Em Portugal, a eletrificação iniciou-se no final dos anos 70 do século XIX, resultante das atividades de produção e distribuição de energia elétrica. Todavia, as redes elétricas situavam-se apenas em locais centrais das grandes cidades, sem abranger todo a área citadina.
No início, o sistema elétrico era composto por pequenas redes isoladas que alimentavam pequenas potências de consumo. Nos inícios do século XX, os sistemas elétricos foram-se multiplicando, de forma gradual, por todo o país, sendo que as centrais produtoras surgiam sob a forma de pequenas centrais térmicas e de queda de água, sem que houve, ainda, qualquer tipo de política relacionada com as interligações ou conceito de rede elétrica. Posto isto, nasceram, assim, os primeiros regulamentos administrativos referentes à segurança das instalações sendo que o setor elétrico iniciou a sua expansão, ao longo do tempo foram-se desenvolvendo novas tecnologias e foram sendo utilizados novos recursos tendo tudo isto culminado com um sistema interligado a nível nacional e europeu através da interligação com o país vizinho, Espanha [1][6][7].
As primeiras manifestações públicas relacionadas com o uso de energia elétrica eram de carácter passageiro. A eletricidade, de forma gradual, começava a ser um assunto de interesse, em particular pelas indústrias, que viam a hipótese de haver iluminação no interior das próprias, sendo que muitas fábricas estabeleceram as suas próprias centrais para utilização dos mesmo [5].
Portanto, grande parte das cidades, em Portugal, aderiram à eletricidade visto que se reconhecia as vantagens intrínsecas a esta nova forma de energia. Todavia, os custos em conjunto com o pouco conhecimento na área, bem como a carência de equipamentos e prazos estendidos das concessões que tinham sido concedidas a empresas privadas, originavam que estes mesmo projetos fossem concretizáveis apenas em determinados locais, retardando, assim, a introdução da eletricidade na iluminação pública. Lisboa e Porto foram as primeiras cidades a terem redes públicas de iluminação [5].
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No final do século XIX, três cidades estrearam, também, as suas redes de iluminação pública: Braga, em junho de 19893; Vila Real, em março de 1894 e Guarda, em janeiro de 1899. Ao longo da primeira metade do século XX, as instalações das redes elétricas difundiram-se para as restantes cidades portuguesas [5].
Porém, devido à Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a instalação das redes elétricas em território nacional diminuiu, sendo que retardou a maioria das iniciativas de instalação das mesmas, bem como o acesso aos equipamentos e aos peritos que residiam, em grande parte, nos países em que se encontravam em guerra. No período pós-guerra, arrancou, novamente, o processo de instalação de redes elétricas, de maneira a que no final deste período, 116 municípios já possuíam redes elétricas. Até ao final do ano de 1944, a eletrificação de Portugal apresentava um desenvolvimento acelerado [5].
Entre a inauguração da primeira rede elétrica no Porto, em 1888 e o último, em 1926, verificou- se que 120 concelhos já possuíam redes elétricas. No final de 1944, esse mesmo número subiu para 250 concelhos, sendo que para um pequeno período de tempo houve um aumento significativo no número de concelhos que passaram a usufruir de eletricidade [5].
