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Através do quadro seguinte podemos inferir a programação tida em conta nas diferentes turmas, para o desenvolvimento das diferentes áreas curriculares, de acordo com a planificação de unidade curricular.

Quadro LXVII – Planeamento de Unidades Curriculares em Função das Turmas

Turmas Planeamento de actividades – sequenciação, adequação, organização de

conteúdos curriculares 1 2 6

Desenvolvimento de uma Sequência de Experiências de Aprendizagem CN Ing Mat CT Contempla a abordagem aos conteúdos curriculares que servem de base à

consecução de novos conteúdos

* * ***

Expressa na planificação a adequação dos conteúdos de acordo com a realidade da turma

* * **

Apresentação de um Conteúdo Curricular Integrado e Significativo

Apresenta as linhas gerais do desenvolvimento das actividades e do conteúdo ** ** ***

Apresenta a sequenciação das actividades * * ***

Situa no tempo e espaço a desenvolvimento das actividades * ** ***

Adaptação do Programa a Imprevistos

Adaptação na sequencialidade das matérias de ensino * *

Adaptação no espaço e no tempo * * *

Adaptação nos recursos *

Preparação e Adequação dos Materiais e Dispositivos de Sala de Aula

Indica os materiais a utilizar * * *

Prevê a forma de utilização dos recursos * *

Concordância da Planificação Diária/Unidade

Coerência nos conteúdos planeados * * * *

Coerência na organização das actividades * * * *

Coerência na previsão dos recursos a utilizar * * * *

Pela análise do quadro anterior, reconhece-se que a apresentação de um conteúdo curricular integrado e significativo é a categoria cujos indicadores se exibem de modo mais expressivo (Turmas 1 e 2). A planificação

apresenta as linhas condutoras do desenvolvimento das actividades e do conteúdo, tendo sido identificada em seis registos programáticos com maior significado para a Matemática, seguindo-se a organização sequencial dessas mesmas actividades, situando-as no espaço e tempo determinado. Contudo as linhas gerais do desenvolvimento das actividades e do conteúdo curricular, a sequenciação destas no tempo e no espaço não são observadas na Turma 6. As actividades a desenvolver com esta turma na disciplina de Comunicação e Tecnologia adquirem, na maior parte das vezes, uma dependência das actividades das outras disciplinas. Como tal, a sequenciação das actividades relativas ao desenvolvimento da própria disciplina não apresentam uma sequencia ao nível das actividades, pelo facto de estar sempre dependente dos trabalhos que as outras disciplinas lhe encomendam. Assim, situando-se no segundo ano, os alunos já conseguem utilizar os programas informáticos, encontrando-se numa fase de aprofundamento adquirida com a prática de utilização, pelo que a sequencialidade da programação não foi valorizada.

O desenvolvimento de uma sequência de experiências de aprendizagem, mais especificamente, a abordagem aos conteúdos curriculares que servem de base à consecução de novos conteúdos são visíveis na planificação para as Turmas 1 e 2 (com maior relevo na disciplina de Matemática). Para Shulman (1986), o conteúdo deve estar sempre dentro de uma estrutura de outros conteúdos articulados e organizados, cumprindo uma ordem natural dentro do contexto global dos conhecimentos.

As Turmas 2 e 6 expressam na planificação a adequação dos conteúdos, de acordo com a realidade da turma, permitindo especificar na planificação a adequação às necessidades a essa turma. Para a Turma 6 o texto da planificação expressa a dependência da actividade da sua disciplina (Comunicação e Tecnologia), relativa às necessidades de adequação constante resultantes das tarefas surgidas noutros contextos pela necessidades dos alunos realizarem aquele trabalho.

Corrobora-se, assim, o referencial teórico de Shulman (1986), defendendo que o professor necessita de ter o conhecimento da «localização» do conteúdo num contexto mais geral e ter a visão clara de como este conteúdo se inter-relaciona com outros conteúdos.

A adaptação do programa a imprevistos, designadamente na adaptação da sequencialidade das matérias de ensino no espaço e no tempo é possível de verificar-se na Turma 2. Para a Turma 6 os aspectos temporais e espaciais são passíveis de ajustamentos decorrentes da flexibilidade com a qual a disciplina tem que se adaptar e como tal é designado na planificação.

Os recursos mobilizados e adaptados aos imprevistos apenas se verificam para a turma 1, para as Ciências da Natureza. O mesmo é confirmado, no que respeita à preparação e adequação dos materiais e dispositivos de sala de aula, onde se reconhece a sua importância, focada por alguns professores, ao indicar com clareza os materiais a utilizar e a previsão da sua forma de utilização (Turmas 2 e 6).

É possível verificar, de um modo mais objectivo, estipulado na planificação formal, a congruência desta programação diária com a planificação por Unidade. Existe coerência nos dados resultantes da análise efectuada do documento curricular, pelo estabelecimento de elos de ligação retirados do confronto com o desenvolvimento pré-estabelecido nas diversas áreas disciplinares observadas. Esta afirmação apoia-se na coerência dos conteúdos planeados, na organização das actividades e na previsão dos recursos a utilizar, onde a coesão e uniformidade de critérios são patenteados nas duas formas de análise para a totalidade das turmas observadas (1, 2 e 6). 2.2.3. Desenvolvimento da Actividade

O quadro seguinte apresenta, de uma forma mais clara, a exequibilidade do plano elaborado, posto em acção pelos professores das disciplina observadas.

