4. ANALYSE
4.5 D E UAVHENGIGE VARIABLENES EFFEKT PÅ INDIKATORENE
A elaboração do sentido da vida é apresentada como o itinerário que, tanto docentes, quanto discentes, deveriam percorrer para que a educação alcançasse o seu fim. Pensando desta forma, Morin (2012, p. 47) assegura que o objetivo da
educação não pode ser visto apenas como o de transmitir numerosos conhecimentos ao aluno, mas “[...] de criar nele um estado interior e profundo, uma espécie de espírito que o oriente em um sentido definido, não apenas durante a infância, mas por toda a vida [...]”.
O processo educativo deveria percorrer o itinerário do sentido da vida, capaz de proporcionar aos sujeitos da ação o sabor pelo o que se aprende e este itinerário é visto como uma trajetória que se faz a partir da superação da totalidade em direção ao infinito, como afirma Levinas (2013). Deste modo, quando alguém ingressa num curso superior, embora pareça que se esteja buscando apenas uma capacitação para o mercado de trabalho, essa escolha parece levar em consideração algo muito mais profundo: o desejo de realização de um sonho.
É comum nos estudantes utilizarem a palavra vocação para se falar da profissão escolhida, quando indagados sobre os motivos de suas escolhas em determinado curso e não de outro, costumam responder que não tinham vocação para outra coisa. O que se percebe é que estão buscando no Ensino Superior algo mais intenso do que ganhar dinheiro, embora, nem sempre isso transpareça, pois querem ser felizes no que fazem, desejam se realizar profissionalmente e que o ensino possa lhes trazer uma vida digna.
O processo educativo, portanto, como apresenta Morin (2012), deveria ser um espaço que colabora em cada pessoa para a descoberta de si, de modo que o sujeito se perceba em sua subjetividade, que permita a complexidade humana valorizando suas diferenças, não como bullying que degenera o que é diferente, mas, com o espírito da alteridade que valoriza o outro, com um desejo desinteressado (LEVINAS, 2013).
Na ação educativa deveria se desenvolver o sentido da vida no momento em que o outro fosse capaz de se livrar das amarras do eu que domina, impedindo-o de ser livre e aberto ao infinito a partir do seu próprio discurso. Isto somente seria possível se o outro for visto a partir de sua desigualdade com o eu, como afirmou Levinas (2013). O sentido, a partir da ótica ontológica, tende a ser egoísta, fechado, próprio de uma autoafirmação do eu, justificado por uma relação hedonista, do prazer pelo prazer, de uma felicidade apenas de uma parte.
Parece ser problema recorrente o fato de o ser humano estar procurando, nos últimos tempos, um sentido real e profundo para sua existência exatamente no
momento que, segundo Boff (2004), a humanidade mergulha em crises que afetam a vida e que, por sua vez, atingem também o sentido existencial. De acordo com o autor seria preciso fazer o resgate deste sentido através de reflexões sobre determinados fundamentos, oportunidade para uma revisão de uma experiência seminal e originária que poderá brotar através da ética e da moral.
Outra contribuição importante é o pensamento de Scoz (2011), aferindo que o sentido acontece quando o sujeito é capaz de refletir sobre sua própria existência e, deste modo, a educação é o caminho perfeito para que a pessoa encontre a razão para sua própria vida. O sentido elaborado a partir da educação está no fato de a mesma poder possibilitar ao ser humano caminhos alternativos, tornando-os capazes de ir em direção ao infinito.
Em se tratando do infinito, Levinas (2013) se posiciona contra todo tipo de estruturas de enquadramento do ser humano, apontando que o infinito, ao contrário da totalidade, proporciona possibilidades e abre novos horizontes. Neste sentido, afirma ainda que, o certo e o errado estão em vista de uma relação ética, como afirma o autor, não em relação de um código de ética totalizante que, de antemão, já predispõe ao outro o que é certo ou o que é errado.
O sentido da vida, sob a égide da totalidade, muitas vezes é percebido como o sonho da prosperidade, numa espécie de utopia de bonança financeira que ocupa o imaginário da maior parte das pessoas, como adverte Boff (2003, 2004). Parece que todos desejam ser prósperos, possuir uma vida digna, porém, deve-se ter o cuidado para que a educação não caminhe oferecendo essa fortuna apenas no âmbito material, mas que forneça ao sujeito envolvido, algo mais, além da totalidade, como acenou Levinas (2013).
O infinito é o caminho de superação de uma educação totalizada, verticalmente construída. Quando se permite o totalmente outro na educação, constrói-se um caminho de superação da história contada, abrindo-se para aquilo que o estudante tem a dizer, por conseguinte, o infinito ajuda a elaborar o sentido da vida no momento em que ele se torna livre para construir sua própria identidade e história.
Outro ponto importante para essa construção é a autonomia que, segundo Freire (2006), é visto como a capacidade de criar pensamentos, de proporcionar a liberdade do aluno no processo educacional, consequentemente, é a maneira que, tanto discente como docente, edifica para sentir-se livre para romper com o pensado
desde sempre. O sentido da vida é elaborado a partir de uma colaboração, ou seja, um trabalho cooperado sem perder a própria autonomia de sujeitos.
