Homem de grande cultura clássica. Sempre teve o estudo como prioridade. Entendeu que somente conhecendo profundamente as ciências poderia compreender a vida. E por isso fez escolhas que exigiram sacrifício, abdicação, desprendimento, coerência. Ainda hoje estuda com disciplina; ainda hoje procura algumas respostas.
Bondoso por excelência. O seu maior bem, o conhecimento, faz questão de compartilhar com seus alunos. Não é um homem de muitos amigos, prefere estar com os seus livros, suas obras de arte, na sua casa, com pomar e jardim. É conhecedor da terra, das estações, das plantas, dos animais. Cuida pessoalmente das próprias coisas.
Trabalha por ambição de aprimorar a capacidade pedagógica. As propriedades que possui garantem conforto e tranqüilidade. Transcendeu as carências da infância, a Igreja e a família.
Embora pouco expansivo externamente, no seu íntimo tem sede de muitas aventuras, de horizontes que tragam conhecimento vivo. Mansamente faz uma revolução se for por um crescimento verdadeiro. Gostaria de compartilhar ainda mais e com mais pessoas a grande bagagem experencial que possui. É grato às muitas e especiais oportunidades que teve, mas sente que o tempo passou rapidamente e que não tem sido fácil manter atualizadas as pulsões que traz dentro do coração.
8.3.2 Interpretação do sonho 1
SÍMBOLOS: conforme Prontuário Imagógico (MENEGHETTI, 2005b):
− velho: quase sempre é coligado ao saber com experiência do passado em sentido cultural e real. Quem sabe por inteiro o passado conhece também a presença do ser e a partir disto, nasce a sabedoria de todo devir ou existir. Por esta consciência do ser, o velho é reconhecido como a sabedoria da vida. Ele é o velho sábio, o princípio antes do devir, e verbaliza ao Eu o Em Si, enquanto este ainda é desconhecido e não mediado diretamente.
Tipo de sonho: clínico-anamnéstico. Segundo a Metodologia Ontopsicológica: I – Princípios Universais de Interpretação:
1. Natureza funcional do símbolo: responde à pergunta: “o que é?” O velho, o sábio, o pescador são usados pelo inconsciente como símbolos de positividade, desde que mostrem um caminho, por um gesto ou palavra, muito diretamente. Se falar muito ou não estiver em
uma ação concreta é falso. Neste sonho o sábio que fala pela figura do velho, não somente é verdadeiro, mas responde à pergunta que o sonhador colocou-se: “devo deixar o sacerdócio?” E quando a resposta é: “eu quero” significa que o personagem do sonho é parte da personalidade do sonhador.
2. Efetualidade causal do símbolo: responde à pergunta: “que efeitos produz?” A figura do sábio é usada pelo inconsciente como aquele que fala, porque tem conhecimento de causa, porque já viveu muitas experiências. Não perde tempo com o que não funciona.
II – Psicogênese do Símbolo:
1. Realidade social: na ocasião do sonho o sonhador estava por decidir permanecer ou deixar o sacerdócio.
2. Visualização dos instintos: o sábio que fala é o instinto, como ordem de natureza que diz o que e como quer.
III – Elementos Oníricos da Direção do Sonho:
1. Ação em mutação: é muito direta, na forma de pergunta e resposta: “eu devo fazer?” “sim, porque eu quero”.
2. Ambiente: é semelhante ao que vivia o sonhador. Alguém dedicado ao estudo e à veneração aos grandes mestres.
3. Indivíduos ou pessoas: quem pergunta e quem responde são a mesma personalidade.
4. Sentimentos: “eu quero”, porque eu sou assim, diz o inconsciente ao sonhador.
O sonhador, conhecedor da veracidade dos sonhos, coloca-se conscientemente em disponibilidade psicológica para aceitar a ajuda do próprio inconsciente através dos sonhos, quando necessita tomar uma decisão importante: sair ou não do sacerdócio.
O sonho é curto, claro, objetivo. É o velho sábio quem diz: “eu quero”. Lembrando que os personagens dos sonhos, especialmente as pessoas, são facetas da personalidade do próprio sonhador.
Neste sonho a presença do velho representa a maturidade do sonhador, que na ocasião era muito jovem.
Quanto mais simples a imagem do sonho maior a possibilidade de que ele esteja revelando uma mensagem da vida e não dos estereótipos sociais.
