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Den ”nye bostedsløsheten”

In document Løslatt og hjemløs (sider 30-33)

A teoria do materialismo histórico-dialético proposto por Marx e Engels (1845- 46/2006) busca mostrar a evolução da sociedade ocidental, na qual a distinção entre os homens e os animais passou a existir no momento em que os homens passaram a produzir seus meios de vida, fato que decorreu de sua organização social. Nesse contexto, o conceito de produção é central, pois, com o aumento populacional, a produção torna-se a forma por meio da qual os indivíduos fazem trocas. Se a forma como os indivíduos produzem revela aquilo que são (MARX e ENGELS 1845-

46/2006), então essa forma de produção está em constante mudança, visto que o homem é um ser dinâmico e em mutação contínua. Para os autores, “cada nova força produtiva, na medida em que não é uma simples extensão quantitativa das forças produtivas conhecidas, tem como consequência uma nova constituição da divisão do trabalho” (p. 19). Ao falar em produção de conhecimento, é preciso que ela aconteça em atividade. Retomando os preceitos marxistas:

[...] o mundo sensível à sua volta não é uma coisa dada diretamente da eternidade, sempre igual a si mesmo, mas antes, o produto da indústria e do estado em que se encontra a sociedade, isto é, um produto histórico, o resultado da atividade de toda uma série de gerações [...] (MARX e ENGELS 1845-46/2006, p. 31-32)

Constata-se, assim a importância da bagagem sócio-histórica dos indivíduos no que se refere à produção de conhecimento. Essa bagagem só existe porque advém de relações sociais permeadas pela linguagem.

Os sujeitos se constituem na e pela linguagem e sua importância parece indubitável na produção de conhecimento, fato que já estava presente na obra de Marx e Engels:

[...] a linguagem é tão velha como a consciência, a linguagem é a consciência real prática que existe também para outros homens e que, portanto, só assim existe também para mim, e a linguagem só nasce da necessidade, da carência de contatos com os outros homens [...] (1845- 46/2006, p. 38).

Ao definir a TASCH como a teoria que estuda as “atividades em que os sujeitos estão em interação com outros em contextos culturais determinados e historicamente dependentes”, Liberali (2009, p. 12) traz a importância de se refletir sobre o conceito de atividade, para realmente compreender as bases teóricas que fundamentam nossa ação nos projetos de extensão do grupo LACE, e, por conseguinte, o contexto no qual os dados deste estudo foram coletados.

O motivo que leva o sujeito a engajar-se em toda e qualquer atividade humana, interagindo com o mundo e com os que o cercam, é o desejo de satisfazer suas necessidades. Assim, a atividade pode ser definida como o conjunto de ações realizadas por sujeitos agindo coletivamente para o alcance de objetos compartilhados que satisfaçam, mesmo que parcialmente, suas necessidades particulares (LIBERALI, 2009). Sendo a necessidade, segundo Leontiev (1977), a falta consciente que permite ao sujeito ter um motivo para participar da atividade,

então em uma mesma atividade haverá indivíduos participando mobilizados por necessidades diferentes, ainda que agindo coletivamente. Dessa maneira, cada sujeito da atividade participa compartilhando um objeto que aparentemente é único, mas que, no fundo, é múltiplo. E como as necessidades dos diferentes sujeitos envolvidos podem assemelhar-se, mas nunca serão iguais, precisa-se criar regras para que as diversas necessidades sejam saciadas, porque, somente assim, o sujeito contribuirá na atividade.

Desse modo, os componentes de uma atividade podem ser mais bem compreendidos da forma indicada no quadro a seguir.

Sujeitos São aqueles que agem em relação ao motivo e realizam a atividade.

Comunidade São aqueles que compartilham o objeto da atividade por meio de

divisão de trabalho e das regras.

Divisão de trabalho São ações intermediárias realizadas pela participação individual na

atividade, mas que não alcançam independemente a satisfação da necessidade dos participantes. São tarefas e funções de cada um dos sujeitos envolvidos na atividade.

Objeto É aquilo que satisfará a necessidade, o objeto desejado. Tem caráter

dinâmico, transformando-se com o desenvolvimento da atividade. Trata-se da articulação entre o idealizado, o sonhado, o desejado que se transforma no objeto final ou no produto.

Regras Normas explícitas ou implícitas na comunidade.

Artefatos/ instrumentos/ ferramentas

Meios de modificar a natureza para alcançar o objeto idealizado, passíveis de serem controlados pelo seu usuário, revelam a decisão tomada pelo sujeito; usados para o alcance de fim predefinido (instrumento para o resultado) ou constituído no processo da atividade (instrumento e resultado) (NEWMAN, HOLZMAN, 2002).

