4. Commercial fish feed formulation
4.1 Plant ingredients in Salmonid feeds
KOINONIA abordou no Caderno que uma das vias de transmissão do vírus HIV está
associada ao sangue e aos hemoderivados64. Ressaltamos especialmente, dentre as formas de
transmissão sanguínea esclarecidas pela organização ecumênica, o risco de infecção do vírus através dos usuários de drogas injetáveis. Esse item consta exposto da seguinte forma: “A transmissão sanguínea também pode ocorrer por meio do compartilhamento de agulhas e seringas contaminadas, está é uma importante forma de transmissão entre usuários de droga injetáveis [...]” (KOINONIA; COORDENAÇÃO ESTADUAL DE DST/AIDS SÃO PAULO, s/d, p. 24).
Há um esclarecimento explícito sobre os cuidados em ter “práticas seguras no manuseio de
sangue e objetos perfuro-cortantes” (Idem, p. 44). Ainda ressaltamos na recomendação do
Conselho Mundial de Igrejas, citada no Caderno, orientando às igrejas:
Pedimos às igrejas que façam frente ao problema da “drogadição” e ao papel que desempenha na propagação da AIDS, e que tomem medidas no plano local no que se refere à assistência, à desintoxicação, à reinserção e à prevenção. (Idem, p. 34)
Não encontramos nos documentos das Oficinas dirigidas por KOINONIA na aplicação do Caderno algo que aprofunde a temática sobre usuários de drogas. Nem mesmo no material “Igrejas Solidárias e Transformadoras” usado como roteiros para igrejas, são encontradas alguma orientação sobre uso de drogas e HIV/AIDS. Parece-nos que tal assunto não foi levantado em nenhum momento.
Devemos ter em mente que a vulnerabilidade ao vírus se instala não só através entre usuários de drogas injetáveis, entre os quais se compartilha muitas vezes as seringas e as agulhas contaminadas. As outras drogas não injetáveis, como crack, a cocaína e mesmo o álcool, podem afetar as pessoas a tomarem decisões na hora de adotar um comportamento sexual seguro.
64 Hemoderivados: são elementos derivados do sangue (plasma, plaquetas, hemácias etc.) e utilizados
Dalgalarrondo (2008, p.182) em sua obra “Religião, Psicopatologia e Saúde Mental”, tratando especificamente sobre as pesquisas epidemiológicas envolvendo religiosidade e consumo de drogas afirma que
Certamente, a associação entre maior religiosidade, principalmente maior freqüência à igreja, e menor abuso ou dependência de álcool e drogas é o mais consistente de todos os fenômenos estudos no campo “saúde mental- religião” (Koenig; McCullough; Larson, 2001). De 140 estudos que investigaram a associação álcool/drogas/religião, 90% identificaram uma associação negativa, no sentido de quanto maior a religiosidade menor o uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas. [...] também é plausível que pessoas com maior envolvimento com álcool e drogas se distanciem na vida religiosa (saindo ou não ingressando nela), por não se sentirem aceitos no meio religioso (principalmente se mantiverem os mesmos hábitos), por desejarem continuar usando álcool e drogas sem que ninguém os incomode, ou por se sentirem incapazes de satisfazer as exigências do ambiente religioso.
De fato, podemos usar essas informações como forte argumento já que os integrantes de uma religião, especialmente falando de fiéis de igrejas, teoricamente não seriam usuários assíduos de drogas. Mais uma vez instala-se aquela idéia que a religião blinda completamente o fiel dos perigos do “mundo”. O problema do consumo de drogas, todavia tem acelerado nos últimos anos no Brasil, não só nos grandes centros urbanos, como também nas cidadezinhas de interior. A droga também pode atingir tanto os membros de igrejas e suas famílias e amigos. É preciso que intensifique cuidados de prevenção em tempos de HIV/AIDS.
O Ministério da Saúde construiu uma Política de Redução de Danos, que trouxe reflexo para o Programa Nacional DST/AIDS:
A Redução de Danos é uma estratégia da saúde pública que visa reduzir os danos à saúde em conseqüência de práticas de risco. No caso específico do Usuário de Drogas Injetáveis (UDI), objetiva reduzir os danos daqueles usuários que não podem, não querem ou não conseguem parar de usar drogas injetáveis, e, portanto, compartilham a seringa e se expõem à infecção pelo HIV, hepatites e outras doenças de transmissão parenteral. A Redução de Danos tem sido a política prioritária para o desenvolvimento de ações junto a usuários de drogas e são desenvolvidas pelas três esferas de governo e também pelas organizações da sociedade civil.[...] A disseminação do HIV entre os usuários de drogas, seus parceiros sexuais e filhos constitui ainda um dos mais sérios danos decorrentes do consumo de determinadas substâncias psicoativas. As ações de redução de danos devem preconizar reduzir todos os danos a saúde dos usuários e usuárias, considerando a exclusão social, as questões estruturais, o estabelecimento de referências e contra-referências
como prioritárias dentro dos programas desenvolvidos. Assim, são apoiadas ações de fortalecimento da rede de redução de danos.65
Não seria o momento também de KOINONIA refletir sobre essa política de redução de danos nas igrejas?