8.3.3 Interpretação do sonho 2
SÍMBOLO: conforme Prontuário Imagógico (MENEGHETTI, 2005b):
− cobra: o Em Si a associa à espiral micromecânica inserida nos processos lógicos da nossa racionalidade. É o deforme descontínuo que se propõe semelhante à vida para melhor metabolizar-se: uma vez sincronizado o organísmico ao programado, inicia a ruína de toda a estrutura pessoal. O tipo do sonho é clínico-anamnéstico.
Segundo a Metodologia Ontopsicológica: I – Princípios Universais de Interpretação:
1. Natureza funcional do símbolo: responde à pergunta: “o que é?” A cobra para o humano não tem qualquer funcionalidade.
2. Efetualidade causal do símbolo: responde à pergunta: “que efeitos produz?” A cobra, para o humano, corresponde a algo de nocivo, venenoso, podendo matar.
II – Psicogênese do Símbolo:
1. Realidade social: na ocasião deste sonho o sonhador estava em total disponibilidade a aumentar os seus conhecimentos e tinha a confiança de que através das aulas com conceituados professores poderia fazê- lo.
2. Visualização dos instintos: este sonho traz a informação de que aquilo que está merecendo a credibilidade do sonhador não é verdadeiro para a sua natureza funcional, mas não dá a informação de qual seria a melhor atitude. Os instintos ainda não se expõem.
III – Elementos Oníricos da Direção do Sonho:
1. Ação em mutação: a ação do símbolo cobra, para o humano, só pode ser de algo não conforme, nocivo portanto.
2. Ambiente: se um animal peçonhento ocupa o lugar, que por natureza, seria do sonhador, significa que as referências de valor que têm sido acreditadas, não são eficientes. Refere-se obviamente a um espaço psicológico.
3. Indivíduos ou pessoas: os personagens referem-se a partes do sonhador. Portanto se aparece um animal significa que houve a permissão psicológica do sonhador.
4. Sentimentos: por mais corajoso que seja o indivíduo, a cobra é vista pelo inconsciente como alerta de perigo.
Os números e as cores não são indicados. O sonhador localiza este sonho em um dia preciso após uma determinada aula com uma conceituada professora. Imediatamente o sonho dá uma escala de valor da aula assistida: não serve como ganho psicológico, ainda que tenha sido proferida por uma expoente cientista.
Porém, cada símbolo ou personagem que se visualiza no sonho são partes da personalidade do sonhador. A ocasião da aula e a simbologia gerada no sonho são instrumentalizados pelo inconsciente para informar ao sonhador que esteja atento às próprias motivações.
Embora a simbologia não represente aspectos positivos, ligados à identidade de natureza, é sempre a ocasião de alerta para o perigo de se acreditar mais no forte estereótipo de uma ciência exposta e reconhecida do que na própria virtualidade ôntica.
O sonhador afirma que a professora não compreendeu a realidade da vida, mas ao dizê-lo fala também de si e indica que ainda necessita refinar a sua percepção em muitos aspectos, quando está em sociedade.
8.3.4 Interpretação do sonho 3
SÍMBOLOS: conforme Prontuário Imagógico (MENEGHETTI, 2005b):
− estrada: se larga e bem feita, é direção frustrante. Se pequena e dificultosa, é possibilidade de autóctise (Glossário) funcional
− braço (mão): é sinônimo da ação e do fazer. O tipo de sonho é clínico-anamnéstico.
Segundo a Metodologia Ontopsicológica: I – Princípios Universais de Interpretação:
1. Natureza funcional do símbolo: responde à pergunta “o que é?” A estrada é possibilidade de caminhar, de crescer, de realizar. As mãos são os instrumentos para realizar.
2. Efetualidade causal do símbolo: responde à pergunta “que efeitos produz?” As estradas aparecem significando que se está caminhando em alguma direção. Portanto há mudanças em andamento. As mãos significam que estas mudanças são realizadas pelo sonhador. Existe o seu empenho psicológico.
II – Psicogênese do Símbolo:
1. Realidade social: o sonhador está envolvido nas emoções das realizações dos filhos, mas também está investindo a sua energia para um aprimoramento psicológico.
2. Visualização dos instintos: as estradas a serem construídas e as mãos que trabalham são os instintos que querem a sua realização histórica. III – Elementos Oníricos da Direção do Sonho:
1. Ação em mutação: a dinâmica é de construção para chegar a algum lugar. Com responsabilidade porque os instrumentos são as próprias mãos. Há um desejo e uma força para o crescimento psicológico.
