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Norsk arbeidstid i et internasjonalt perspektiv

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5. Norsk arbeidstid i et internasjonalt perspektiv

A literatura romântica, que tantas vezes se gabava de ser mais nacional e mais nacionalista do que o Classicismo, constituiu, no entanto, o movimento literário mais internacional de quantos a Europa até então tinha visto. [...] O romance histórico à maneira de Scott, o poema narrativo à maneira de Byron, o teatro à maneira de Hugo aboliram todas as fronteiras literárias. E aqueles elementos nacionais combinaram-se, criando os tipos de literatura romântica internacional. (CARPEAUX, 2012. p. 1433)

A internacionalização da literatura romântica também correspondeu a uma massificação da literatura na Europa e nos Estados Unidos. Não de toda ela, é óbvio; mas de um tipo específico de novelas e contos, um “subgênero” do Romantismo denominado Gótico, que animou para todo sempre as personagens vampirescas.

Mais do que isso, os vampiros, da forma como são conhecidos hoje, são fruto desse movimento literário que levantava canetas e pincéis contra a estética clássica e que era o retrato de uma Europa sentimental e melancólica do século XVIII.

Se o Romantismo primava pelo macabro, pelo terrificante, pelo desordenado e pelo estranho (PRAZ, 1996), então o Gótico o complementa agregando a tristeza, a decadência, a angústia e o sombrio a essa atmosfera grotesca de morte e beleza.

Na primeira etapa deste estudo, foi abordado o Romantismo no âmbito da pintura e o flerte das figuras de Deus e do Diabo com o sombrio e sobrenatural nas telas oriundas desse período. Nas letras, o sobrenatural, o sombrio e a melancolia também apareceram, derivados do Gótico, um tipo de literatura fantasmagórica que deu origem ao gênero horror no formato atual, tanto nas narrativas literárias quanto nas cinematográficas.

Talvez, até hoje, nenhum outro movimento artístico tenha tido um começo tão difuso e, portanto, de tão difícil precisão quanto o Romantismo, sendo infrutíferas as tentativas de discernir, entre tantos eventos importantes, qual deu origem à corrente que marcou irremediavelmente a literatura, principalmente, da Alemanha, da Inglaterra, da França e, posteriormente, dos Estados Unidos.

Entretanto, o Pré-Romantismo é um período bem definido marcado por derivações do sturm un drang, movimento alemão ao qual a força de Goethe pertencia, além de contar com manifestações inglesas, como o sentimentalismo de Samuel Richardson e a beleza poética de William Wordsworth e Samuel Taylor Coleridge, estes dois, os precursores do estilo na Inglaterra.

Apesar de não haver, na França, um Pré-Romantismo forte, é em função do que lá se produzia em termos de discurso literário que o Romantismo firmou-se como movimento nos três países europeus. Jean-Jacques Rousseau, aceito pelos historiadores literários a influência mais plausível para a virada definitiva do Pré- Romantismo para o Romantismo, era um plebeu que via a sociedade pela ótica otimista em relação à prosperidade política e social, mas que se derrubava em pensamentos melancólicos: “(...) a melancolia dos literatos boêmios, retirados da

sociedade aristocrática e, no futuro, excluídos da sociedade burguesa”,

(CARPEAUX, 2012. p. 1111).

O Pré-Romantismo constituiu a primeira potência literária da Europa, que desejava o passado e rejeitava o futuro, muito porque temia a vitalidade excessiva das cidades urbanizadas, a extravagante automação do ser humano e das relações de trabalho, bem como o “utilitarismo” (CARPEAUX, 2012) exagerado que impregnava a Europa do século XVIII. Era um movimento de rejeição da burguesia aristocrática oriunda da Revolução Industrial. Tudo isso envolvido por uma aura de sentimentalismo.

O Pré-Romantismo é um fenômeno muito bem definido: uma nova sensibilidade poética, mais íntima da natureza, inclinações religiosas e místicas, sentimentalismo, revolta contra as convenções estéticas do Classicismo, gosto pela poesia popular e primitiva – enfim, uma mentalidade que oscila entre tristeza melancólica e protesto revolucionário. (CARPEAUX, 2012. p. 1097)

Na pauta contra as referências clássicas e contra os costumes que perduravam na Europa, incluindo os religiosos, o Pré-Romantismo, e, posteriormente, o Romantismo, definiram-se pelo conflito entre sentimento e razão, privilegiando sempre os valores coletivos e democráticos em vez da razão individual. Esse foi um movimento que rumou ao contrário das transformações que vinham sendo impostas pela urbanização e pela industrialização da

sociedade. Tratava-se de manter uma visão melancólica e saudosista de um passado idealizado. Foi assim que o Romantismo aproximou-se da Idade Média.

