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Conclusions and Future Work

7.2 Future work

Reconstituir a história da Cipla é também reconstituir um pouco da história do plástico no Brasil. É resgatar a trajetória do fundador, visionário e empreendedor, e também a saga de muitos trabalhadores que ajudaram a construir uma empresa-referência em seu segmento e que hoje lutam pela sua sobrevivência, num modelo de gestão que desafia o poder estabelecido.

4.1.1 Origem

João Hansen Júnior, influenciado pelo pai, um experiente tecelão que acreditava no mercado das confecções masculinas, foi logo cedo aprender o ofício de alfaiate com um dos mais respeitados da cidade de Joinville, o Sr. Monich (ASSIS, 1997).

Passado algum tempo o alfaiate procurou seu pai: “João, seu filho é muito inteligente para passar a vida tirando medidas, costurando ternos e fazendo barras, como eu. Ele nasceu para outra coisa. Não sei o que é, mas não é alfaiate” (ASSIS, 1997, p. 14).

Em 1929, aos 14 anos de idade, João Hansen Júnior começou a trabalhar como office- boy na Perfumaria Jasmim, de propriedade de Guilherme Urban. Nos próximos 10 anos se especializaria como guarda-livros, acumulando vasto conhecimento em assuntos fiscais e contábeis, fazendo carreira até o cargo de Gerente. Freqüentemente era convidado a colocar em dia as escritas fiscais de outras empresas, dentre elas a Albano Koerber e Cia, fabricante dos pentes de chifre de boi marca Tigre, composta por quatro sócios e três funcionários, a qual passava por sérias dificuldades (ASSIS, 1997, p. 17).

Em 02 de Janeiro de 1941, aos 25 anos de idade, João Hansen Júnior negocia a compra da Albano Koerber e Cia, auxiliado por um generoso empréstimo recebido de Guilherme Urban, dono da Perfumaria Jasmim onde trabalhava, que complementaria o capital necessário para efetivar a transação (ASSIS, 1997, p. 18).

Apesar das dificuldades iniciais e da modesta rentabilidade, a empresa cresceu gradativamente. Em novembro do mesmo ano já empregava 23 funcionários (ASSIS, 1997, p. 18):

Pagar em dia esses funcionários era um compromisso sagrado para o jovem patrão. Mas nem sempre havia dinheiro. Com freqüência era preciso esperar horas na fila do banco para conseguir um empréstimo, muitas vezes recusado. O jeito então era recorrer à ajuda de amigos e parentes.

A diversificação da produção veio no ano seguinte ao aceitar a sociedade com seu cunhado, Hans G. Ramminger, proprietário de uma fábrica artesanal de cachimbos, que posteriormente passaria a compor o novo mostruário da empresa, agora denominada João Hansen Júnior e Cia. Ltda.. “A demanda provocou o aumento da produção e em três anos já contava com 50 funcionários” (ASSIS, 1997, p. 23).

Observador atento às ameaças e oportunidades, João Hansen Júnior acompanhava as tendências e inovações provocadas pelo período pós-guerra, dentre elas o desenvolvimento do plástico e suas inúmeras possibilidades de aplicação. A viagem para São Paulo e Rio de Janeiro em 1945, tinha a finalidade de adquirir uma máquina injetora de plástico para confeccionar os pentes, com a qual, consolidaria o início de uma nova fase. “A partir daí novos equipamentos são adquiridos, moldes são construídos e produtos são desenvolvidos para atender uma demanda em massa” (ASSIS, 1997, p. 28). “Em janeiro de 1946, o plástico era oficialmente incorporado à razão social da empresa, que passou a chamar-se João Hansen Júnior & Cia. Ltda. – Fábrica de Pentes, Cachimbos e Artefatos de Massa Plástica Tigre” (ASSIS, 1997, p. 29).

Um trio elegante composto pelos pentes Tigre, os cachimbos Sawa e os leques Minueto, acompanhariam a revolução dos costumes na sociedade brasileira entre os anos 40 e 50.

Na década de 50, em meio a interesses políticos e econômicos o governo criou a Petrobrás, especializada na produção de refino do petróleo no Brasil, produzindo matérias primas para as nascentes empresas do ramo de fertilizantes, detergentes, tintas, resinas, pneus, tecidos e plásticos, reduzindo gradativamente as importações de produtos industrializados e insumos.

Os investimentos nas primeiras máquinas de extrusão e granuladoras ocorridos entre 1952 e 1953, permitiriam a fabricação de mangueiras de PVC flexível, espaguetes, debruns, fitas, entre outros produtos, ampliando significativamente o portfólio de produtos da então, já denominada Cia. Hansen Industrial (ASSIS, 1997, p. 36).

Ao desembarcar pela primeira vez na Europa para visitar a Feira do Plástico de Hannover em 1958, e conhecer as novidades na aplicação do plástico, foram os tubos de PVC rígido que despertaram sua atenção. “A imediata decisão em investir nessa tecnologia foi acompanhada da necessidade de conhecer os novos equipamentos e a forma de operação. Para tanto, tratou de fazer estágios em fábricas alemãs e freqüentou cursos na empresa belga Solvic & Solvay, fornecedora da matéria-prima” (ASSIS, 1997, p. 43). “Em 1958, um tubo de 200 metros de comprimento literalmente invadiu a rua Bahia, em Joinville. Os resultados das pesquisas com o PVC rígido vieram rápido” (ASSIS, 1997, p. 38).

