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Eierskapsforvaltning i regjeringen

Na Dinâmica Industrial (DI) a unidade de análise emerge das necessidades do seu exercício podendo, deste modo, ser encontrada num intervalo contínuo entre o extremo micro – a empresa ou partes da empresa – e a fronteira macro, a indústria ou a economia.

Por outro lado, a DI privilegia o processo, mais do que a estrutura, e centra a sua abordagem nos elementos de evolução, quer se trate de tecnologias, quer de empresas ou indústrias, e procura os formatos das interdependências criadas. Assim, de acordo com Carlsson (1989, p. 3), a DI deve centrar a sua análise em torno de quatro grandes áreas:

1. A natureza da actividade económica da empresa, a sua ligação à dinâmica da oferta e ao crescimento económico, em particular ao papel do conhecimento;

2. As mudanças que ocorrem, ao longo do tempo, nas fronteiras das empresas (grau de integração vertical) e ao nível de interdependência entre empresas;

3. O papel desempenhado pela mudança tecnológica e pelo enquadramento institucional na condução do progresso tecnológico a níveis macro e micro;

4. O papel da política económica, e da política industrial em particular, de facilitação ou de obstrução, nos ajustamentos da economia face à evolução das circunstâncias.

Como o presente texto procura demonstrar, este nível de abordagem afigura-se-nos o adequado para descrever a reconfiguração que decorre na indústria automóvel. Constitui, deste modo, o enquadramento para a análise que nos propomos realizar.

1. A Dinâmica da Oferta

A modelação dos elementos que caracterizam o lado da oferta é determinante para a compreensão das transformações económicas e industriais. Esta constatação é tanto mais verdadeira quanto, no presente caso, é este o foco da análise. Por outro lado, como sublinha Carlsson (1989), quanto menor for a componente de transformação física de inputs em

outputs no núcleo da actividade económica da empresa, maior a dificuldade da sua

representação como uma mera função de produção. Na realidade, o caso em consideração pretende capturar os sinais mais importantes que possam ter emergido nestas áreas.

A teoria dinâmica permite identificar a empresa como o núcleo das actividades de inovação e colocá-la no centro das transformações da indústria.

Como afirma Eliasson (1989, p. 24), “a actividade inovadora, os mecanismos da coordenação dinâmica dos mercados e a mudança organizacional são, em conjunto, as forças motoras do crescimento económico”.

De acordo com o mesmo autor, uma metodologia assente sobre uma análise micro deve integrar três elementos principais:

a) As economias de escala, envolvendo uma crescente especialização e exigindo níveis superiores de coordenação;

b) A livre entrada e saída de tecnologias por via da abertura económica e da livre competição; c) A internacionalização da actividade das empresas, permitindo-lhes, por um lado, a exploração de economias de escala e a utilização integral do seu potencial tecnológico e, por outro, a aprendizagem de novas tecnologias e a identificação de novas oportunidades de mercado.

No actual contexto da indústria, a velocidade com que as empresas e os Estados reconfiguram a atribuição de recursos em resposta à globalização é, igualmente, um elemento fundamental para a compreensão da sustentabilidade das suas posições a prazo. Deste modo, é possível subscrever a posição de Carlsson: num mundo dinâmico, a eficácia, entendida como a atribuição de recursos a opções que aumentem a probabilidade de uma prosperidade de longo- prazo, é mais importante do que a eficiência, medida pela utilização dos recursos em actividades que maximizem o output para um dado nível de recursos.

Uma primeira análise da realidade do cluster automóvel da Galiza vem confirmar que, a par da existência de factores caracterizadores de uma lógica de eficiência, emergem elementos configuradores de uma abordagem estratégica. No entanto, uma medida dos indícios dessa mudança deverá ser realizada de modo a integrar, também, abordagens micro em que se quantifique e se qualifique não só as consequências no output económico, mas, também, o conteúdo da actividade da empresa e das entidades que com ela interagem em áreas como, por exemplo, a I&D, a engenharia e a gestão.

Para que esta abordagem seja viável, torna-se necessária a integração de conceitos desenvolvidos, quer na esfera mais próxima da engenharia, quer no espaço da interacção com

mera gestão de materiais, antes e durante as fases de transformação industrial dos produtos, para se posicionar como uma nova filosofia de produção (Menezes, 1999, p. 31). Estas são dimensões cuja integração tem sido realizada nas últimas décadas.

