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Opportunities and challenges with physical retail and digital retail

7.1. Synergy effects at the intersection between physical and digital

7.1.1. Opportunities and challenges with physical retail and digital retail

Teoricamente qualquer tipo de espaço pode ser objecto de análises sintácticas. Torna-se, por esse motivo, particularmente relevante definir as ‘entidades espaciais’, porque é nelas que o corpo teórico está contido. No contexto desta teoria existem basicamente três formas de definir o espaço: pela sua convexidade, axialidade e isovista (Figura 3.5). Todos eles se baseiam no potencial social, definido por meio de conceitos como co-presença e acessibilidade (Hilier e Hanson 1984).

Figura 3.5 - Espaço Convexo, linha axial e isovista tal como estes são entendidos pela sintaxe espacial (Karimi 2012).

a) Espaço convexo

Os espaços convexos são extensões de duas dimensões e compreendem o menor conjunto de espaços ‘gordos’ (os maiores espaços possíveis) que podem cobrir a totalidade de um sistema. A definição matemática de convexidade é que “nenhuma

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linha pode ser traçada entre quaisquer dois pontos do espaço que passe para fora dele” (Hillier e Hanson 1984: 97). Importa reter, que a possibilidade de movimentarmo-nos em linha recta entre quaisquer pontos dentro de um mesmo espaço convexo confere às pessoas que estão nele, a noção de que se encontram num dado lugar. Como se exemplifica na Figura 3.6, este pode ser uma praça, um trecho de rua ou outro, onde por esse mesmo motivo a possibilidade de co-presença é potencialmente maior. Os espaços convexos podem assim ser entendidos por representar os constituintes locais. As analogias com o conceito de espaço positivo de Christopher Alexander são assinaláveis. Segundo este autor um espaço é positivo quando tem uma forma distinta e coerente e quando a sua forma é tão importante como a dos edifícios que a circundam35 (1977: 518). Provém deste conceito, a relevância de entender a constituição do espaço como uma importante propriedade no contexto de sintaxe espacial.

Figura 3.6 - Espaço convexo e espaço não convexo (Alexander et al. 1977).

b) Linha axial

Se o mapa de espaços convexos permite representar o sistema espacial como um conjunto de espaços de duas dimensões, o mapa de espaços axiais ou mapa linear possibilita a sua decomposição em unidades de uma dimensão denominadas de linhas axiais. Portanto, um mapa axial do espaço aberto será o menor número de linhas

35 Por seu turno um espaço é negativo quando os edifícios estão colocados de tal modo que o espaço resultante é apenas residual. Segundo este autor estes dois tipos de espaço têm planos geométricos completamente distintos (Alexander et al. 1977).

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rectas que atravessam todos os espaços convexos (Figura 3.5). Deste modo, o mapa axial procura o sentido de deslocação das pessoas no espaço, procurando os constituintes globais de um sistema.

De acordo com David Seamon (1994: 40), do ponto de vista fenomenológico os espaços convexos relacionam-se frequentemente com a experiência de um espaço local, um lugar de eventos ou de permanência. Ruas longas e estreitas possuem convexidade e podem ter um sentido de lugar, mas a sua dimensão e forma axial remete-a para a circulação e movimento e portanto para a escala global do assentamento urbano.

A pesquisa em torno do entendimento de como o edifício circunscreve o espaço convexo e se relaciona com esse espaço em termos de movimento e potencial de encontro, conduziu Hillier e Hanson a desenvolver aquilo que designaram como mapa de interface, que usa linhas e pontos para identificar a relação espacial entre entradas dos edifícios e os espaços convexos. Estes mapas têm grande relevância para compreender o grau de constituição de um espaço, isto é, o quanto ele é directamente adjacente e permeável com respeito às entradas dos edifícios que o envolvem. O conceito de ‘espaço positivo’ atrás referido mostra analogias com a noção de espaço constituído, que se relaciona assim no modo como os edifícios constituem o espaço e mais concretamente em perceber se a articulação das suas entradas com os espaços convexos e axiais é directa ou não (Hillier et al. 1984: 92).

c) Isovista

A isovista representa a terceira entidade em sintaxe espacial, e representa a quantidade de espaço que pode ser visto a partir de um certo ponto (Figura 3.5). Ou seja, que informações visuais um dado observador pode retirar de um espaço configuracional ou delimitado. A forma de descrever esta informação visual é através da construção de um polígono, delineando a área visível para um observador nessa posição (Bafna 2003: 26).

Estas três entidades que descrevem o espaço aberto são posteriormente combinadas em sistemas de grafos, a partir dos quais se procedem às análises

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configuracionais através de software próprio desenvolvido pelo laboratório Space Syntax na University College, nomeadamente o Depthmap. Os resultados daí obtidos são comparados com as observações empíricas, com respeito a comportamentos e movimentos no espaço.

d) Grafo justificado

O grafo justificado, como já se referiu por diversas vezes, está na base de toda a representação e compreensão da teoria da sintaxe espacial. Este constitui um importante recurso da matemática discreta para modelar, analisar e sintetizar informação sobre as mais diversas áreas desde a economia, às redes sociais, até à análise do espaço como conteúdo de relações sociais.