Da mesma forma ocupa o papel da esperança, talvez sendo a que mais se aproxima da ideia de infinito, proposta por Levinas (2013), pois vivê-la é diferente de tê-la. Não seria o eu que dá esperança ao outro, mas, ao contrário, seria o outro que liberta o eu, egoísta e fechado, para viver o infinito pela esperança e, deste modo, é o que provoca a aceitação do outro. Ao falar da esperança, Boff (2003) afirma que é necessário um novo encantamento, percorrer o caminho de volta, reativar sonhos antigos de comunhão, de paz sem ameaça, sonhos escondidos no coração de todos os humanos, testemunhados em seus mistérios, ritos e histórias.
Relevante também é a identidade nesta edificação do sentido, pois mais do que simplesmente um conceito, é um modo de existir, deste modo, no juízo de Levinas (2013), identidade do outro não significa uma oposição a ipseidade, mas permitir que o outro se revele como outro, longe da dominação do eu. No processo educacional, o sentido da vida seria reelaborado quando a identidade do estudante puder estar salva de todos os preconceitos egológicos.
Acredita-se que o sentido elaborado no processo educacional estaria não no caminhante, mas no modo de percorrer o itinerário que, não se poderia ser elaborado a partir de uma relação objetal. Pensando nisso, Boff apresenta o modo como se deveria percorrê-lo através do reencantamento:
Urge refazer o caminho de volta, rumo à casa materna comum e irmanarmo-nos com todos os seres. Temos que deixar o exílio, cultivar saudades, como na parábola do filho pródigo, reavivar sonhos antigos de comunhão, de paz sem ameaça, de benquerença generalizada, sonhos escondidos no coração de todos os humanos e testemunhados em seus mitos, ritos e estórias (BOFF, 2004, p. 17). Outro modo que poderá provocar o sentido é apresentado por Illich (1985), como sendo um modo de ser de extrema importância, pois ninguém vive sozinho e, a educação proporcionaria uma corresponsabilidade na vida social, um modo de viver-com. É a partir da convivialidade que se percebe que não há outro, mas outros que convivem e coexistem no mesmo habitat, portanto, proporcionam uma vivência em comum, um sentimento de responsabilidade pelo outro. Convivialidade estaria ligada à terminologia viver-com e, se a educação proporcionar este tipo de consciência, cada pessoa iria assumir seu papel de sujeito que sabe viver solidariamente.
Com respaldo na proposta de Levinas (2013), alguns critérios serão apresentados com o objetivo de colaborar na elaboração do sentido da vida. Estas características, tais como: o desejo desinteressado, a assimetria e a hospitalidade poderão significativamente contribuir com o ser humano.
O Desejo neste itinerário do sentindo, de acordo com Levinas (2013), deveria ser desinteressado, ou seja, ser envolvido por um movimento de bondade, sem nada esperar do outro. Neste ponto poderia surgir uma dúvida: como este desejo seria possível no processo educativo se a instituição e o docente não poderiam e nem deveriam desejar nada do discente. A solução seria deixá-lo totalmente livre? Iluminado pela reflexão do desejo desinteressado de Levinas (2013), o docente não é inundado por um desejo de esperar algo do estudante, já pré-estabelecido, mas permite-o que se revele e apresente em seus próprios interesses.
A segunda característica é a assimetria que é o ato de nunca esperar nada do outro de forma “medida” (grifos nossos). Este tipo de relação poderia também colaborar com o processo de elaboração do sentido, pois o totalmente outro é livre e qualquer tentativa de colocá-lo em uma moldura, que impede a relação ética, poderia impedir qualquer possibilidade de uma elaboração do sentido da vida. No processo educacional quando se busca a assimetria, certo anarquismo é instalado, onde o professor é desinstalado de sua segurança, de sua ordem e instala-se a relação ética como meio “anárquico” (grifos nossos), mas revelador de uma liberdade do estudante, dentro de uma convivialidade (LEVINAS, 2013).
Por último se apresenta a hospitalidade, tema que permeia toda a pesquisa, exposta como a forma de acolhimento, de abrir os quatro lados da tenda para que o totalmente outro entre na experiência da elaboração do sentido. A hospitalidade tira a primazia do docente, mas recusa todo tipo de anulação, inclusive de si próprio. A partir da hospitalidade a educação poderá abrir as portas para a responsabilidade entre docente e discente, possibilitando o espaço em que, todo anfitrião é hóspede.
Refletindo sobre o assunto, Boff (2003) ajuda a pensar o sentido para além das conquistas materiais, que são insaciáveis. Arquétipos como Alexandre Magno e Napoleão Bonaparte, importantes personagens da história, não oferecem mais do que conquistas físicas e, o sentido vai para além do bem físico apoderado. O autor ainda afirma que arquétipos como Francisco de Assis, Madre Teresa de Calcutá,
Gandhi e Irmã Dulce representam o sentido para além do poder e da posse, do caminho para si e para o outro.
Após a descoberta do sentido da vida no processo educativo, é preciso que seja dado um novo passo no itinerário: a aprendizagem. O discente que procura o curso superior deseja um conteúdo, uma capacitação, ou melhor, deseja sair apto para o mercado de trabalho que o exige sabedor de determinados conhecimentos, por isso, a próxima subcategoria que será apresentada dialogará com o conceito do dizer de Levinas (2013).