6 K ONFLIKTRÅDET BLIR LOVREGULERT 1992-2004
6.5 Lokal forankring i forhold til store konfliktråd:
Um dos diferenciais da Saga Crepúsculo em relação aos outros filmes ou livros de vampiro é a forma como os personagens tratam e lidam com o relacionamento amoroso e com o sentimento do amor, pois essa abordagem parece ser uma mistura de padrões antigos da nossa sociedade com formas atuais de se relacionar. Essas características se devem ao fato de que o protagonista vampiro, Edward, é retratado como nascido no século XIX, onde os padrões que regiam a vida social, individual e cotidiana eram outros.
Nesse contexto, Edward é um vampiro considerado muito romântico, principalmente, pela forma como lida com o tempo. Enquanto Bella é uma jovem mortal, inserida na nossa cultura das relações efêmeras, do tempo como sinônimo de velocidade, Edward caminha na contramão. Não se apressa em viver esse amor, construindo o relacionamento dos dois nos padrões antigos. Esses valores são expressos, por exemplo, com momentos apenas de contemplação, onde ele fica horas observando-a durante a noite e também durante o dia, pois como os vampiros da Saga não necessitam de horas de sono, a noite é caracterizada pela arte de contemplar a amada.
Além da contemplação, o romance de ambos parece ser vivenciado por longas etapas. Dos cinco filmes da série, apenas no quarto é que o casal começa a se relacionar sexualmente. Há um longo período em que a contemplação é combinada com os momentos de experiências juntos, como apreciar a natureza, estudar música, praticar esportes. Esse ritmo é sempre mantido por Edward, que preza para que o fator tempo não interfira no relacionamento. Já Bella é muito relutante em aceitar essa temporalidade, alegando que precisa apressar as coisas, pois ficará velha e feia, enquanto ele continuará jovem e bonito. Este é um dos principais motivos apontados na estória para que a transformação de Bella em vampira seja feita. Essa seria a única forma de tornar o amor imortal concretamente.
Nesse sentido, o fascínio pelos filmes da Saga Crepúsculo vai ao encontro das características da nossa cultura, que fecha os olhos para a morte. Isso pode ser também percebido na forma como lidamos com o envelhecimento. Para Swain (2003, p. 8) ―a velhice, tanto quanto a juventude, é uma categoria social que cristalizam sobre os corpos em transformação contínua, valores e significações com uma importância decisiva sobre seu lugar nas relações humanas‖.
Sendo assim, a juventude e a velhice são categorias sociais atribuídas, criadas para lidar com essa finitude, a serviço das classificações e disparidades sociais. É
[...] este dispositivo que cria uma bolsa de valores sociais, cujo índice se mede pela idade e pela beleza. Com efeito, é sobre estes corpos, construídos segundo certos modelos, que se instituem as normas, as partilhas, a grande ameaça do envelhecimento excludente, de um corpo que aos poucos vê seu valor social decrescer (SWAIN, 2003, p. 6-7).
O envelhecimento, por sua vez, está intimamente ligado com a morte. A cultura da beleza, de corpos perfeitos, sarados e plastificados, fala dessa dificuldade que temos de lidar com o processo da morte, tão presente e natural na vida. Dessa forma, o amor vem como uma das formas para lidar com a angústia da finitude. A esse respeito, Caruso (1981, p. 21) afirma:
Toda a cultura do homem é uma resposta à ação da morte em sua vida e uma defesa contra o fato de estar nas mãos da morte. Mas aqui está outra vez a ambiguidade: esta cultura, organizada contra a morte, já de saída passa a se identificar amplamente com seu inimigo, a morte, pois oprime e agride. A paixão, por sua vez, é uma resposta espontânea e anárquica à presença da morte – desordenada mas libertadora; a cultura opressiva, então, precisa condenar, reprimir e mutilar esta outra resposta à morte. A paixão, que luta em duas frentes, é derrotada porque está, ela própria, infestada pela destruição e carrega consigo os sinais da morte.
