A presente pesquisadora é membro do grupo Linguagem em Atividades do Contexto Escolar (LACE), inscrito no CNPq em 2004, e que focaliza, principalmente, a formação de educadores e alunos crítico-reflexivos. Inclui pesquisas de intervenção crítico-colaborativas que investigam a constituição dos sujeitos, suas formas de participação e a produção de sentidos e significados em Educação. O grupo LACE é composto por duas temáticas centrais: Linguagem, Colaboração e Criticidade (LCC), sob a liderança da Profª Dra. Maria Cecília Magalhães e Linguagem Criatividade e Multiplicidade (LCM), sob a liderança da Profª Dra. Fernanda Liberali.
Nesse grupo, insere-se o Programa de Extensão Universitária Interinstitucional intitulado Programa Ação Cidadã (PAC). Composto por projetos de formação crítico-criativa, seus objetivos principais são transformar a sociedade, por meio de atividades teórico-práticas e desenvolver a cidadania, uma vez que desenvolvemos esses projetos junto a crianças e adultos que têm como experiência de vida, contextos difíceis. Buscando a compreensão, discussão e ação colaborativa crítico-criativa, pautadas pela ética e interdependência, temos como base de nossas práticas os conceitos de colaboração, criticidade, criatividade, ética interdependente,
responsividade e responsabilidade (LIBERALI, 2010). Cinco projetos compõem esse programa:
Figura 4: Projetos de Pesquisa.
A presente pesquisa enquadra-se no Projeto Educação Bilíngue (EB)/ EM19 – Oficinas Temáticas. O projeto responde à necessidade de formação de profissionais
19 Em reunião no dia 11 de março de 2010 no LAEL, os membros do EB reunidos sob a coordenação da Profª Dra. Fernanda Coelho Liberali decidiram pela mudança no nome do Projeto para Projeto EM. Essa mudança se deve à presença de novos membros no grupo que trabalham com educação indígena e para que o nome do projeto abrangesse os conceitos de multiculturalidade e de multilinguismo. Sendo assim, atuamos em uma postura de educação bilíngue dentro da Educação Multicultural.
para o trabalho em educação bilíngue, o que tem se tornado uma realidade no contexto brasileiro, e, também, ao questionamento sobre o fato de a educação bilíngue só atender aos interesses das elites, justamente por terem poder aquisitivo condizente com a oferta de aulas em LI para crianças de diferentes faixas etárias. Mais ainda, permite a inserção das crianças no trabalho com diferentes formas de saber em uma língua distinta da sua, o que permite um maior desenvolvimento cognitivo, afetivo e multicultural.
O projeto EB/EM surgiu da necessidade de compreensão do papel da educação bilíngue como propiciadora de uma formação ampla de todos os que dela participam. Nessa concepção de ensino, em uma perspectiva bilíngue, a LI (GEEB, 2009/relatório projeto PAC-fase2) é compreendida como uma segunda língua, por meio da qual será feita a construção de conhecimento de diferentes áreas do saber.
Em oposição à Intensificação, compreendida por Mejía (2002) como o ensino de LE, em que é ensinada como mais um item no currículo, busca-se a união de linguagem e conteúdos oriundos de diversas esferas do conhecimento, ensinando esses diversos conteúdos em mais de uma língua. Nesse duplo movimento, nossa prática é permeada pelo uso da língua como objeto e instrumento da atividade.
A abordagem multicultural que guia este projeto tem como foco: Ensino de diferentes áreas em inglês e francês;
Constituição múltipla da identidade;
Organização criativa da cognição por meio de diferentes línguas;
Construção de possibilidades de viver o mundo, os conhecimentos, as emoções, as descobertas, por meio de diferentes culturas-línguas.
Para que os objetivos acima possam ser alcançados, foram desenvolvidos projetos transdicisplinares-transversais com conceitos científicos de diferentes áreas como instrumentos de compreensão e transformação da realidade.
Segundo Liberali (2010), os focos do projeto de educação bilíngue são:
Foco no entorno: Desenvolver as capacidades das crianças e jovens, alunos- professores e pesquisadores-formadores de compreensão da inserção social em LI; permitir a visualização de todos os envolvidos de que a escola é o espaço do conhecimento acumulado por excelência e que esse conhecimento pode ser
utilizado para a transformação do entorno.
Foco na interdisciplinaridade: Desenvolver projetos interdisciplinares no contexto escolar que permitam que a LI sirva de ferramenta para compreensão de diferentes problemas da realidade em combinação com a LM;
Foco nos tipos de conhecimento: Desenvolver o trabalho criativo com os conteúdos específicos das diferentes áreas a partir da discussão da relação entre conhecimentos cotidianos e científicos, em LI;
Foco na cidadania: Trabalhar a produção de cidadania para toda a comunidade por meio do desenvolvimento e tratamento do conhecimento em LI e de sua divulgação e discussão com os demais membros da comunidade escolar;
Alguns objetivos do EB variam e são específicos de cada sujeito da atividade: Para as crianças e jovens:
Brincar, cantar, dramatizar em LI como forma de apropriação de culturas múltiplas;
Trabalhar com conceitos cotidianos e científicos e valores em LI;
Desenvolver capacidade de lidar com o diferente e de sonhar com possibilidades não imediatas.
Para os professores-alunos e professores-formadores:
Desenvolver postura de colaboração e reflexão crítica para a formação de Grupos Gestores20;
Desenvolver unidades didáticas norteadas por Agir cidadão, brincar e atividades sociais;
Compreender e desenvolver práticas de ensino emLI;
Planejar, executar e avaliar os objetivos, conteúdos, e procedimentos metodológicos das aulas.
Com esse intuito e como explicitado no capítulo 1, durante essas oficinas não
20 O Grupo Gestor (LIBERALI & WOLFFOWITZ SANCHES, 2008) é um grupo formado por pesquisador-formador, aluno-professor e possíveis professores, que se estrutura para o desenvolvimento colaborativo de propostas para a ação conjunta em sala de aula. Esse grupo se constitui como co-responsável por todas as ações a serem desenvolvidas em sala de aula e na comunidade escolar (a qual inclui alunos, pais, coordenadores, diretores, dentre outros).
tratou-se apenas de pontos linguísticos, mas, também, de conteúdos oriundos das mais diversas áreas como ciências sociais, matemática, teatro, francês, artes e música em LI. O objetivo é que, por meio da aprendizagem em francês, o sujeito se reorganize identitariamente e socialmente, buscando uma nova compreensão de si como agente no mundo.
Como conteúdo, trabalhou-se a partir dos conceitos de educação bilíngue, atividade social, valores, instrumento e-/-para resultado. Tais conceitos são definidos em função de temas da atualidade ligados às áreas de ciências naturais e estudos sociais (definidos de acordo com os interesses expressos pelos alunos em questionário) e de expressões necessárias à participação na dramatização, canto, discussão, apresentação, compreensão de filmes (LIBERALI, 2010).