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Nærings- og yrkesfordeling

Arbeidstid blant par av foreldre

2. Arbeid utenom ordinær dagtid, men ikke skift eller turnus

3.4. Hovedtrekk ved arbeidstidens lengde

3.4.6. Nærings- og yrkesfordeling

As Danças Macabras constituíram uma das mais importantes e populares formas de arte na Europa do século XV. Estritamente voltada para uma abordagem impetuosa e direta sobre a morte, esse tipo de expressão conseguiu reunir em imagens as três angústias mortuárias da Baixa Idade Média: o apodrecimento do corpo, a laicidade da morte e o morto que volta; tudo isso colapsado em um terrível encontro com a Morte.

De acordo com Johan Huizinga, na obra O Outono da Idade Média, a origem da expressão Danse Macabre remonta ao poeta Jean Le Fèvre, que, em 1376, afirmou: “je fis de Macabré la dance”, isto é, “eu fiz a dança de Macabré”.

Ainda, por estar o “Macabré” em letra maiúscula na expressão de Jean Le Fèvre, Huizinga considera muito provável que ele estivesse referindo-se a um nome próprio, quase certo o de Judas Macabeu, conforme levantou Jean Delumeau.

O encontro com a Morte é o aspecto determinante para a existência das Danças Macabras, afinal, as cenas gravadas em madeiras ou em papel (através da xilogravura), em tapeçarias, nas lápides ou paredes de cemitérios, deviam sempre apresentar o momento da solene e insólita reunião entre a Vida e a Morte, um instante efêmero e único que marcava os derradeiros passos do homem na Terra. Exatamente por ilustrar esses instantes finais, isto é, a “última hora”, é que essas imagens tinham a tendência indiscutivelmente macabré, ainda mais porque, na Idade Média, “a morte era o revelador metafórico do mal viver”, (VOVELLE, 1996. p. 26).

O francês Guyot Marchant’s e o alemão Hans Holbein, o Jovem, foram os artistas mais produtivos das Danças Macabras, mas a popularidade desse tipo de gravura só foi possível graças à proliferação de imagens, que percorriam a Europa em todos os formatos inerentes ao estilo8. Totentanz em alemão,

Dodendans em holandês, ainda, Dance of Death em inglês e Dança de la Muerte

em espanhol, são derivações do termo original francês Danse Macabre, que denotam o quanto as imagens povoaram a Europa de então.

A mais famosa, e também considerada a primeira edição em imagem da Dança Macabra (já que os textos precederam os desenhos), é uma xilogravura do francês Guyot Marchant, de 1485, que, inspirada em uma pintura que cobria o muro da galeria do Cemitério dos Inocentes, em Paris (um dos mais importantes em termos de arte mortuária), apresentava a laicidade da morte como a primeira e mais moralista das preocupações em torno da sua infalibilidade. A arte completa exigia que as imagens fossem acompanhadas por textos e, nesse caso, a influência veio do poema de Jean Le Fèvre, ancestral da Dança Macabra, propriamente dita.

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“No estágio atual do conhecimento, foram assinaladas na França pelo menos 80 danças macabras […]; 22 na Alemanha (mais a Alsácia, a Áustria, a Estônia e a Istria), 8 na Suíça, 6 nos Países Baixos, 22 na França, 14 na Inglaterra, 8 na Itália (do Norte). Nenhuma é anterior a 1400 – provavelmente o escrito, mais uma vez precede a imagem. Em compensação, outras 30 foram realizadas nos século XVII e XVIII e até no XI, essencialmente na Alemanha, na Áustria e na Suíça.”(DELUMEAU, 2003. p. 147)

FIGURA 30 - La Danse Macabre, Guyot Marchand - 1484.

