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Chapter 6. Community forestry and REDD+ pilot project

6.3. Challenges of implementing and running the pilot project

6.3.4. Opportunity costs

As atividades pedagógicas do Projeto UCCC incluem a realização semanal de reuniões de planejamento e avaliação. Em 2014 essas reuniões aconteceram às segundas- feiras das 9h às 12h na sala do Projeto. Participaram dessas reuniões a coordenadora pedagógica, a assessora artística e os monitores. Os assuntos abordados eram organizados em uma pauta de reunião, elaborada pela coordenadora pedagógica e monitora, Oleide. A pauta da reunião, além de direcionar os assuntos a serem discutidos servia de registro das atividades do Projeto sendo utilizada nos documentos e relatórios apresentados na prestação de contas ao PROMIC. A maior parte da reunião é dedicada ao planejamento dos ensaios, além de envolver a avaliação dos ensaios da última semana, a discussão sobre detalhes pedagógicos e encaminhamentos do repertório.

A monitora Tatiane explica que o planejamento dos ensaios é feito em conjunto. Os monitores compartilham como foi o ensaio durante a semana e de acordo com o repertório elabora-se os exercícios, as atividades e a sua sequência. Tatiane enfatiza que “é dada uma importância muito grande nesse planejamento, por isso que é coletivo”, sendo que todos os participantes tem a oportunidade de apresentar ideias, mesmo que não sejam acatadas (Entrevista, M. Tatiane, 07/04/2014). A monitora Carla completa o pensamento de Tatiane quando afirma que cada monitor coopera com sugestões, contribuindo com ideias de atividades para a elaboração do planejamento (Entrevista, M. Carla, 10/04/2014). A assessora artística, Lucy, salienta que:

Durante três horas, todas as semanas, nós sentamos, a equipe toda e vamos discutir formas de realizar o repertório, avaliar o que foi feito na semana anterior de ensaios e o que tem que ser alterado de procedimento. Vamos definir que estratégias [...] vamos usar tanto em relação, às vezes, aos conteúdos musicais, a disciplina. Muitas vezes a gente tem que parar e tentar achar uma forma de resolver problemas disciplinares dentro de determinada Escola. Então, as reuniões são também para isso, para fazer avaliações, fazer o planejamento das semanas posteriores e definir as estratégias. E também tudo o que a gente precisar de metodologia, de material que a gente vai usar depois nos ensaios é definido [...] nessas reuniões. A gente acha fundamental que todo mundo esteja presente, [...] participe, traga os problemas, proponha, se tiver sugestão de repertório ou algumas ideias [...]. Algumas vezes, [...] mais raramente, [...] a gente acha tempo também de estudar um pouco e fazer alguma leitura, algum comentário, discutir algum assunto ou trabalhar um pouquinho técnicas de regência (Entrevista, Ass.Art. Lucy, 01/04/2014).

O acompanhamento das reuniões demonstrou que o planejamento dos ensaios não seguia uma sequencia fixa ou rígida. Em algumas reuniões foi possível observar que a sua

elaboração partiu do repertório, que forneceu os dados para a elaboração dos vocalizes e exercícios de respiração, por exemplo, enquanto que em outras reuniões o planejamento iniciou-se com a escolha de atividades voltadas para a concentração e atenção. Basicamente, o planejamento é organizado em quatro partes, relaxamento, respiração, vocalize e repertório.

O relaxamento caracteriza-se pela proposição de atividades que abrangem o alongamento do corpo e a busca pela consciêncial corporal, bem como jogos para acalmar. Todavia, o termo “relaxamento” na concepção dos educadores do Projeto abrange jogos e atividades que objetivam o estímulo da atenção e da concentração, instigando uma postura de prontidão. No quarto ensaio do primeiro semestre, o texto do planejamento trazia “relaxamento: significa estado de prontidão/concentração” (Pesquisa documental, Planejamento dos ensaios, 4ª aula – 1º semestre/2014), evidenciando a dupla função dessa parte do ensaio.

O acompanhamento das reuniões de planejamento e dos ensaios, demonstrou que, de maneira geral, essa parte do ensaio também dedicava-se a exploração de diferentes estruturas musicais pertencentes ao repertório escolhido. No primeiro ensaio do ano, por exemplo, os educadores planejaram para o relaxamento a exploração de uma saudação presente na canção “Funga Alafia”. No planejamento constava que os monitores deveriam brincar com os textos da canção incluindo os nomes de alunos:

Relaxamento:

Saudação com o Funga Alafia. Fazer a brincadeira dos nomes com os intervalos, notas repetidas.

