• No results found

Bransjen og bedriftene

In document Utleie av arbeidskraft 2011 (sider 36-43)

Considerando que o objetivo central da disciplina Instrumentação para o Ensino de Biologia é dar suporte teórico-prático aos professores para a construção de aulas mais dinâmicas e desafiadoras, optamos por tratar os assuntos relativos ao pensamento teleológico em apenas uma pequena fração do curso. Levando em conta a estrutura da disciplina em quinze encontros semanais com duração de duas horas cada um, iniciamos os trabalhos dividindo-os em três encontros com a duração total de seis horas.

1) Primeira etapa: discussão sobre evolução e júri simulado

O trabalho teve início com uma dinâmica de apresentação oral. A exposição do tema se deu a partir de uma dinâmica que apresentava afirmativas de caráter finalista e teleológica com o objetivo de provocar as professoras para a discussão. Seguiram-se questionamentos, abaixo apresentados que foram registradas de forma escrita e individual. Toda a sessão foi áudio gravada. 22

A- O que significa dizer que um animal é mais evoluído do que outro?

B- As espécies de mamíferos são mais evoluídas do que as espécies de bactérias. Comente esta afirmação.

C- Ao longo da história da vida várias espécies de mamíferos deixaram de existir. Por quê? Explique

D- Dentre os seres vivos os órgãos e sistemas humanos são aqueles que atingiram o mais alto grau de organização. Você concorda? Explique

Nesta etapa, o nosso intuito era construir um diálogo com as professoras sobre a temática evolução de forma que suas respostas nos dessem condições de compreender como operam com o tema; em outras palavras, conhecer preliminarmente quais idéias de evolução circulavam entre elas.

O passo seguinte consistiu na exposição do tema teleologia e, para tanto, nos utilizamos de alguns textos previamente selecionados como apoio para os debates na seqüência de aulas planejadas neste curso de pós-graduação. Em um primeiro momento, iniciamos a apresentação tomando como referência os argumentos utilizados por Barahona (1998). A apresentação se deu por meio de uma exposição oral, situando historicamente o pensamento teleológico na formação e consolidação da Biologia como

22

A gravação em áudio nos permitiu identificar aspectos de grande relevância para a pesquisa, assunto que será pormenorizado no capítulo seguinte.

campo de conhecimento, destacando as polêmicas que sempre envolveram o uso do pensamento teleológico nas Ciências e, particularmente, na Biologia.

Em seguida, foram apresentados os argumentos favoráveis ao uso de alguns tipos de teleologia defendidos por Ayala (1998) em seu artigo e, por fim, argumentos contrários ao uso da teleologia de alguns autores, seguidos de uma proposta de renomeação do tema feita por Mayr (1998b e 2005). Pretendíamos com estes procedimentos inserir as professoras no debate, explicitando aspectos da complexidade conceitual dos argumentos relacionados ao pensamento teleológico das Ciências Biológicas. Como reconhecemos a dificuldade de atingir unanimidade quando o assunto é o pensamento teleológico e para tornar mais inteligível a complexa rede que estrutura o pensamento teleológico, montamos um mapa conceitual, baseado em diversos autores. A idéia era organizar os elementos conceituais e produzir um quadro panorâmico de como a teleologia é pensada pelos estudiosos. Este mapa foi apresentado às professoras durante a apresentação do tema (ver mapa número 1 p, 34).

Optamos por uma etapa de intervenção didática na pesquisa em função da novidade que o assunto representava para as professoras. Assumimos que, mesmo estruturando diversos diálogos e construções em suas salas de aula de Biologia, as professoras não tinham consciência de que estavam utilizando argumentos ou explicações teleológicas. Desta forma, esperávamos que a dinâmica inicial pudesse introduzir noções dos conceitos de teleologia e pensamento teleológico de forma mais produtiva. Assim, após a exposição e a discussão, propusemos a realização de um debate em torno da validade do uso do pensamento teleológico, por meio de um “júri simulado”. A estratégia visava fomentar uma polêmica que permitisse as professoras expressarem os argumentos teleológicos em situações de ensino. Neste momento, as professoras formaram dois grupos: o que validava e legitimava o pensamento teleológico nas explicações de sala de aula, e o outro, que apresentou argumentos contrários ao seu uso.

