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3. DEN NORSKE REGIONALE MOBILISERINGEN

3.2 I NTERREG

No presente estudo, procurou-se vislumbrar o AEE para o estudante com dupla condição AH/SD-S analisando a percepção dos estudantes Surdos acerca da superdotação e a formação do professor que tem a responsabilidade de atender às suas necessidades educacionais em ambas as condições.

4. 4. 1 O estudante Surdo e a superdotação

Perguntados com relação ao conhecimento sobre Altas Habilidades/Superdotação, 6 (67%) estudantes afirmaram conhecer o conceito, enquanto 3 (33%) declararam desconhecer por completo o termo; entre esses, houve um participante (P8) que declarou acreditar que se tratava de uma palavra vulgar (palavrão), outro, apesar de saber seu significado, afirmou que acreditava se tratar de algo bom, pois seus professores lhe tinham apreço, e o terceiro, respondeu que o conceito se relacionava com o ato de falar bem em Libras entre os amigos. Os

participantes que responderam positivamente quanto a conhecer o significado de superdotação relacionaram o conceito a: boa memória (decorar), realização com perfeição (habilidade), aprendizagem rápida (esportiva), dom (fazer coisas que gosta), inteligência e capacidade e por fim, dedicação aos estudos.

Ao serem perguntados sobre como se veem em relação à condição/atributo “Inteligência” apenas 1 (11%) não se concebeu como inteligente, assim como esse mesmo quantitativo revelou não obter tal reconhecimento/menção por parte de seus pais e familiares. Contudo, os 9 (100%) participantes declararam ter recebido tal adjetivo de seus professores. Quanto a se considerar um bom aluno, apenas 1 (11%) não se percebeu dessa forma.

Todos os participantes reconheceram se destacar por fazer algo diferente, de forma a despertar a admiração de outras pessoas (familiares, professores e amigos), citando seus feitos em: esporte (1), poesia (1), desenho (1), proficiência linguística em Língua Portuguesa - leitura e escrita (1), proficiência linguística em Libras (2), alto desempenho em matemática (1), dedicação aos estudos (1) e elegância ao se vestir (1).

Ainda que a maioria dos estudantes tenha confirmado saber o conceito de AH/SD, suas referências apontam para um conhecimento superficial e minimizado a respeito da superdotação. Todavia, as habilidades mencionadas por eles encontram correspondência na lista de características ou comportamentos de superdotação referenciadas na literatura da área. Esses estudantes também se reportaram ao reconhecimento de sua capacidade intelectual por parte de seus professores ou familiares, assim como a maioria se autoconcebeu por pessoa inteligente.

4. 4. 2 Os professores da classe comum inclusiva e do AEE – AH/SD e Surdez

Com relação à formação especializada, 27 (96%) professores confirmaram ter realizado o curso específico para atuar no AEE e 1 (4%) participante respondeu não ter sido formado. Esse dado permite a inferência de que a questão possa não ter

sido bem compreendida pelo respondente ou que ele não tenha considerado a formação recebida no curso superior de Pedagogia, pelo qual se graduou.

A fim de identificar o tipo de formação recebida, se considerou diferentes formatos de eventos educativos de formação continuada (curso, palestra, seminário, congresso, oficina e reuniões pedagógicas) para que os participantes indicassem os eventos que contribuíram para a sua atuação no AEE. As indicações resultaram no seguinte quantitativo, apresentado na Figura 8.

Figura 8 - Formação específica para atuar no AEE

Concernente à formação para atuar na educação de surdos, 18 (64%) confirmaram possuir formação específica, enquanto 7 (25%) negaram e 3 (11%) não responderam. A formação adveio da participação em diferentes eventos educativos, conforme Figuras 9 e 10.