Já no Romantismo propriamente dito, a melancolia e um certo comportamento decadente desaguam em uma estética do belo-horrível, justamente em contraposição à estética clássica. Naquele momento, Grotesco e Sublime imiscuíam-se, prazer e dor deleitavam-se juntos em orgias e loucuras e, aquilo, que no Clássico era horrível e repugnante, decadente e triste, passou a suscitar um sentimento de regozijo, ante a beleza do flagelo e do decaído.

Dir-se-ia que pela boca de Fausto fala todo o romantismo. Essa cabeça de mulher condenada pelos olhos vítreos, essa horrível e fascinante Medusa, será objeto de amor tenebroso dos românticos e decadentes por todo o século. Para os românticos, a beleza recebe realce mesmo daquelas coisas que parecem contradizê-la: coisas horrendas; é beleza tanto mais apreciada quanto mais triste e dolente. (PRAZ, 1996. p. 45)

Mas qual a importância da relação do Romantismo com a Idade Média e a constituição de uma estética do belo-horrível, contra o Classicismo? O fato é que esses fatores insólitos levaram ao Gótico literário e, consequentemente, às criaturas vampirescas, forjadas a partir desses ideais artísticos e filosóficos. A explanação sobre esses fatos será a seguir.

O romance Gótico caracterizou-se por ser uma literatura feita por intelectuais para o deleite das massas. Independente de ter sido um movimento genuíno ou fabricado, o Gótico extrapolou qualquer expectativa de sucesso, tornando-se um estilo voltado, desde o começo, para o entretenimento. Essa vocação do Gótico para a recreação confirma-se ainda hoje nos materiais derivados do gênero.

O primeiro romance da literatura Gótica é datado de 1764, escrito pelo aristocrata inglês Horace Walpole e intitulado O Castelo de Otranto, que conta a história de um homem que enfrenta maldições em um antigo castelo. Horace Walpole condensou, nessa literatura de estreia, os recursos que vinham sendo empregados em poesias e contos anteriores, como em uma tentativa de ligar o sobrenatural e o mistério dos castelos medievais com a estética grotesca e sombria, que vinham surgindo em uma tendência literária. O resultado foi importante. Já nesse primeiro romance, as principais características do romance

gótico foram contempladas, podendo ser somente melhoradas com os inúmeros romances que se seguiram.

O Gótico é a literatura dos castelos antigos e da Europa Medieval; é também o estilo da atmosfera sombria, da decadência, dos fantasmas e aparições. Encontra-se ainda nessa literatura, o mistério e a tendência inquestionável ao horror sobrenatural. Efetivamente, essa era a combinação perfeita para um público semiculto que carecia de ferramentas para a distração. Não há como ignorar a presença da religião como elemento de horror nas novelas góticas, especialmente os rituais e símbolos católicos, as catedrais e os eclesiásticos.

O medievalismo dos literatos românticos era espetacular e pitoresco, mero expediente para impressionar leitores ingênuos. A origem racionalista dessa imagem deturpada da Idade Média aparece claramente no papel sinistro que os monges desempenham; a Inquisição, com seus terrores horripilantes, é apresentada como instituição tipicamente medieval. Castelos mal assombrados, com quartos misteriosamente fechados e adegas horríveis, quadros de antepassados que começam a falar, armaduras que se mexem – todo esse ‘romantismo de objetos’, que enche até hoje os produtos do romantismo baixo da literatura popular, tem origem naquele racionalismo às avessas do fim do século XVIII. (CARPEAUX, 2012. p. 1162)

As novelas góticas convencionalmente estiveram divididas em duas escolas: a do terror e a do horror (BLOOM, 2010). Enquanto a escola do terror permanecia fielmente apoiada no pavoroso e no repulsivo, o horror carecia de variações, pois intentava fazer com que o leitor se amedrontasse diante do desconhecido e daquilo que se escondia nos recônditos sombrios, na catacumbas grotescas ou do que acontecia em encontros entre cadáveres com corpos violados.