Figura 3.7 - Grafo justificado de uma habitação em Trás dos Montes de Raul Lino ( 1933)

Importa dar alguma atenção ao problema metodológico de reduzir um sistema (edifício ou espaço urbano) a um grafo justificado. No mapa justificado, o espaço de entrada é colocado na base do grafo (origem), a partir do qual são representados todos os espaços directamente acessíveis através dele, isto é, com profundidade 1 são dispostos horizontalmente acima, em seguida todos os espaços de profundidade 2 e

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por aí adiante, até se chegar a todos os espaços do sistema. Na Figura 3.7 à esquerda podemos observar a rede de conexões dos diversos compartimentos de uma planta de habitação. À direita observámos o grafo justificado correspondente aos diversos níveis de profundidade. Nele observa-se a representação visual da profundidade, ou seja, o quanto um compartimento é mais profundo ou raso atendendo ao número de conexões, bem como a sua posição no sistema de compartimentos.

Tendo como base o grafo justificado pode calcular-se matematicamente a profundidade, a qual é identificada como profundidade média (mean depth) de cada espaço relativamente a todos os outros do sistema. O cálculo funciona da seguinte forma: é atribuído o valor de profundidade média a cada espaço, tendo em atenção o número de espaços que está afastado do espaço original (entrada). Somam-se os valores e divide-se pelo número de espaços no sistema menos um (o espaço original) (Hillier & Hanson 1984: 108). Na prática, a menor profundidade existe quando todos os espaços estão directamente conectados com o espaço original e o mais profundo sucede-se quando todos os espaços estão organizados numa sequência linear afastada do espaço original, o que significa que um espaço adicional no sistema acrescenta mais um nível de profundidade. Neste caso estaríamos face a uma estrutura em forma de árvore, ou assimétrica, dado que um espaço só pode ser profundo em relação a todos os outros se, como refere Hillier e Hanson, for necessário passar por uma série de espaços intervenientes para chegar até ele (1984).

Para completar a descrição dos grafos justificados importa ter-se uma ideia dos valores e o significado implicado. O valor de profundidade média (MD) confere valores entre 0 e 1: valores baixos indicam um espaço a partir do qual o sistema é raso, por outras palavras é um espaço que por regra integra o sistema; por seu turno, valores elevados significam um espaço que tende a ser segregado do sistema (Hillier e Hanson 1984). Por outras palavras, uma assimetria relativa baixa significa integração elevada e vice-versa.

Alguns aspectos teóricos da análise resultantes dos grafos foram mencionados anteriormente, como as relações entre os espaços quanto a hierarquia, controlo e como a configuração contém traços de relações sociais implícitas. Constatou-se que a natureza destas análises é independente de indicadores métricos, ou seja, que se

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centram mais sobre as relações topológicas do espaço e sobre as suas várias unidades discretas. E que os resultados permitem comparações descritivas mais rigorosas e “objectivas” de diferentes formas urbanas, conduzindo a um entendimento de que as diferenças são geradas e incorporadas formal e estruturalmente por diferentes propósitos sociais (Hillier e Hanson 1984: 94).

Segundo Bill Hillier (1996: 249-251), os espaços de um grafo podem ser divididos em quatro tipos ‘a’, ‘b’, ‘c’ ou ‘d’, que têm as seguintes características topológicas, consoante as seguintes situações:

Primeiro, existem grafos com uma ligação simples ‘a’, assinalado a azul na Figura 3.7. Estes são por definição espaços sem saída, através dos quais o movimento não tem sequência. Estes espaços apenas apresentam movimentos para e a partir deles próprios e são pela sua própria natureza topológica espaços apenas de ocupação.

Segundo, existem espaços com mais do que uma conexão, mas que fazem parte de um sub-complexo no qual o número de ligações é menor do que o número de espaços. Estes espaços não podem ser espaços sem saída, mas situam-se numa posição a caminho e retorno de pelo menos um espaço sem saída. Este espaço é identificado como ‘b’, assinalado a verde na Figura 3.7. O movimento através de cada espaço constituinte será apenas de destino ou retorno de um espaço específico ou série de espaços. Tal significa num trajecto de movimento de um espaço de origem para um espaço de destino que se passe por um espaço ‘b’, que no retorno se tenha que passar de novo pelo mesmo espaço. Em Alvalade, os impasses revelam numerosos tipos de espaços deste tipo topológico.

Terceiro, existem espaços com mais de uma ligação que fazem parte de um sub-complexo conectado, que não contém nem espaços ‘a’ nem ‘b’, no qual existem o mesmo número de ligações que espaços. Este espaço é identificado como ‘c’, assinalado a amarelo na Figura 3.7. Movimento a partir de um espaço ‘c’ através de um vizinho não necessita de voltar pelo mesmo vizinho, mas tem que voltar por um outro vizinho. Tem somente duas hipóteses que se reduzem ao número de espaços e ligações disponíveis.

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Por último, os espaços ‘d’, a vermelho na Figura 3.7, apresentam mais de duas conexões e fazem parte de complexos que não contém espaços ‘a’ nem ‘b’ e que devem conter pelo menos dois anéis (rings), que tenham pelo menos um espaço em comum. Neste tipo de espaços existe sempre a possibilidade de escolha de diferentes percursos em ambas as direcções.

Resulta destes quatro tipos topológicos que o espaços tipo ‘b’ e até um certo ponto o espaço ‘c’ são aqueles que tem uma relação mais condicionadora sobre o movimento, por comparação com os espaço ‘a’ e ‘d’. O tipo ‘a’ não permite movimento a partir dele, sendo que ‘d’ permite escolha no movimento, o tipo ‘b’ e ‘c’ permitem mas, como refere Bill Hillier restringem-no a percursos ligados a sequências específicas de espaços (1996: 253). O tipo ‘b’ é o mais constrangido. Para qualquer percurso origem-destino, cada espaço ‘b’ oferece exactamente o mesmo percurso num sentido e no sentido inverso, como se viu. Esta situação pode conduzir a efeitos de segregação em termos sociais.