Retomando o raciocínio histórico do conceito de “ takeholder” entramos numa das quatro variantes da teoria. Igor Ansoff, investigador contemporâneo da literatura de planeamento corporativo, dá continuidade ao trabalho de Abrams (1954), de Cyert e March (1963). Forte defensor de que a empresa procura responder em função de um objetivo universal, na sua obra clássica “Corporate trategy” do ano de 1965, rejeita veementemente o aparecimento do conceito de “ takeholder” apresentado pela RI, dizendo que as responsabilidades e os objetivos não são sinónimos, ao contrário do ue defende a Teoria dos “ takeholders”. egundo Ansoff, a Teoria dos “ takeholders” afirma ue os objetivos da empresa deverão ser provenientes das
reivindicações dos conflitos entre os vários “ takeholders” da empresa. Abandona, então, a teoria, dando acompanhamento aos seus predecessores, a favor da ideia de que na empresa devem ser separados os objetivos económicos dos sociais, considerando estes últimos como um modificador secundário, restringindo inclusive a influência do primeiro. (Ansoff, 1979). É de facto claro, o profundo recuso de Ansoff em abrir a sua análise à nova perspetiva de conceito que se faz apresentar por SRI, e que retrata o assunto, de forma diferente, da sua interpretação. O objetivo da SRI relativamente aos “ takeholders” a sobrevivência da empresa. Sem o suporte destes grupos-chave, a empresa não sobrevirá. Nos anos de 1970, o conceito de “ takeholders” explode em várias reflexões de literatura de planeamento estrat gico. Bernard e Taylor (1971) reivindicam que a importância dos acionistas na influência das empresas tende a diminuir. Defende que, na prática, as empresas dos anos de 1970 são geridas para atingirem igualmente os benefícios de outros “ takeholders” (Taylor, 1971).
Apesar de existirem muitas definições e sub-definições de estratégia, políticas e planeamento, a ideia básica é de que o planeamento e as políticas empresariais dizem respeito à configuração dos recursos de uma organização em relação ao seu ambiente externo. A estratégia é formulada contra movimentos estáticos e permite fazer previsões em longos períodos contínuos. O conceito de planeamento estratégico está diretamente ligado à criação de direções para a organização, baseadas na análise das capacidades organizacionais, suas ameaças e oportunidades do meio ambiente do mercado envolvente. É especificamente nesta área, que a SRI aplicou a análise de “ takeholders”, ao desenvolver medidas de satisfação dos grupos cujo suporte necessário para dar continuidade à sobrevivência da organização. Com este trabalho foi criado um input importante para o planeamento corporativo (Freeman, 2010). Rothschild (1976) usa o conceito para explicar o processo de planeamento desenvolvido na General Electric. Hussey e Langham (1978) apresentam um modelo de organização e do seu ambiente com “ takeholders” diferenciando-os da empresa e dos consumidores e usando-os para analisar o papel do gestor no processo de planeamento corporativo. Derkinderen e Crum (1979) usam a noção de “ takeholder” na análise de implementação estratégica para os seus projetos. Henan e Perlmutter’s (1979) colocam o conceito de “ takeholders” no uadro da análise de desenvolvimento de organizações para empresas multinacionais. Outras aplicações
específicas no processo de gestão na literatura de planeamento estratégico: o método de avaliação tecnológica (Davis e Freeman, 1978), o método de formulação estrat gica denominado “análises de hipóteses estrat gicas” (Mitroff e Emshoff’s, 1979) e a formulação de técnicas para análises estratégicas (Emshoff, 1980; Mason e Mitroff, 1982; Rowe, Mason e Dickel’s, 1982).
No âmbito da literatura de planeamento corporativo, o conceito de “ takeholders” pretende fornecer informações para estratégias, num âmbito geral, com as relações tradicionais de “ takeholders”: caso dos empregados, gestores, fornecedores, consumidores e o público em geral. Como se trata de um período que não sofre perturbações de maior, o ambiente é considerado estável, o que permite concluir que não existem surpresas estratégicas, sendo suficientes as análises feitas deste modo (Freeman, 2010). As pesquisas não vão além de uma observação externa sobre ações concretas dos “ takeholders”, pois nos anos de 1950, 1960 e 1970 o ambiente negocial que se fazia sentir nas empresas presentes nos EUA era relativamente estável. É, portanto, um período que catapultou processos de planeamento que se baseavam em métodos de previsão e predição (Freeman, 2010: 36).
Neste período, a corrente de investigação sobre planeamento estratégico tomou um rumo diferente, longe do plano de referência do conceito dos “ takeholders”, considerado um conceito de exceção e não de regra. É um período que explora as análises situacionais, como o caso da SWOT, pelos investigadores de Harvard Business chool’s no “Business Policy Curriculum”; Andrews (1980) e as análises de situação e o m todo do caso; os reconhecidos estudos de Chandler’s (1962) sobre as empresas General Motor’s, Dupond e ears gerando hipóteses sobre a ade uada relação entre os dois vetores, a estratégia e a estrutura. Aguilar (1967) propõe um quadro para compreender e fazer um apanhado do meio ambiente do mercado empresarial e estudou como os gestores obtêm e usam a informação externa. Na continuação da ideia de Ansoff, em busca da otimização económica, a investigação avançou no campo de desenvolvimento estratégico com várias teorias emergentes. Entre elas a “matriz BCG” de Bruce Henderson e a empresa Boston Consulting Group: uma estratégia sobre níveis de negócio por oposição à estratégia de níveis corporate. Henderson’s (1979) argumentava na sua teoria que só era necessário considerar duas variáveis ao formular uma estratégia: a atratividade do mercado medida pela taxa de crescimento do mercado e a força do negócio medida pela sua
quota de mercado. Ambas cruzadas levam ao quadro da denominada estratégia de abordagem de portefólio.
Uma outra linha de investigação no planeamento estratégico dirigiu-se para o planeamento mais operacional numa ótica de processos administrativos. Nesta linha de reflexão, o gestor deve colocar questões pertinentes que lhe permitam melhor compreender o seu negócio, nomeadamente: Como podem os gestores decidir qual é a estratégia mais correta? Que tipos de planeamento de sistemas são necessários? Esta pesquisa deu origem à preocupação do meio ambiente onde se insere o sistema empresarial, apontando um focos junto de indicadores macroeconómicos. Neste campo, à medida que os modelos econométricos se tornaram cada vez mais sofisticados, o processo de planeamento entrou, cada vez mais, numa base de simulações informáticas (Lorange, 1980).
Face ao exposto podemos concluir ue o uso do conceito de “ takeholder” no processo de planeamento corporativo era, nesse período, um conceito limitado pela não necessidade de tais instrumentos. O seu contributo passava por recolher informação geral sobre os grupos externos tradicionais (Freeman, 2010).