2. Ambiente: quem faz estradas está em um espaço aberto, em contacto com a força da terra.
3. Indivíduos ou pessoas: o sonhador vê a si mesmo trabalhando.
4. Sentimentos: quem abre uma estrada sente que pode chegar a algum lugar. Busca o melhor para si.
É um significativo sonho recente, onde o sonhador põe-se a formalizar estradas para a própria caminhada; e usa força das mãos e braços para fazê-lo. Mas as estradas são duas. Não é possível trilhar duas estradas ao mesmo tempo. O sonhador encontra-se novamente em um momento de tomada de decisão. Só poderá trilhar uma estrada.
Ao interpretar o sonho, o sonhador associa as duas estradas com as condições atuais de seus dois filhos. O inconsciente pode usar este evento histórico, mas certamente a dualidade no sonho diz respeito também à personalidade do sonhador. Haverá necessariamente uma tomada de posição em um futuro próximo que diz respeito à personalidade do sonhador.
Não concordo completamente com a interpretação do sonhador. O sonho não poderia referir-se somente aos filhos. A simbologia usada toca os fatos externos usando-os para falar, sobretudo da personalidade de quem sonha.
8.4 ENTREVISTA IV:CV
Mulher, 68 anos, do lar. Filha de lavradores. A sétima de treze irmãos. Casou- se aos dezesseis anos e ficou viúva após trinta e três anos de casada. Teve onze filhos; um natimorto.
“Eu acreditei muito na natureza, por isso não tive grandes dificuldades. Também nunca tive medo. Trabalhei muito porque tinha que ser alguém. E tenho consciência das coisas. Trabalhei no comércio enquanto precisei; depois passei pra frente. Dei força a todos os filhos que quiseram estudar. Fazia geléia, costura e me preocupava com a escola dos filhos”.
“Hoje a minha vida é muito boa, embora eu não tenha me preparado para viver sem meu marido. Não sou perturbada por ninguém e não irrito ninguém. Divido as minhas coisas boas com quem eu quero. Cuido da casa, das roupas e da comida. O dinheiro das pensões que eu tenho dá, não falta nada, porque eu sei fazê-lo render. A casa onde moro é minha, mas se alguém da família precisa passar uns tempos não é problema”.
“A saúde vai bem. Tirei quase todos os medicamentos. Seleciono bem os alimentos percebendo como o corpo reage. E esta escolha correta dos alimentos protege a minha saúde”.
Até hoje se reúne com os irmãos para fazer festa. “Eu sou boa, mas na minha casa mando eu”. SONHO:
A sonhadora conta: “eu estava fazendo churrasco, tranqüila, usando lenha para acender o fogo. Não era carvão, era lenha. Era na minha casa, na parte aberta. A família estava presente: filhos, marido, mãe. Eu assumo a responsabilidade de fazer o fogo. São vários sonhos com festas. E as pessoas não são sempre as mesmas, mas sempre há festa e muita comida. Quase sempre com carne. Sempre sou eu quem assume a responsabilidade do fogo. Estou no início e no fim. E os
outros esperam por mim para começar a festa. A carne é vermelha. Às vezes é difícil de acender o fogo”.
Para esta sonhadora: “o sonho que se sonha acordado e não se realiza vira doença. Portanto se eu tenho um compromisso eu cumpro”.
Interpretação da sonhadora: gosto da festa do sonho. Às vezes me assusta a quantidade de carne e de fogo.
Interpretação do pesquisador: não é um sonho que merece preocupação. As emoções que estes sonhos causam são equivalentes à sua paixão pela vida e pelo modo como está hoje. Os outros, no sonho, e na vida real sabem do seu valor e a respeitam, não por ser a mais velha de muitos, mas pelo seu valor pessoal.
Percepção organísmica do pesquisador: como em nenhum outro momento da entrevista, se sente durante a narrativa do sonho, o calor do fogo e a veracidade do que aquelas imagens representam. As cenas dos sonhos (em festa) representam o modo como esta mulher, na sua simplicidade, vive a vida.
8.4.1 Interpretação da entrevista
Mulher de rara sensibilidade e profundidade. Viveu cada estereótipo da sociedade: de filha, de mãe, de esposa, de trabalhadora; e transcendeu a todos.
