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Nó: A questão social no processo de exclusão (ou não permanência na inclusão)

<Internas\\Entrevistada A > - § 3 referências codificadas [8,87% Cobertura] Referência 1 - 0,90% Cobertura

Aqui não houve adaptações para ele, ou seja, para o envelhecimento dele, neste local [APAE].

Referência 2 - 5,27% Cobertura

Por exemplo, para estar em uma escola regular, teria que ter um suporte e um monitoramento, ajudar em tudo. Tem que saber que ele é igual a todos, todos têm dificuldade, mas a dele é maior. Isso não tem acontecido. Você coloca na escola regular e eles ficam lá atirados. Na verdade, só tem uma sala especial em uma escola regular, quando tem.

Referência 3 - 2,70% Cobertura

O olhar da sociedade hoje é um pouco diferente, não está como esperávamos. <Internas\\Entrevistada B > - § 13 referências codificadas [26,26% Cobertura] Referência 1 - 0,69% Cobertura

E quer fazer as coisas sozinho, mas ele não tem capacidade, até porque não é alfabetizado.

Referência 3 - 2,10% Cobertura

Eu penso que esses lugares deveriam ter mais esclarecimentos sobre a síndrome, de repente adaptação para pessoas com dificuldades de mobilidades, mas principalmente esclarecimento. Mais conscientização para poder receber essas pessoas, não como diferente, mas como igual.

Referência 10 - 2,20% Cobertura

Quando ele era criança, a preocupação de ele ser bem recebido na sociedade não existia muito, porque ele era engraçadinho, bonitinho e sempre se virou bem, mas como ele

está envelhecendo e ficando mais retraído, acho que daí ele pode sentir mais a discriminação do que sentia antes.

Referência 11 - 3,27% Cobertura

É preciso preparar a sociedade para que eles possam ser inclusos; com a idade, isso não é tão fácil porque eles percebem mais a discriminação, eles conseguem discernir mais, pois no processo do envelhecimento eles entendem mais quando não são bem-vindos, quando não têm um tratamento igual, quando ficam isolados, quando o grupo não aceita; nessa fase de envelhecimento, isso é melhor compreendido por eles, é bem nocivo.

Referência 12 - 2,87% Cobertura

Se antes eles não tinham noção agora, com um pouco mais de maturidade, tem, então é triste você se perceber diferente assim; dessa forma, então, é necessário se trabalhar isso e fazer um trabalho de conscientização. Não sei se programas específicos, ou então inclusão nos programas que já existem de cultura de lazer de esporte, mas precisa dar uma atenção a essa questão.

Referência 13 - 2,73% Cobertura

Não pode ter uma pessoa dentro de casa envelhecendo de frente para a TV, mas as famílias nem sempre têm condições de fazer isso sem que a sociedade ajude. Está melhorando, mas tem muito a ser feito. Aqui em Brasília é diferente, mas em muitos lugares é dentro de casa engordando, sem atividade física. Já melhorou, mas espero que melhore sempre.

<Internas\\Entrevistada C > - § 3 referências codificadas [5,63% Cobertura] Referência 1 - 1,89% Cobertura

Meu modo de ver é o seguinte: o lugar dele é junto com os coleguinhas iguais a ele, pois é onde eles se entendem, onde ele é aceito. Só colocaria em outro lugar se o desenvolvimento escolar dele fosse muito melhor. Aí colocaria.

Referência 3 - 0,67% Cobertura

E vejo o preconceito ficar maior, pois além de ele ser Down ele está velho. <Internas\\Entrevistada D > - § 4 referências codificadas [4,70% Cobertura] Referência 1 - 1,75% Cobertura

Aí ela [professora] falou para mim que se ele ficasse ali poderia ser ruim para ele. Melhor procurar outro lugar. Entrou nessa escola com oito anos, pois toda a escola que eu procurava para ele não o queriam, ele era rejeitado. Aí a irmã saiu para ser alfabetizada e, com isso, ele teve um bloqueio, começou a gaguejar, porque foi um trauma para ele, porque ela foi para o Marista e não aceitaram ele.

Referência 2 - 0,61% Cobertura

Porque tinham professores que não aceitavam, colegas falavam que era para ele estar em outro lugar e isso começou a trazer traumas para ele.

<Internas\\Entrevistada E > - § 3 referências codificadas [4,52% Cobertura] Referência 2 - 0,55% Cobertura

Não usa Facebook e WhatsApp sozinho, só com minha ajuda. <Internas\\Entrevistada F > - § 2 referências codificadas [3,89% Cobertura] Referência 1 - 2,21% Cobertura

E agora ela está babando e não sei se as pessoas têm nojo; eles olham, têm pessoas que se afastam. No restaurante mesmo, tiram até a cadeira de perto.

