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Visando atender um mercado segmentado, a partir de 1988, Luis Batschauer tratou de divisionalisar as empresas por linha de produtos: Cipla Indústria de Materiais de Construção;

Cipla Tubos, Mangueiras e Flexíveis; Cipla Indústria de Produtos do Lar Ltda., entre outras. Cada linha tornar-se-ia uma empresa autônoma com estruturas diretiva, administrativa, operacional e comercial, próprias.

Segundo Aurélio José Righetto, então Diretor da empresa, para garantir um faturamento de US$ 75 milhões até o fim de 88, viabilizar um crescimento nas vendas de 35% em 89 e transpor sem arranhões o primeiro semestre de 88, quando o movimento de vendas retraiu 30% em relação a 87, a Cipla lança mão de uma série de estratégias empresariais, até então bem sucedidas. A primeira delas foi a implantação de unidades de produção de menor porte, atendendo mercados geograficamente reduzidos, o que diminuiu custos importantes como o de transporte (Jornal A Notícia, 08.12.88).

A especialização dos recursos humanos foi um dos trunfos da empresa para consolidar a cultura de unidades de negócio na forma de divisões. Para Aldo Cadorin, então Diretor de Negócios e Investimentos, a especialização, a concentração de esforços na sua razão de ser é o grande trunfo, daí o motivo para serem empresas separadas. Em todas existia um ponto em comum: buscar o consumidor final, através de inúmeros revendedores espalhados pelo país (Acervo interno – CIPLA, 1989).

Para atender as demandas específicas de cada empresa, as áreas administrativa, financeira, recursos humanos, comercial, compras e produção, também foram reestruturadas: “Jonecir Alberto Borba, é responsável pela Administração de Pessoal da Cipla Lar e junto com ele estão João Abílio Gazaniga e Lílian Marise da Silva” (Acervo interno – CIPLA, 1989).

Segundo o especialista em estrutura de organização e estratégia de negócios, da empresa de consultoria Arthur D. Litlle, Duílio Sandano, a mudança de estratégia empresarial adotada pela Cipla não é simples de ser concretizada. Segundo ele, a maioria das indústrias brasileiras orienta-se mais para a fábrica do que para o mercado. A opção pelo mercado, conclui ele, exige a remodelação da cultura administrativa o que leva de dois a cinco anos.

Após mais um ano de intensas mudanças organizacionais e operacionais, a Cipla chega, neste Dezembro, ao fim de um período de dezoito meses do que intitulamos no Relatório da Administração 87, de virada empresarial. Em 1989 teremos três empresas no GRUPO CIPLA (Cipla Materiais de Construção, Cipla Lar e Cipla, Tubos, Mangueiras e Flexíveis) (LUIS BATSCHAUER, em entrevista ao Jornal interno Cipla Notícias, edição inaugural, Dezembro/88).

Para dirigir as novas empresas foram contratados presidentes, diretores, gerentes e supervisores, que passam a buscar melhor resultado e maior participação no mercado por

meio de estratégias próprias. Para tanto, cada empresa tratou de instalar suas filiais e escritórios de vendas por todo o Brasil. Segundo Luciano Emílio Molteni, então Vice- presidente da Cipla, em 1989 estariam consolidadas as novas empresas e incrementadas aquelas já existentes: “Iniciamos um novo ano com a Cipla se tornando um Grupo de três empresas e tendo ainda a participação conjunta de outras coligadas, como a Brakofix, Propack, Expresso Joinville, Global Informática, Plastiplus, AVC Turismo e Ciquima” (Acervo interno – CIPLA, janeiro de 1989).

4.2.2.1 Surge a Corporação HB

A Corporação HB foi constituída para gerir o conglomerado de empresas e estruturas, definir políticas corporativas, instituir controles e alinhar a cultura do grupo, sem, no entanto tolher a autonomia das empresas.

