Para identificar, analisar e conceituar a importância, a necessidade do processo de aprendizagem (treinamento), do planejamento e do desenvolvimento de um projeto nessa área, torna-se necessário, em primeiro lugar, realizar uma pesquisa entre os usuários para descobrir a real necessidade, a importância da capacidade e competência de seu fundamento.
A competência não pode ser reduzida unicamente à mobilização da capacidade de conhecimentos, habilidades e atitudes, pois a competência quer dizer tudo isso. Por exemplo, quando se fala da área de manutenção e do aprendizado de equipamentos multifuncionais de reprografia, o técnico, necessariamente deve ter o conhecimento, a noção básica em eletrônica, pelo processo de conhecimento e de capacitação realizado em um momento anterior, com cursos específicos para a manutenção de cada marca e de cada modelo de equipamento. A maneira, por exemplo, de desmontar e montar novamente se for o caso, da regulagem, a melhor forma de uso. Precisa adquirir algumas coisas básicas, entre outros: a habilidade para a utilização das ferramentas, a memorização de ajuste e a concentração para tal tarefa. Também precisa tomar atitude, se colocar a disposição para aprender o suficiente,
ao menos necessário básico, formando assim uma competência, a confiança pela capacidade que dispõe para solucionar problemas de manutenção de equipamentos.
Para que o técnico possa exercer esta competência, demonstrar essa capacidade, ele necessita de diferentes recursos, como no setor de ferramentas, de peças de reposição, de manuais etc. Isso deve resultar em um melhor desempenho, que precisa ser percebido e visto como adequado, tanto por parte da revenda, como por parte do usuário do equipamento, que nesta hipótese, é o mais importante para gerar uma satisfação, agregando valor ao produto na visão do usuário, deve ser transformado em valor-de-uso para o cliente.
Segundo Ruas (2001) as referências preliminares e básicas sobre a apreensão e aplicação da noção de competência, especialmente em situações organizacionais são as seguintes três:
a) A capacidade pode ser entendida como potenciais de competências que estão disponíveis e que podem ser atingidas em casos específicos; Esses potenciais (conhecimentos, habilidades, atitudes passíveis de desenvolvimento) poderiam ter sido desenvolvidos em circunstâncias anteriores, por vezes em processos de formação e/ou treinamentos específicos, outras vezes durante as próprias práticas de trabalho.
b) As competências são entendidas como ação que combina as capacidades e os recursos tangíveis (quando for o caso).
c) Referente aos resultados almejados, a mobilização da capacidade e dos recursos e, portanto, o exercício para alcançar a competência desejada deve estar sujeita aos resultados desejados e as condições que se colocam no contexto.
Portanto, quando se combina toda a competência e capacidade individual que é necessária em cada setor no interior de uma organização, tem-se a competência, o potencial de cada organização, que formar um todo a partir de cada setor individual, mas que só pode formar um todo quando as partes estiverem integradas umas as outras, o que pode ser visualizado como uma filosofia de trabalho ou uma cultura organizacional.
Para se manter este perfil de competência organizacional se faz necessário desenvolver e implantar um processo de aprendizagem, de forma constante no interior de uma organização, em todos os setores e de forma permanente. Tendo em vista o rápido crescimento e avanços tecnológicos no mundo contemporâneo, tanto a nível técnico eletrônico, quanto aos demais departamentos da organização, são necessárias constantemente
novas capacitações de aprendizagem para renovar e vencer o conhecimento disponível, gerando assim, de forma contínua e permanente, novas habilidades para acompanhar a ininterrupta inovação das competências organizacionais com tais atitudes.
No momento atual, mais do que nunca, os fatores que atraem o cliente, são: a visualização da competência como uma ação efetivada e legitimada na execução do trabalho; e de outra forma, a flexibilidade e a adaptabilidade como forte tendência para minimizar os custos dos produtos e serviços no atual ambiente moderno de negócios, principalmente, em se tratando de equipamentos multifuncionais de reprografia. Neste processo de minimização dos custos, ganha o cliente que recebe um produto ou serviço mais apropriado às suas necessidades com custos reduzidos, aumentando sua utilidade por satisfação e rapidez ou com redução de custos; e ganha a revenda de equipamentos (valor agregado), porque, em geral, o cliente se dispõe a pagar um preço maior por esse produto ou serviço mais apropriado a suas necessidades e que lhe pode proporcionar um aumento do valor marginal pela melhor produtividade.
A partir destas colocações é possível e é necessário, nesse momento, direcionar a análise, o estudo, no que se refere propriamente ao treinamento, ou seja, à aprendizagem, que de acordo com Marras (2002), treinamento é um processo de assimilação cultural em curto prazo, que objetiva repassar ou reciclar conhecimentos, saberes, habilidades ou atitudes relacionadas diretamente à execução de tarefas ou à sua organização no trabalho. O treinamento pode e deve produzir um estado de mudanças no conjunto de conhecimentos, saberes, habilidades e atitudes de cada trabalhador, de cada colaborador da organização, uma vez que implementa ou modifica a bagagem particular de cada um, conseqüentemente do conjunto dos colaboradores de uma organização. Todos, no interior de uma empresa podem ser possuidores de uma bagagem de conhecimentos, de saberes, habilidades e atitudes referentes à trajetória particular de cada um, mas isso só se transforma em um toda a medida em aja uma interligação de cada setor em um todo.
Os vendedores de alta tecnologia dispõem de um espectro de técnicas mais amplo do que seus antecessores, e estas novas técnicas melhoram sua imagem como profissionais reconhecidos. Dispondo de melhor educação, treinamento em vendas, persistência persuasiva e de um fluxo constante de informações atualizadas, obtidas através de computadores, os vendedores de alta tecnologia tornaram-se os Grandes Diferenciadores para seus produtos e empresas (MCKENNA, 1992, p. 52).
Segundo o que se pode entender, a partir da interpretação das palavras do autor, quanto mais avançadas sejam as inovações tecnológicas implícitas no produto a ser oferecido
aos usuários, maior a necessidade do acompanhamento de técnicos especialistas na área, ou seja, maior a necessidade de técnicos bem treinados e bem preparados, para que possam dispor dos conhecimentos minimamente necessários, referentes a bom uso, de forma adequada, dos equipamentos multifuncionais de reprografia, o que só se torna possível pelo processo de aprendizagem permanente.
E de acordo com Maital (1996), as tecnologias são criadas em ondas e que os maiores e os novos desenvolvimentos da tecnologia, de maneira geral, surgem em períodos de crise. Em outras palavras, as crises ocorrem quando as tecnologias e os produtos e serviços perdem fôlego, perdem o seu potencial. Novas mercadorias e novos serviços surgem à medida que saturam os mercados com produtos superados. À medida que os lucros diminuem e os mercados não mais crescem, novas máquinas e novos equipamentos são apresentados com novas tecnologias implícitas, o que exige nova mão-de-obra, novo treinamento, nova aprendizagem, para o desenvolvimento da sociedade e do mercado.
Ainda de acordo com Maital (1996), os serviços baseados em conhecimento são inerentemente guiados em uma economia de escopo, em uma economia de ponta e um exemplo de economia de escopo ou de ponta, uma economia de núcleo orgânico, em uma indústria baseada em conhecimento, é o setor da produção de equipamentos multifuncionais de reprografia que pertence ao setor eletro eletrônico.