2.2 A DEFINIÇÃO DE “ TAKEHO DER ”: NOÇÕE DE AUTORE
Conforme definido pelo Instituto de Pesquisa de Stanford (1963), citado em Freeman (1984) - considerado o primeiro a utilizar o termo em conexão com um memorando (1984) - uma das partes interessadas é uma pessoa ou grupo de pessoas "sem cujo apoio a empresa deixaria de existir", ou seja, a partir da lista original: acionistas, empregados, consumidores, fornecedores, donos do capital e da sociedade. Nesta definição, os interessados são vistos como grupos-chave, indispensáveis para a sustentabilidade e sobrevivência da empresa. No entanto, desde 1963, as definições têm proliferado, indo da mais restrita à mais lata.
Diferentes literaturas, adotando diferentes definições, fizeram emergir dificuldades na compreensão do seu verdadeiro conceito (Roberts e Mahoney, 2004). Vários investigadores estenderam a definição e, nesse âmbito, acabaram por falhar na inserção da literatura publicada pela escola da ética nos negócios ou então tentam identificar outros campos de interpretação de “ takeholders” (Roberts e Mahoney, 2004: 400). Estes autores examinaram 125 tipologias de estudos que usam a linguagem de “ takeholder” e concluíram que praticamente 2/3 usam o termo “Stakeholder” sem referência a nenhuma versão da teoria. Usam o termo para vários conceitos ou para definições mais curtas ou mais latas que poderão ter repercussões nas conclusões de temas éticos, estratégicos e políticos.
A mais lata definição mais conhecida e a mais utilizada é a de Freeman (1984), que "uma das partes interessadas na organização é um grupo de indivíduos ou indivíduo que pode afetar ou ser afetado pela ações da organização”. No entanto, muitas vezes erroneamente atribuída a Freeman de forma individual apenas na medida em que se trata de uma recuperação da definição proposta num artigo em coautoria com Reed no ano de 1983 no qual uma das partes interessadas é considerado como "qualquer grupo ou indivíduo que pode afetar a consecução dos objetivos organizacionais ou é afetado pela realização dos objetivos organizacionais "(Freeman e Reed, 1983). A esta definição, em 1984, Freeman inclui o quadro mais explícito com uma justificação totalmente pragmática de tal conceito. E exclui da sua definição, no seu esquema todos aqueles que podem afetar a empresa (sem direta relação) e aqueles que não são
afetados por quaisquer atividades e que não detém nenhuma relação com a empresa. (Mitchell, Agle & Wood, 1997). Deve, então, ter-se em atenção que um grupo pode afetar a empresa sem ser afetado pela atividades desta e o mesmo se poderá verificar inversamente. Os grupos podem então ser considerados como aliados ou, ao contrário, como inimigos da empresa de acordo com a situação a considerar.
Na obra de Freeman e Reed (1983), inspirados na definição de SRI do ano de 1963, apresentam uma definição restrita dos “ takeholders” então considerados como "qualquer grupo ou pessoa de quem a organização depende para sua sobrevivência". Mesmo assim, das definições mais restritas é, certamente a de Clarkson (1995), que elucida que as partes interessadas são grupos ou indivíduos que suportam um risco voluntário ou involuntário. Clarkson (1995) usa o termo "portadores de risco":" os “ takeholders” voluntários suportam uma certa forma de risco na medida em ue têm investido numa forma de capital, humano ou financeiro, com algo de valor à empresa. Os grupos involuntários são colocados numa posição vulnerável face às atividades da empresa". Esta definição associa-se ao pensamento da Hill & Jones (1992), citado por Samuel Mercier (2001), segundo o qual as partes interessadas são aquelas com um interesse legítimo no negócio.
Na obra intitulada “ takeholders”: theory and practice” de A. . Friedman e Miles, 2006, apresentam-se 55 definições expostas por ordem cronológica (verificar no quadro abaixo). Resultam de um apanhado cujos primórdios se apresentam em 1963 pelo SRI. De toda a literatura apresentada nos círculos académicos, a definição de “ takeholders” ad uire popularidade pela definição mais liberal, na definição de Freeman em 1984: “any group or individual who can affect or is affected by the achievement of the organization objetives” (1984, 46), significa “ ual uer grupo ou indivíduo que pode afetar ou ser efetuado pelo cumprimento dos objetivos da organização”. Pelo uadro exposto e pelo verificado em toda a literatura referente ao conceito de “ takeholders”, unânime ue Freeman é quem dá popularidade à definição, e quem lidera o caminho para a sua ação prática, pela criação do modelo da Teoria dos “ takeholders”. Daí existir um consenso comum: existe um período pr - Freeman 1984 e outro pós-Freeman, em vigor nos nossos dias e de referência para a sua adoção. (Friedman, A.L., Miles, S., 2006).
Das noções, em França, de “ takeholders” emerge a de Samuel Mercier que em 2006, define “ takeholders” como todos os agentes para os uais o desenvolvimento e a saúde do negócio são questões importantes.
Olhando, de um ponto de vista mais restrito, Martinet (1984), prende-se mais à identificação dos grupos que contribuiem mais diretamente aos interesses económicos e sobrevivência da empresa, enquanto na visão lata mais próxima de Mercier, trata-se de incluir todos os grupos que podem ter um interesse legítimo numa organização e, portanto, novas inter-relações são suscetíveis de ocorrer a qualquer momento. No entanto, desde o início do trabalho de Freeman, e juntamente com Reed, o documento do ano de 1983 revela um valor visionário anunciando sérias diferenças de opinião sobre "o princípio de quem ou o que conta verdadeiramente."
2. OS ATORES E SUAS RELAÇÕES COM A EMPRESA