2) 2ª Etapa: a temáticas evolutivas

A segunda etapa teve como principal objetivo compreender como as professoras de Biologia ensinam determinados tópicos ligados às temáticas evolutivas e analisar se, e como, trabalham com os argumentos teleológicos. Assim, tivemos como estratégia a proposição de situações-problema que se pautavam em explicações teleológicas corriqueiramente utilizadas no dia-a-dia da sala de aula. Todas as situações-problema e situações de ensino foram elaboradas especificamente para este estudo.

Iniciamos esta etapa com um breve texto baseado na exibição de um vídeo de divulgação científica, que é um recurso didático bastante comum em sala de aula:

Durante a exibição de um filme de divulgação científica, o narrador apresenta o Guepardo: “o animal mais rápido do mundo. Grande felino africano que vive nas savanas e que na sua velocidade sua maior qualidade” O narrador destaca ainda a anatomia do animal como um dos fatores responsáveis pela grande velocidade atingida. “Anos e anos de evolução projetaram o Guepardo para atingir grandes velocidades em um curto espaço de tempo e durante pouco tempo, ele é um sprinter.”

Questões: Você acredita que possa haver algo que comprometa o aprendizado de evolução no texto do narrador?

Que conceitos evolutivos estão colocados no texto do narrador? De que forma você reconstruiria este texto?

3) 3ª Etapa: explicações teleológicas em situações de sala de aula

A etapa seguinte consistiu na análise extraída de diários de campo de licenciandos da disciplina Práticas Pedagógicas e Contexto Escolar do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal Fluminense23. Nesta etapa, buscamos

analisar nas falas das licenciandas durante suas aulas a alunos do Ensino Médio, situações vividas corriqueiramente em sala de aula. Era nossa intenção, nesta etapa da pesquisa, trazer elementos do cotidiano das aulas de Biologia que possibilitassem aproximações com as experiências vividas pelas professoras em suas escolas.

(a) Licencianda A. Data da aula: 22/06/05. Tema: Relações ecológicas – turma de 3º ano.

Durante a sua regência a licencianda faz a seguinte afirmação:

“Não é legal para o parasita que o hospedeiro morra. O parasita quer que o hospedeiro viva.”

(b) Licencianda B. Data da aula: 28/06/05. Tema: Relações ecológicas – turma de 3º ano.

Durante a sua regência a licencianda faz a seguinte pergunta:

“Qual a vantagem ou benefício que a bromélia obtém ao se fixar no alto da árvore?” Resposta do aluno:

“Para absorver mais luz.” e a licencianda diz:

“É isso mesmo, se a planta ficasse nas partes mais baixas seria prejudicada por conta da pouca luz”.

Questionamentos:

1. O que você acha das afirmações das licenciandas A e B? 23

Os trechos utilizados nesta etapa da pesquisa resultam de observações de aulas realizadas pela professora Sandra Escovedo Selles em seu trabalho de supervisão docente em escolas estaduais no Grande Rio. Os licenciandos foram informados do uso destes extratos com fins de pesquisa e estes não contêm nenhuma identificação das pessoas bem como das escolas onde se deram tais atividades docentes.

2. Que conceitos evolutivos estão expressos na afirmação da licencianda? 3. Há algum objetivo na ação do parasita ou da planta em relação ao ambiente? 4. Como você explicaria este tópico?

Para o debate, dividimos a turma em dois grupos, mesclando, em cada um deles, professoras com diferentes anos de exercício no magistério: professoras com mais anos de magistério e professoras com menor experiência. Com esta “mistura” buscamos obter maior riqueza de dados, dada a heterogeneidade do grupo em relação à experiência. Acreditávamos, em nível hipotético, que professoras com maior tempo de sala de aula reconheceriam com mais facilidade as situações de ensino em que o pensamento teleológico estaria presente e que, por conta de sua experiência, pudessem expressar seus saberes construídos no dia-a-dia, enriquecendo o debate. Por outro lado, também tínhamos expectativa que as professoras menos experientes, por se tratarem de recém- formadas, trariam argumentos mais próximos da ciência de referência, aprendidos na formação inicial. Tomamos estas hipóteses apenas como uma forma de organização e, não necessariamente, uma previsão de resultados.