Muito embora apresentasse inúmeros fatores favoráveis frente aos concorrentes de ferro e cerâmica, houve resistência na aceitação dos tubos de PVC e sua aplicação nas instalações hidráulicas. Convencer os consumidores foi tarefa árdua reservada à Tigre ao longo dos anos 60. Iniciaram-se então campanhas em jornais, revistas e rádio, apregoando as vantagens do revolucionário produto:

Não enferruja, não se decompõem, tem paredes lisas que evitam deposição de sedimentos, são resistentes a ácidos e álcalis. Podem ser usados em instalações químicas e sua neutralidade garante sua recomendação para a utilização em instalações de água potável (ASSIS, 1997, p. 49).

As possibilidades de aplicação em instalações hidráulicas, residenciais e prediais, sistemas de irrigação, instalações de gás e ar comprimido, drenagem de minas, entre outros, tornaria os tubos de PVC o carro chefe da empresa, revelando sua mais autêntica vocação. “Sempre tem gente nossa vendo o que se faz de novo no ramo em todo o mundo. Faz parte do negócio estar na frente ou junto com todas as novidades”, assinalou João Hansen Júnior (apud ASSIS, 1997, p. 7).

As estratégias de aproximação junto ao público consumidor e o fortalecimento da marca e da imagem dos produtos junto aos vendedores, lojistas e atacadistas, foram responsáveis pela sustentável penetração e consagração nos grandes mercados consumidores do País. “Para cativar os vendedores das lojas, no dia do aniversário de casamento a Tigre presenteava o casal com um jantar. Um táxi contratado conduzia o casal até o restaurante, onde havia uma mesa reservada, com flores e champanhe” (ASSIS, 1997, p.54).

4.1.1.1 CIPLA: a primeira subsidiária da Cia. Hansen Industrial

Aproveitando uma lei de incentivo fiscal, que facultava às empresas a reinvestir em projetos industriais, metade do imposto de renda incidente sobre lucros excedentes, a Cia.

Hansen fez surgir em setembro de 1963 a sua primeira subsidiária: Cipla (ASSIS, 1997). Assim, em 1963, a Cia. Industrial de Plásticos Cipla é inaugurada e inicia suas atividades num galpão de 800 m2 com uma máquina extrusora, uma injetora e um torno (Acervo interno – CIPLA).

Durante a década de 60, a nova empresa cresceu vigorosamente e de forma sustentada, passando dos 17 funcionários que tinha em Outubro de 1963 para 212 em Dezembro de 1969, representando um crescimento de 1.147 % em seis anos (Quadro de Pessoal CIPLA do período de Out/63 a Out/88, obtido a partir das guias do INSS da época).

A década de 70 seria marcada por fortes investimentos em instalações prediais e conseqüente ampliação da sua capacidade de produção, permitindo a absorção de novas tecnologias como sopro, rotomoldagem, injeção e cromagem, que se somariam àquela de extrusão, inicialmente utilizada.

Em 15 de maio de 1970 foi assinado contrato firmado com o “Fundec” (Fotografia do ato de assinatura do contrato - acervo da empresa CIPLA) para ampliação das instalações industriais. Dos 224 funcionários em Janeiro de 1970 passaria para 1719 ao final de 1979 (Quadro de Pessoal CIPLA do período de Jan/70 a Dez/79 – acervo da empresa), representando um crescimento no quadro de pessoal na ordem de 667%, em dez anos.

O reconhecimento do mercado não demorou a aparecer: “A Revista Exame confere este diploma a Cia. Industrial de Plásticos Cipla pelo melhor desempenho do ano no setor Plásticos e Borracha” (Certificado recebido pela Revista Exame em Setembro de 1978).

Dominando as novas tecnologias e aplicações do plástico, durante a década de 80 a Cipla consagra-se no segmento de materiais de construção, com presença marcante em diversas feiras e eventos nacionais, patrocínios (acervo fotográfico - CIPLA), tendo recebido inúmeras premiações pela expressão junto aos revendedores e clientes.

Atuando também nos setores: agrícola, produzindo peças para tratores e semeadeiras; automobilístico, fornecendo peças para automóveis e caminhões; utilidade doméstica, com linhas de produtos voltados para o lar, além de outros produtos para acabamento de eletrodomésticos. Em pouco tempo a Cipla se tornou uma das empresas líderes no seu segmento: “A Confederação Nacional dos Diretores Lojistas – CNDL tem a grata satisfação de conferir o presente Mérito Lojista 88 a Cipla – Cia. Industrial de Plásticos, com o reconhecimento de todo o comércio lojista brasileiro” (Certificado recebido pela Confederação Nacional dos Diretores Lojistas (CNDL)).

Nesse período, seu quadro de pessoal chegou a registrar 1882 funcionários em março de 1981, passando a 1172 em outubro de 1981, ocasião em que a empresa também foi afetada pela crise instalada na indústria nacional. Encerrou o ano de 1988 com 1430 funcionários.

4.2 A PRIMEIRA GRANDE TRANSFORMAÇÃO: PARTILHA DA FAMÍLIA HANSEN