4. VONDT, MEN VERDT DET: TILPASNING TIL KROPPSLIGE ASPEKTER VED
5.2 H ISTORIEFORTELLING : I NFORMASJON , DISKUSJON OG SYMBOLPRODUKSJON
As referências demonstram que a China é considerada uma das civilizações mais antigas do mundo. Segundo Kissinger, a origem da China é tão remota que não se sabe ao certo o seu início. O que se sabe é que esse País buscou durante séculos, se isolar do resto mundo. “As reivindicações territoriais do Império Chinês terminavam onde as águas começavam” 92. Apesar de ter conhecimento da existência de outras sociedades, a China se considerava o centro do mundo, “Império do Meio”. Os limites de demarcações eram muito mais culturais do que políticos e territoriais.
Sobretudo, a dinastia Han (206 a. C – 220 d. C) adotou como filosofia de Estado o pensamento confucionista, cuja premissa era a redenção do Estado a partir do comportamento individual correto. Essa filosofia marcou a história chinesa durante séculos mas, somente no século XIX, após derrotada em duas grandes guerras contra potências ocidentais, é que a China, sob pressão, buscou estabelecer de forma muito tímida, “relações exteriores para conduzir a diplomacia como função de governo independente”93. As tradições e hábitos milenares fizeram com que o país adentrasse o período moderno como um Estado imperialista singular, em que valoriza a cultura em detrimento das relações comerciais exteriores e as inovações tecnológicas, mesmo sendo considerado o país mais rico do mundo. Dentro desta perspectiva, a hipótese de Huntington defende que a fonte fundamental dos conflitos no mundo não seria ideológica ou econômica, mas cultural 94.
O auge do imperialismo chinês é marcado no século XVIII quando a dinastia Qing transforma o país em uma grande potência militar, embarcando, assim, em um programa de expansão territorial a norte e a leste da Ásia, o que acabou atraindo a atenção dos impérios ocidentais. Não obstante, somente em 1717, a dinastia Qing permitiu que uma missão ortodoxa russa se estabelecesse em Pequim. A partir de então, os interesses da Inglaterra se
91 DROMI, EKMEKDJIAN e RIVERA apud Böhlke, op cit, p.205
92 KISSINGER, Henry. Sobre a China. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva, 2011, p.26. 93 Id, p. 35.
94
HUNTINGTON, Samuel P. O Choque de Civilizações e a Recomposição da Ordem Mundial. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva, 1997.
intensificam, e o País decide enviar sua primeira missão à China (1793-1794), chefiada por Macartney a fim de conquistar o livre comércio e a diplomacia britânica. A missão não teve êxito, uma vez que a corte britânica tratar a China em termos de igualdade, cuja atitude significava uma ofensa aos princípios chineses.
No século XIX, a China enfrentou três desafios estrangeiros: do Ocidente “vinham as nações europeias. Elas traziam mais do que ameaças à defesa dos territórios, concepções irreconciliáveis de ordem mundial. [...] Do norte e do Oeste, uma Rússia expansionista e militarmente dominante tentava arrancar vários territórios remotos da China” 95. Por outro lado, o Japão que não tinha nenhum interesse pela sobrevivência da China e nem da ordem mundial sinocêntrica 96. E nenhum outro país abrira mão de ser o centro do mundo.
No fim do século supracitado, como a corte em Pequim já não demonstrava proteção à cultura e à autonomia chinesa, a população se rebelou contra a China, por meio da Revolta dos Boxers. Acontecimento que deixou o País ainda mais enfraquecido, principalmente quando grandes potências97 mundiais invadiram Pequim e renderam as embaixadas. A maior ameaça para a independência do país era o Japão, que buscou conquistar o leste da China em 1937. “Com a rendição japonesa em 1945, a China ficou devastada e dividida”98. Posteriormente, há a unificação da República Popular da China, lançando desta forma, a China comunista na nova dinastia de Mao Zedong.
Em 1949, a China viveu um processo de grandes transformações social e política, sob a dinastia de Mao Zedong. Várias as medidas foram tomadas durante a sua dinastia, sendo a mais importante, o programa nacional intitulado, Grande Salto Adiante, instituído em 1958, capaz de lançar a China no palco mundial para alcançar a industrialização ocidental. As consequências desse projeto político-social foram arrasadoras: milhões de pessoas foram mortas pela fome e a ruptura do Partido Comunista.
Em 1966 o governo criou mais um programa de ordem nacionalista, idealista e tradicionalista: a Revolução Cultural, “em que uma geração de líderes treinados, professores, diplomatas e especialistas foi enviada ao campo para trabalhar em fazendas e aprender com as massas”99 . Dois anos depois, o programa se volta aos jovens, no sentido de se constituir uma nova geração comunista, capaz de purificar as forças armadas e o seu Partido. Ao fazer uma análise da Revolução Cultural, Kissinger faz o seguinte apontamento: “ Uma sociedade
95 Id, p.71-72
96 China como centro do mundo
97 França, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Japão, Rússia, Alemanha, Áustria-Hungria e Itália. 98KISSINGER,Henry.Id, p.100
tradicionalmente governada por uma elite de literatos confucionistas agora se voltava a camponeses rústicos como fonte de sabedoria”100. Os ideários da Revolução não condiziam aos valores tradicionais chineses, os quais primavam pela sobrevivência da sociedade por meio da harmonia. A filosofia confucionista objetivava a redenção do Estado através do comportamento justo e correto do indivíduo. Paradoxalmente a esse pensamento, a Revolução foi marcada por impactos desastrosos, ocasionando, assim a retirada da China do mundo.