O desejo de Bella por tornar-se vampira e imortal enquanto jovem está completamente inserido nessa cultura das classificações sociais entre juventude e envelhecimento. Na contra corrente, Edward é contra a transformação da mesma em vampira, pois sempre discorre sobre todos os infortúnios que passou por ser imortal, como a perda de entes queridos e as guerras. O mesmo traz a imortalidade como castigo, lamentando-se por sua condição. Mesmo assim, Bella é insistente na sua transformação e sempre quer apressar os acontecimentos no seu relacionamento amoroso. Com frequência
insiste na relação sexual. Quando Edward sente-se pressionado pelas necessidades temporais da moça, pede-a em casamento, afirmando que só depois desse momento é que concretizarão o ato sexual e assim de fato ocorre.
Assim como Bella foi atraída pela imortalidade de Edward, este último também foi atraído pela mortalidade de Bella. Vale ressaltar que o romance entre os dois começou quando ele salvou-a da morte, em um possível atropelamento na frente da escola, salvando a sua vida e preservando o seu lado humano. O desejo de Edward é todo voltado para a namorada humana. Ele não possui interesse algum por outras vampiras. E é por isso que ele quer preservá-la, não querendo transformá-la.
Edward, assim como outros vampiros da Saga, lamentam profundamente a sua condição imortal, expressando o desejo de querer vivenciar os problemas e infortúnios humanos que lhe foram furtados. A exemplo disso, Rosely, também considerada da família dos Cullen, lamenta-se muito por não poder ser mãe, já que sua condição de vampira não permite esse feito.
A respeito dessa condição, Rodrigues (2012, p. 15-16) afirma:
O vampiro não tem destino: o seu também foi interrompido, consumido, porém ele triunfou. Venceu de forma antinatural, driblando o tempo e dominando o mistério da vida. Se, porém, sua vida foi consumida, ele precisa encontrar meios de absorver a essência de outras. Muito mais que uma maldição, o vampiro carrega a responsabilidade de interferir no destino de outros e vagar pelo mundo, ao longo dos tempos, na busca pela fonte daquilo de que foi privado: a vida e a morte, que se confundem e são solucionadas pelo Tempo.
Esse desejo dos vampiros em tornarem-se humanos novamente é bastante comum nas estórias e filmes desse gênero. Algo que também expressa a falta, a impossibilidade de gozo pleno. Nesse sentido, os pares Bella-Edward e Mortalidade-Imortalidade, também remetem ao desejo de completude, de tamponamento da falta, descrita por Lacan.
A problemática de Edward, em relação ao amor e a forma como lida com o tempo é um dos fatores que mais chamou a atenção das fãs e que contribuiu para o alto ibope do mocinho. De fato essa contradição entre Edward e Bella em termos temporais é uma das questões centrais do enredo e é o que traz à tona a necessidade de retorno ao amor romântico, da época dele. Rodrigues (2012, p. 111) afirma que, ―seguindo um pensamento já presente em Drácula e reavivado por Entrevista com o Vampiro, a relação entre gerações seria o grande mote da saga Crepúsculo”. Ainda para a autora (2012, p.111):
Um novo marco para o mito do vampiro surge no início do século XXI: um vampiro jovem, adequado à sociedade, que anda de dia, que exerce uma profissão, mas que estaria vivo há séculos. Seu grande desafio está justamente na retomada de antigos padrões morais perdidos. Em certo sentido, esse vampiro encontrou suas origens na década de 1980 e evoluiu para um ser repleto de paradoxos e contrassensos.
A exemplo dessa questão, podemos citar a discussão das participantes:
M.: [...] hoje em dia casamento virou uma coisa... cansei de fazer tudo que a vida me oferece, agora eu vou “quietar”, vou arrumar um marido um filho para mim não ficar sozinha, hoje em dia não se dá muito valor para o negócio do sentimento, pessoal gosta do sentimento, mas não quer ter o compromisso sério, de ah vou ficar com você pro resto da minha vida, as pessoas não estão muito afim disso não.
[...]