Com os meus pensamentos, saúdo você (Nome da criança) Com o meu coração, saúdo você (Nome da criança)

Olhe! Eu não escondo nada (Pesquisa documental, Planejamento dos

ensaios, 1ª aula – 1º semestre/2014).

O décimo ensaio, trazia na parte do relaxamento a exploração dos gestos da canção “La Bella Polenta,”. De maneira lúdica e dinâmica os monitores deveriam mostrar e ensinar os gestos de cada uma das estrofes da canção. No ensaio seguinte, o relaxamento sugeria a fixação desses gestos de acordo com a sequência do texto na canção. Na maioria dos ensaios observados o relaxamento foi a primeira parte do planejamento executada, todavia, dependendo do comportamento dos alunos, as atividades elaboradas para essa parte do ensaio poderiam ser transferidas para um outro momento.

A monitora Élbia, professora cedida pela Secretaria Municipal de Educação, era responsável por digitar e editar as pautas de reunião e os planejamentos dos ensaios. Assim,

Relaxamento: Firmar os gestos começando da nossa esquerda para a nossa direita (espelho para os alunos) com quiálteras, dando um efeito visual. Meia palma, na altura da cintura, um semicírculo. Movimento pequeno, a mão com os dedos abertos na frente do rosto para terminar. Hey oh hey – partitura Copa 2014 – última página (Pesquisa documental, Planejamento dos ensaios, 3ª aula – 1º semestre/2014).

A respiração, segunda parte do ensaio, era organizada com exercícios que visavam o controle de entrada e saída de ar. De maneira geral, os alunos eram solicitados a expirar todo o ar, inspirar e expirar novamente, mas de forma induzida. Para que a expiração do ar acontecesse de maneira controlada, os monitores utilizavam de alguns recursos como exercícios com contagem no qual os alunos deveriam expirar contando de 1 a 10, falando os nomes dos dias da semana, meses do ano ou frases de determinadas canções. Nesses exercícios os monitores exploravam diferentes alturas, partindo geralmente da voz falada para a voz cantada. Os exercícios de respiração também incluíam a expiração utilizando-se de consoantes como “s” ou “x”. A leitura e análise de planejamentos elaborados em anos anteriores demonstraram que, às vezes, os exercícios de respiração eram planejados em um contexto de estória, no qual os alunos eram direcionados a imaginar que precisavam encher o pneu de uma bicicleta, explorando a expiração com “x” (imitando o som de uma bombinha de encher pneus) ou espirrar inseticida na mosca utilizando o som de “s” (imitando o som de uma lata de spray).

A parte do ensaio reservada para o vocalize iniciava-se com a exploração de glissandos do agudo para o grave e vice-versa. Esses glissandos eram executados com a vibração dos lábios, da língua ou então com a utilização de vogais. Algumas parlendas, quadrinhas e trava-línguas também eram utilizadas, no qual os alunos passavam pelo processo de falar, entoar e depois cantar. Os monitores executavam e os alunos imitavam. Geralmente as parlendas e quadrinhas eram exploradas com intervalos de terça menor e com o apoio do teclado, os exercícios abrangiam a extensão vocal infantil mudando de tonalidades cromaticamente tanto para o agudo quanto para o grave. Todos os exercícios vocais, com alturas definidas, objetivavam a colocação da voz e a ampliação da extensão vocal, sendo executados principalmente entre o si2 e o sol4. A parlenda transcrita e apresentada abaixo foi utilizada no primeiro ensaio do ano de 2014 e demonstra uma das possibilidades exploradas:

Um procedimento utilizado como vocalize abrangia a execução dos nomes dos alunos. Os monitores olhavam os nomes nos crachás e criavam motivos melódicos para que em seguida os alunos reproduzissem. A utilização dos crachás ocorria devido o grande

número de alunos atendidos em cada Escola16 o que facilitava, para os monitores, a

identificação e memorização dos nomes dos alunos participantes. Outra possibilidade consistia na antecipação de trechos do repertório com dificuldades técnicas específicas como, por exemplo, os saltos de um trecho da canção “Goool”, inserida na peça “Futebol”. Os monitores trabalharam o fragmento melódico com a letra da canção e depois substituindo a letra por sílabas como “vi”, “du”, “bom”, entre outras, explorando ainda diferentes articulações como staccato e legato. Na exploração de um fragmento como esse, com a articulação staccato, os monitores associavam movimentos corporais. Para cada altura executada, os alunos deveriam executar movimentos firmes e diretos com as mãos, que lembravam golpes de karatê no ar.