Em meio a tantas turbulências, era preciso uma reconciliação com as grandes potências, em particular, com os Estados Unidos, o que não seria nada fácil diante dos últimos acontecimentos. Kissinger sinaliza que o marco histórico dessa reconciliação é o torneio internacional do Japão, em que uma equipe esportiva chinesa de pingue-pongue competiria fora do seu país. Após esse episódio, a China, no ano de 1971, convidou uma equipe dos Estados Unidos para visitar o País. Momento histórico no mundo, pois foi a primeira vez em que uma missão diplomática americana entrava na China comunista.
No ano seguinte, 1972, em visita a Pequim, o presidente Nixon em conversa com Mao Zedong, estabelece a cooperação bilateral acelerada, em especial, no tocante ao comércio. Nessa perspectiva, “Nixon se propunha basear a política externa na conciliação de interesses. [desde] (grifo nosso) que o interesse nacional fosse claramente percebido e que levasse em consideração o interesse mútuo na estabilidade, ou pelo menos em evitar a catástrofe”101. A premissa era que o interesse mútuo trouxesse previsibilidade às relações sino-americanas, apesar de a China rebater ao imperialismo americano.
Mao, antes da sua morte, ordenou que Deng Xiaoping implantasse, em uma sessão especial da Assembleia Geral das Nações Unidas, no ano de 1974, a teoria dos “Três Mundos”: “Os Estados Unidos e a União Soviética pertenciam ao primeiro mundo. Países europeus e Japão eram considerados parte do segundo. Todos os países subdesenvolvidos constituíam o Terceiro mundo, a qual também a China pertencia”102. Tal teoria permitiu à China uma flexibilidade tática em relação aos seus interesses: acelerar o seu desenvolvimento econômico diante do mundo. Apesar de muitas ideias e ações distorcidas pela dinastia de Mao, foi durante essa que a China conseguiu a sua unificação.
Entrementes, foi no governo de Deng Xiaoping, a partir de 1974, que o país passou a vivenciar a modernidade, e com ela grandes problemas. Destaca-se os problemas de caráter social, com foco no exôdo rural, visto quepois a China que era uma sociedade baseada em
100 op cit, p.198
101 Id, p.264 102
comunas. Neste mesmo ano, Deng Xiaoping vai à Nova York, onde participa de uma sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, cujo tema era o desenvolvimento econômico. A política de Deng para superar o atraso depois de tantos séculos era conquistar a modernização através do desenvolvimento da ciência e da tecnologia, bem como, da ampliação do comércio internacional competitivo. A operacionalidade dessa política a transformaria em uma potência mundial. Para Kissinger, a percepção que se tem hoje da China como superpotência mundial é legado do governo de Deng Xiaoping. Nos anos de 1978 e 1979 Deng buscou mudar a imagem da China no exterior por meio de uma série de viagens103 . Foi a primeira vez que um governante chinês fazia uma viagem ao exterior.
Na década de oitenta, “Hu Yaobang, protegido de Deng e secretário do partido, delineou o conceito chinês de política externa prevalecente para XX Congresso Nacional do Partido Comunista. [...] Sua cláusula-chave era uma reprise do ‘a China se ergueu’”104. A intenção era demonstrar que a China não se prendia a nenhuma superpotência e que jamais cederia às pressões dos Estados Unidos e da União Soviética. Foram muitos acordos e desacordos entre essas nações. O que a China precisava no momento era estabilidade e se proteger dos inimigos.
Nos introitos dos anos noventa, após uma série de acontecimentos de ordem social e política, dentre eles, a revolta na Tiananmen105, Deng começou a se afastar do governo. Antes disso, po´rem, fez uma viagem ao sul com o objetivo de dar prosseguimento à “liberalização econômica e construir apoio público para a liderança reformista de Jiang” 106. Para tanto, utilizou-se de um discurso voltado ao desenvolvimento econômico e intelectual da China, direcionado aos estudantes, operários e empresários. Este discurso se constituiu base para os programas de natureza política e econômica veiculados na mídia chinesa. A década de 90 foi marcada por um espantoso crescimento econômico, que contribuiu de forma decisiva para as transformações do papel da China diante do mundo.
Na acepção de HUNTINGTON, o crescimento do poder econômico dos países asiáticos, em especial, da China, os tornam cada vez mais imunes às pressões ocidentais107. No seu entendimento, a situação da modernização econômica e social só será redefinida por
103 Japão; Estados Unidos: Washington, Atlanta, Houston e Seattle; sudoeste asiático: Malásia, Cingapura,
Tailândia ( KISSINGER, HENRY. Id, 2011)
104 Id, p.379
105 Protesto antigoverno, após a morte do secretário-geral, Hu, cujo ideário era a liberalização política. Momento
no qual manifestantes decretaram greve de fome, atraindo atenção internacional, justamente quando Pequim prepara uma cerimônia de boas-vindas a Gorbachev.
106
Id, p.425
meio do regionalismo, pois as regiões são a base para a cooperação entre os povos. Os padrões de desenvolvimento político e econômico vão diferenciar de uma civilização para outra. Todavia, a política mundial, no contexto atual, demonstra claramente o caráter multipolar e multicivilizacional, a partir do momento em que as sociedades não-ocidentais, no caso em tela, a China passaram a ser agentes de sua própria História. O autor supra ao fazer algumas projeções futuras, afirma que das dez maiores economias do mundo, no ano de 2020, três serão das sociedades sínicas, das quais incluirão a China, Coréia do Sul e Taiwan, sendo que a China estará em primeiro lugar no ranque mundial.