Quadro LXVIII- Frequência das Observações por Sessão no Desenvolvimento da Actividade Docente Turmas Intervenção do professor da disciplina – desenvolvimento da

actividade: sequencialidade, estrutura, organização dos dispositivos e materiais curriculares

1 2 6

Sequencialidade das Estruturas de Actividade CN Ing Mat CT

Expressa a sequencialidade das actividades a desenvolver *** ** ***** **

Proporciona uma sequência global dos acontecimentos de ensino *** ** ***** **

Utiliza uma estrutura de abordagem à matéria de ensino *** ** ******

Utiliza uma estrutura específica de abordagem à matéria de ensino * **

Conversa informal com os alunos * * ** *

Organização dos Dispositivos e Materiais Curriculares

Conhecimento dos materiais curriculares *** ** ***** **

Demonstra-se pela análise do quadro que a sequencialidade das estruturas de actividade são expressas pelas actividades a desenvolver, pela sequência global dos acontecimentos de ensino e pela utilização de uma estrutura na abordagem da matéria de ensino, sendo que se qualificam como indicadores mais fortes, sobretudo na turma 2, pelo professor de Matemática que se destaca pela capacidade de sequenciar as tarefas e estruturar os acontecimento lectivos. Faz alusão aos pré-requisitos, explicita os objectivos da aula, bem como consegue seguir a sequencialidade global das estruturas das actividades programadas, destacando as estratégias organizacionais. Define os aspectos relacionais e estabiliza os comportamentos através de conversa com os alunos, proporcionando um clima de sala de aula disponível para a aprendizagem, mobilizando os alunos para as actividades. Embora estes factores sejam tomados em consideração pelos professores das turma 1 e 6 estes têm um papel menos preponderante e activo na dinâmica da aula, sobretudo, o professor da turma 6. Este professor tem muito menos tempo de experiência profissional, o que na sua actividade ainda se encontra numa etapa de iniciação na carreira denominada por Huberman (2000) a entrada na

carreira correspondente aos primeiros dois ou três anos de serviço. Nesta fase,

o professor experiencia papéis e avalia a sua competência profissional através do confronto com a realidade escolar, podendo sentir dificuldades com o material didáctico, com os problemas gerados pelos alunos. No entanto, pode ser uma fase marcada pelo entusiasmo e satisfação com as novas experiências, factores que diminuem o choque com a realidade.

Esta constatação evidencia o conhecimento que o professor detém sobre a matéria de ensino e a capacidade para adequar ao grupo/turma, em geral, a transmissão de saberes. Contudo, é notória aptidão para a organização dos dispositivos e materiais curriculares em que revela conhecimento destes materiais e organização de recursos adequados à matéria de ensino.

Existem alguns indicadores menos fortes, designadamente, a utilização de uma estrutura específica de abordagem à matéria de ensino para os casos de alunos com NEE, uma vez que não se verificou, na globalidade das aulas observadas, estratégias específicas para aqueles alunos das turmas 1 e 2 nas disciplina de inglês e Ciências da Natureza, embora esta turmas incluam casos complexos. Denota-se o seguimento das matérias com a turma e a

execução das mesmas tarefas solicitadas pelo professor, no entanto, com níveis de exigência menos rígidos e a um ritmo mais lento.

Nos meandros da observação de aulas…

Ao longo desta análise, que teve por base a observação de aulas suportadas pelos documentos de planeamento, podemos depreender algumas ideias que sobressaem neste estudo investigativo.

(i) Face aos propósitos enunciados no início desta abordagem e relacionados com o primeiro momento de observação, é possível depreender que a diferenciação curricular, apoiada na planificação subjacente à prática diária, é quase inexistente, uma vez que é tomado o grupo/turma como unidade e que cada elemento desse mesmo grupo revela as mesmas possibilidades de acesso a um currículo homogéneo e igualitário no seu desenvolvimento.

(ii) Na intervenção educativa do professor da disciplina, o ensino é dirigido para o grande grupo com apoios pontuais aos alunos com problemáticas no âmbito das NEE em que a diferenciação do ensino joga-se na fase pré-interactiva de ensino, não na fase interactiva: “Em síntese, a atitude

prévia de diferenciação do ensino apresenta-se relacionada com variáveis da fase prévia e da fase interactiva de ensino, embora tenha mais relações com esta última. Aqui reside a particularidade desta variável, diferente do perfil de relações proporcionadas pelas restantes variáveis pré-interactivas.” (Januário,

1996:98).

(iii) O trabalho diferenciado efectiva-se usualmente pela intervenção de um professor de apoio para os alunos que revelam problemas cognitivos ou motores, somente nalgumas disciplinas e na maioria das vezes constitui-se como um reforço das matérias leccionadas para a turma.

(iv) Os materiais diferenciados assumem maior relevo, quer na planificação quer na execução da prática lectiva.

(vi) De um modo geral, os professores, ao planificarem, conseguem seguir os vários níveis de planeamento do currículo, identificando os diferentes segmentos da matéria de ensino e a sua interligação com as partes do todo, o que se apresenta de forma coesa na maioria dos professores observados. Conseguem seguir o currículo prescrito, embora a estrutura da actividade no

contexto de sala de aula seja mais organizado e sequenciado nas observações do trabalho de alguns docentes relativamente a outros.

(vii) Prevalece uma congruência entre o currículo formal e planeado e o currículo operacional, o que nos leva a percepcionar por parte dos docentes capacidades manipulativas respeitantes à matéria de ensino, embora o material escrito da planificação seja para alguns apenas o que é instituído e formalizado pela Escola. No desenvolvimento curricular destaca-se um professor que revela um bom conhecimento curricular do conteúdo com a utilização de materiais adequados e sequenciação da matéria com rigor e estruturação das actividades conducentes aos objectivos definidos previamente. Existem outros docentes que revelam conseguir uma estrutura curricular coerente, contudo o apoio para essa estrutura, sobretudo em dois deles configura-se numa actividade pouco sólida e pouco fundamentada.

3. Discurso dos Intervenientes: (Re)construção Curricular

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