2.1 Climate gases with natural and anthropogenic sources
2.1.1 Carbon dioxide (CO 2 )
A identidade pode corresponder a sentidos e expressões diferentes em função do elemento construtor dessa identidade. Ela é pessoal quando é construída pelo eu, pelo próprio, face ao que quer transmitir aos outros. É a auto-imagem de si, referente ao indivíduo e à consciência de si próprio.
Quando é sustentada pela ideia de que é partilhada por um conjunto de indivíduos com características ou comportamentos comuns, fala-se então de identidade colectiva. A identidade colectiva confere ao grupo a noção do todo, a partir da construção do sentimento de pertença por partilha de traços físicos ou comportamentais, lógicas de acção ou de pensamento. Essa identidade colectiva é reforçada, para além da “sintonia interna”, por um processo de diferenciação face aos outros.
A identidade é social quando são os outros que concebem a imagem do eu, a partir das suas acções e das suas representações. A construção do eu por parte dos outros faz com que haja uma representação que é criada em torno daquela identidade. Esta identidade social tem um significado social e implica uma valoração
também ela social. Há uma dimensão simbólica que sustenta a construção da identidade social que não pode ser descurada.
Decorrente da relação entre o indivíduo e a sociedade e do facto de daí resultarem duas identidades – a individual e a social –, Jenkins (1996) fala em “identidade individualmente única” e “identidade colectivamente partilhada” enquanto identidades interligadas, dependentes uma da outra e ambas intrinsecamente sociais.
Contudo, ela pode ainda ser institucional e organizacional. Se o eu não for um indivíduo, um ser humano, mas antes uma instituição e em torno dela forem criadas, por si ou pelos outros, imagens de si, então a identidade será institucional.
Tal como acontece com a identidade pessoal (do eu) e social (dos outros), haverá uma identidade produzida pluralmente e outra singularmente perante entidades ‘abstractas’ e que não sejam indivíduos concretos. Nesta linha de reflexão, a identidade institucional corresponde a uma vertente plural da concepção de uma imagem de si. O todo que é a instituição, enquanto entidade que congrega formas plurais de comportamento estabelecidas, organizadas de forma recíproca e com um objectivo comum, concebe e transmite uma imagem de si, quer na forma discursiva, quer através das suas práticas. Retoma-se o conceito de instituição mais adiante.
Cada forma de comportamento pode ser adoptada por um conjunto de elementos coordenados entre si, que procuram concretizar um mesmo objectivo que se entende como organização. Cada organização pode apresentar-se com uma estrutura específica, de forma a organizar as inter-relações entre os vários elementos. Essa organização pode construir uma auto-imagem distinta das demais e cada organização estará capaz de criar a sua imagem singular, ou seja, a sua identidade organizacional.
Não se centrando no tipo de sujeito, mas nos sentidos da identidade, Guy Bajoit (2005) trabalha o conceito numa análise em triangulação: procurando três objectivos, três “bens” de que precisa de igual forma e que procura conciliar – realização pessoal, reconhecimento social e consonância existencial –, o indivíduo acaba por desenvolver três identidades, a saber, a identidade comprometida, que representa o que o
indivíduo é e os compromissos que ele assume, a identidade desejada, o que o indivíduo teria querido ser, e a identidade atribuída, associada ao que ele pensa que os outros pretendem que ele seja.
Decorrente destes três tipos de objectivos, que dão origem a três identidades diferentes, resulta aquilo que Bajoit designa como “trabalho sobre si”, ou seja, a construção de uma identidade pessoal e que tem reflexos no “trabalho sobre os outros”. Sem querer alongar demasiado com esta abordagem de Bajoit, que se considera bastante interessante e pertinente, quer-se contudo mostrar a sua passagem das identidades aos sujeitos (e aos perfis, acrescenta-se) como forma de categorizar modos de acção e, em consonância, identidades. O sujeito que não entra em nenhuma das lógicas que envolve o “trabalho sobre si” ou o “trabalho sobre os outros” será um sujeito anónimo (no sentido que Durkheim lhe deu). Essa passagem das identidades (e dos “trabalhos”) aos tipos de sujeitos está esquematizada aqui:
! @ ! ! ! ! " G D D D ! # G < D A D < D ! $ G D ; D D Fonte: Bajoit, 2005: 211
Susana Nascimento (2001), no seu estudo em torno das identidades no ciberespaço, fala em “identidades revisitadas” como aquelas em que se presencia a mutação dos elementos identitários, reestruturados em função dos novos contextos e experiências, as “identidades volúveis”, caracterizadas pela sua flexibilidade num processo de formação não linear, e as “identidades metamorfas”, moldando-se e transformando-se incessantemente, em função dos mundos ou dos contextos em que se manifestam.
A identidade pode ser, então, abordada em diversos sentidos, e corresponder a diferentes sujeitos.
Dubar (1997) fala dos quatro tipos de identidade para Renaud Sainsaulieu (sobre a construção identitária no trabalho): a identidade “de refúgio”, que combina a preferência individual com a estratégia de oposição; a identidade “de fusão”, que conjuga a preferência colectiva com uma estratégia de aliança; a identidade “negociadora”, que alia a polarização no colectivo com uma estratégia de oposição; e a identidade “de afinidade”, conciliando a preferência individual com uma estratégia de aliança. Esses quatro tipos de identidade poderiam ser esquematizados da seguinte forma:
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Na sequência das interrogações em torno da mudança de clima identitário nas universidades, Celia Whitchurch (2008) desloca essa questão para um espaço de debate que, segundo ela, carece de reflexão: partindo dessa mudança de identidade académica, questiona-se que impacto tem essa mudança nos profissionais, e até que ponto não podem decorrer daí identidades mescladas. Deixando apenas esta referência como exemplo da forma como a redefinição da formação implica muito para além da reestruturação dos cursos, do ensino ou do subsistema, retoma-se o objecto de reflexão.
Enquadrando uma diferenciação de identidades no que ao tema que se escolheu nesta investigação diz respeito, entende-se a identidade do ensino politécnico traçada a partir das práticas semelhantes e com objectivos coincidentes por parte dos seus agentes, como identidade institucional. Esta toma como referência o todo, global, e diferencia-se explicita ou implicitamente de outras identidades institucionais que se observem dentro do sistema, em concreto a identidade universitária.
Contudo, o discurso e as práticas dos agentes de uma mesma organização poderão ter como referência uma cultura específica, singular, particular da organização e que se distinga de outras organizações institucionalmente seus pares mas que se encontrem estruturadas de forma diferente, com normas e sentidos de relação distintos. Nesse sentido, a identidade de cada unidade de ensino politécnico, a partir de um discurso em torno do “nós-organização” e não “nós-politécnico”, será uma imagem de si construída numa base organizacional, uma identidade institucional sobre a qual também é construída uma identidade social do exterior e para o exterior.
Poderá ainda ocorrer que – não se exclui essa hipótese – dentro de uma mesma organização se moldem diferentes eus, não havendo consenso entre os actores ao ponto de se formarem grupos, campos, movimentos distintos por corresponderem a eles diferentes visões sobre o que é ou o que deve ser a própria organização. Negar essa diferença interna seria assumir que todos os agentes sociais envolvidos em cada organização seriam “clones” uns dos outros e que não haveria neles lugar para o individual. Contudo, nesta investigação, foi convocada uma só voz, conforme se referenciará mais adiante: a do representante da organização, na grande maioria dos casos o seu dirigente máximo.