lugar, a

11 Moraes (2000) diz que dos estudos de Marx podemos extrair uma compreensão da história como solo ontológico, como horizonte de inteligibilidade do ser. Ela é a forja do especificamente humano mediante o trabalho, o devir da natureza para o homem.

produção material. Indivíduos produzindo em sociedade, portanto a produção dos indivíduos determinada socialmente, é por certo o ponto de partida” (MARX, 1996, p. 25). Para ele, a premissa de toda história humana é a existência de indivíduos humanos viventes e, nesse fato, funda-se o materialismo histórico: “O que distingue os indivíduos humanos é que produzem seus meios de vida, condicionados por sua organização corpórea e associados em agrupamentos. Os indivíduos humanos são tais como manifestam a sua vida” (MARX; ENGELS, 1989, p. XXI).

Contudo, “os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado” (MARX, 1978, p. 329). Mas, é preciso destacar, para que não haja mal-entendidos, que para esse pensador, apesar dos limites históricos, são os homens

que fazem a história. “É o homem, o homem real, o homem vivo, que faz, que possui, que luta;

não é a história que utiliza o homem para realizar os seus fins – como se fosse uma entidade independente –, ela nada mais é do que actividade do homem perseguindo os seus fins” (MARX 1975, p. 51).

Com efeito, não conseguiremos conhecer o que pensa Marx sobre a sociedade, sem antes compreendermos um pouco o seu método de análise: o método dialético. Marx (apud SANFELICE, 2005, p. 72) entende que “a dialética de Hegel é a forma básica de toda dialética”. Assim, o propósito de estudarmos a questão do método no interior do pensamento marxiano impõe a necessidade de partirmos da própria definição de Marx acerca do que vem a ser a dialética para, em melhores condições, percebermos os avanços colocados por ele em relação à dialética de Hegel.

Na obra A miséria da filosofia, Marx (1989, p. 105) indaga sobre o movimento da razão pura e ele mesmo responde que “consiste em se pôr, se opor, se compor, formular-se como tese, antítese, síntese, ou ainda, afirmar-se, negar-se, negar sua negação”.

Marx (1988, v. I, p. 26) estabelece sua oposição à dialética de Hegel, ao escrever no posfácio à segunda edição de O capital:

Por sua fundamentação, meu método dialético não só difere do hegeliano, mas é também a sua antítese direta. Para Hegel, o processo do pensamento, que ele, sob o nome de idéia, transforma num sujeito autônomo, é o demiurgo do real, real que constitui apenas a sua manifestação externa. Para mim, pelo contrário, o elemento ideal não é nada mais que o elemento material, transposto e traduzido na cabeça do homem.

Marx (1988, v. I, p. 26-27), no entanto, não deixa de afirmar sua admiração por Hegel, e assim a expressa escrevendo o posfácio da segunda edição:

A mistificação que a dialética sofre nas mãos de Hegel não impede, de modo algum, que ele tenha sido o primeiro a expor as suas formas gerais do movimento, de maneira ampla e consciente. É necessário invertê-la, para descobrir o cerne racional dentro do invólucro místico. Em sua forma mistificada, a dialética foi a moda alemã porque ela parecia tornar sublime o existente. Em sua configuração racional, é um incômodo e um horror para a burguesia e para seus porta-vozes doutrinários, porque, no entendimento positivo do existente, ela inclui ao mesmo tempo o entendimento da sua negação, da sua desaparição inevitável; porque apreende cada forma existente no fluxo do movimento, portanto com seu lado transitório; não se deixa impressionar por nada e é, em sua essência, crítica e revolucionária.

A dialética permite a Marx, portanto, compreender o movimento real da história, transportando-a das ideias para a história, para a realidade social em contradição. Por esse caminho é que Marx avança em relação a Hegel, ao incorporar ainda a teoria das lutas de classes ao princípio da contradição na análise do mundo material e social. Com efeito, é preciso não esquecer que esse avanço de Marx se fez numa linha de rupturas e continuidades com as principais conquistas teórico-culturais que o precederam. O amadurecimento teórico de Max se faz num franco, direto e crítico diálogo com a Filosofia clássica alemã (em especial com Hegel), com a economia política desenvolvida na Inglaterra (particularmente, Smith e Ricardo) e com o socialismo utópico-reformista (Saint-Simon, Owen e Fourier).