A respeito da formação em AH/SD, dos 28 participantes, 11 (39%) responderam positivamente, enquanto 16 (57%), a maioria, respondeu não ter sido formada nessa área da Educação Especial e 1 (4%) não respondeu. Desse cômputo, nove afirmaram conhecimento sobre a AH/SD e os instrumentos utilizados na identificação e encaminhamento, enquanto 17 afirmaram desconhecimento e dois não responderam. Os resultados estão sistematizados nas Figuras 11 e 12.

Figura 9 - Formação específica para atuar no AEE Surdez 64% 25% 11% Possui formação específica Sem formação específica Não respondeu

Figura 10 - Formação continuada recebida

19 12 9 6 12 10 4 Curso Palestra Seminário Congresso Oficina Reuniões Pedagógicas Sem formação

Figura 11 - Formação específica para atuar no AEE-AH/SD 39% 57% 4% Possui formação específica Sem formação específica Não respondeu

Figura 12 - Conhecimento sobre AH/SD e os instrumentos de identificação

Quanto ao conhecimento linguístico em Libras, 21 (75%) confirmaram ter curso de Libras, 6 (21%) não tinham e 1 (4%) não respondeu; quanto a se comunicar em Libras, 19 (68%) garantiram manter um diálogo em Libras, enquanto 8 (29%) afirmaram não fazê-lo e 1 (4%) não respondeu ao item; a respeito do nível linguístico, 4 (14%) responderam possuir nível avançado, 12 (43%) nível intermediário, 4 (14%) nível básico, 7 (25%) não se identificaram em nenhum dos níveis e 1 (4%) não respondeu; concernente à efetiva comunicação com os estudantes surdos em Libras, 19 (61%) responderam fazê-la em Libras, 6 (19%) afirmaram recorrer ao intérprete, outros 6 (19%) indicaram que tentam a

comunicação por gestos, mímicas, escrita, desses e 3 participantes afirmaram recorrer tanto ao intérprete como às demais formas.

Figura 13 - Formação e Nível linguístico em Libras

Figura 14 - Tipo de comunicação estabelecida

Os resultados revelaram que, um número muito maior de professores está capacitado a atuar no AEE da área da surdez, do que no AEE das AH/SD, isso, conforme os dados, 64% dos participantes afirmaram ter formação específica sobre surdez, enquanto 39% na área das AH/SD. Todavia, dos 11 professores que

61% 19%

19%

Libras Mediada por Intérprete Por outras formas (gestos, mímicas,

afirmaram possuir formação em AH/SD, nove conhecem os instrumentos de identificação das características ou comportamentos de superdotação. Desse grupo, três professores são da Sala de Recursos da AH/SD, sendo que dois não possuem formação sobre AEE na área de Surdez e tampouco se comunicam de Libras.

A amostra pesquisada de professores revelou que para o AEE de ambas as áreas, AH/SD e Surdez, distintamente, pelo previsto em lei, normativos e diretrizes possui formação para atender às necessidades educacionais especializadas dos estudantes de acordo com a condição do estudante superdotado ou Surdo.

Os professores relataram possuir formação mais dirigida à Educação de Surdos, quando comparada à de superdotados, haja vista a maioria ter declarado que possui formação específica na área da Surdez e conhecimento em Libras, ou seja, sabem de quem se trata o estudante Surdo e conseguem se comunicar com ele em sua língua (Libras). Essa diferença em relação à formação quanto às áreas, pode ser influenciada também pela amostra de conveniência ter maior número de professores que lidam com indivíduos Surdos.

Os profissionais da Sala de Recursos de ambas as áreas necessitam de formação específica diversificada. Os profissionais da área AH/SD necessitam apreender conhecimentos sobre a Surdez/Libras a fim de atender a um estudante Surdo em sua segunda condição. De igual forma, é indispensável que os profissionais da área da Surdez obtenham conhecimentos acerca das AH/SD, instrumentos de identificação e indicação, características e modelos educacionais da área.

A perspectiva de atendimento educacional à dupla condição é inexistente, pois é configurado para atender de forma às especificidades educacionais individualizadas e não associadas ou combinadas.