M.G.: Tanto é que ultimamente qualquer briguinha já separa, parece que o amor vem esfriando. Aí é interessante a autora colocar isso, que de certa forma a gente pode perceber a diferença, que ele preserva os valores que são mais originais do casamento, até por ele ser um vampiro que foi criado há muitos séculos atrás, ele acaba preservando os valores de quando ele era vivo digamos, já ela tem a mentalidade de hoje em dia, casar não, não gosto de sair desse jeito.
Pode-se perceber que, em um momento em que se fala em quedas dos valores, banalização das relações amorosas e sociais, relacionamentos efêmeros, há um grupo de jovens que faz um movimento contrário a essa época atual, demonstrando, através de momentos como esse - fascínio por filmes e estórias que denotam a possibilidade de uma época anterior - o desejo de retorno desses valores (RODRIGUES, 2012).
E isso fica evidente quando falamos do amor romântico. É através dele que esse resgate é possível. Contudo, acredita-se que esse movimento está intimamente atrelado com o desejo de imortalizar-se através do amor. E, supostamente, isso seria realizável, principalmente, com um amor romântico, não efêmero, com a ilusão de que é eterno. Dificilmente uma relação speed daria conta desse ―fazer-se imortal‖, porque já está com previsão de término. Embora seja possível acreditar que mesmo esses relacionamentos visam à completude.
A esse respeito, Rodrigues e Santos (2009, p. 8) afirmam: ―O sentido de completude atribuído à união marital impregna os casais ditos modernos, e sua maior propensão em desfazer casamentos (e a buscar outros, nota-se bem) não contradita, mas pelo contrário, reitera a incessante busca da completude‖.
Nesse contexto, algumas instituições sociais, como o casamento, podem ocupar o papel de tentativa de resgate desse amor romântico em meio à velocidade:
Edward dá a Bella alternativa para instituições sociais que parecem perdidas em suas funções, pois, em sua época, elas eram referências sem as quais não se podia viver. A insistência com que Edward quer se casar com a jovem demonstra isso claramente: existe, para ele, um significado maior em todas as formalidades sociais que ela não consegue perceber, afinal sua época é marcada pelo profundo desprezo a esses valores (RODRIGUES, 2012, 112).
Nesse sentido, o papel do casamento foi evidenciado pelas participantes:
M.G.: [...] é aquela questão do que vai se tornando normal, por exemplo, hoje
em dia é normal fazer sexo antes do casamento, antigamente não era. Antigamente pregavam que não, não, e agora o pessoal nem tá mais aí, você pode se você quiser, hoje em dia se tornou uma coisa normal você fazer certas coisas que antes eram proibidas.
A: [...] inclusive o sexo antes do casamento hoje em dia é algo até cobrado, se você entra pra faculdade, por exemplo, sem ter tido relação sexual, há uma cobrança, chamando de idiota, e é uma coisa muito pessoal, que não deveria ser assim, pois vai muito dos valores de cada individuo, e devia ser uma coisa particular.
M.G.: E ele (o filme) apresenta até de uma maneira, que na nossa sociedade não seria algo tão mais aceitável, a relação depois do casamento, de uma forma que faz você querer isso, faz você querer ter essa coisa mágica, de esperar o momento certo pra acontecer.
M.: Até porque valoriza, torna uma coisa mais especial e única na sua vida. Pode-se dizer que esse desejo de retorno na forma de se relacionar, conforme os padrões antigos do amor romântico, que é principalmente expresso pela exaltação do personagem de Edward, é um dos fatores que mais chamou a atenção e despertou o
fascínio das fãs pela Saga. Essa temporalidade diferenciada representada pela figura do vampiro e atravessada pelas instituições sociais, como a preservação do casamento, pode demonstrar esse fascínio como um refúgio, um não lugar, onde o tempo, a efemeridade das relações, os prazeres superficiais são deixados à parte.
Para Rodrigues (2012, p. 111):
Em uma direção contrária, o tempo para Edward é encarado de outra maneira. Bella é o elo que ele possui com o mundo presente. Ela que o põe em contato direto com os pensamentos dessa geração. Ela consegue passar a ele valores de família, amigos, protocolos sociais, vida, morte, sexualidade. Ele, por sua vez, dialoga com ela a partir do momento que retoma ideais de sua época como humano. É nesse aspecto que se desenha um aspecto importante dessa Saga: a troca de valores entre momentos díspares.
