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Effects of individual anti-nutritional factors

4. Commercial fish feed formulation

4.4 Anti-nutritional factors in plant based feed ingredients

4.4.1 Effects of individual anti-nutritional factors

Primeiro acho que algo precisa ser deixado claro que desde o início da epidemia havia uma procura de religiosos de várias tradições preocupados em prestar auxílio às pessoas com HIV. Na verdade, teve muita procura no início da epidemia, formando-se grupos de aprendizados em torno do tema e a busca de capacitação do governo por parte de religiosos. Em 2002, o Pai Celso Ricardo e o Pai Reginaldo do Grupo de Valorização de Trabalho em Rede (GVTR) nos procuraram como Divisão de Prevenção da Coordenação Estadual de DST/AIDS para uma capacitação para multiplicadores em DST/AIDS nas comunidades religiosas afro- descendentes do município de São Paulo. O Pai Celso já participava de grupos de discussão das comunidades de paz, de convivência harmônica entre as religiões. Quando ele faz essa oficina chamando os terreiros imediatamente ele convida o COMPAZ que é um grupo que acompanha a Assembléia Legislativa. O que deveria ser uma discussão afro-brasileira acaba tendo a contribuição de outras religiões.

Uma das questões que o Pai Celso trouxe foi a história de um portador, adepto de uma religião afro-brasileira. Inclusive sua mãe biológica pertencente à Igreja Católica e seu Pai de Santo estavam também ali presentes. Essa mãe respeitou a religião do filho sem negar a religião dela e dando um depoimento como foi respeitar a religião do seu filho, entendendo que era importante para ele. Houve também outras necessidades de grupos religiosos diferentes como espíritas e igrejas em discutir o tema do HIV/AIDS.

Surgiu a idéia, em vez de se discutir isoladamente com cada grupo as formas de prevenção e cuidados, trabalharíamos todos juntos sobre esses assuntos com todos os grupos religiosos. Seria então um grupo aberto a todas as pessoas para descobrir as metodologias mais adequadas para falar de prevenção no espaço religioso.

Naquele momento a gente sentia que o espaço religioso não só podia transmitir informação para quem estava ali, mas tinha a importância da liderança religiosa para vida da comunidade.

Além disso, a comunidade religiosa tinha ações para fora, tinham assistências sociais diversas na comunidade em torno. Seria de fato um local adequado para trabalhar prevenção. Tinha demanda, pois as pessoas queriam saber e os grupos religiosos davam respostas. O que nós queríamos era afinar a linguagem e orientar as respostas quando diziam respeito à questão técnica. Nós sabíamos desde a fundação do GT que a questão religiosa dizia respeito aos religiosos não cabendo ao Estado discutir dogmas.

O Pai Celso e o Pai Reginaldo já tinham feito capacitação através do Estado na cidade de Carapicuíba. Eles tinham a idéia de também realizar essa capacitação para o povo de santo. Eles chamavam o povo para vir nas reuniões, mas o povo não aparecia. O povo não vinha porque eles eram muito novos, por exemplo, o Pai Celso tinha 23 anos. Para a tradição afro- brasileira um rapaz de 23 anos ensinar para um homem de 60 anos como usar uma navalha, um instrumento sagrado do candomblé, para não ocorrer uma contaminação por HIV. Tudo isso era impensável: era o mais velho que deveria ensinar o mais novo. Tiveram então que chamar o Estado, pois não tinha uma ligação hierárquica com os religiosos. Assim eles não se recusaram a vir na oficina. Nós mesclamos no meio dos palestrantes gente do candomblé que era mais velho e gente mais nova, como o Celso.

Fizemos dois seminários, o primeiro em maio de 2003 e o outro em 2004 na cidade de São Paulo. Chamamos de “Seminário Sexualidade e Espiritualidade Frente à Saúde”, pois eles acharam se colocássemos AIDS e Religião nenhum religioso viria para discutir. No primeiro seminário, era muito amplo, queríamos saber se haveria interesse dos grupos religiosos e dos Programas Municipais para com o tema. No seminário de 2004 já tínhamos produto para mostrar, pois tivemos a participação da Rede Afro-Brasileira, do CLAI-Brasil, de KOINONIA, do GVTR...

