A moderna análise científica sobre os sonhos baseia-se sobre o trabalho de inúmeros pesquisadores, e apesar das suas teorias serem diferentes, às vezes contraditórias, são todas úteis e significativas, porque descrevem a realidade interna, externa, das relações inter-pessoais, a realidade coletiva. Mas tudo isso, permanece uma descrição ao infinito, sem um ponto de partida, ou seja, um critério que identifica o ser humano, e que possa dar um sentido a todo este conhecimento (BERNABEI, 2007, p. 37).
A pergunta principal portanto é: “qual é o critério que determina o significado positivo ou negativo do símbolo para o sonhador? Para Antonio Meneghetti, fundador da Ontopsicologia, para caracterizar o aspecto bom ou ruim de uma imagem, não são suficientes os parâmetros culturais do contexto e das tradições,
nem a crença ou hábitos coligados a arquétipos de um depósito ou inconsciente universal (BERNABEI, 2007, p. 37).
O critério adotado pela Ontopsicologia é o critério biológico, a lógica da vida. Quando no sonho de um indivíduo aparece um símbolo, é necessário perguntar-se: aquele símbolo quanto ganho produz para o sonhador de um ponto de vista psicológico e ôntico, mas antes de tudo, de um ponto de vista biológico? Isto porque: “antes de fazer falsas transcendências, é preciso aceitar a ordem da matéria: na partida a ordem é psíquica, mas a elaboração é material”. “A ordem do inconsciente (Glossário) é sempre biológica” (MENEGHETTI, 2004, p. 145).
Com o pressuposto do utilitarismo-funcional à identidade do sonhador, formaliza-se o critério de positividade ou negatividade, para o sujeito, do elemento sonhado (MENEGHETTI, 1997, p. 21).
“Para a análise ontopsicológica é suficiente que o sonhador seja um ser humano. A pertinência étnica, cultural, a idade e outros fatores são indiferentes” (MENEGHETTI, 1997, p. 21). Aqui o cientista deixa claro que a interpretação onírica, segundo a visão ontopsicológica, não terá diferença, quanto à idade. E esta afirmação está baseada em vastíssima investigação em diferentes populações, com pessoas com diferenças etárias, étnicas, econômicas e culturais (Anexo A).
Meneghetti afirma também que não sabemos como seria a interpretação de Freud fora da cultura austríaca naquele determinado período histórico. Não usufruímos de uma experimentação externa a tal cultura, portanto não podemos considerar a interpretação simbólica freudiana “universal”.
O método ontopsicológico consente uma interpretação dos símbolos oníricos reversíveis com o real: existe coincidência entre o significado atribuído a um símbolo e a situação real do sonhador. Isso é possível a partir do momento que esta ciência fez descobertas – o Em si ôntico (o critério), campo semântico, monitor de deflexão – que permitem discriminar aquilo que é útil e funcional para o indivíduo, principalmente de um ponto de vista biológico, e o que, ao contrário, o reduz e o faz adoecer (BERNABEI, 2007, p. 39).
Para a Ontopsicologia a noite, na vida do homem, é a experimentação da sua fraqueza, portanto dos seus lados perdedores. Durante a noite, entendida como sono, o indivíduo é inerte e indefeso psiquicamente em tudo o que consente a sua inteligência e volição. E exatamente porque é o momento mais débil pode-se revelar
quais são os pródromos, seja de possibilidade patológica que de realidade já em ato (MENEGHETTI, 2004b, p. 44).
A consciência é um monitor natural de reflexão: as variações vetoriais e energéticas se especificam em projeção cênica, que são a fisionomia da ação constelante. Por ela se pode saber a posição e direção do quântico holístico vivente e, contemporaneamente, pela sua informação, pode-se interagir e coordenar no interior de toda a constelação. Portanto, a consciência é a situação eidética (Glossário) que consente em todos os modos a reversibilidade interativa do exterior com o interior e vice-versa, do consciente a todo o inconsciente e vice-versa (MENEGHETTI, 2004b, p. 45).
Cada novidade de saber implica uma novidade de código de interpretação. A Ontopsicologia é uma novidade de saber, e mesmo estando em condições de fazer- se compreender por outros sistemas sintáticos e podendo instaurar um diálogo adequado, possui seus próprios modos de garantir-se familiar com o real homem- ambiente e homem-mundo da vida. Por isso é necessário precisar os seus modos de interpretação. O mediador de sentido de qualquer real é o em si do homem, isto é, o constituinte primeiro que formaliza o real, como é esta individuação, aqui, agora.