É dessa forma que Edward lida com o tempo. Onde o mesmo é afetado por ele, mas não vive a serviço dele. O vampiro é marcado pelo tempo, por uma época em que o amor romântico foi criado e valorizado. Isso faz com que a sua forma de viver em relação à temporalidade seja diferenciada da nossa forma humana atual. E é isso que chama a atenção das fãs, sair do lugar ―experienciado‖ na atualidade, onde a marca da relação entre tempo e velocidade pode ser insustentável para alguns sujeitos.
A respeito dessa experiência diferenciada, Pereira (2005) afirma que a cena analítica ocupa também esse não lugar. É nesse espaço que a temporalidade é única do sujeito, deixando de lado a correria cotidiana e reservando um espaço para si:
Em meio à correria e às tarefas urgentes do cotidiano, à concentração em alvos, objetivos, uma hora marcada na agenda lembra e convida à interrupção dessa sequência para se entrar em uma espécie de intervalo, de parênteses. Cada qual se dirige, então, não sem uma certa dose de ansiedade, a um lugar em que fará parte de uma cena onde estará totalmente dedicado a falar de si mesmo a um ouvinte mais ou menos silencioso, que não fornecerá nenhuma resposta às suas angústias e indagações. Nessa cena – apesar da pressa dos acontecimentos do mundo e da sua vida – ele se deita e fala, tendo atrás de si um outro que, supõe-se, permanece sentado e atento, fora do alcance da sua visão e do qual só se escutam algumas palavras. Chama-se tal acontecimento ―cena analítica‖ (PEREIRA, 2005, p. 27).
Nesse sentido, a cena analítica estaria fora da ―lógica de produção‖, assim como o sentimento do amor romântico, embora haja diferenças significativas entre ambos. Mesmo assim, neles, a expressão da subjetividade e a construção do sujeito entram em foco.
Na cena analítica, quando de fato a temporalidade é deixada à parte, o tempo está suspenso, e o espaço funciona exatamente na lógica da subjetividade de cada um, embora, acredite-se que se dependa de um outro, ou seja, da figura do analista, para que essas produções aconteçam. Na experiência do amor romântico, como um sentimento diferenciado expresso nos filmes da Saga, também há essa possibilidade de construção, mesmo que seja a partir de um outro amado, de um ideal.
Pisetta (2008, p. 153) traça um comparativo entre o amor romântico e o amor transferencial na cena analítica e coloca a questão do desejo como o principal diferencial entre ambos:
No que o analista se presta ao apagamento de si, faz surgir a relação existente entre o sujeito e o Outro que o constituiu. Há coincidência do material imaginário na análise e no amor romântico, na própria repetição que faz, do analista, sujeito suposto saber. Assim, na análise, podemos ver a diferença na ―função do amor‖. Em ambas as escolhas objetais (analista e parceiro amoroso), repete-se a história erótica do sujeito. Contudo, algo de novo se passa na transferência, indicando o surgimento do desejo, para além do lugar congelado do sujeito em relação ao Outro.
Nesse sentido, no amor romântico, a posição principal diz respeito a fazer-se desejo do desejo do Outro. Já na cena analítica, essa posição seria descontruída, na medida em que o analisando não pode colocar-se nessa posição em relação ao analista. Sendo assim, o grande desafio na análise é a posição de que ―o analista cede ainda mais seu lugar à falta na dissolução da transferência. O analisante perceberia, então, que é sua falta que o faz desejar, e não o desejo do Outro‖ (PISETTA, 2008, p. 154). Ainda para a autora:
De amante do analista, o paciente passa a amante dos objetos de seu desejo, desde que descobre que é seu próprio desejo que está em cena em sua relação com o Outro, e não do desejo do Outro. Notamos aqui uma travessia do amor ao desejo, tendo como propiciador o estabelecimento de uma transferência (PISETTA, 2008, p. 154).