FIGURA 3 – Fragmento de peça trabalhada no vocalize.

Em alguns planejamentos, os monitores incluíam exercícios que trabalhassem habilidades técnicas como a ressonância e a projeção. Nesses exercícios, os alunos eram solicitados a colocar as mãos na cabeça, na nuca, no pescoço ou no rosto procurando sentir as vibrações do som enquanto executavam notas repetidas com sílabas específicas.

FIGURA 4 – Exemplo de exercício vocal: ressonância e projeção.

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Quantidade de alunos atendidos em cada Escola na primeira semana de ensaios: E.M.G2: 60 alunos; E.M.B1: 144 alunos; E.M.H2: 85 alunos; E.M.C1: 68; E.M.J2: 80; E.M.D1: 80; E.M.L1: 84; E.M.F2: 68; E.M.N2: 82; E.M. P2: 64; E.M.Q2: 60.

A manossolfa17 também apresentava-se como um recurso utilizado no momento do vocalize em que o pentacorde de quinta descendente era explorado por meio do solfejo ou com o uso de diferentes sílabas e vogais, em diversas tonalidades e explorando regiões graves e agudas da voz infantil. Nas execuções do pentacorde descendente, os monitores buscavam uma sonoridade leve, mas ao mesmo tempo com energia, evitando a perda de volume conforme os alunos cantavam as alturas mais graves.

FIGURA 5 – Pentacorde maior descendente e manossolfa utilizado no vocalize.

A quarta parte do ensaio era dedicada ao repertório propriamente dito. Em um processo acumulativo, os monitores planejavam semanalmente quais trechos das canções deveriam ser trabalhados. Nas reuniões de planejamento, após o relato e avaliação do que foi possível trabalhar na semana anterior, os monitores listavam o que poderia ser explorado, visando a aprendizagem de algo novo ou a fixação do que havia sido ensinado no último encontro com os alunos. Conforme os monitores discutiam o que deveria ser desenvolvido, a monitora Élbia fazia as anotações, como no exemplo apresentado abaixo, do quarto ensaio do primeiro semestre de 2014:

Repertório:

1. Futebol – firmar o final e as frases faladas, bem articuladas (ritmo). 2. Trenzinho Capira – 1ª parte compasso 1 ao 1º com outras sílabas. 3. Canção Dó, Ré, Mi – na forma.

4. Funga Alafia – tocar percussão 3 pulsos, no 4º entra / Trabalhar na forma cuidando com os movimentos [...].

5. Tallis’s – firmar a letra bem articulado na 1ª frase. Ler a 2ª frase. Já firmar sem o piano.

6. Sorveteiro – trabalhar a pulsação do compasso quinário em diferentes parte do corpo.

7. Zum Gali Gali – trabalhar a letra da 1ª e 2ª estrofes cuidando da pronúncia e fraseado. Trabalhar a 3ª letra. Fazer duas vezes cada letra.

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De acordo com Silva, W. (2011), a manossolfa é uma sequência de gestos musicais utilizada na aprendizagem de alturas, sendo que cada altura possui um gesto correspondente.

8. Filhote do Filhote – firmar as duas primeiras frases e trabalhar mais duas. Articular as palavras. Cuidar do “cachoeira, rio, riacho” (não escorregar) (Pesquisa documental, Planejamento dos ensaios, 4ª aula – 1º semestre/2014).

Observa-se que o planejamento dos ensaios organizado em quatro partes não excluia a compreensão do todo e nem a execução de atividades desconectadas do contexto das peças e dos conteúdos a serem trabalhados. Os educadores do Projeto traziam concepções voltadas para atividades que favoreciam a aprendizagem do repertório imbricado a vivência de características estruturais da música que seriam úteis no momento da execução vocal como a projeção, a ressonância e o controle de entrada e de saída de ar, entre diversos outros.