Tal estratégia nos possibilitou criar um ambiente de discussão para fazer circular as diferentes idéias, o que é essencial para um debate profícuo. Tardif & Lessard (2005:235) afirmam que a principal característica do trabalho docente é a interatividade, em outras palavras, significa dizer que a docência se desenrola concretamente dentro das interações entre grupos e/ou indivíduos através de constantes interferências em uma contínua alternância de relações. Portanto, como se tratavam de situações de ensino muito corriqueiras, a discussão provocada pela situação de ensino abriu espaço para que as professoras expressassem seus saberes em relação ao uso das explicações teleológicas nas suas aulas. Tal estratégia nos conduziu à criação de um ambiente de discussão em que circularam informações de diversas fontes. Abriu-se assim, aqui a possibilidade do compartilhamento de diversos saberes - saberes disciplinares, curriculares, profissionais e experienciais – que, segundo Tardif (2002) constituem-se, de forma amalgamada, os saberes docentes.

A opção pelo relato escrito individual nos trouxe a oportunidade de verificar a existência de possíveis discordâncias. A partir da análise das questões pudemos estudar como as professoras encontram soluções para explicações de mecanismos evolutivos básicos, ao mesmo tempo em que nos ajudou a compreender os elementos e as articulações usadas para estruturar suas respostas. Pensamos que esta estratégia remete- nos às fontes dos saberes docentes, conforme assinala Tardif (2002:16):

O saber dos professores parece estar assentado em transações constantes entre o que são (incluindo suas emoções, a cognição, as expectativas, a história pessoal deles etc.) e o que fazem.

(grifos do autor)

Este debate foi registrado em áudio e fez surgir algumas questões relevantes para nosso estudo: há diferenças no uso da teleologia do ponto de vista científico e do ponto de vista didático? Seria possível pensar que existem situações de ensino em que o uso da teleologia é mais produtivo? Caberia nos perguntar ainda, se do ponto de vista didático, há situações em que o uso da teleologia seria inócuo aos alunos ou, ainda, seria o mais indicado neste caso?

4) 4ª Etapa: analisando teleologia em livros didáticos

Por fim, realizamos uma análise de alguns textos de livros didáticos a fim de verificar em que medida estes contém ou conduzem a explicações teleológicas. Esta estratégia foi incluída para registrar se as professoras identificavam seus próprios discursos expressos nos textos dos livros didáticos. Possibilitou-nos ainda examinar como as professoras lidam com os argumentos teleológicos presentes em sala de aula, uma vez que, orientados pelos argumentos de Selles & Ferreira (2004:104), entendemos que o livro didático atua como mediador dos diferentes saberes que circulam no ambiente escolar. Como as autoras, concordamos que os professores descobrem, por meio do trabalho cotidiano, esta mediação de saberes, pois “os livros não trazem somente conteúdos a serem ensinados, mas também uma proposta pedagógica que passa a influenciar de modo decisivo a ação docente” Assim, não tínhamos como intenção que as professoras analisassem o conteúdo dos livros do ponto de vista do conhecimento científico, mas sim, que buscassem aproximações entre sua forma própria de explicação dos conteúdos biológicos com aquela expressa nos materiais didáticos selecionados.

Os livros didáticos utilizados eram, em sua maioria, adotados pelas próprias professoras em suas escolas. Para a análise proposta, foram selecionados trechos em que o pensamento teleológico estivesse sustentando a explicação de um processo biológico complexo. Abaixo seguem trechos dos livros didáticos adotados pelas professoras e utilizados nesta etapa da pesquisa:

“Os pulmões são massas esponjosas dotadas de grande número de fibras elásticas. Cada um deles é dividido em partes chamadas lobos. O pulmão direito possui três lobos; é mais largo e mais curto

que o esquerdo, para facilitar o alojamento do coração e do fígado. Já o pulmão esquerdo possui dois lobos.”

Biologia em foco, vol. Único. Carvalho, W. - SP: FTD 2002. P. 174

“Mamíferos são animais cuja característica fundamental é a presença de glândulas mamárias.

Essas glândulas têm por finalidade secretar o leite, primeiro alimento do recém-nascido.”

Coleção Horizonte - Ciências Seres viva 6ºsérie. Fonseca, A. - SP: IBEP s/d. p.17.

Como dito anteriormente, esta etapa buscava entender em que medida o livro didático é um dos elementos que alimenta a circulação de argumentos teleológicos em sala de aula e ainda compreender como as professoras lidam com estes argumentos, uma vez que estes materiais encontram-se presentes em suas salas de aula. Assim sendo, utilizamos dois questionamentos para orientar a leituras dos textos selecionados:

A - Você percebe nos textos acima algo que possa, de alguma forma, comprometer uma situação de ensino?

B - Para que aspectos do texto você chamaria a atenção do aluno? Justifique.

In document Utleie av arbeidskraft 2011 (sider 36-43)