Apesar das forças alemã e francesa no Romantismo, e da relevante contribuição italiana e espanhola para o movimento, o gótico apresentou-se como uma peculiaridade inglesa que ansiava pela liberdade de amar e de viver, independente das imposições políticas e sociais. Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade eram genuinamente franceses, mas, enquanto encaravam esses dogmas sob a ótica da política e do coletivismo, os ingleses desejavam a liberdade como indivíduo, uma espécie de sentimento de contracultura, irritantemente colocado contra a burguesia e a aristocracia.

Da frutífera fase do gótico inglês do século XVIII, surge a figura do poeta Lord Byron, um epítome da essência e dos ideais góticos. Sua contribuição literária foi

de certo modo, abafada pelo estilo de vida do poeta, que levava a cabo a noção de liberdade individual idealizada pelos artistas do movimento.

De início, a repercussão de Byron foi diferente na Inglaterra e na Europa continental. Os ingleses assustaram-se da ‘depravação moral’ do Lord, contra o qual se levantou uma verdadeira revolta do notório cant inglês [...]”. (CARPEAUX, 2012, p. 1593).

A repercussão de Byron na Europa foi imensa, tanto que sua compleição física e seu “way of life” foram decisivos para as personagens melancólicas e depravadas que pulularam no movimento. Em especial, Lord Byron inspirou diretamente a figura do vampiro romântico gótico, conforme será visto mais adiante. Ademais, o poeta materializou a estética do belo-horrível, convertendo o fraco e o decadente, o sem vida e o sombrio e, até certo ponto, o asqueroso, como sendo objetos de beleza, desejo e admiração. Se havia no Romantismo uma corrente de repúdio à estética Clássica, foi na imagem de Lord Byron e das personagens góticas que ele inspirou que essa antítese concretizou-se.

Byron completou a obra do Pré-Romantismo, ampliando os horizontes poéticos, conquistando as paisagens da Espanha, da Itália, da Suíça, da Grécia para a poesia que Wordsworth pretendera reduzir aos distrito dos lagos. Como aristocrata rebelde, criou um novo tipo de homem, o individualista magnífico, lançando o desafio à sociedade e até a Deus. Pela primeira vez na história, um poeta saiu para invocar o Diabo e lutar pela liberdade dos povos. Byron é o primeiro satanista e o primeiro poeta da revolução. Em epígono, criando na Europa uma nova atmosfera poética. (CARPEAUX, 2012. p. 1596)

A figura e o estilo de vida de Lord Byron, o medievalismo idealizado, a concentração em torno do mórbido e do sombrio, trouxeram à tona temas como o Duplo e o vampirismo, que por sua adequação ao estilo, tornaram-se ícones do Gótico, por sua vez, inserido no contexto do Romantismo.

É óbvio que o vampirismo não é novidade dos movimentos em questão, afinal, seres sugadores de sangue e de energia vital estão presentes em todas as culturas, incluindo as milenares mitologias orientais. Mesmo o Duplo ou espectros que refletem o Outro não são novidades, mas na literatura, os alemães dominaram o tema do Duplo com tal maestria, como poucas vezes pôde ser

testemunhado como na obra Fausto, de Goethe. De certa maneira vampiros e Duplos são parentes próximos e cabe alocá-los no mesmo grupo temático.

O vampiro pré-literário de meados do século XVIII era um ser repugnante, que dificilmente seria convidado para um jantar ou roda social: unhas compridas, barba malfeita, boca e olho esquerdo abertos, rosto vermelho e inchado, envolto em sua mortalha. (ARGEL, NETO, 2008. p. 21)

Somente a partir de uma mutação influenciada pelo movimento Romântico gótico é que o vampiro evoluiu até a criatura que se assemelha a um homem, com apelos sensuais e aristocráticos. Essa é, de fato, uma figura oriunda das manifestações literárias que, inspiradas pela imagem de Lord Byron, promoveram o horrendo vampiro folclórico ao patamar da figura bela e decadente, e, portanto, atraente e misteriosa, aos moldes dos ideais de então.

1.3.3. O Vampiro romântico gótico: a conformação da personagem através