Encontrou em cada coisa simples o belo da vida. Não se revoltou nunca com as dificuldades, não culpou a ninguém se as coisas eram árduas. Fez o comum tornar-se vibrante. Descobriu na rotina a novidade a cada dia. Só não fez fortuna porque optou pela dedicação à família. E porque na sua geração não era comum mulheres terem muita ambição. Mas foi rica em garantir, a cada filho, oportunidade de estudo. Fez por amor, mas não um amor de quem esquece de si. Ao contrário, é uma pessoa que sabe amar porque admira profundamente a si mesma.
É serena e sábia; simples e feliz. Não tem inveja de ninguém. Não tem motivo para isso porque supre seu cotidiano de pequenas satisfações que dão plenitude. Sente-se dentro da vida e por isso contribui enchendo de graça cada ação sua, estando sozinha ou com os outros.
Sabe que é vitoriosa. Sabe também que poderia ter escolhido pensar mais em si, não ter tido tantos filhos, por exemplo. Mas, nada disso interfere na sua certeza de que é melhor e mais coerente ser feliz. O restante é relativo.
8.4.2 Interpretação do sonho
SÍMBOLOS: conforme Prontuário Imagógico (MENEGHETTI, 2005b):
− comida (comer): ação base do metabolismo com conseqüente nutrição e desenvolvimento do sujeito. Significa sempre positividade funcional e investimento egóico com conseqüente crescimento.
− fogo: significa energia que queima, isto é, instinto em chamas. Se é fogo controlado (lareira, para se aquecer, para fazer luz, para fazer festa, para matar monstros, etc.) significa ação exposta do sujeito com resultados válidos e exemplares.
− casa própria: sinaliza o espaço existencial imediato à operatividade do Eu. O lugar define a direção onírica. Por exemplo, sala de jantar é positivo.
− festa: de qualquer modo, situação de vantagem e oportunidade de desenvolvimento.
É um sonho do tipo clínico-anamnéstico. Segundo a Metodologia Ontopsicológica:
I – Princípios Universais de Interpretação do símbolo:
1. Natureza funcional do símbolo: responde à pergunta: “o que é?” A festa na própria casa, com o alimento preparado no fogo controlado são símbolos que dão nutrição ao corpo e ao espírito humano. Além disso, são símbolos que se complementam.
2. Efetualidade causal do símbolo: responde à pergunta: “que efeitos produz?” Alimentar o corpo e o espírito em convivialidade social sadia produz crescimento em quem faz a festa e naqueles que dela desfrutam.
II – Psicogênese do Símbolo:
1. Realidade social: as imagens do sonho correspondem à realidade atual da sonhadora.
2. Visualização dos instintos: especialmente o fogo, usado para produzir alimento, fala que a sonhadora vive os próprios instintos com eficiência e responsabilidade. Isto serve de exemplo para quem convive com ela. E o sonho confirma isto porque ela produz alimento para si e para fazer festa com os outros.
III – Elementos Oníricos da Direção do Sonho:
1. Ação em mutação: as ações no sonho são coerentes em direção a produzir uma festa agradável para todos que dela participam.
2. Ambiente: faz-se a festa em casa, com os recursos que se tem. Com autoridade no próprio espaço histórico e psicológico.
3. Indivíduos ou pessoas: os convidados fazem parte da realidade da personalidade da sonhadora e aparecem alimentados por ela. Significa que ela conhece muito de si mesma e satisfaz aos instintos com os recursos que tem.
4. Sentimentos: a festa é alegre e tem o escopo de alimentar. Quem participa da festa retorna mais forte ao próprio trabalho. Aqui o inconsciente sinaliza que a sonhadora alimenta a si, mas que seus conselhos e exemplo de vida são nutrição para os que a admiram. É surpreendente constatar que, na simplicidade do estilo de vida desta senhora idosa, o inconsciente faz fogo e festa. A grande energia vital, comum em pessoas bem mais jovens, encontrou um modo de adaptar-se aos recursos históricos desta pessoa, e produz felicidade.
O inconsciente usa muitos personagens para fazer a festa da sonhadora, não somente para dizer que a influência dela sobre os seus familiares é boa, embora isto também possa ser concluído. Mas, sobretudo, os personagens em festa e alimentados por ela, são constituintes da personalidade da sonhadora.
Há uma completa transcendência dos modos estereotipados da sociedade, com manutenção da conexão direta com a própria natureza. É aparente a ambivalência de muita energia psicológica e pouca fenomenologia externa. Esta situação é mais provável de ser encontrada entre as mulheres, que com sabedoria, sublimam a força instintual, e superam as dificuldades históricas.