CORPORAÇÃO MODELO [...] Por trás de toda empresa bem sucedida deve haver uma mentalidade empreendedora, capaz de vislumbrar com inteligência as oportunidades de expansão. É assim que a Corporação HB vem administrando os 200 milhões de dólares de receita por ano, de seus quatro grupos de operações, seis unidades operacionais e vinte e duas unidades de negócios, visando a expansão nos mais variados campos de atuação, em mercados internos e no exterior. Tendo como funcionamento básico o conceito de pequenas e médias empresas, mantém com isso estruturas organizacionais com três a quatro níveis hierárquicos, privilegiando a agilidade na tomada de decisões. A Corporação HB não está só envolvida na execução de um objetivo, mas na concepção de um conglomerado empresarial cada vez mais empenhado no seu dinamismo, arrojada estratégia negocial, inovadora abordagem gerencial e ativa contribuição social (PERIÓDICO SUL ECONÔMICO, 29/11/89, p. 23). Observando o mercado, Luis Batschauer vê oportunidades também na prestação de serviços terceirizados, passando a atuar neste segmento por meio das empresas Imperial (Vigilância), Delta Patrimonial (Conservação e Limpeza), Laborium (Recrutamento e Seleção), Methodus (Treinamento), Ambiente Laboral (Segurança do Trabalho), entre outras que foram constituídas, tendo as empresas do grupo como seus principais clientes (acervo interno CIPLA).

Em agosto de 1989, a Corporação HB conta com um faturamento anual de US$ 200.000.000, 4.000 funcionários e organizada em 5 Grupos de Operações: Grupo Cipla, Grupo Industrie, Grupo B&B, HB Internacional e Grupo AgroHB. Além da incorporação do agro-bussines por meio das Fazendas Campanário, Baguassu, Serrinha, Alterosa e Gado Bravo, observa-se a forte tendência à diversificação dos negócios através da AVC

Restaurantes, Global Informática e Expresso Joinville. Verifica-se também a propensão à globalização, com a projeção de duas sedes internacionais, sendo uma no Uruguai com vistas ao MERCOSUL e outra em Boston/USA (acervo interno CIPLA).

Em outro momento, no ano de 1990, observa-se a Corporação HB mais definida e diversificada, agora acrescida por Churrascarias (Charruas), Casa de carnes (Braseiro Carnes), Lojas de importados (Miscellanea), Empresas de tecnologia em moldes (Iberomoldes, Blowtec, ETI) e mais uma sede internacional em Portugal (Acervo interno – CIPLA).

Em Março de 1991 a estrutura empresarial da CHB apresenta nova configuração, destacando-se o grupo Servis, atuando no segmento de artes gráficas (Multiação Propaganda, Gráfica Ministro e Master Eventos), turismo (Brastour), negócios náuticos (Brasulmar), aéreos (Brasjet) e consultorias (SV Consultorias) (acervo interno CIPLA). A figura a seguir demonstra a constituição da empresa.

Figura 2 - Estrutura empresarial da CHB (1991)

Fonte: Caderno de apresentação da Corporação HB – acervo interno; CORPORAÇÃO HB

No. de Fábricas: 19 No. de Empregados: 4.600 Área Construída: 130.000 m2

Faturamento 1990: US$ 154.564 mil LUIS BATSCHAUER

Presidente

LUCIANO EMÍLIO MOLTENI ANSELMO BATSCHAUER

Vice-Presidente Vice-Presidente

GRUPO CIPLA No. de Fábricas: 5

No. de Empregados: 1.196 Área Construída: 34.236 m2

Faturamento 1990: US$ 58.568 mil Direção: José Luiz Erédia

GRUPO NEW LAR No. de Fábricas: 2

No. de Empregados: 406 Área Construída: 12.591 m2

Faturamento 1990: US$ 21.256 mil Direção: Edgard Gonçalves GRUPO PROTEC

No. de Fábricas: 4 No. de Empregados: 1.118 Área Construída: 27.598 m2

Faturamento 1990: US$ 36.209 mil Direção: João Tarciso Pola

GRUPO INDUSTRIE No. de Fábricas: 4

No. de Empregados: 770 Área Construída: 33.367 m2

Faturamento 1990: US$ 38.531 mil Direção: Hilário Wolfgramm GRUPO AGRO HB

No. de Fazendas: 5 No. de Empregados: 125 Área Total: 82.700 HA Rebanho Bovino: 35.000 Direção: Hélio Schorr

GRUPO DELTA PATRIMONIAL No. de Estabelecimentos: 1

No. de Empregados: 98 Direção: Alonso Braga

4.2.2.2 Estratégias para fixação das novas marcas

Simultaneamente às formatações da estrutura do novo grupo empresarial, foram desenvolvidas campanhas para fixação das marcas, fortalecendo aquelas já existentes e divulgando as novas que passaram a integrar o grupo, inclusive a marca corporativa, com forte presença em feiras e eventos do setor, patrocínios e ações sociais. A política de endomarketing e aproximação com os funcionários promoveram inúmeros eventos sociais.

