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3 The main study

3.5 Data analysis and discussion

3.5.1 The extent of acquisition

A mudança adotada levou em consideração a tentativa de investir os servidores de

empowerment na medida em que atribuiu ao servidor a responsabilidade de classificar a

requisição pericial quanto à complexidade. De modo geral, a iniciativa foi considerada positiva pelos gestores do processo, por considerarem que o perito é a pessoa mais adequada para fazer essa classificação.

No entanto, não houve qualquer treinamento, capacitação ou orientação básica, pois a tarefa de classificação foi considerada muito simples de ser executada, conforme avaliado pelos condutores da mudança. A fase de substituição das diretorias do INC e da DITEC também foi apontada como dificultador do processo, já que ocorreu bem na época da entrada em vigor da mudança.

E1: O treinamento em si para fazer o simples cadastro do grau de complexidade, ele é mínimo. Mas, mais do que o treinamento era criar um ambiente para que o perito se fortalecesse politicamente e se sentisse confortável para que ele começasse a fazer isso. Agora, de outro lado

também tem um limite. A exigência, se você cobra, ele começa a fazer. Nesse caso não precisa de muito treinamento, se existir cobrança, ele vai fazer.

E2: Não, porque é simples, é só colocar um valor no sistema. Acho que não há necessidade de treinamento, mas sim de conscientização, que ele precisa fazer aquilo e que ele tem que ser consciente para preencher aquilo conforme o que ele está recebendo.

E3: Se a classificação continuar sendo feita pelos peritos, eu acho que apenas uma orientação, um treinamento rápido, curto, que possa ser dado até localmente, porque é uma coisa simples, uma classificação que é o dia a dia dos peritos, então não há uma coisa muito aprofundada pra você poder tratar disso. Talvez com comunicações, informativos, ou chamar as lideranças, como o encontro de chefes de Setec, passar as informações e eles repassarem, isso poderia ser feito. Eu sei que nós tivemos dificuldades, o INC teve dificuldades para reunir, fazer um encontro de chefes ano passado, ou seja, após a implementação dessa regra, então isso atrasou demais em demonstrar o que era para ser feito, em virtude de problemas até de definição do diretor do INC, da Ditec, então isso atrasou. Mas não era necessário um treinamento no caso. Era apenas uma orientação de como é que tem que classificar. A ideia era, antes de implementar, fazer isso com os chefes, os chefes passariam o que tinha que fazer para classificar.

Considerando que houve pouca adesão dos peritos criminais, a decisão de passar essa responsabilidade aos peritos tem sido repensada pela administração, gerando questionamentos quanto à adequação de os servidores lidarem com essa responsabilidade, esse poder de decisão, e até mesmo pela possibilidade de deturpação dos dados.

E1: É extremamente positivo você passar aos peritos criminais a tomada de decisão sobre a classificação das requisições periciais. O que ocorreu nesse processo de tomada de decisão é que, talvez por falta de credibilidade, ou a menor cheiro de instabilidade nesse processo, o perito decidiu por não tomar aquela decisão, que talvez pudesse trazer mais responsabilidade a ele. O que supostamente seria positivo no processo, um perito criminal tomar decisões, ter responsabilidades, você verificou que a grande maioria não teve coragem, ou postura de tomar, ter para si estas responsabilidades, então todo perito entende-se capaz de decidir suas ações, mas quando ele teve responsabilidade, ele não tomou para si como positivo isso, apesar de que você deu essa autonomia a ele. Se o paradoxo seguinte: foi dado autonomia, foi positivo? Deveria ter sido, principalmente pelo tipo de característica do profissional perito criminal federal. Só que quando você deu a ele responsabilidade dos atos deles, ele se sentiu inseguro, pode ter sido por uma falta de treinamento, falta de comunicação adequada da visão, ou uma falta de credibilidade de quem tava passando esse poder pra ele, então ele pode ter se questionado, por que estão me passando esse poder? Tinha chefe de SETEC que queria concentrar esse poder, de ter um maior controle sobre o que o perito faz. Foi entregue um produto nobre pro perito, o poder de tomar decisão, mas nesse processo ele não quis tomar decisão.

E6: As pessoas não estavam querendo ter poder de decisão. Porque quando a gente discutiu se ia ter um valor default ou não, era justamente para não diminuir a tal chamada autonomia do perito, ele tem que ter a autonomia dele pra poder falar quanto tempo, como ele vai conduzir o trabalho dele. Eu discordo um pouco, eu acho que ele tem que ter autonomia para mudar, mas um valor básico já deveria ter. Porque a gente acabou tendo um indicador sem função. Acho que para a maioria não foi positivo, porque, acho que as pessoas de repente são mais felizes não tendo que tomar decisão.

E3: Por um lado você dá autonomia para o perito fazer isso, mas, por outro lado, o ser humano vai ser conduzido pela forma com que ele é cobrado. Então isso pode distorcer as regras quando ele tem essa autonomia prévia. Eu acho que índice de complexidade deveria ser baseado em indicadores prefixados com base nos históricos anteriores por tipo de laudo. Porque ele pode distorcer, colocar uma regra que seja mais benéfica pra ele, que melhor avalie ele próprio. Isso é natural do ser humano. Por isso é que eu acho que tinha de ser automático e não da própria pessoa que está colocando essa avaliação. Porque tem pessoas que podem ser éticas e colocarem ali de forma adequada, mas têm outros que vão colocar de forma a beneficiá-lo. Isso serve também pras próprias chefias, porque a chefia tem que dar uma validação naquela classificação. Mas como a chefia está sendo avaliado, porque os indicadores não são só pra perito, mas também pra unidade, e aí você pode ter distorções entre uma unidade e outra, e continuar tendo as distorções.