2. Fronteiras da Empresa e a sua Interdependência

Um segundo elemento da DI inscreve a análise da divisão de trabalho, ou do grau de especialização das empresas, como indispensável para a compreensão das mudanças durante um processo de transformação industrial. Neste âmbito, podem ser reconhecidos dois campos de análise:

a) O primeiro aborda a mudança institucional e organizacional a diversos níveis, nomeadamente, o grau de integração vertical, as fronteiras da empresa, a natureza e o grau de interdependência entre empresas e os modos como esta propriedade se expressa em termos de localizações;

b) Uma segunda área analisa a relação entre a estratégia e a escolha de formas organizacionais apropriadas, favorecendo a coerência entre a estrutura e a função económica da empresa20. No que respeita à indústria automóvel, Boyer e Freyssenet (2000) salientam a emergência de Novos Modelos Industriais como resultado da crescente desregulação do comércio internacional e da aplicação do conceito de lean production. No contexto desta indústria, tem sido possível demonstrar a diversidade e a divergência das trajectórias das empresas, sublinhadas tanto pelo espectro alargado de políticas de produto, da organização produtiva e das relações industriais, como pela hibridação dos sistemas de produção, em resultado da expansão para novos espaços de mercado e de produção.

O modelo subjacente pode ser entendido como uma evolução de uma linha de abordagem dos aspectos da integração versus desintegração vertical, propondo-se procurar variáveis explicativas:

− na correlação entre divisão de trabalho e a extensão de mercado; − na velocidade da mudança tecnológica e da incorporação da inovação; − na história das empresas e da indústria;

− na interacção entre tecnologia e formas organizacionais.

Dahmén (1989) equaciona a interdependência entre empresas no âmbito de uma questão complementar à análise da fronteira: a interligação das empresas em termos de tecnologias e mercados (aspecto que se reveste de uma grande proximidade metodológica em relação à

abordagem centrada nos clusters). Neste caso, o autor introduz o conceito de bloco de desenvolvimento (development block) para descrever o conjunto de factores do desenvolvimento industrial que, de forma estreita, são interligados e interdependentes. Alguns destes factores estão relacionados com os sinais associados aos custos e aos preços nos mercados que, referenciados pelas empresas, dão origem quer a novas tecnologias e a novos produtos, quer a novos mercados, quer, ainda, a novos modos de organização e distribuição de actividades. São vários os elementos que tornam este conceito particularmente interessante. Ao colocar a transformação no centro da análise, o “bloco de desenvolvimento” é apropriado às situações dinâmicas nos agregados – unidade de análise. No entanto, a observação é o resultado da compreensão das mudanças ao longo do tempo entre e dentro das micro entidades. Estas mudanças, que são a essência da DI, implicam desequilíbrios que estão no âmago dos processos de transformação. Por outro lado, aquele conceito sublinha os papéis das complementaridades e da tensão estrutural como causas e agentes dessa transformação.

No nosso caso, vislumbra-se particularmente importante prosseguir esta vertente, dado o nosso objectivo de compreender a evolução do cluster da Galiza, num contexto de tensões estruturais resultantes da reconfiguração da indústria.

Segundo Imai (1989), no desenvolvimento industrial, as empresas não agem de forma independente, mas interpenetram-se. A inconsistência das expectativas é ajustada na interacção entre empresas e mercados e as linhas de integração vertical passam a assumir contornos mais esbatidos.

3. Mudança Tecnológica e Enquadramento Institucional

O papel da inovação e da mudança tecnológica é, ainda de acordo com Carlsson (op. cit.), um dos elementos fundamentais da transformação industrial e uma das fontes dos desequilíbrios referidos anteriormente. Por um lado, o modelo de mudança tecnológica deve permitir uma análise do carácter e do papel da inovação como uma força endógena e, também, do enquadramento institucional, aos níveis micro e macro, conducente ao progresso tecnológico. Por outro, não se pode escamotear o impacto da mudança tecnológica quando esta é exógena – como, aliás, tem sucedido no caso da rápida integração da electrónica na indústria

variáveis-chave que influenciam a eficiência, na natureza dos constrangimentos que impedem a sua melhoria, nas heurísticas aplicáveis para a resolução de problemas, etc.

Por outro lado, a tecnologia pode comportar um conjunto de formas específicas de fazer as “coisas” ou produtos. Estas são tidas como efectivas no alcance dos objectivos quando executadas através de competências razoáveis no contexto apropriado.

No nosso caso, embora os aspectos da mudança tecnológica não tenham sido objecto de análise como variáveis explicativas, estão presentes como elementos enquadradores a dois níveis:

− pela identificação de um regime de inovação permanente, específico à actual fase da indústria automóvel, que condiciona as expectativas dos consumidores quanto aos novos modelos a serem lançados no mercado e que servem de base para estabelecimento de uma convenção entre estes e os construtores; as áreas envolvendo a motorização, a electrónica, nos diversos formatos de interacção do condutor e dos ocupantes com o veículo e as infraestruturas, e os interiores são as direcções mais referidas;

− pela diferenciação tecnológica das operações e das competências mobilizadas que acompanha os processos de especialização e localização de actividades.