Em Outubro/88 a empresa brinda seus funcionários, patrocinando mais de dez ônibus para levá-los a Oktoberfest, em Blumenau/SC, com direito a ingressos, camisetas, botons e chopp (Jornal A Notícia, 22.11.89).

As ações da Corporação HB também acontecem na área de esporte por meio do incentivo, reconhecimento e investimento em funcionários dedicados à prática:

A Cipla vem dedicando total apoio e patrocínio aos seus funcionários esportistas e estes vem proporcionando um excelente desempenho durante as competições. As equipes apoiadas pela Cipla vêm treinando e realizando medalhas como aconteceu no último circuito Oceano de São Francisco do Sul com o voleibol feminino que conquistou o vice-campeonato e pretende neste ano ser campeão. No futebol de salão, a Cipla também tem obtido bons resultados e promete melhorá-los, principalmente com a mais recente contratação - Barriga, ex-técnico do Grêmio Weber (Jornal A Notícia, 7/10/88, p. 10).

Em 1989, Luis Batschauer é homenageado pela Associação dos Administradores de Pessoal de Joinville (AAPEJ) como empresário do ano, em reconhecimento ao espírito empreendedor e à política de recursos humanos praticada pela Corporação HB (Acervo interno – CIPLA, 1989).

As inúmeras ações voltadas à área cultural acontecem em forma de patrocínio a artistas plásticos, que auxiliam na projeção e consolidação da marca corporativa em suas exposições, como foi o caso do contemporâneo Luiz Henrique Schwanke: “Parque Lage começa a mostrar a arte concreta de Schwanke [...] Todo material utilizado por Schwanke foi patrocinado pela Cipla e Corporação HB” (Jornal A Notícia, 1989).

Outros investimentos acontecem na área cultural por meio da aquisição de inúmeras obras do artista plástico Mário Avancini: “O futebol inspira a arte do escultor Mário Avancini. Atualmente Avancini tem um contrato de expansividade com o Grupo Cipla, que possui cerca de dois mil trabalhos do artista” (Acervo interno – CIPLA, 1990).

Em Janeiro de 1990, as estratégias do grupo empresarial projetam crescimento e expansão significativos no período de dois anos, conforme entrevista de Luis Batschauer ao Jornal Diário Catarinense:

Cipla inova e dobra faturamento [...] Marca registrada no setor de plásticos, a empresa realizou mudanças administrativas para atingir também outros mercados [...] Batschauer salienta também que os anos de 1990 e 1991 serão para o grupo Cipla um período de consolidação, adaptação ao novo sistema administrativo e estruturação de bases para um grande crescimento do grupo que deve ocorrer em 1992. Este crescimento está relacionado diretamente com a ampliação do parque fabril, já que o grupo Cipla não pretende ficar restrito ao setor de plásticos. “A empresa vai diversificar em termos de produção, principalmente na construção civil. Artigos em cerâmica, louças sanitárias, artigos de metais, alumínio e madeira são também itens projetados para entrar na linha de produção da Cipla nos próximos anos (SANTOS, 19.90, p. 10).

“Visando estruturar tecnologicamente as empresas do grupo para o crescimento anunciado, a Corporação HB constitui e organiza um grupo de operações denominado Tecnologic” (LUIS BATSCHAUER, em entrevista ao Jornal do Centro dos Engenheiros e Arquitetos de Joinville (CEAJ), 1990, p. 04).

A imprensa noticia o surgimento da Corporação HB, classificando-a “como um dos maiores grupos transformadores de plásticos do Brasil” (Brasil Sul, 1990, p. 14).