É simples também o seu modo de interpretar o próprio sonho. Um pouco de medo, mas muito senso de responsabilidade com as imagens produzidas. Sabe que fogo e carne são o próprio espírito e corpo.
8.5 ENTREVISTA V: FS
Homem, 101 anos. Nasceu em um estado do Nordeste brasileiro. Filho primogênito de seis irmãos. Nenhum deles está vivo. Casou-se duas vezes. Teve doze filhos. Foi criado pelos avós que tinham recursos. “Eles deixaram a riqueza comigo e eu a fiz aumentar”. Católico devoto de São Francisco.
“Aprendi o abc. Bebi e fumei durante mais de cinqüenta anos. E hoje diminuí um pouco. Nunca fiquei doente de cama. Remédio de mato é que é bom. A saúde vai bem. Tenho apenas um pequeno reumatismo que começou há pouco tempo. Tenho tudo que eu gosto de comer na minha casa”.
Trabalhava como tropeiro. Vendia farinha e rapadura. Conta que fez fortuna. Também trabalhou pescando, preparando e vendendo peixe na praia.
“Sempre tive meios de sustentar a família”.
“Eu me lembro de tudo. Desde os meus primeiros negócios, quando eu tinha cinco anos e comecei a andar por aí”.
“Quando eu quero viajar sozinho tenho que ir a uma cidade vizinha porque na minha cidade as pessoas me conhecem e não me deixam viajar longas distâncias sozinho”.
“Hoje as pessoas não são mais livres como eu sou”. SONHO (antigo e ocorrido durante uma viagem)
Sonhou que a burra, de sua propriedade e por quem tinha muita estima, havia morrido. Alguém, não identificado pelo sonhador, tentou fazer montaria na burra e ela tinha tido problemas porque não estava acostumada, se não com o seu dono. Este foi chamado para retornar à sua casa. O sonhador informa que quando acordou decidiu não prosseguir viagem e, retornando à casa, constatou que o animal estava muito bem e não tinha tido qualquer problema.
Interpretação do sonhador: para ele o sonho foi um aviso de que se a vigem prosseguisse ele teria problemas ou talvez algo muito grave estivesse acontecendo na sua propriedade e, não teve dúvida, decidiu voltar.
Interpretação do pesquisador: estou de acordo.
Percepção organísmica do pesquisador: tranqüilidade e uma certa sensação de contemplação da vida.
8.5.1 Interpretação da entrevista
Um homem que já vive há mais de um século é a garantia de que a vida pode ser vivida com sabedoria e com economia eficiente de si mesmo.
Muito cedo descobriu que poderia e deveria cuidar de si. E talvez por isso tenha entendido o valor da riqueza construída por seus pais e avós. Valorizou o esforço e a competência destes e fez crescer ainda mais os recursos da família. Soube prover a todos, especialmente os filhos, sem esquecer jamais de si.
Fez o que gostaria de fazer, mas na medida da responsabilidade. Conhecedor do funcionamento do próprio corpo praticamente não sabe o que é cuidado médico.
Apesar da avançada idade não faz chantagem com outrem exigindo qualquer empenho para o proteger. Sempre protegeu a si mesmo. Faz isso até hoje e há mais de um século.
Causa muita admiração, e até curiosidade, a exatidão da sua memória para fatos recentes e antigos. Os anos não lhe tiraram nem a memória, nem o carisma, nem a alegria de viver.
Ri como um menino. Ri porque sabe o valor da liberdade psicológica que conquistou. Incluindo a liberdade de conservar um corpo eficiente.
8.5.2 Interpretação do sonho
SÍMBOLO: conforme Prontuário Imagógico (MENEGHETTI, 2005b):
− animal: instintos ou forças da natureza ou do organísmico (Glossário). Potenciais de ação para o sujeito. No sonho são usados como valor ou perigo, exatamente como o sujeito percebe o estilo especial do animal. Se usados com superioridade pelo sujeito, são funcionais.
Este sonho é do tipo premonitório.
Segundo a Metodologia Ontopsicológica: I – Princípios Universais de Interpretação:
1. Natureza funcional do símbolo: responde á pergunta: “o que é?” O animal de utilidade doméstica é visto como um instrumento útil. A morte poderia significar o próprio fim da existência do sonhador ou a possibilidade/ necessidade de mudança de rota a fim de evitá-la.
2. Efetualidade causal do símbolo: responde à pergunta: “que efeitos produz?” O animal doméstico, especialmente a burra, no caso