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6. NEED TO and other modals of obligation and necessity

6.5. NEED TO and NEED

AA: Não.

P: Todo mundo sabe que este dinheiro é de brincadeirinha.

Vitor: Dá pra ver que é de brinquedo. P: Por que Vítor?

Vítor: Porque as notas de verdade são maiores. P: Tá certo, Vítor. As notas de verdade são maiores e o que mais?

Aa: Mais largas.

Ao: Também não tem escrito “sem valor”. P: Não tem escrito “sem valor”. Qual é a outra diferença?

O trecho revela elementos que se destacam quanto aos aspectos mediacionais, um dos objetivos da análise. A professora utiliza mediação instrumental quando apresenta notas imitando dinheiro e algumas moedas. Ratner (1995) diz ser a mediação, por instrumentos,

implementos físicos empregados para aumentar os poderes naturais do organismo físico que propiciam um grande leque de direções que a consciência pode tomar, cada uma delas levando a uma sensibilidade e compreensão diversas.

A utilização de material concreto, mesmo em se tratando de imitação do dinheiro, revelou um nível de generalização cuja representação foi contextualizada funcionalmente, composta de conceitos com estrutura não formalizada. A maior aproximação com a realidade, ou seja, aos objetos utilizados no dia-a-dia pelo aluno, caracterizam o nível de contextualização do processo educativo, reduzindo o caráter formal do conceito.

Ainda sobre o aspecto da mediação, quando a professora pergunta aos alunos se a imitação do dinheiro apresentado tinha valor, evidenciou-se outra espécie de recurso mediacional que foi a consciência. Apesar de não se tratar de instrumento físico, correspondeu ao procedimento que mediou a análise comparativa entre as características do dinheiro de brinquedo e as características, já conhecidas pelos alunos, do dinheiro verdadeiro. Segundo Ratner (1995), a consciência ou atividade mental é uma percepção relativamente abrangente das coisas e processa ativamente a informação, que analisa, sintetiza, delibera e interpreta.

Os alunos, ao afirmarem que “dá pra ver que é de brinquedo”, mostraram já possuir conhecimento a respeito da constituição de uma cédula verdadeira. Isto é confirmado na medida em que as diferenças entre o que lhes é apresentado e o que lhes é de conhecimento vão sendo listadas. O procedimento vem ao encontro dos princípios que dizem respeito à valorização do conhecimento que o aluno já possui, de forma a dar sentido àquilo está sendo ensinado, a fim de facilitar a sua compreensão.

Esta ordenação dos conceitos certamente provocou nos alunos o deslocamento para níveis mais elevados de abstração dos conceitos. Não que isso se dê automaticamente, mas desencadeia um processo de desenvolvimento do desejo de se apropriar do novo conhecimento e incorporá-lo a seu repertório de saberes, generalizando e construindo novas estruturas conceituais, conforme o trecho que se segue.

P: Ok. Como se chama aquele negócio quando a gente olha assim contra a luz e aparece? Alguém sabe o nome daquilo?

Ao: A marca que é original e não é falsa.

P: É isso mesmo. Como é que chama esta marca? Alguém sabe?

Vítor: É Banco Central do Brasil.

marca que quando a gente olha contra a luz e ela aparece na nota verdadeira ela chama marca d’água. Aquilo dá originalidade à nota. Aa1: Como assim tia? Aparece um desenho na nota?

P: Vou mostrar pra vocês.

Quando a professora faz referência ao elemento indicador de legitimidade da nota, a “marca d’água”, menciona uma característica não conhecida pela aluna. Por não fazer parte do seu conjunto de informações, a “marca d’água” constituiu uma representação descontextualizada e com estrutura formalizada, pois imprime na nota o significado de originalidade quanto ao aspecto legal e formal do dinheiro. Observa-se que a aluna procura dar sentido ao dado oferecido pela professora quando pergunta como seria a “marca” e busca encontrar alguma semelhança com o que já se encontra em seu campo perceptual “Aparece um desenho na nota?”.

A aluna pede auxílio a significações mais contextualizadas e funcionais. Atendendo ao apelo, a professora, reduz a generalização do conceito apresentado, quando degenera o significado, apresentando uma nota verdadeira de 20 Reais, para que não só a aluna, mas o demais alunos pudessem identificar a “marca d’água” impressa na cédula. Este procedimento promoveu certo detalhamento da construção do conceito apresentado por meio de uma definição verbal, bem como possibilitou a confirmação do significado de “marca d’água”, para aqueles que já conheciam o conceito.

Vygotsky (2001) diz que o desenvolvimento dos conceitos científicos ocorre no decurso de um caminho específico determinado pela definição verbal primária, que nas condições de um sistema organizado, descende ao concreto, ao fenômeno, ao passo que a tendência do desenvolvimento dos conceitos cotidianos se verifica fora do sistema, ascendendo para as generalizações. Entretanto, esse movimento genético da construção do conceito guarda aspectos fortes e fracos que podem se tornar num empecilho na aquisição do conhecimento.

Relativamente aos conceitos científicos, Vygotsky indica que o verbalismo e a insuficiente saturação de concretude do conceito pode se converter em perigo no caminho do desenvolvimento desses conceitos. Por outro lado, o ponto forte dos conceitos científicos é a habilidade de usar arbitrariamente a “disposição para agir”, o verbalismo promove o desenvolvimento da abstração e o emprego do conceito arbitrariamente. Já os conceitos

cotidianos têm como fraqueza a incapacidade de abstração, para uma operação arbitrária com os conceitos, ao passo que a sua aplicação incorreta ganha validade.

A partir do momento em que a criança toma conhecimento pela primeira vez do significado de uma nova palavra, o processo de desenvolvimento dos conceitos não termina, mas está apenas começando. Vygotsky (2001) afirma que, entre o primeiro momento em que a criança trava conhecimento com um novo conceito e o momento em que a palavra e o conceito se tornam propriedade da criança é um complexo processo psicológico interior, envolvendo a compreensão da nova palavra, desenvolvendo gradualmente, de uma noção vaga, a sua aplicação propriamente dita pela criança e sua efetiva assimilação apenas como elo conclusivo.

P pega uma nota de 20 Reais e apresenta aos alunos. A nota circula entre os alunos.

P: Vou mostrar pra vocês. AA: Epa! A tia tá cheia da grana!

P: Vou passar para vocês verem. Vocês vão ver que