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Final remarks

In document The Stone Age Conference in Bergen 2017 (sider 101-104)

O termo “ takeholder” em português poder-se-á denominar como partes interessadas e daí a palavra “stake” poder ser traduzir como “as partes tomadas”. Mesmo ue a tradução seja interessante, o importante é permitir demonstrar que as partes interessadas têm um direito depositário, um direito de posse, de detentor “holder”. Há, no entanto, que ter atenção à forma como se traduzem tais termos pois, implicitamente, para o leitor, a noção pode tomar várias formas e, inclusive, os diversos autores podem empregar o termo e pela sua própria opinião, atribuir-lhe o contributo desejado. Por exemplo, para Clarkson (1995), “stake” não significa as partes tomadas ou interessadas, mas antes “partes de risco” ou “aposta” o que se aproxima do mais reputado dicionário americano, Webster, “a uele ue det m uma parte no jogo”.

Na sua origem, o termo “ takeholder” um neologismo derivado de um jogo de palavras com o termo “Stockholder” designando o acionista e ue permite expandir esta última noção a todos os grupos junto dos quais a empresa tem uma responsabilidade. A palavra atual “ takeholder” apareceu inicialmente na literatura de gestão no memorando internacional na Stanford Research Institute (hoje SRI International, inc.) no ano de 1963. O termo foi criado para generalizar a noção de “ takeholder” como sendo o único grupo para uem a gestão necessita de ser responsável.

e o termo “ takeholder” apareceu nos anos de 1960 e não foi difundido senão nos anos de 1980, as origens da noção de “partes interessadas” aparecem muito mais cedo, nos anos de 1930 (Mercier e Guinn-Milliot, 2003). O conceito de “ takeholder” foi originalmente definido como “a ueles grupos ue sem o seu suporte a firma deixaria de existir”. Bearle & Means (1932), nos seus inícios constata, muito cedo e com várias incidências, que os dirigentes, gestores de empresas estão confrontados a uma pressão social que lhes obriga a reconhecer as suas responsabilidades junto de todos os que podem ser afetados pelas suas atividades empresariais. Dodd (1932), citado por Samuel Mercier (2001), defende que a empresa deve equilibrar os

interesses dos participantes concorrentes de forma a manter a cooperação necessária ao bom funcionamento. Já Barnard (1938, citado por Freeman e Reed, 1983) avança com a ideia de que a função da empresa é servir a sociedade, enquanto a função dos dirigentes, gestores decisórios das empresas, é dar o sentido da moral aos empregados. É, pois então, possível verificar a inclusão da noção de “ takeholders”, nas empresas que, naquela altura, início do século, procuram identificar os principais grupos que participam no bom funcionamento e executam realmente, ações que com eles visam uma cooperação. Na composição da lista de “ takeholders” da altura, Dodd (1932) afirma e título de exemplo que a GEC (General Electric Company) identificou 4 grupos principais com quem tinha de lidar para melhor fazer face à depressão. Enunciaram os acionistas, empregados, clientes, fornecedores, credores e a sociedade (público em geral) (Friedman e Miles, 2006: 21). Da mesma forma, Preston e Sapienza (1990: 362) cita a Johnson&Johnson que, em 1947, estabelece uma lista de “ takeholders” estritamente de negócios “strictly business “ takeholders”” nomeadamente, os clientes, empregados, gestores e público no geral. Já em 1950 a lista da Sears, define as partes com que a empresa deve contar para melhorar o seu desempenho e usa a mesma tipologia de quatro grupos importantes para a empresa que a GEC nos anos de 1930, classificando-os pelo seu grau de importância: clientes, empregados, comunidade e acionistas.

Estes conceitos foram equacionados no departamento de planeamento da Lockheed Company e desenvolvidos pela investigação realizada por Igor Ansoff e Robert Stewart. Ansoff nos anos de 60 trabalhava no SRI em associação com Lockheed (Friedman e Miles, 2006).

Os investigadores de SRI argumentavam que os executivos necessitam de compreender que os objetivos corporativos não poderiam ser formulados sem a compreensão das necessidades e preocupações destes grupos de “ takeholders”, com os quais receberão o suporte necessário para a sobrevivência contínua da firma (Freeman, 2010). Do trabalho original da SRI, a traça histórica subdivide-se em várias direções como se pode constatar no mapa anexo.

Figura nº10. A história do conceito de “ takeholder”

History of Idea

Adam Smith (1759)

Berle e Means (1932)

Barnard (1938)

Stakeholder concept

SRI (1963)

Strategic Management

Corporate

Planning Systems Theory

Corporate Social Responsability

Organization Theory

Fonte: Freeman, 1984 (eds 2010: 32)

Essas direções são a literatura sobre planeamento corporativo, o trabalho de Russel Ackoff, C. West Churchman e teóricos de sistemas, a literatura de responsabilidade social corporativa, e o trabalho de Eric Rhenman e outros teóricos organizacionistas (Freeman, 2010: 33). Estes desenvolvimentos permitem que nunca mais a empresa seja considerada como um mundo fechado. Permitem também pôr fim à visão acionista da firma para a qual só conta a única satisfação dos acionistas. A empresa é considerada como uma entidade que possui relações com o seu ambiente no qual se estabelecem ligações entre as partes interessadas, denominadas “ takeholders”. Deste modo, as considerações financeiras, que embora sejam consideradas preeminentes, já não são consideradas únicas (Kujala, 2001).