Quadro 1: Componentes de uma atividade. In: Liberali, 2009, p. 12.

Ao pensar que o objeto articula o idealizado, sonhado, desejado e o efetivamente concretizado (LIBERALI, 2009), concede-se a ele um aspecto multifacetado, assemelhando-se à ideia de processo, que, por sua vez, é marcado por diferentes concepções de objeto coexistentes na atividade colaborativa, na qual, juntos, diferentes sujeitos, atuam para suprir suas necessidades. Desse modo, a diversidade de objetos pode ser mais bem explicada ao se tomar como exemplo o conceito de valor, noção extremamente importante quando se fala de práxis revolucionária. A análise crítica da realidade vivida pelo sujeito, sua valoração concebida em função de suas experiências, e a consequente escolha de pontos passíveis de mudança, antecedem o anseio de transformação.

Após tratar da produção na visão marxista, a visão sócio-histórica será discutida. Vygotsky (1934/2008), psicólogo que se preocupou em estudar o desenvolvimento humano, seguindo os passos do materialismo histórico, afirma que o desenvolvimento está sempre calcado no aprendizado e intrinsecamente relacionado ao contexto sócio-histórico no qual os sujeitos estão inseridos. O autor rompe com a linearidade e gradação propostas por Piaget, ao caracterizar o desenvolvimento como um processo dinâmico e dialético, que só pode ocorrer mediante o cruzamento de dois momentos: de um lado, o desenvolvimento dos “processos elementares, que são de origem biológica; de outro, as funções psicológicas superiores, de origem sócio-cultural” (VYGOTSKY, 1934/2008, p. 42).

Nesse quadro, Vygotsky enuncia que o pensamento verbal encontra a sua unidade no significado da palavra, na medida em que para significar algo precisa-se recorrer tanto ao pensamento quanto à fala (VYGOTSKY, 1934/2001). O pensamento verbal não poderia, então, ser visto como algo natural e inato visto que o desenvolvimento de seus dois elementos constitutivos é permeado pelas experiências sócio-culturais, logo, o pensamento verbal é “uma forma histórico- social” (VYGOTSKY, 1934/2001, p. 149) de comportamento.

Não se pode falar em produção sem falar em atividade e, para Vygotsky, falar em atividade revolucionária implica a mudança da totalidade histórica (NEWMAN e HOLZMAN, 1993/2002). Vygotsky relaciona a sua teoria à visão marxista ao creditar às mudanças na sociedade, as transformações na vida humana que são frutos de atividades mediadas. A relação sujeito-mundo, que se constituiu como direta em seu surgimento, vai se transformando a partir da visão marxista e, mais tarde, com Vygotsky que introduz a ideia do uso dos instrumentos concretos e psicológicos como mediadores dessa atividade (VYGOTSKY, 1934/2008). A razão dessa transformação é que a vida passou a implicar algo além das condições naturais de existência: as condições de desenvolvimento do homem. A criação dessas novas condições de existência vai convergir para as relações sociais historicamente produzidas onde reside a origem das funções mentais superiores,

Segundo a teoria vygotskiana, a consciência emerge das relações significativas desenvolvidas entre os seres humanos em contextos de atividade, mediados pela linguagem. Nessa perspectiva, o desenvolvimento e aprendizagem estão intrinsecamente relacionados, pois a linguagem tem papel fundamental como

instrumento e resultado da mediação, já que ela permeia e constitui as atividades, mediando-as e proporcionando aprendizagem e desenvolvimento.

Ao defender que as funções mentais superiores são relações sociais internalizadas por meio da criação e do uso dos signos, Vygotsky (1930/2008) ressalta o papel preponderante da linguagem nos sistemas de atividade. Isso porque, a transformação do objeto da atividade acontece pela linguagem, que é produto e meio de comunicação entre pessoas, tomando parte na produção de conhecimento (LEONTIEV, 1977). Para Vygotsky, a linguagem é um meio de constituição do sujeito e não só de comunicação e o processo de formação de conceitos é uma etapa importante do desenvolvimento desse sujeito histórico-social. O autor distingue dois grupos: os conceitos cotidianos ou espontâneos, tudo o que é fruto de experiências pessoais e concretas da criança, vivenciadas no âmbito cotidiano, e os conceitos científicos, conhecimentos decorrentes de situações formais de ensino-aprendizagem, vividas no âmbito escolar. Na perspectiva vygotskiana, o processo de formação de conceitos é único e caracterizado pela constante influência que um exerce no outro, tendo sempre como base a perspectiva dinâmica e monista de desenvolvimento (VYGOTSKY, 1934/2001). Dessa forma, o ambiente escolar assume um papel central no desenvolvimento do sujeito histórico- social e é nesse contexto que a ZPD assume importância vital.

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