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Minner og medier D teoretiske perspektiver og tilnærming

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5.1 CONCLUSÕES

No Arquipélago dos Açores ocorrem frequentes crises sísmicas e os dois últimos eventos sísmicos de elevada intensidade, em 1980 na ilha Terceira e em 1998 nas ilhas do Faial e do Pico, provocaram danos severos principalmente na construção tradicional, confirmando novamente a sua elevada vulnerabilidade sísmica e que o risco sísmico é agravado pelo facto dos centros históricos das cidades açorianas apresentaram-se constituídos principalmente por este tipo de construções. Além disso, a ocorrência deste tipo de acontecimento tem levado à consciencialização coletiva da necessidade de intervir nas construções tradicionais, implementando soluções de reforço adequadas no sentido de aumentar a sua resistência estrutural face à ação sísmica.

A análise técnica realizada às construções tradicionais afetadas pelos sismos permitiu verificar que os mecanismos de colapso encontram-se associados normalmente à insuficiente resistência sísmica das paredes de alvenaria de pedra, principal elemento portante deste tipo de construção, a qual é ainda prejudicada pela elevada componente vertical dos eventos sísmicos que ocorrem no Arquipélago.

Atendendo à necessidade de implementar de imediato um processo de reconstrução pós-sismo, o LNEC e o LREC elaboraram documentos onde apresentaram um conjunto de regras técnicas a utilizar nos trabalhos de reparação/reabilitação e reforço das construções tradicionais. As soluções recomendadas no documento de 1980 enquadravam-se nas disposições regulamentares em vigor nessa época, nomeadamente a introdução de montantes e cintas de betão armado, mas não apresentava soluções concretas para a reparação/reabilitação de paredes de alvenaria de pedra. Ao invés, o documento de 1998 manifestava a intenção clara de pretender recuperar e reforçar as paredes de alvenaria de pedra (e.g., reboco armado) e contraventando-as ao nível do seu coroamento com cintas de solidarização de betão armado. Por outro lado, também era clara a intenção de evitar o acréscimo de massa nas construções, especialmente com a introdução de lajes maciças ou aligeiradas. Através da comparação dos dois documentos é possível identificar uma evolução positiva das técnicas de reforço e a preocupação em apresentar pormenores de cada uma das técnicas.

De entre as técnicas de reforço recomendadas no documento elaborado em 1998 pelo LNEC e pelo LREC, pode-se considerar que a do reboco armado foi a mais utilizada no processo de reconstrução, surgindo ainda diversas soluções variantes preconizadas pelos gabinetes projetistas contratados pelo CPR. Dado o seu sucesso, esta técnica empírica passou a ser preconizada comumente por quase todos os gabinetes nos projetos de reparação/reabilitação e reforço de construções tradicionais existentes no Arquipélago.

Contudo, era evidente a necessidade de desenvolver trabalhos de investigação para compreender o desempenho desta técnica de reforço nas paredes de alvenaria de pedra das construções tradicionais açorianas face à ação sísmica, à semelhança da investigação que tem sido desenvolvida noutro tipo de paredes de alvenaria de pedra tanto a nível nacional como internacional.

Desde 1999 que esse trabalho de investigação vem sendo desenvolvido por uma equipa que engloba técnicos da Universidade de Aveiro, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e do Instituto Superior Técnico. Em 2011, o Laboratório Regional de Engenharia Civil, do Arquipélago dos Açores, começou também a investigar laboratorialmente a técnica do reboco armado de paredes de alvenaria de pedra no âmbito do projeto EDALP. A equipa universitária já realizou diversos tipos de ensaio, quer no plano quer fora-do-plano, sendo que primeiro ensaiam as paredes nas suas condições originais, depois aplicam a técnica do reboco armado e voltam a ensaiar as paredes. Note-se ainda que essa equipa ensaiou em laboratório um troço de parede que foi transportado da ilha do Faial para o laboratório da FEUP.

A análise dos resultados dos ensaios permite concluir que o reforço com reboco armado, aplicado nas duas faces das paredes, introduz uma melhoria significativa no comportamento das paredes no plano e fora-do-plano e que a execução de uma viga de fundação permite ainda obter um acréscimo do comportamento dessas paredes. Por outro lado, o confinamento transversal das paredes, através da aplicação de conetores e chapas, o reforço dos cunhais com reboco armado e conetores metálicos e o reforço das ligações dos pisos e coberturas às paredes permitem melhorar também o comportamento das paredes tanto no plano como fora-do-plano. Através da análise dos testes da parede reforçada com a técnica de reboco armado, ficou evidente o seu comportamento monolítico, exibindo rocking puro e baixa ductilidade, que pode ser melhorada introduzindo uma ligação/conexão ao nível das fundações. Quando aplicado o reboco armado, verifica-se uma melhoria na capacidade de dissipação de energia, na ductilidade e na integridade das paredes entre ciclos sucessivos de carga.

Os resultados dos ensaios à compressão realizados pelo LREC permitiram verificar que, para a geometria dos provetes ensaiados, a introdução de rebocos simples e armados nas duas faces das paredes de alvenaria de pedra provocam uma melhoria significativa da sua resistência no plano e que a rotura é normalmente do tipo frágil.

Numa primeira análise, os resultados dos ensaios biaxiais realizados até ao momento pelo LREC permitiram concluir que o nível de carga vertical introduzido na parede influencia significativamente o seu comportamento e que é fundamental introduzir no set-up um sistema de força-controlada. A força horizontal resistente depende da força vertical aplicada no topo dos provetes, tendo todos eles demonstrado um comportamento semelhante em termos de força vs. deslocamento, elevada ductilidade e modos de rotura por flexão. Uma vez que o modo de rotura daqueles provetes resulta da abertura de uma fenda ao nível da interface do provete com a base, o comportamento

semelhante de provetes com reboco simples e com reboco armado é facilmente explicável porque a malha dos reforçados não está ligada à base.

5.2 D

ESENVOLVIMENTOS FUTUROS

No âmbito do projeto EDALP prosseguir-se-á com os ensaios dos restantes provetes, respetiva análise dos resultados e implementação das restantes Tarefas do projeto de investigação em curso, tendo como principal objetivo a elaboração de um manual de procedimentos técnicos sobre soluções de reforço de edifícios tradicionais de alvenaria de pedra.

Tem-se consciência que a elaboração de um manual requer ainda um amplo trabalho de recolha de informação sobre a matéria, realização de reuniões com diversas entidades, incluindo principalmente os investigadores, projetistas, etc., auscultação de diversas entidades (e.g., governo regional, autarquias, ordens profissionais), etc.

Pelo que foi possível constatar na pesquisa realizada à documentação técnica, quase todos os trabalhos de investigação em curso visam a análise do comportamento das paredes de alvenaria de pedra e respetivas soluções de reforço. Seria interessante desenvolver também alguma investigação para avaliar o comportamento das ligações de reforço dos cunhais das paredes de alvenaria de pedra e também de soluções de reforço para as ligações entre outras paredes ortogonais. Deveria igualmente desenvolver-se alguma investigação para analisar o comportamento de soluções de reforço de ligações de pavimentos e coberturas às paredes de alvenaria. Finalmente, e não menos importante, investigar e analisar o comportamento de soluções de reforço a introduzir nas paredes de alvenaria de pedra para melhorar o seu comportamento face à componente vertical da ação sísmica.

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