Referência 2 - 1,68% Cobertura

E ela fica triste que ela sente que a pessoa recusa e não retribui. Mas tem preconceito, se mudou foi muito pouco.

<Internas\\Entrevistada G > - § 9 referências codificadas [20,55% Cobertura] Referência 1 - 4,56% Cobertura

Teve um retrocesso no aprendizado, pois já fazia até ditado, mas devido a isso nem alfabetizada foi.

Referência 5 - 3,02% Cobertura

O progresso no comportamento social diminuiu o preconceito, mas ainda há por parte de pessoas menos esclarecidas.

Referência 6 - 0,88% Cobertura

Agora, a respeito da inclusão, está diferente sim, mas eu discordo dela quando é total. Referência 7 - 3,18% Cobertura

Então observo assim a sociedade: ela aceita, em termos, o excepcional. A sociedade a aceita condescendentemente. Falam “Oi! Tudo bem?” Mas convívio mesmo não têm. Essa aceitação é limitada.

Referência 8 - 1,61% Cobertura

Eles querem conviver com os normais naturalmente, mas os normais aceitam eles somente em certos momentos, então eles passam a não pertencer a lugar nenhum.

Referência 9 - 1,77% Cobertura

Sempre foi assim porque eu cuido dela e ela não participa do ambiente normal, a não ser de família. Então a inclusão tem restrições. Houve mudança relativa, não profunda.

Embora o ambiente familiar e o suporte dos pais sejam os elementos essenciais no desenvolvimento de qualquer ser humano, ninguém pode viver isolado do mundo e da sociedade que o cerca. Particularmente quanto a este aspecto, as pessoas com SD enfrentam uma série de barreiras ao longo da vida.

Nesta pesquisa, após a análise dos comentários das entrevistadas, foi possível observar que o bloqueio social começa lá na infância, com escolas regulares sem estrutura para receber pessoas com algum grau de deficiência intelectual; com professores despreparados academicamente para prover a atenção diferenciada que essas pessoas necessitam; com o próprio preconceito demonstrado pelos coleguinhas, que estão em fase de aprendizagem e formação de caráter também.

Há uma preocupação latente dos familiares com o bem-estar de seus entes com SD, e, na intenção de protegê-los das “dores” do mundo exterior, acabam isolando-os do convívio social. Nas entrevistas, houve inúmeros comentários sobre a pouca evolução no olhar da sociedade em relação às pessoas com SD; a falta de esclarecimento e conscientização quanto a esta síndrome; e, principalmente, a acentuação dessa percepção da exclusão social por parte dos próprios indivíduos com SD a partir do momento em que envelhecem, amadurecem e conseguem sentir e entender melhor o modo como são vistos por aqueles que lhes cercam.

Esse amadurecimento traz consigo um sofrimento, pois as pessoas com SD começam a entender quem são, o que querem e que têm capacidade de fazer atividades como outras pessoas. Isso gera um conflito interno grande diante de muitas situações e de pessoas que ainda não estão preparadas para conviver com eles, o que acarreta um retraimento maior e um sentimento de não pertencimento a lugar algum. Da mesma forma, os familiares têm o desejo de que eles não sejam tratados como “coitados” e, sim, como indivíduos que são, com capacidade de executar suas atividades no dia a dia, na sua condição e ao seu tempo.

Corrobora esta visão do cenário atual a referência de Lepri (2012, p. 105) ao afirmar que “a infantilização das pessoas com deficiência é totalmente coerente com uma organização social que, não prevendo papéis sociais ativos para elas, principalmente no mundo dos adultos, não pode planejar nem ao menos seu crescimento”.

O choque entre as expectativas dos indivíduos com SD maduros e de seus familiares com uma sociedade, de certa forma, ainda despreparada faz com que as APAEs se tornem seu

único refúgio, além dos próprios lares. Em praticamente todas as entrevistas, foi citado que a APAE é o lugar onde eles querem estar, onde eles praticam artesanato, tear, trabalhos na cozinha e tarefas em geral, e é onde a maioria dos eventos são realizados junto com as famílias. Sem dúvida, há uma série de razões para isto, todas compreensíveis e justificáveis, afinal de contas as APAEs fazem um trabalho incontestavelmente extraordinário, mas esse “isolamento” parcial em apenas um ambiente ou círculo de convivência acaba acarretando um distanciamento da inclusão social, pois os alunos não conseguem exercer a independência e a autonomia desejada por qualquer ser humano.

5.3 RESPOSTA AO OBJETIVO GERAL: O PROCESSO DE EXCLUSÃO – INCLUSÃO