A Morte não Perdoa Bispo nem Nobre

As vestimentas e os ornamentos que envolvem a cena são importantes para demonstrar a posição social daquele que está sendo levado, afinal as roupas na Idade Média funcionavam como um código social, moral e profissional. Destaca-se o fato de a cena estar agradavelmente repleta de flores, simbolizando uma vida justa, honesta e adaptada aos preceitos religiosos. Importante notar que a aversão pelo apodrecimento do corpo cadavérico está representada pelo buraco aparente na região do ventre do esqueleto. Ainda, o reforço da ideia de morte está arraigado na foice carregada pelo primeiro esqueleto. Mais à frente, esse código não será mais necessário, visto que o repertório interpretativo das Danças Macabras já estará difundido entre toda a sociedade.

Em casos em que há muitas pessoas na cena, o lugar ocupado por elas na procissão é determinado pela importância dos cargos e funções desempenhados em vida.

Por ordem de importância social, em primeiro lugar os que pertenciam à qualquer nível da esfera eclesiástica, depois os ricos e nobres, por último o pobre ou o homem comum

Na primeira fase das Danças Macabras, o terrível dançarino ainda era o próprio morto, uma profecia de um futuro próximo daquele em procissão. A angustiante visão de um Duplo horrendo. A própria imagem refletida, como se a pessoa estivesse de fronte a um espelho.

A morte na Dança Macabra não é representada como uma figura antropomórfica especial mas, como uma consciência macabra de si, como uma lembrança constante da tumba e dos processos naturais, considerados como parte integrante da vida, como uma confrontação do homem com sua imagem em um espelho realista (aliás, trata-se de uma época em que o espelho tem grande importância na vida cotidiana). A morte, em suma, é concebida em uma atmosfera de familiaridade e sensualidade. (RODRIGUES, 1983. p. 121)

É nesse contexto que as Danças Macabras empregavam a técnica do espelhamento, ou seja, a repetição de algum detalhe específico do elegido para caracterizar ser genuinamente um Doppelgänger.

FIGURA 32 - A Morte e o Aleijado, Matthäus Merian

o Velho - 1649. Baseado em detalhe de mural de 1440

FIGURA 33 - A Morte e a Rainha, Matthäus Merian o

Velho - 1649. Baseado em detalhe de mural de 1440

A perna amputada e a postura arcada, assim como os seios e os cabelos compridos denotam ser um desdobramento futuro daquele que está no ato da morte

Em um segundo momento, as Danças Macabras revelaram a concepção da Morte como uma Rainha que vinha pessoalmente buscar seus elegidos. Havia também casos em que alguns mortos retornavam como assistentes da Morte para realizar o serviço. Acrescenta-se aqui, então, a segunda preocupação relativa ao tema: o morto que volta. Essa questão não só tem aspecto fantasmagórico, que por si só já causa arrepios, como, também, remete ao triste destino de almas que permanecem perambulando, sem terem, de fato, alcançado o tão apregoado Paraíso. A volta do morto, além de ser sinistra, revela uma clara ameaça moral, que faz com que o homem confronte-se com o futuro inevitável que o espera.

FIGURA 34 - A Morte e o Imperador, Hans Holbein, o

Jovem – 1538. A Rainha Morte

Nessa gravura, a Morte, soberana na composição, age sem ao menos ser notada. É uma presença ao mesmo tempo inefável, ao mesmo tempo sorrateira. Mesmo assim, ela possui poder de argumentação e desfila esse talento amplamente na literatura alemã.

Hans Holbein, o Jovem, afastou-se do estilo tradicional das Danças Macabras francesas e baseou sua produção na concepção da morte como uma Rainha infalível. “Ela nasceu no momento do pecado original. Munida de três flechas e do sinete de Deus, ela recebeu todo poder sobre os homens.” (DELUMEAU, 2003. p. 157)

Além da aparência pouco cadavérica dos encarregados, é possível notar, inclusive, um semblante um tanto quanto cansado da primeira figura. Ademais, claramente, a caveira que leva a criança é um Outro que não seu próprio Duplo.

Na composição de muitas Danças Macabras, chama a atenção a Morte valer-se de músicos que organizam e chamam os elegidos para a procissão. De fato, a utilização da música não passa de um subterfúgio empregado pela Morte para ludibriar aqueles que a devem seguir rumo ao além, fazendo-os acreditar tratar-se de momento agradável e festivo.