No ano de 1944 foi publicada a Lei nº2002 denominada Lei da “Electrificação do País”, sendo aprovada a 24 de dezembro desse mesmo ano, sendo que o setor elétrico se alterou de forma significativa, aparecendo, assim, os primeiros resultados de uma política de electrificação a nível nacional. O Estado começou a desempenhar um papel mais ativo, impondo novos limites e diminuindo o número de agentes presentes no setor, de modo a que todo o setor elétrico passasse a ter uma articulação mais lógica e sensata. Em 1947 foi formada a Companhia Nacional da Eletricidade, CNE, sendo esta entidade responsável pela construção e exploração da rede de transporte, cujo objetivo principal era a interligação dos diversos sistemas de produção do país recorrendo a linhas de 150 kV. De seguida, iniciou-se a exploração das linhas de alta tensão, AT, recorrendo, para isso, à inserção do nível de tensão de 220 kV. Já nos finais dos anos 60 ocorreu a fusão das empresas concessionárias da Produção e Transporte de energia elétrica em apenas uma, a Companhia Portuguesa de Eletricidade [6][7][16]. Em abril de 1975 ocorreu a nacionalização das empresas de produção, transporte e distribuição do país, sendo que, no ano seguinte, 1976, foi criada a EDP, Eletricidade de Portugal, sendo nos dias de hoje denominada de Energias de Portugal. Esta empresa resultou da fusão das 13 empresas nacionalizadas, recuperando, de certo modo, o setor elétrico, que antes era explorado por agentes particulares e também públicos. Portanto, a EDP tinha como objetivos principais a continuação da eletrificação de Portugal, incluindo o desenvolvimento das redes de distribuição dos municípios e melhorando a qualidade do serviço, fixando, também, uma tarifa uniforme a nível nacional [6][7][16].
Nos finais da década de 80, com a aprovação do Decreto-Lei 189/88 que englobava disposições de incentivo aos investimentos em pequenos aproveitamentos hídricos, parques eólicos e centrais de cogeração, a EDP fica obrigada a aceitar, nas suas redes, a energia elétrica produzida por tais instalações, bem como recompensar a injeção da mesma energia elétrica conforme tarifas consideradas bastantes simpáticas na época. Este tipo de produção de energia elétrica foi intitulado de Produção em Regime Especial, PRE [1][6][7].
A EDP operou como uma empresa estatal verticalmente integrada, de natureza monopolista sobre distintas áreas do setor elétrico, até que, com a publicação do novo quadro legislativo no final dos
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anos 80 e inicio dos anos 90, que viabilizou o aparecimento de concorrência, se deu a sua cisão em 1994, tendo sido constituídas subsidiárias nas áreas de produção, transporte e distribuição. Assim, foi formada a REN, então Rede Elétrica Nacional SA, designada, nos dias de hoje, por Redes Energéticas Nacionais SA. Esta empresa possuí como principal função a gestão da atividade de transporte, a gestão do sistema do Despacho Nacional e das interligações com Espanha [6][7][16]. Posteriormente, em 1995, no âmbito do pacote legislativo de 1995, o Sistema Elétrico Nacional, SEN, foi organizado em duas unidades: Sistemas Elétrico de Serviço Público, SEP, e Sistema Elétrico Independente, SEI. Foi ainda prevista nessa legislação a criação ERSE, então Entidade Reguladora do Setor Elétrico, hoje em dia denominada por Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos. A esta entidade, já referenciada antes, foram atribuídas funções ao nível regulamentar, sancionatório e administrativo [1][6][7].
No ano de 2000 sucederam-se mudanças profundas quer na EDP quer na REN. No que diz respeito à EDP, grande parte do seu capital social foi privatizado. Relativamente à REN, o estado adquiri cerca de 70% do seu capital com o intuito de fortalecer os requisitos de transparência e isenção da ação da mesma como Operador de Sistema [1][3]. Estas medidas contribuíram, assim, para acelerar o processo de reestruturação do setor elétrico no país, apesar de apenas se ter iniciado no ano de 2003. A 20 de agosto de 2003 ocorreu a publicação dos Decretos-Leis nº184/2003 e 185/2003 que confirmou a criação do Mercado Ibérico de Eletricidade, MIBEL, recorrendo, para isso, a acordos internacionais entre Portugal e Espanha em anos antecedentes [3].
Em dezembro de 2011, o estado português vendeu a sua percentagem no capital social da EDP a uma empresa de origem chinesa, Three Gorges Corporation. Devido a isto, ocorreu a privatização total da EDP. EM fevereiro do ano seguinte, o Estado vendeu cerca de 40% da capital social da REN, sendo que 25% foi adquirido pela empresa chinesa State Grid e 15% pela Oman Oil [17][18][19].