Marx (1983) entende que a história, a vida dos homens em sociedade, é movimento, é processo que se realiza a partir da produção social de sua existência e não como desdobramento de uma razão idealista. O autor assim afirma no prefácio da Contribuição à

crítica da economia política:

Na produção social da sua existência, os homens estabelecem relações determinadas, necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a um determinado grau de desenvolvimento das forças produtivas materiais. [...] o modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; é o seu ser que, inversamente, determina a sua consciência. (MARX, 1983, p. 24)

Com o propósito de afastar dessa relação qualquer mal-entendido, que muitas vezes sofre a teoria de Marx, seja pelas vulgares análises fatorialistas, do econômico, do político, do social, do cultual etc., seja pelas análises deterministas, Lukács (1979, p. 83) assevera:

Os muitos mal-entendidos acerca do ser social nascem, em sua maioria, porque um dos dois componentes – que só são reais em sua interação recíproca – é considerado ou como o único existente ou como o que possui predomínio absoluto.

A questão do ser social e a consciência só pode ser entendida, portanto, a partir das articulações do pensamento dialético, “a simultânea dependência e independência dos seus produtos e processos específicos em relação aos atos individuais que, imediatamente, os fazem surgir e prosseguir” (LUKÁCS, 1979, p. 83). Marx e Engels (1989, p. 21), insistindo em suas críticas aos idealistas alemães, dizem que:

Ao contrário da filosofia alemã, que desce do céu para a terra, aqui é da terra que se sobe ao céu. [...] não partimos do que os homens dizem, imaginam e representam, tampouco do que eles são nas palavras, no pensamento, na imaginação e na representação dos outros, para depois se chegar aos homens de carne e osso; mas partimos dos homens em sua atividade real, é a partir de seu processo de vida real que representamos também o desenvolvimento dos reflexos e das repercussões ideológicas desse processo vital. (MARX; ENGELS, 1989, p. 21)

A esse propósito, Marx e Engels (1989, p. 20) afirmam que “a consciência nunca pode ser mais do que o ser consciente; e o ser dos homens é o seu processo de vida real”.

Mas o que significa essa formulação de Marx? Com ele novamente esclarecemos que

A produção de idéias, de representações, da consciência, está, em princípio, imediatamente entrelaçada com a atividade material e com o intercâmbio material dos homens, com a linguagem da vida real. O representar, o pensar, o intercâmbio espiritual dos homens ainda aparecem aqui, como emanação direta de seu comportamento material. (MARX; ENGELS, 2007, p. 93)

Barata-Moura (1998), discutindo a dialética materialista dessa tese de Marx, adverte que não se trata apenas de chamar atenção para o enquadramento histórico-cultural, sociológico ou ideológico de qualquer representação; estamos igual e verdadeiramente em presença de uma perspectiva com um largo alcance estritamente gnosiológico ou ontognosiológico, pois, ao nível das relações entre o ser e o pensar, este último é determinado pelo primeiro, e em termos de reflexo. Sua relevância se mostra em termos de saber científico, uma vez que, em termos de resultado a que sua atividade conduz, necessariamente tem de medir com a realidade objetiva, a partir da qual se constitui, pela qual pergunta e para a qual procura inteligibilidade.

É preciso, no entanto, ter atenção ao fato de que, para Marx, as representações não refletem de pronto, correto e adequadamente o movimento real, a vida dos processos, pois “o conhecer é ele próprio um processo de apropriação, em cujo decorrer transformações diversas intervêm” (BARATA-MOURA, 1998, p. 95). Na base desse entendimento está a ideia de que “toda ciência seria supérflua se a forma de manifestação e a essência das coisas coincidissem imediatamente” (MARX, 1988b, p. 253).

Aqui, para a história do pensamento científico, coloca-se de modo visceral a indispensabilidade de a crítica assumir seu lugar de destaque na elucidação e clarificação das formas de produção do conhecimento.

Antes, no entanto, que as posturas da determinação absoluta encontrem em Marx um sujeito morto e acorrentado, lembramos que, para esse pensador, os homens não são homens isolados e atomizados, deslocados do modo como produzem a vida, mas sim homens reais ativos e atuantes que, pela práxis social e por teleológico, transformam a realidade e a si mesmos. Desse modo, a clássica afirmação de Marx e Engels (2007, p. 535) de que “os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; o que importa é transformá-lo”, não pode ser entendida de modo unilateral, como uma rejeição à filosofia ou à teoria; ao contrário, para Marx é só na interação recíproca, dialética da filosofia e do proletariado que a emancipação pode ocorrer, pois “Assim como a filosofia encontra no proletariado suas armas materiais, o proletariado encontra na filosofia suas armas espirituais” (MARX apud MÉSZÁROS, 1983, p. 158).

E é exatamente por esse entendimento que Frigotto (2006) nos diz que, na teoria materialista dialética, o que importa fundamentalmente não é a crítica pela crítica, o conhecimento pelo conhecimento, mas a crítica e o conhecimento crítico para uma prática que altere e transforme a realidade anterior no plano do conhecimento e no plano histórico-social.