Pelo fato que o homem é uma unidade de ação, constitui-se inevitavelmente experiência auto-evidente. É a auto-referência que constitui o potencial do Eu, o potencial de consciência, portanto ato constituinte do indivíduo distinto, como único distinto de todo resto. Dado um sinal, o seu significante é único. Se isto não se verifica, deve-se ao acontecimento histórico do monitor de deflexão. O monitor de deflexão é um complexo cibernético que interferente em proporção especular em proximidade à área cerebral central. Este recebe, seleciona e programa, com racionalidade mecanicista os dados organísmicos (Glossário), por isso o indivíduo pode conhecer e reconhecer somente o quanto previsto pelo programa, permanecendo desviado da própria ecceidade (Glossário). Os lugares lógicos e os definidos morais são os condensados do monitor de deflexão. (MENEGHETTI, 1997, p. 21). Neutralizado o mecanismo cerebral o homem pode confirmar-se palavra exata daquilo que é. Ato e reflexão revelam-se como jogo do único em si.
Do inconsciente agente existem muitas sinalizações. Mas continua-se no erro de interpretação porque a interpretação foi sempre construída sobre projeção racional consciente e sobre os sintomas sempre analisados com critério racional. A ontopsicologia preocupa-se em organizar os sinais com o real, partindo do real em
si. Conhece-se a valência entre símbolo e real, ou melhor, é do real que se aprende a verdade do símbolo (MENEGHETTI, 1997, p. 29).
Para Menegheti: “a imagem é o formal do quântico”. Quando se interpretam os sonhos, a psicossomática, os lapsos e tudo aquilo que é a fenomenologia do sujeito, colhem-se os formais que especificam quânticos em ação. O traçado dos quânticos formais constitui a imagem.
Para um físico experimental uma fórmula não é um sinal, mas ação da energia. A fórmula é um modo de formalização da energia, portanto um modo da energia em ato. É inútil negar aquela fórmula: quando se dão aqueles condensados, a dinâmica está matematicamente sobre aquele efeito. As imagens são chaves de sentido, starter de poder. Quando o sonho dá as imagens, não são símbolos, mas deslocamentos de realidade. Porém a fórmula deve ser dada a um químico que a compreenda. As imagens são projetos quânticos em ação. “Projeto” é um arremessar para, dinâmica para, inexorável ao específico efeito (MENEGHETTI, 2004a, p. 59).
A constante de adaptação e de evolução do Em Si ôntico em situação histórica instaurou uma linguagem. As letras do alfabeto são formais essencializados pelo nosso conhecimento e pela aplicação prática. No jogo de poucas letras, fazemos uma arquitetura de construções quase ao infinito. O inconsciente tem o seu alfabeto e segundo como o usa, forma imagens ou direção de sentido. Na natureza não existe o andar sem meta. Não existe energia sem imagem. “A interpretação dos sonhos não é outra coisa que a leitura técnica dos vetores dinâmicos. Quando se dá um determinado sinal, está atuando inequivocamente uma energia específica” (MENEGHETTI, 2004a, p. 61).
A Ontopsicologia estabeleceu imagens-chave positivas ou negativas. No Prontuário Imagógico estão codificados os elementos-base a cerca do modo em que se identificam os sinais que indicam se a vida está presente ou ausente. Neste texto são reportados os lugares de sentido adotados sistematicamente pelo Em si ôntico em adaptação histórica. Portanto, Prontuário Imagógico é o texto que circunscreve a abertura do símbolo à cifremática onírica. O inconsciente verbaliza os comunicados segundo uma simbologia específica. Lendo os sinais do inconsciente, o sujeito individua o modo como está, mas para compreender deve ser sadio (MENEGHETTI, 2005, p. 12).
Para entrar na análise do sonho em modo científico não se pode proceder por acaso ou sobre opinião, precisa ter uma coerência baseada sobre a coerência do real. Com o sonho estamos de fronte à problemática do que seja a imagem. A imagem ou forma é o modo de interação pelo qual se especifica uma energia, portanto um resultado. O sonho faz uma análise exata do ponto de vista médico, comportamental e social do sujeito, sendo uma projeção das variáveis e das alterações, sejam funcionais que estruturais do organismo. É o reflexo daquilo que em realidade já aconteceu no âmbito da totalidade psíquica e somática. É como uma biópsia histológica da existência do sujeito.
Quando se quer analisar qualquer situação (um ambiente, uma pessoa, um sonho, uma doença, um estado de criatividade, etc.) quais instrumentos de análises podem ser usados? Como se pode conhecer uma situação antes que ela se efetue? Como revelar as causas antes que se tornem definitivas? Ou, no caso dos efeitos já estarem em ato, como controla-los e variar, sempre evidenciando a impostação da causa? A correta interpretação dos sonhos pode fazer parte da resposta a essas perguntas.
O sonho consente um quadro exato e completo que contemporaneamente tem a precisão do campo semântico e a precisão da análise lingüística. Na análise de um sonho se vê a historia de um sujeito, as circunstâncias que teve, o comportamento psicológico-subjetivo e os resultados práticos reais que ocorreram com base nas usa escolhas. No elaborado onírico há uma infinidade de coisas, por isso, com um sonho, um especialista pode ter em mãos toda a vida de uma pessoa. O sonho é a grafia daquilo que o organismo do sujeito está operando, mesmo se o eu consciente vê somente uma imagem que acredita não ter sentido e não ter realidade.