Naquela época eu trabalhava na Gerência de Prevenção, no Núcleo de Atenção Básica, voltado para ações de prevenção para rede pública de saúde, tanto nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e no Programa de Saúde da Família (PSF).

O GT é um grupo de trabalho e não um fórum. Ele tem a proposta de trabalhar junto para construir políticas públicas, para construir ações governamentais. As reuniões no começo do GT eram por mim coordenadas, uma vez por mês e tinham a participação do Pai Celso, do Istvan Varga que trabalhava com a gente e participava tanto no GT Religiões e do GT Etnia por causa da questão indígena, o Pai Reginaldo, a Valdirene Fagundes que era católica e trabalhava em uma ONG chamada Piracema que trabalhava junto às profissionais do sexo, a Derli era evangélica e participava no GVTR. Depois chegou outra leva com a Ester Lisboa que trouxe o Anivaldo Padilha, a Mãe Cristina trazida pelo Pai Celso, o Abílio da Federação Espírita de São Paulo. No início os espíritas nos procuraram para fazer um trabalho pontual, uma oficina e acabaram depois ficando com a gente. O primeiro município a vir foi o Município de Piracicaba, pois já tinha uma parceria forte com religiosos na cidade. O município de São Paulo vinha algumas vezes mandando seus representantes e outras vezes não mandava. Piracicaba por causa do trabalho local sempre teve muita participação dentro do GT. Esse foi o núcleo gerador do GT Religiões de São Paulo. A partir dele chegou outros

municípios e outras pessoas. As informações sobre o GT iam se espalhando nas oficinas através da informação boca a boca.

Conheci a Ester Lisboa em um encontro realizado pelo ISER através de um seminário em 2003 sobre Religião e Sexualidade no Rio de Janeiro, perto do Hotel Glória. A discussão estava bem polarizada, as mesas estavam muito combativas e eu estava sentindo falta de coisas propositivas. Numa mesa só de lideranças religiosas perguntei qual a parceria que eles tinham com o Serviço Público, se tinham alguma ponte com a Rede Básica de Saúde. Quando fiz essa pergunta a Ester me passou um bilhete querendo conversar comigo. Aí ela se apresentou como assistente de KOINONIA e também não estava gostando do caminhar da discussão do encontro. Daí no encontramos em São Paulo e percebi que tanto a Ester como o Anivaldo Padilha tinham muita coisa a dizer trazendo muita experiência e trabalho acumulado. Nós como Estado não conseguíamos chegar às igrejas e eles traziam muitos caminhos.

Uma coisa que aprendemos com o tempo é que mandávamos cartas para estabelecer contatos ou convidávamos para os encontros os grandes chefes das igrejas, mas eles não viam por falta de tempo e nem sempre eles repassavam para outras pessoas. Então eu achava que tinha que pedir a bênção de todos os grandes reverendos e eu nunca chegava naquela pessoa que tava na ponta da comunidade, naquele pastor da comunidade. Na verdade tava mandando o convite para o lugar errado. Já no terreiro eles não davam o endereço por causa do governo. Na verdade você dependia do boca a boca para divulgar os trabalhos. Os espíritas também ficavam com muito pé atrás do Governo. Ou seja, se você não acessa as redes, você não acessa ninguém.

O GT Religiões trabalha da seguinte forma até hoje: o Estado tem um trabalho de descentralização das ações, cada vez mais municipais. O Estado não tem uma função de fiscalizador, ou mesmo, de fazer uma ação direta com a população. Quem faz são os municípios. Já temos um diálogo estabelecido em vários espaços em 145 municípios prioritários, a gente se comunica constantemente com eles. A gente convida mensalmente todos eles e as regionais de saúde epidemiológicas e estendemos esse convite a todos os municípios que tem interesse. Eles sabem que existe esse espaço e vem chegando para participar das reuniões. Temos a estratégia de trabalhar regionalmente: temos o GT Estadual que se reúne todo mês. Eles formam os GTs municipais ou regionais, e a tendência é ser regional onde eles discutem em conjunto naqueles espaços com suas particularidades. A primeira parte da reunião sempre é de troca de experiências e de informar o que está acontecendo. Na segunda parte é mais formativa sobre questões pertinentes. Também temos o Egroups que ajuda também a comunicação.