Da mesma forma, a dança e a música simulam uma situação muito diferente da que realmente desenha-se no quadro das Danças Macabras. Especialmente durante a Idade Média, a dança desempenhava um papel central na socialização. As pessoas sentiam-se alegres e privilegiadas quando podiam dançar, tanto em grupos, quanto em pares. Ao envolver a dança no processo de morte, a Rainha e seus assistentes tentam facilitar o engajamento dos elegidos na procissão que se segue. “A música e a dança são geralmente expressões da

alegria de viver, que a Morte utiliza perversamente, convertendo em algo mórbido, ameaçador e grosseiro.” (OOSTERWIJK, 2011. p. 17). Realmente, é possível

imaginar o quanto é dantesco ouvir o rufar dos tambores que marcam os passos da procissão funesta. Essa deve ser, indiscutivelmente, uma sensação aterradora, mesmo para aqueles que apenas testemunham.

Originalmente, as Danças Macabras apresentavam somente homens, com o intuito de explorar a diversidade de papéis protagonizados por eles na esfera social. Isso se dava em função da abordagem relativa à universalidade da morte, como é possível perceber pelas xilogravuras anteriores, de Guyot Marchand (Figuras 30 e 31).

A Dança Macabra original mostrava apenas homens. A tentativa de ligar a advertência sobre a perecibilidade e a vaidade das coisas terrenas à lição da igualdade social naturalmente trouxe os homens ao primeiro plano, por serem os detentores dos ofícios e valores sociais. A Dança Macabra não era somente uma advertência piedosa, e existe uma leve ironia nos versos que a acompanham. (HUIZINGA, 2010. p. 236)

Mais adiante, durante o processo de popularização das Danças Macabras, as mulheres passaram a ser retratadas, no entanto, mais do que a própria dança poderia propor, a feminilidade foi associada à sensualidade e ao fenecimento do corpo, de forma que, invariavelmente, os esqueletos femininos apresentavam buracos proeminentes pelo corpo e cabelos desgrenhados. No ciclo do

Doppelgänger, a duplicata feminina foi representada com pouca criatividade,

exceto pelo andar excessivamente sensual desempenhado pelos Duplos cadavéricos. Os esqueletos não apresentavam diferenças anatômicas, exceto nos casos em que a técnica do espelhamento era aplicada.

Como eram poucos os ofícios desempenhados pelas mulheres, num movimento natural, elas foram retratadas pelas Danças Macabras por meio da própria condição feminina: virgem, mãe, grávida, viúva, entre outros; além daquelas que denotavam a condição social como, por exemplo, a rainha e a princesa.

FIGURA 37 - A Freira e a Bruxa, Guyot Marchand - 1491

FIGURA 38 - A Anfitriã e a Ama de Leite, Guyot Marchand - 1491

O segundo ciclo das Danças Macabras femininas propiciou um fenômeno interessante em relação à figura da mulher. Assim como nas Danças masculinas, o segundo momento privilegiou a ação da Morte e de seus assistentes nos momentos finais. No entanto, ao colocar a Morte diante da mulher, o que se viu foram apelos grosseiramente sexuais, denotando uma clara fantasia alimentada pelo homem em relação ao corpo e ao comportamento sexual feminino. Se a mulher (e, consequentemente, o homem) teve de passar a vida contendo os impulsos e desejos da carne em nome da Salvação da alma, então no momento derradeiro, é inevitável que os impulsos sejam liberados.

A Morte é registrada em atos lascivos com mulheres nuas: observando-as enquanto dormem (Figura 39), promovendo orgias entre elas (Figura 40) e, inclusive, masturbando-as sem encontrar nenhuma resistência (Figuras 41). No

caso das mulheres, a Morte não rouba somente a vida, mas também a dignidade moral e, porque não, a alma daquela que se deixa desgraçar no último momento, caindo nos braços da Morte.

FIGURA 39 - GRAVURA - A Morte a Mulher Dormindo,

Hans Sebald Beham - 1548

FIGURA 40 - GRAVURA - A Morte e as Três

Mulheres, Hans Sebald Beham - 1540