De acordo com Freeman (1984: 33), na verdade, o termo “ takeholder” aparece verdadeiramente pela primeira vez no ano de 1963 num memorandum da Standford Research Institute de forma a determinar “aqueles grupos que sem o seu suporte a organização deixaria de existir”.

Atualmente muitos dos autores reveem-se neste postulado de Freeman, por duas razões essenciais: por um lado, o autor é considerado como o fundador da Teoria dos “ takeholders” e, por outro, a sua obra literária, “ trategic Management: A takeholder approach”, 1984, constitui um ponto de partida para o desenvolvimento da noção de “ takeholder”, do seu aprofundamento na literatura de gestão e na Teoria dos “ takeholders”. O conceito de “ takeholders” será, na verdade, inicialmente utilizado na disciplina de Estratégia de Gestão graças à sua obra literária resultante de um conjunto de corpo teórico e de resultados práticos resultantes de trabalhos efetuados com “literalmente milhares de executivos por todo o mundo” (Freeman et al., 2007: ix) na forma de melhor entender o mundo dos negócios e na forma de poder revitalizar o seu capital. Com esta obra literária, é reconhecida a pluralidade dos objetivos da empresa, maior que a simples maximização da riqueza dos acionistas. Num modelo de organização relacional, a interatividade entre dirigentes e acionistas não é mais que um caso particular de contrato, à semelhança do existente com todas as outras entidades. A empresa termina a sua fase contratual no momento em que se estabelece um derradeiro contrato do produto final com o seu cliente. Neste domínio, a empresa contratualiza particularmente junto dos consumidores que podem por exemplo, desejar consumir produtos fabricados nas condições conforme os princípios do DS ou junto dos investidores que desejem aplicar o seu capital nas empresas que se posicionem junto desse objetivo. É uma base, onde o desejo de equilíbrio entre o interesse dos vários parceiros da empresa, “ takeholders”, manifesta-se para que o valor criado seja apreciado mais largamente através de visões multipartidárias da empresa expostas na sua governança corporativa. Estes conjuntos de processos, regulamentos, decisões costumes, ideias que mostram a maneira pela qual a empresa é dirigida e administrada, colocam em evidência um forte caracter ético organizacional. Este novo esquema definido por Freeman permite traduzir uma melhor repartição do resultado extraído pelas empresas junto de todos os participantes na medida em que os investidores não serão os únicos criadores residentes (Meier e Schier, 2008).

2. OS ATORES E SUAS RELAÇÕES COM A EMPRESA

2.2 A DEFINIÇÃO DE “ TAKEHO DER ”: NOÇÕE DE AUTORE

Conforme definido pelo Instituto de Pesquisa de Stanford (1963), citado em Freeman (1984) - considerado o primeiro a utilizar o termo em conexão com um memorando (1984) - uma das partes interessadas é uma pessoa ou grupo de pessoas "sem cujo apoio a empresa deixaria de existir", ou seja, a partir da lista original: acionistas, empregados, consumidores, fornecedores, donos do capital e da sociedade. Nesta definição, os interessados são vistos como grupos-chave, indispensáveis para a sustentabilidade e sobrevivência da empresa. No entanto, desde 1963, as definições têm proliferado, indo da mais restrita à mais lata.

Diferentes literaturas, adotando diferentes definições, fizeram emergir dificuldades na compreensão do seu verdadeiro conceito (Roberts e Mahoney, 2004). Vários investigadores estenderam a definição e, nesse âmbito, acabaram por falhar na inserção da literatura publicada pela escola da ética nos negócios ou então tentam identificar outros campos de interpretação de “ takeholders” (Roberts e Mahoney, 2004: 400). Estes autores examinaram 125 tipologias de estudos que usam a linguagem de “ takeholder” e concluíram que praticamente 2/3 usam o termo “Stakeholder” sem referência a nenhuma versão da teoria. Usam o termo para vários conceitos ou para definições mais curtas ou mais latas que poderão ter repercussões nas conclusões de temas éticos, estratégicos e políticos.

A mais lata definição mais conhecida e a mais utilizada é a de Freeman (1984), que "uma das partes interessadas na organização é um grupo de indivíduos ou indivíduo que pode afetar ou ser afetado pela ações da organização”. No entanto, muitas vezes erroneamente atribuída a Freeman de forma individual apenas na medida em que se trata de uma recuperação da definição proposta num artigo em coautoria com Reed no ano de 1983 no qual uma das partes interessadas é considerado como "qualquer grupo ou indivíduo que pode afetar a consecução dos objetivos organizacionais ou é afetado pela realização dos objetivos organizacionais "(Freeman e Reed, 1983). A esta definição, em 1984, Freeman inclui o quadro mais explícito com uma justificação totalmente pragmática de tal conceito. E exclui da sua definição, no seu esquema todos aqueles que podem afetar a empresa (sem direta relação) e aqueles que não são

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