3.3 COMENTÁRIOS SOBRE O CAPÍTULO
O Caderno de KOINONIA utilizado pelo Programa Estadual DST/AIDS de São Paulo, através do GT Religiões, tornou-se desde 2005 um instrumento de sensibilização para os espaços religiosos diante da vulnerabilidade ao vírus HIV/AIDS.
O Caderno “AIDS e Igrejas” surge a partir de uma leitura de conjuntura por parte de
KOINONIA em torno dessa doença na sociedade brasileira em geral e mais especificamente nas comunidades cristãs. Através do Caderno são oferecidas para as igrejas “[...] informações, subsídios e sugestões que possam ajudá-las a desenvolver ações preventivas e de solidariedade com pessoas que vivem e convivem com AIDS” (KOINONIA;
COORDENAÇÃO ESTADUAL DE DST/AIDS SÃO PAULO, s/d, p. 7)66. Foram levadas
em conta as dificuldades das igrejas em responder teologicamente e pastoralmente aos desafios de acolhida e solidariedade às pessoas que vivem e convivem com HIV/AIDS. Isso denota o trabalho de duas instituições, KOINONIA e GT Religiões, em fornecer subsídios teóricos e práticos sobre AIDS e Religião junto aos fiéis de igrejas com uma aspiração por resultados a partir dessa intervenção. Vázques (2007, p. 220) traz uma contribuição ao definir justamente a práxis como:
A atividade propriamente humana apenas se verifica quando atos dirigidos a um objeto para transformá-lo se iniciam com um resultado ideal, ou fim, e terminam com um resultado ou produto efetivo, real. Nesse caso, os atos não só são determinados causalmente por um estado anterior que se verificou efetivamente – determinação do passado pelo presente -, como também por algo que ainda não tem uma existência efetiva e que, no entanto, determina e regula os diferentes atos antes de desembocar em um resultado real; ou seja, a determinação não vem do passado, mas sim do futuro.
65Programa Nacional DST/AIDS- Política de Redução de Danos em
http://www.aids.gov.br/data/Pages/LUMIS21AF2FB2PTBRIE.htm . Acesso 01.06.2010.
KOINONIA e o GT Religiões desenvolvem pelo Caderno uma práxis na abordagem sobre AIDS nas igrejas. A partir da aplicação do Caderno através das oficinas de multiplicadores surgem os sucessos e os fracassos, as contingências e até outras respostas não esperadas. Na presente pesquisa partimos de alguns referenciais encontrados nas entrevistas com os membros do GT Religiões e de KOINONIA e da “Avaliação Institucional 2008” de KOINONIA para entender a receptividade, aplicabilidade e efetividade do Caderno junto às comunidades religiosas.
O objetivo da ação de KOINONIA e do GT é elaborar e promover nas igrejas ações de prevenção e de solidariedade com pessoas que vivem e convivem com AIDS buscando alcançar suas metas específicas (resultado ideal). Por fim, o que se evidenciou foram respostas efetivas e não efetivas com relação à prevenção e a solidariedade por parte dos fiéis (resultado real). Encontramos em Vázques (2007, p.221) uma base teórica que oferece suporte para essa ação:
O resultado real, que se quer obter, existe primeiro idealmente, como mero produto da consciência, e os diferentes atos do processo se articulam ou estruturam de acordo com o resultado que se dá primeiro no tempo, isto é, o
resultado ideal. [...] Isso não significa que o resultado obtido tenha de ser
necessariamente uma mera duplicação do real de um modelo ideal preexistente. Não; a adequação não tem por que ser perfeita. Pode assemelhar-se pouco, e ou mesmo nada, ao fim original, já que este sofre mudanças, às vezes radicais, no processo de sua realização. Desse modo, para que se possa se falar de atividade humana é preciso que se formule nela um resultado ideal, ou fim a cumprir, como ponto de partida, e uma intenção de adequação, independentemente de como se plasme, definitivamente, o modelo ideal originário67.
Por outro lado evidenciamos que tanto KOINONIA como o GT Religiões não criaram durante a aplicação do Caderno os mecanismos para avaliação das oficinas de multiplicadores, dificultando uma análise mais aprofundada de sua práxis.
Nessa aliança estabelecida entre Estado e Religião, através do GT Religiões e KOINONIA, percebemos claramente uma práxis que primeiramente identificou como um desafio levar tecnicamente a temática sobre AIDS nas igrejas cristãs através de uma publicação especificamente de cunho religioso. Em segundo lugar, o desafio de saber lidar nas oficinas de multiplicadores com os temas apresentados pelo Caderno e pela própria população levando em consideração os diferentes contextos sociais, culturais, econômicos e religiosos.