Contudo, ressalta-se que esse sentimento genuíno do amor expresso nos filmes, por estar atravessado pela imortalidade, que fala muito mais da nossa posição de falta do que em relação ao fazer-se desejo do Outro, também pode ser considerado um espaço para
construção da subjetividade. Voltamos à questão da temporalidade mencionada acima. Sabe-se que a suspensão desse fator está intimamente ligada a essa construção, como também a lentidão do mesmo no amor romântico.
Sendo assim, a imortalidade tão característica dos vampiros permite ainda mais esse funcionamento. Quem, sendo imortal, sem ter que se preocupar com a morte, preocupa-se com o tempo? Acredita-se que esse é um dos motivos do sucesso do Edward, colocando-o na posição de herói resgatador de valores. O tempo no amor romântico não está suspenso, mas está mais lento. E isso é propiciado pelos valores criados junto com esse tipo de amor, que não segue as relações atravessadas pela velocidade.
A esse respeito, uma das participantes verbaliza:
A.: [...] exato, é como se as pessoas tivessem seus valores e um foi e influenciou, a gente vai contra, ai todo mundo vai contra, mas no fundo, no fundo, tem aquilo, eu acredito nisso, nisso, mas vai contra aquilo que acredita. Isso lembra até um pouco os heróis, esperam todo mundo seguir no mesmo ponto e eles vão contra, mas e seu fosse contra? Não é isso o certo? E o filme como o crepúsculo é como se fosse um herói, porque ele mostra pra gente um lado que a gente está deixando de lado sem perceber.
Essa relação que a participante do grupo faz com o herói, quando ressalta a influência do filme no resgate das relações amorosas, pode ser encontrada na teoria de Freud (1921/1996), quando o mesmo afirma que as pessoas se identificam com os heróis, pelo fato de que essas figuras tiveram a coragem de realizar o feito histórico em relação ao pai primevo:
No fundo, esse herói não é outro senão ele próprio. Assim, desce ao nível da realidade e eleva seus ouvintes ao nível da imaginação. Seus ouvintes, porém, entendem o poeta e, em virtude de terem a mesma relação de anseio pelo pai primevo, podem identificar-se com o herói (FREUD, 1921/1996, p. 147).
A relação entre os anseios quanto ao pai primevo e o amor expresso no filme pode ser pensada no sentido de que não há limites para essa relação, nem impedimentos para imortalizar-se através do amor. O feito heroico no filme é justamente em relação à salvação do amor romântico e da eternidade.
Freud (1921/1996, p. 130), ao analisar a relação de um grupo de fãs com seu herói, afirma:
Basta-nos pensar no grupo de mulheres e moças, todas elas apaixonadas de forma entusiasticamente sentimental, que se aglomeram em torno de um cantor ou pianista após a sua apresentação. Certamente seria fácil para cada uma delas ter ciúmes das outras, porém, diante de seu número e da consequente impossibilidade de alcançarem o objetivo de seu amor, renunciam a ele, em vez de uma puxar os cabelos da outra, atuam como um grupo unido, prestam homenagem ao herói da ocasião com suas ações comuns e provavelmente ficariam contentes em ficar com um pedaço das esvoaçantes madeixas dele. Originalmente rivais, conseguiram identificar-se umas com as outras por meio de um amor semelhante pelo mesmo objeto. Quando, como de hábito, uma situação instintual é capaz de resultados diversos, não nos surpreenderá que o resultado real seja algum que traga consigo a possibilidade de uma certa quantidade de satisfação, ao passo que um outro resultado, mais óbvio em si, seja desprezado, já que a circunstância da vida impedem que ele conduza àquela satisfação.
Ainda a esse respeito, Freud (1921/1996, p. 134) fala sobre o amor como uma saída para a civilização, ao citar que o pai da horda primeva era individualista: ―[...] seu ego possuía poucos vínculos libidinais; ele não amava ninguém, a não ser a si próprio, ou a outras pessoas, na medida em que atendiam às suas necessidades. Aos objetos, seu ego não dava mais que o estritamente necessário‖. Nesse sentido, o amor seria uma saída, na medida em que coloca em cheque o narcisismo do pai da horda e também dos membros do seu grupo:
Ainda hoje os membros de um grupo permanecem na necessidade da